15 dezembro, 2009

Só perdoa quem é cúmplice

Assista o video abaixo:

Como é difícil para o cristão de hoje perdoar. Não conseguimos sequer perdoar o irmão que pecou contra si mesmo, quanto mais se o pecado dele nos afetar diretamente. Quantos são desprezados dentro de nossas igrejas por haverem caído, por errar o alvo, sem chance de se levantar, a não ser sozinhos.

Inconscientemente achamos que seremos culpados de cumplicidade com o pecado caso sejamos suporte para um irmão pecador e, na prática, é isso que o restante da igreja pensa. Usamos todo o tipo de desculpa para não perdoar ou então perdoamos submetendo à pessoa a todo tipo de regra e condição para receber tão esperado perdão. Criamos até mesmo um chavão para perdoar: “Você está perdoado, mas as coisas nunca mais serão como antes...”.

Pobre de nós, infelizes pecadores. Mal sabemos que poderemos ser os próximos a sofrer esse desprezo. Não percebemos que poderemos estar perto da mesma queda, e se isso acontecer estaremos também sozinhos, presos pelo arrependimento, mas sem a chave do perdão para nos livrar.

Todos nós conhecemos alguns exemplos de perdão como os do vídeo acima, narrados na música do grupo Ao Cubo ou encarnado no exemplo de vida dos pais do menino Ives, modelos radicais como estes, porém, em sua maioria são vividos por pessoas que não professam ser discípulos de Cristo. Que vergonha! Até mesmo os gentis são capazes de perdoar, mas nós, filhos de Deus, perdoados e salvos por Cristo, relutamos em perdoar até mesmo a menor das ofensas...

Só existe um modelo para o perdão, o modelo de Cristo, e só existe um motivo para o cristão não perdoar seu irmão: não ser Cristão.

Reflita sobre o perdão e exercite-o, a sua vida depende disso.

Por Ruy Cavalcante
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13 dezembro, 2009

Geração Pinky e o Cérebro

Para os mais desavisados, “Pinky e o Cérebro” trata-se de um desenho animado bastante conhecido e, em minha opinião, muito divertido. A trama narra estórias curtas onde os personagens homônimos planejam conquistar o mundo, fazendo uso das mais mirabolantes estratégias, hilárias na maioria das vezes.

Porém, deixando a diversão um pouco de lado, é impossível não perceber a semelhança entre os objetivos destes personagens fictícios e o escopo da geração gospel formada especialmente na ultima década. Parece que o Espírito Santo deixou de ser O Consolador para tornar-se estrategista do mercado imobiliário ou especulador da bolsa de valores, afinal de contas, só necessitam de consolo os que sofrem, e uma geração de conquistadores como esta desconhece tal estado da alma.

As músicas desta prole ostentam frases “proféticas” como “reinar em vida eu vou” e “minha missão é vencer ou vencer, conquistar a terra com poder”. As pregações esquadrinham passos para a vitória, atitudes de um vencedor, táticas de guerra para conquistar território e tantos outros delírios da cultura evangélica contemporânea, que mais parecem plágios mal elaborados dos planos do ratinho Cérebro.

Pobres apóstolos, não tiveram a oportunidades de conhecer as artimanhas do pequeno roedor. Foram enganados por um tal Jesus que exigia renúncia, que anunciava perseguição aos seus seguidores e que conquistou uma vitória em outra terra, sem saber que precisamos (ou queremos) mesmo é conquistar o mundo.

Para que apoderar-se de uma terra que nem mesmo posso ver, se existe tanto espaço por aqui mesmo?

Acabo lembrando outro desvario desse “rapaz” que parece não entender o verdadeiro papel da “igreja dos crentes”:

“De que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, e perder a sua alma?” (Jesus de Nazaré)

PS.: A aparente falta de conclusão deste post não é por acaso, a verdade é que não encontro soluções possíveis para mudar esse quadro e assim concluir o texto, mas posso declarar com certeza: eu não sou e nem quero ser conquistador, pois minha vida não me pertence, ela foi conquistada por esse “tal” Jesus...

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11 dezembro, 2009

Um outro testemunho

Assista o vídeo abaixo:


Enquanto muitos cristãos alardeiam testemunhos de quantos carros conquistaram, alguns poucos ainda testemunham sobre uma vida entregue ao Evangelho. Enquanto muitos cristãos afirmam terem sido chamados por “deus” para serem músicos, outros músicos usam seus talentos para compor, cantar e tocar o evangelho de Cristo no coração daqueles que perderam a esperança.

