28 novembro, 2016

É inevitável sofrer




Por Ruy Cavalcante
"Se dispuseres o coração e estenderes as mãos para Deus; se lançares para longe a iniqüidade da tua mão e não permitires habitar na tua tenda a injustiça, então, levantarás o rosto sem mácula, estarás seguro e não temerás. Pois te esquecerás dos teus sofrimentos e deles só terás lembrança como de águas que passaram". (Jó 11:13-16)

Existem muitas razões para o sofrimento. Às vezes são frutos de erros nossos, às vezes erros dos outros, erros de quem amamos. Contudo, na maioria das vezes parecem ser consequências da própria odisseia da vida.

Por ser inevitável, isso (o sofrimento) não é tão importante, mesmo que nos faça ter dias nebulosos. Não é importante, mas não se pode ignorar que não é fácil quando o dia mal chega, quando a dor invade, quando a sensação de ter perdido surge esmagando nossa alma.

Mas há uma forma de se conseguir superar a dor, e torna-la apenas uma lembrança embaçada. Quando nos dispusermos a Deus, quando Ele for reconhecido como o Elo que dá a vida e a mantém, e mediante isso orientarmos esta mesma vida em favor de Sua glória.

Quem vive dessa forma será comparado a casa edificada sobre a rocha, disse Jesus. A doença, a traição, a catástrofe ou a necessidade não serão capazes de derrubar a vida de quem teve seu coração realmente ligado a Deus, e a única forma de se unir a Ele é mediante a cruz de Cristo.

Com Ele podemos suportar todas a coisas, pois nos fortalece. Como Ele nada nos separará do amor de Deus, que nos sustenta.

Se isso acontecer, conseguiremos falar como o apóstolo Paulo, a respeito de suas próprias, e graves, aflições:

"pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles". (2 Co 4:17)

A Graça de Deus sustém o universo, e sua Glória se manifesta em tudo que vive, em tudo que existe. Viver para a Glória de Deus é a resposta para o sofrimento humano.

Viver para a glória de Deus. Amar para a glória de Deus. Perdoar para a glória de Deus. Resistir para a glória de Deus.

Nessa odisseia da vida, necessitamos dEle. Não esqueça.



29 outubro, 2016

Conferência Vozes




O Blog Intervalo Cristão e a Igreja Batista Restauração promovem a primeira conferência cristã de cunho totalmente apologético, e gratuito, do Estado do Acre.

A Conferência Vozes é um evento cristão, de raiz apologética como dito, que visa a produção de conteúdo cristão de qualidade, cristocêntrico e gratuito, a fim de contribuir com a saúde espiritual da Igreja acriana, entendendo que esta só é possível com a ênfase na suficiência das Escrituras para a salvação e edificação da mesma.

Sua primeira edição acontecerá entre os dias 18 e 20 de novembro de 2016, em Rio Branco, Estado do Acre, no templo da Igreja Batista Restauração conforme programação oficial, e terá a seguinte temática: “Resgatando a centralidade de Cristo no culto público”.

Além das plenárias noturnas, ocorrerão diversos eventos compondo o corpo da conferência, alguns deles já com diversas edições, como é o caso do “Café Teológico”, um bate papo teológico com a participação de todos os preletores do evento, debatendo e respondendo perguntas do público presente, e claro, com café sendo servidos a todos, gratuitamente.

Vários preletores já estão confirmados, dentre eles Geremias Couto, do Rio de Janeiro, e Paulo Siqueira, de São Paulo. Na parte musical teremos a participação do Ministério Restauração de Louvor, da Igreja Batista Restauração, conduzindo os louvores durante todo o evento.

A entrada é franca, não perca!

Mais informações no site www.conferenciavozes.com 



18 outubro, 2016

Porque eles alcançarão misericórdia...




Por Ruy Cavalcante

"Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia". (Mt 5:7)

Ultimamente tenho vivido alguns conflitos relacionados a este tema, a maioria deles internos. Mas considerando tudo o que sinto, ouço, vejo e leio a respeito, estou chegando à conclusão de que tem realmente faltado esse tipo de misericórdia no mundo. Porém isso é o que se pode esperar do mundo. A tragédia está no fato de que tal misericórdia tem sido uma grave carência também da igreja.

Entre nós, evangélicos, também anda faltando misericórdia. Quero aproveitar o pensamento de Martyn Lloyd Jones para essa breve reflexão. 

Sobre este texto, Lloyd Jones afirma que “Esta bem-aventurança particular deriva-se de todas as que a antecedem, e é especialmente notório que ela tem uma conexão lógica, bem aguda e definida, com a bem-aventurança imediatamente anterior, que diz: ‘Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos’.” (JONES, 1999, p. 87). 

Ser misericordioso é, portanto, uma consequência direta de ser humilde de espírito, manso e ter sede de justiça. Aquele que passou pelo processo de se tornar o que afirmam as três primeiras bem-aventuranças será, inevitavelmente, misericordioso. Aqui misericórdia é mais do que reconhecer a miséria humana, é reconhecê-la em nós mesmos e assim entender que não somos melhores que o pior dos transgressores. Esse é um dos fundamentos da misericórdia cristã.

Ao comentar sobre isso, Lloyd faz ainda uma analogia com a nossa reação contra quem nos causou grande dano (vide o dano que causaram em Cristo e sua reação a seus agressores).

Ele afirma: “você saber se é uma pessoa misericordiosa ou não consiste em considerar como você está se sentindo a respeito daquele indivíduo que o ofendeu. Haverá você de dizer: ‘Bem, agora exercerei os meus direitos quanto a isso. Quero cumprir a lei à risca. Essa pessoa transgrediu contra mim. Pois bem, sei que é chegada a minha oportunidade de vingar-me’. Essa atitude formaria a própria antítese da atitude misericordiosa. Tal transgressor está à sua mercê. Em você manifesta-se, porventura, um espírito vingativo, ou antes há em você a atitude de piedade e tristeza (pela miséria que há nele), ou, se você assim preferir, um espírito de gentileza para com o seu adversário, agora aflito?” (JONES, 1999, p. 91).

Ou seja, nosso desejo de justiça é legítimo, mas não pode nos fazer ignorar que a miséria humana se estende a todos nós. Portanto a misericórdia é uma necessidade humana, nossa, e de nosso inimigo também. Infelizmente a aparência sugere que o desejo de muitos cristãos hoje é de misericórdia para si, porém juízo para os outros.

Reconheço que duro é esse discurso, mas eu concordo com ele, pois não é imitando o mal que se pode vencê-lo. Se lá fora não há misericórdia, eu venço tendo misericórdia; se lá fora não há perdão, eu venço perdoando, se lá fora não há amor, eu venço amando. Este é o caráter (quase perdido) daquele que segue a Cristo.

"Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem". (Rm 12:21)


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JONES, Martyn Lloyd. Estudos no sermão do monte. 4. ed. São José dos Campos: Editora Fiel, 1999.