Que evangelho é esse que nós, cristãos brasileiros temos vivido? Que herança maldita a confissão positiva e a teologia da prosperidade tem deixado para as novas gerações, tornando servos em senhores, conquistadores com o único objetivo de possuir, vencer e dominar? Será que estas características têm mais em comum com a vida de Jesus, aquele que nos sara através do seu sofrimento ou com o exemplo de lúcifer, quando ainda vivia no Reino de onde foi expulso?

Ahh, se não fosse a misericórdia de Deus. Só um amor tão grande O faz manter-se fiel a nós, pobres pecadores. Só essa misericórdia para em meio a tanta corrupção surgirem brasileiros dispostos a largarem tudo pelo amor ao próximo. Esse é o Deus que eu quero servir. Não espero pelo deus que dá a prata nem o ouro, mas o Deus que dá sua vida e favor da minha para que eu dê a minha em favor do seu Reino.

Minha esperança hoje é que testemunhos reais como esse do vídeo possam ainda inflamar o coração daqueles que ainda não se dobraram a baal, e penetrar na consciência daqueles que, mesmo “baalizados”, ainda são capazes de reconhecer a voz de Deus, “graças a sua maravilhosa Graça”.

Ruy Cavalcante

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01 dezembro, 2009

Pai Nosso contemporâneo


Por Ruy Cavalcante

Pai nosso que estás nos céus, engrandecido seja o nosso nome;
Seja nosso o teu Reino, seja feita a nossa vontade, assim na terra como no céu;
O pão nosso de cada dia fica pra ti, pois eu quero mesmo é caviar;
E perdoa tú as nossas dividas, pois não pagamos o teu nem perdoamos a quem nos deve;
E não nos conduza a tentação, pois fazemos isso sozinhos;
Porque mesmo ainda sendo teu o Reino, é nosso o poder, e a glória, para sempre.
Amém.
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ps.: Como eu queria que fosse apenas uma brincadeira...
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22 novembro, 2009

Uma Nova Geração

Por Ruy Cavalcante

Tenho ouvido bastante nos últimos anos, especialmente nos últimos meses, que Deus está levantando uma nova geração. Não questiono este assunto, pois creio que realmente isso acontecerá, não na velocidade que, como homem, gostaria, mas com certeza na velocidade que Deus decidiu.

Por outro lado, satanás tem copiado este plano e já tem levantado não somente uma, mas várias gerações, embora sejam gerações “piratas”. Uma delas, assunto deste post, é a “geração restituição”.

Geração restituição é aquela que, diferente da perspectiva bíblica para tal atitude de devolução, exige a restituição. Neste novo ponto de vista Deus passa a ser servo, e o crente por sua vez é aquele que é servido, que lança ordens do tipo “eu quero de volta o que é meu”.

Não há como negar que restituição é uma expectativa, uma promessa bíblica, porém, no livro de Joel temos grandes revelações de como esse processo se dá e podemos então perceber quão divergente o contexto bíblico se apresenta em relação às determinações da geração restituição. Vejamos alguns trechos:

(...) Todavia ainda agora diz o Senhor: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, e com choro, e com pranto. E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes; e convertei-vos ao Senhor vosso Deus; porque ele é misericordioso e compassivo, tardio em irar-se e grande em benignidade, e se arrepende do mal. (...) Então o Senhor teve zelo da sua terra, e se compadeceu do seu povo. E o Senhor, respondendo, disse ao seu povo: Eis que vos envio o trigo, o vinho e o azeite, e deles sereis fartos; e vos não entregarei mais ao opróbrio entre as nações; (...) Assim vos restituirei os anos que foram consumidos pelo gafanhoto voador, o devorador, o destruidor e o cortador, o meu grande exército que enviei contra vós. Comereis abundantemente e vos fartareis, e louvareis o nome do Senhor vosso Deus, que procedeu para convosco maravilhosamente; e o meu povo nunca será envergonhado. (...)

A restituição prometida não é aquela que acontece quando “determinamos a benção” ou quando pressionamos Deus na parede para cumprir aquilo que decidimos ter direito. A verdadeira restituição só acontece quando há transformação, mas será que esta atual geração apresenta um coração transformado?

Será que aqueles que ordenam a Deus que devolva aquilo que se perdeu já rasgaram os seus corações, já se converteram e mostraram isso com jejuns e com choro? Será que as lágrimas desta geração refletem arrependimento ou são apenas emoções diversas?

Deus de fato é misericordioso, mas a misericórdia dEle está contida em Cristo e não em suas bênçãos. Para que ela seja realidade em nossas vidas precisamos antes de tudo estar ligados a Jesus, convertidos a Ele, transformados em servos e não em senhores ou em colegas semi-deuses. Quando esta condição não existe, a única expectativa para nossas vidas é a condenação eterna, longe da misericórdia de Deus.

O grande engano de satanás, levado a cabo por esta geração delirante, é justamente fazer acreditar que a misericórdia de Deus se revela não em Cristo, mas em suas bênçãos e em seus sinais. Como afirmei no artigo anterior, os sinais não são a marca da salvação e sim os frutos. Perguntarei novamente, será que esta geração tem apresentado frutos de arrependimento, o que a bíblia também chama de Frutos do Espírito?

Reafirmo que creio numa nova geração, não conforme a que se apresenta no contexto gospel de nosso país, mas conforme o contexto das primeiras gerações, narradas nos Evangelhos e em Atos do Apóstolos. Uma nova (porém antiga) prole de cristãos, comprometidas com a Palavra de Deus segundo o exemplo dos bereianos (At 17:11-12), capazes de renunciar seus próprios desejos (Lc 9:23) para viver a vontade de Deus, que amam não somente de palavras, mas em atitudes de obediência (Jo 14:21), e que sabem da obrigação de cumprirem um papel social ativo (Tg 4:17; Ef 2:10).

É nesta “trupe” que pretendo ser encontrado, numa comunidade subversiva quanto aos oferecimentos de satanás, revoluta, vivendo a verdadeira contra-cultura do mundo, e meu desejo e luta têm sido para que você, que lê estas linhas mal traçadas, possa ser despertado para Cristo, sem qualquer dissonância de Sua única e verdadeira Palavra, que excede todo entendimento e que nos liberta verdadeiramente. Pense nisso.

Em Cristo, com amor.
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17 novembro, 2009

Conhecer a Deus

Por Ruy Cavalcante

Escrevo esse post após uma conversa via MSN com uma grande amiga, que reencontrei há alguns meses, após dez longos anos de distância. Distância esta revelada não somente em espaço físico, mas acima de tudo na quebra de uma relação de amizade que agora descobrimos ser eterna, graças a Deus.

Hoje continuamos separados por dois mil quilômetros de distância, mas meu coração nunca esteve tão próximo e desejoso de um reencontro como agora, principalmente depois dessa conversa que estarei parafraseando-a (sem destaques) no decorrer do post.

Logo após nos reencontrarmos, e poucos antes de seu retorno à sua cidade, minha amiga “aceitou Cristo”. Foi embora muito feliz e empolgada com essa nova condição. Porém, não demorou muito para que ela deixasse esta comoção de lado, chegando ao ponto de, hoje, me pedir orações para que se animasse a freqüentar alguma igreja, voltasse a orar naturalmente sem que isso fosse um peso e também para que sua vida voltasse a ter aquele sentido que sonhou ao ser apresentada a “cristo”.

As aspas em “cristo” são justamente a causa de tal situação.

Aconteceu com ela o que tem acontecido com milhares de pessoas todos os dias. Ela foi apresentada ao cristo das igrejas (maioria) e não ao Cristo da Bíblia. O deus que ela conheceu foi o deus genérico, aquele que não transforma vidas, apenas contas bancárias.

Quando conhecemos o Deus verdadeiro existe transformação verdadeira. Quando isso acontece não há mais necessidade de suplicar orações pela animação de nosso espírito, pois o próprio Deus se torna a nossa maior motivação de buscá-lo. Conhecer o Deus verdadeiro significa encontrar amor e paz e um evangelho que não nos conduz a esta realidade deve ser rejeitado.

Não existe o deus do sucesso, da prosperidade, do milagre. O que existe é o Deus do amor, da renúncia, da paz e o mesmo vale para o seu Evangelho. Um evangelho que não fale de amor, renúncia e paz não é o evangelho de Cristo e devemos ter muito cuidado com isso. Se o evangelho pregado a mim não é capaz de me levar a um estado de serenidade mesmo em meio a angustias e perseguições, a reconhecer o amor incondicional de Deus e a odiar o pecado que um dia amei, esse não é um evangelho genuíno.

Muita gente tem destruído sua própria vida e a de sua família confiando num deus institucional, que não é capaz sequer de me atrair para si mesmo. Eu devia tê-la alertado quando percebi que suas dúvidas quanto a esta nova realidade em sua vida se referia a sua relação com a graça de Deus. Deus não confunde, antes esclarece.

O deus que lhe foi apresentado não foi capaz de lhe convencer de sua liberdade e isso não possui conexão com nenhuma escassez de conhecimento teológico, pois o Deus bíblico dá entendimento ao simples (Sl 119:130).

Prestem bem atenção nisso: um evangelho que trata somente de milagres, profecias, revelações e condenações está distante do que foi pregado por Jesus e seus apóstolos. O principio essencial do Evangelho de Jesus não está conectado aos milagres e sim aos frutos do Espírito, onde o maior deles é o amor. Eu posso viver os sinais sem os frutos, mas esses sinais não irão me levar a lugar algum a não ser ao centro do meu próprio ego.

A Bíblia nos avisa que os sinais acompanharão aos que crêem, portanto nós não precisamos dedicar nossa vida em busca deles, pois no dia em que vivermos os frutos do Espírito Santo os sinais virão atrás de nós.

Em Mateus capítulo 7 versos 22 e 23, Jesus fala de pessoas que viviam os sinais. Eles profetizavam, expulsavam demônios, operavam coisas sobrenaturais, porém no apagar das luzes Jesus determina que se afastem, pois eles praticam a iniquidade e, por causa disso, Ele não os reconhece como filhos. Ora, praticar a iniquidade é não viver os frutos do Espírito e sim os frutos da carne e este texto deixa claro que é perfeitamente possível viver os milagres sem ter de fato nascido de novo.

Em tempo, receber a Cristo não é simplesmente abrir a boca e dizer que O aceita. É antes de tudo se arrepender dos erros após ser alcançado por Sua Graça, é amar a Cristo e a partir de então odiar o pecado. Isso acontece não porque somos bons, mas porque Jesus nos torna bons e, dessa forma, verdadeiramente tudo se faz novo. Enfim, nossas atitudes mudam, convergem para Jesus e começamos a ser capazes de amar a Deus sem falsidade, sem barganhas, e esse amor se estende às suas criaturas, sem que isso dependa do merecimento de quem estamos amando.

É a partir desse amor imerecido que surge o perdão em nosso coração e somos capazes de viver sempre em harmonia, sem medo, e com paz.

Esse é o Evangelho verdadeiro, o Deus verdadeiro, e é somente nEle que encontramos a verdadeira salvação. Rejeite qualquer outro evangelho, mesmo que ele seja anunciado por um anjo de luz (Gl 1:8).
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14 novembro, 2009

Ser Cristão...

Por Ruy Cavalcante

Tenho andado muito preocupado nos últimos meses, na verdade nos últimos três anos, desde que iniciei minha faculdade de teologia. Sinceramente imaginei que encontraria por lá pessoas que, como eu, estavam preocupadas com a ortodoxia da Palavra de Deus, como o Evangelho salvífico de Cristo e com a sua simplicidade.

Mas não foi o que aconteceu. Com as devidas exceções (no mais amplo sentido desta palavra), o que encontrei foram pessoas interessadas nas mesmas fórmulas de crescimento explosivo de igrejas que tanto questiono. Pessoas dispostas a continuar anunciando um evangelho genérico, pautado em riquezas corruptíveis, simbologias místicas, lideranças papais e carismáticas e expressões de adoração externas em detrimento de um coração transformado.

Todas as justificativas possíveis são utilizadas para que este evangelho seja anunciado pelos líderes antigos e iniciantes na “carreira”. Mesmo com bases bíblicas insustentáveis eles apelam para uma espiritualidade desligada da verdade, a fim de levar adiante esta semente “transgênica”.

O fato é que no decorrer dos anos e com a grande difusão deste falso evangelho, o povo cristão aos poucos está perdendo a essência de uma vida realmente cristã, conduzida pelos frutos e não pelos dons do Espírito. Aos poucos a avareza e a ganância têm tomado conta de nossos arraiais e os que antes eram servos agora desejam serem servidos. Aos poucos a pureza e a santidade têm sido trocados pelo consumismo e imoralidade, pois o que determina a liderança de alguém não é mais o chamado de Deus, confirmado pela Igreja, mas as ofertas do indivíduo, seu poder de persuasão e, quando muito, a demonstração de uma super espiritualidade, que em geral, não ultrapassa o teto da mais humilde congregação.

O povo, por falta de exemplos a seguir, acaba disseminando estes conceitos, criando um círculo vicioso maligno, mas que é defendido como a última instância da revelação bíblica.

A principal característica dos líderes e igrejas que vivem esse evangelho falso é a falta de doutrinação bíblica em suas comunidades. Quando se ensina a bíblia nestes locais os estudos são temáticos, fundamentados nos interesses da liderança, geralmente baseados na teologia do medo. São exaustivos estudos sobre maldição, dízimos e ofertas, castigos divinos, respeito cego aos profetas, dentre outros. Não se estuda sobre o amor e a graça de Deus, sobre a obra de Cristo na vida do cristão, sobre os frutos do Espírito e a conduta cristã, sobre a necessidade de arrependimento, sobre humildade, serviço.

Isso não é cristianismo. Isso não é ser cristão.

Ser cristão é andar irrepreensivelmente e amar a justiça, é falar a verdade mesmo que isso te cause algum dano, é ser humilde e considerar os outros superiores a si mesmo, é produzir frutos dignos, que demonstrem arrependimento. Ser cristão é andar com Deus, viver por Ele, amá-lo acima de todas as coisas, é adorá-lo com sua vida e testemunho e não somente com seus lábios. Ser cristão é servir e não buscar ser servido.

Ser cristão é nascer de novo e, mesmo pecando, odiar o pecado. É ter o coração transformado, inclinado para as coisas de Deus. É amar aos outros da forma como Cristo amou, sem o requisito do merecimento. Ser cristão é sofrer perseguição por amor de Cristo, é enfrentar a espada se for preciso, é sofrer angustia, dor, e saber que no fim será glorificado.

Ser cristão é negar a si mesmo em favor dos outros.

Como bem disse Paul Washer, isso não é poesia, isso é o evangelho genuíno de Jesus Cristo. Não há vitória maior que a vida eterna, e muitos estão abandonando esta por uma vida de sucesso, de riquezas, de prosperidade material e não espiritual, e o que é pior, por uma vida de promiscuidade acreditando que por um dia haverem levantado as mãos e declarado “eu te aceito Jesus” estão com a marca da promessa de vida eterna.

Por favor, não se enganem nem se deixem enganar meus queridos irmãos. Não há vida eterna sem santidade, sem renúncia, sem amor e sem perdão. Aceitar a Cristo não é declarar isto publicamente, pois nem todo que diz “senhor, senhor” será salvo. Nós é que somos aceitos por Ele, e se o seu coração ainda não foi transformado, peça que Ele o faça, pois sem isso você jamais o verá, mesmo que “seu celeiro” esteja abarrotado de bens.

Que Deus nos abençoe.

Em Cristo.
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31 outubro, 2009

Faça você mesmo

Por Ruy Cavalcante

Acompanhando o tema do post anterior, me sinto compelido a expor outra face desta verdade: A responsabilidade continua sendo pessoal e ninguém pode se justificar de não levar uma vida espiritual saudável por culpa exclusiva de pregadores doentes.

Uma das principais conquistas da reforma foi, se não a maior delas, a abertura da Palavra de Deus para o povo leigo e, a partir daí, a livre interpretação da Bíblia. Livre no sentido de que esta não estaria mais sob domínio da Igreja Católica, mas à disposição de qualquer um que desejasse interpreta-la.

Apesar disso, o que mais vejo são homens e mulheres que, não obstante haverem decidido servir a Deus anos atrás, continuam acomodados ao ponto de aceitarem qualquer palavra proferida por um líder religioso, muitas vezes sem qualquer preparo teológico ou respaldo moral, simplesmente por ser mais fácil e rápido receber alimento instantâneo. É o que chamaria de “Nissin Miojo espiritual”.

Por conta disso vivem como crianças, atraídos por qualquer apito (lê-se grito). Charles Spurgeon faz uma consideração interessante sobre este tema quando diz:

Crianças correm atrás de qualquer brinquedo novo; em qualquer pequena
apresentação de rua os garotos ficam todos excitados, boquiabertos; mas os seus
pais têm trabalho por fazer, e suas mães têm outros assuntos em casa; aquele
tambor e aquele apito não vão atraí-los.

Homens e mulheres maduros sabem diferenciar coisas importantes de coisas inúteis. Eles não obedecem à primeira corneta como se fossem parte de uma tropa de recrutas inexperientes. Antes eles entendem a necessidade de alimento sólido, bem preparado, sem condimentos, saudável, e sabem que somente na bíblia podem encontrar tais nutrientes para seus espíritos.

É responsabilidade de cada um de nós verificarmos se o que é pregado em nossas igrejas se confirma na Palavra de Deus. Não podemos nos esconder atrás de outras pessoas, que por possuírem cargos importantes dentro da estrutura eclesiástica, reivindicam para si o monopólio da revelação divina. Não existe ninguém mais habilitado para lhe revelar as verdades do Evangelho do que o próprio Evangelho, com a indissolúvel contribuição do Espírito Santo, aquele mesmo que fez habitação DENTRO DE VOCÊ.

Portanto leia, medite, estude, analise a Palavra de Deus, considere todas as coisas, mas retenha o que for bom conforme consta nela e somente nela. Seja ortodoxo quanto a Palavra, mas tome cuidado para desvinculá-la de todo tradicionalismo exagerado tanto quanto do liberalismo libertino. Você é responsável por sua carreira e no final de tudo você prestará conta de sua vida, não seu pregador favorito. Pense nisso.
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Fonte da imagem: http://membres.lycos.fr
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26 outubro, 2009

A necessidade do Evangelho

Por Ruy Cavalcante

“ide e pregai o evangelho...”

Há algum tempo venho pensando nos motivos que fizeram a igreja evangélica se assemelhar tão grandemente com uma empresa em busca de espaço no mercado, mercado esse regido pelas leis da competitividade. Eu não sei em que ponto isso começou, mas sei que foi o início de uma grande derrocada.

Por questões espúrias como a competitividade eclesiástica iniciou-se um processo de humanização do evangelho, materialização de seu conteúdo e deturpação de sua essência, ao ponto que, hoje, pouco se prega um evangelho que não seja baseado em princípios materialistas, com facilidades para seus adeptos, centrado nas necessidades e desejos do indivíduo.

Estatisticamente o Reino de Deus tem avançado exponencialmente no Brasil, mas espiritualmente, será que o evangelho que tem sido pregado, é capaz de aumentar as estatísticas daqueles que ultrapassarão a “entrada estreita”?

O que eu vejo, em minha singela observação, são pessoas que buscam a Deus para ficarem ricas, para terem seus problemas resolvidos ou para participarem de uma comunidade interessante. Conforme afirma Marília de Camargo César:

“Segui-lo é sair da miséria, é conseguir o emprego, a promoção ou então evitar o
câncer, a paralisia, o desastre. Ninguém quer diminuir. Todos querem crescer e,
se possível, viver uma vida hollywoodiana.” (Feridos em nome de Deus, São Paulo:
Mundo Cristão, 2009, p. 16.)

Que infelicidade, que engano! Enquanto o evangelho de Cristo faz nascer servos, o evangelho moderno cria protagonistas. Enquanto Jesus determina que todos aqueles que buscam segui-lo neguem-se a si mesmos os atuais líderes dizem: Conquiste, determine, traga à existência a sua vitória, pois você é um Rei!

O evangelho verdadeiro é renúncia, é perseguição, é amor e perdão. O evangelho verdadeiro leva desaforo para casa, enfrenta prisões e calúnias. Afinal de contas, em que gaveta a igreja guardou o exemplo dos apóstolos e missionários neotestamentários? Para qual arquivo secreto enviamos as perseguições e mortes sofridas pelos mártires e pais da igreja? Será que Deus, quebrando seus princípios eternos, estabeleceu acepção de pessoas justamente na vida daqueles que levaram adiante o seu Reino, em tempos onde a morte era a única recompensa para tais idealistas?

Não encontro outra solução para mudanças que não passem por um retorno ao Evangelho de Cristo, não vejo outra saída para os escândalos, malas-cheias, dólares escondidos, pastores dominadores, crentes conquistadores, saqueadores e vendilhões de templos, cristãos namoradores, servos servidos e todo o tipo de doença espiritual sem que a essência do amor, da renúncia, do perdão e da sujeição sejam resgatados por uma pregação mais distante de homíléticas contaminadas por nossos próprios desejos, e mais próximas de Cristo.

Voltemos ao evangelho enquanto é tempo, amanhã pode não adiantar mais.

Fonte da imagem: http://www.anunciame.com.br



15 outubro, 2009

Amar é muito simples

Assista o vídeo abaixo:



Porque é tão difícil honrar um Deus como o nosso? Um Deus que, abrindo mão de sua divindade, se sacrificou por nós, simplesmente por amor.

Porque é tão difícil viver de acordo com esse amor? Porque planejamos todos os dias uma forma diferente de invalidar a sua morte, criando artifícios que possam nos levar ao lugar que Ele conquistou sem precisarmos meditar em sua morte, em nossa culpa, tentando nos tornar merecedores de seu amor sem necessidade da cruz?

É tudo tão simples. Basta amá-lo. Não precisamos de nenhum tipo de extravagância. O amor é muito simples.

Porque é tão difícil entender isso?
Ruy Cavalcante
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06 outubro, 2009

Ao me exortar, por favor...

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Este é um post diferente dos demais, escrito num momento de estresse, porém com minhas faculdades mentais funcionando plenamente. Não espero com ele conquistar seguidores, mas, por favor, ao me exortar, pregar ou conversar comigo sobre assuntos cristãos (ou qualquer outro), não utilize nenhuma colocação do tipo:

  • Vou te lançar uma palavra profética...
  • Vamos fazer um ato profético...
  • Abra a boca e profetiza para os teus irmãos...
  • Tome posse da tua benção...
  • Determine a benção, o milagre, a cura...
  • Você precisa entrar num nível espiritual superior...
  • Cuidado pra você não perder a benção meu irmão...
  • Não deixe o diabo roubar a tua benção...
  • Não deixe o diabo roubar essa palavra...
  • Nada vai impedir a tua vitória...
  • Crente não conhece derrota...
  • Você precisa participar do avivamento que a igreja evangélica está passando...
  • Você está dizimando?
  • Você é batizado com o Espírito Santo? Fala em línguas?
  • Deus esta me revelando que você está passando por lutas, mas que a vitória vai chegar...
  • Deus tem um propósito na tua vida...
  • Deus está dizendo que vai operar poderosamente na tua vida...
  • (...)
Esta lista não é aleatória. Todas estas frases foram proferidas para mim mais de uma vez em certos casos. Citações desse tipo farão com que suas palavras não ultrapassem os limites de meus tímpanos, salvo nos casos em que elas, ultrapassando, saírem direto pelo outro lado...

É um pedido que faço, por favor, considere-o, não me faça perder o crédito em sua relação com a verdadeira Palavra de Deus.

Pronto, falei...
Ruy Cavalcante

Fonte da imagem: http://domfernando.files.wordpress.com
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02 outubro, 2009

Tudo me será acrescentado?

Por Ruy Cavalcante

Mas buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas as coisas vos serão acrescentadas. (Mt 6:33)

Os mais desavisados, ou aqueles que pouco se preocupam com uma interpretação bíblica sadia, que infelizmente parecem ser maioria no meio “gospel”, diriam que este versículo é chave para promessas materiais e financeiras aos que crêem. Na maioria dos casos afirmariam, caso fosse perguntado e como pude comprovar em minha própria comunidade evangélica, que ele está aqui grafado da forma correta. Quantas vezes eu mesmo ouvi pregações em cima deste versículo, com esta grafia, trazendo em sua homilética “verdades” a respeito da prosperidade.

Porém, com um pouco mais de atenção, e consulta ao texto bíblico, perceberemos o erro aqui contido. Eis a expressão correta:

Mas buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. (Mt 6:33)

Não fosse o termo em destaque, confesso que seria difícil negar uma promessa não só material aqui contida, mas uma que abarcasse todas as áreas de nossa vida, mesmo considerando o contexto em que o versículo se apresenta. Porém ele está lá, e refere-se rigorosamente ao que, na frase, está definido imediatamente antes. Vejamos então, rapidamente, a que coisas este versículo faz alusão:

O contexto mediato deste versículo inicia-se no verso 25. Ali, Jesus alerta seus discípulos a não se preocuparem tanto com o que haverão de comer, beber ou vestir nesta vida, ou seja, não estarem ansiosos com as suas necessidades básicas. A partir de então ele explica o motivo para tal segurança que eles deveriam apresentar.

O verso 26, tratando da alimentação, que é básica para a manutenção da vida, assim como a bebida, demonstra como Deus sustenta as aves e como fará o mesmo com eles, devido o valor que seus discípulos possuem, superior às aves. Em seguida, a partir do versículo 28 ao 30, Ele apresenta uma verdade semelhante, agora a respeito das vestimentas, outra necessidade real e básica do ser humano após sua queda, mostrando como Deus “veste” o lírios do campo e como fará o mesmo com eles. Após reafirmar a necessidade de confiar em Deus quanto a estas coisas, Jesus cita o verso em questão, mostrando uma verdade imutável de Deus. Ele supre todas as necessidades daqueles que, abandonando o cuidado pelas suas próprias vidas, dedicam-se ao Reino de Deus e praticam a justiça que esta condição lhes impõe.

Portanto, a verdade é que este texto de fato faz promessas materiais, a mentira é que estas promessas não aludem à prosperidade financeira, portas abertas de emprego (salvo se isso for necessário para o sustento e não para afirmação social), carros ou coisas afins. A promessa material aqui contida refere-se ao sustento, ao suprimento das
necessidades básicas daqueles que o servem, simples assim.

Gostaria de finalizar indicando alguns textos que corroboram com tudo isso, caso lhe interesse, para análise dos mesmos, e de seus respectivos contextos:

I Reis 17:8-24; Salmos 37:25; Mt 7:7-11 (meu preferido, e não menos deturpado)

Fonte da imagem: http://images.quebarato.com.br/
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17 setembro, 2009

Meu congresso de adoração

Por Ruy Cavalcante

Meus amigos sempre estranham quando, ao me convidarem para algum congresso, seminário ou retiro de adoração, eu prontamente agradeço mas dispenso. Geralmente respondo a seco: Não, obrigado. Ou às vezes brinco: Não, sou evangélico.

A brincadeira sempre parece mais pesada do que eu gostaria, mas por outro lado é também sempre menos brincadeira do que eu desejaria que fosse. Ela se dá pelo seguinte motivo: sendo evangélico, eu preciso e devo seguir a Cristo de acordo com o Evangelho de Cristo, pois é esse o sentido do termo.

Mas o que encontramos nos congressos de adoração hoje em dia?

No último, ocorrido em minha cidade, houve muito toque de shofar (o que eles têm contra o nosso berrante?), supostamente para chamar a “presença de Deus” ou anunciar a sua chegada, espadas e diversas outras simbologias e expressões velhotestamentárias, que em nada refletem o “Evangelho de Cristo” como descrito em nossa Bíblia.

Este texto não é um tratado teológico, longe disso, é apenas o pensamento de alguém que está cansado de tanto misticismo gospel, judaísmo, legalismo e outros tantos “ismos” que interferem em nossa vida cristã deturpando o evangelho, afastando o povo da Palavra de Deus e aproximando-o de doutrinas humanas.

A verdadeira adoração não se prende a manuais, doutrinas e tampouco a rituais místicos. A adoração genuína surge dentro do ser humano, não vem de fora, e nasce como fruto do amor, primeiramente no amor de Deus por nós que, quando no alcança, culmina num amor recíproco de nós pelo Criador.

É justamente desse amor que a adoração se alimenta, não de ritos, expressões externas, músicas ou símbolos. Se meu coração não expressar a minha adoração por Cristo todos os dias, com minhas atitudes para com Deus, seu Reino e suas criaturas em vão louvam meus lábios quando entôo alguma canção, quando desmaio em algum congresso ou quando derramo lágrimas no meio da multidão.

Tudo isso tem sido largamente expresso em nossas canções. Prestem atenção em nossos cultos, em nossos congressos e em nossos “shows gospels”. Quantas músicas expressam em suas letras somente frases de louvor, engrandecimento e honra a Deus? E quantas expressam pedidos de vitória, fogo, chuva, restituição, bênçãos, milagres ou qualquer outra vantagem material e/ou espiritual para nós mesmos?

Qual o sentido de tudo isso? Se não conseguimos adorar a Deus sequer em nossas canções como o faremos em nossas vidas? Se não somos capazes de abrir mão de pedir tudo o que desejamos, durante o momento de louvor e adoração dos cultos, somente para honrar a Deus por alguns minutos como podemos achar que estamos fazendo alguma coisa agradável a Ele?

Temos muitos momentos para pedir tudo o que desejarmos para Deus e, de acordo com sua bondade e sua vontade, Ele responde a cada um. Mas espero que todos nós possamos, o quanto antes, entender o significado e a importância da adoração ao nosso Senhor, e que assim decidamos dedicar um pouco mais de tempo de nossos cultos somente a Ele, em homenagem a Cristo, uma vez que esse é o sentido de “cultuar” alguém, e deixemos nossos desejos materiais, espirituais e físicos para outro momento.

Fonte da imagem: http://www.geracaoeleitasp.com.br/
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03 setembro, 2009

Eu sou um trouxa e um pseudo-santo, graças a Deus

Assista ao vídeo:
Por Ruy Cavalcante
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Há poucos dias compartilhei com um grupo de amigos a minha opinião sobre oferta, disse até mesmo que no Novo Testamento só encontro exemplos de ofertas voluntárias (que me consertem com a Palavra caso eu esteja equivocado, não me venham com “Deus me revelou”). Fiz inclusive uma analogia quanto ao serviço voluntário: Quando me voluntario em alguma ONG humanitária, por exemplo, significa que estou disposto a trabalhar pela causa a que ela se dispõe, sem com isso esperar qualquer pagamento ou restituição financeira.

Em minha opinião o mesmo vale para a oferta verdadeira. Ela deve ser entregue “para Deus” sem que isso signifique que Ele deva me dar tudo em dobro, somente por reconhecer sua soberania, sua providência e também em face de meu amor incondicional por Ele. Fora disso entramos em negociação com Deus, e creio que Ele não necessita de meu dinheiro.

Entretanto, ontem me deparei com este trecho da pregação do Pr. Silas Malafaia (que já anda mais freqüente do que eu gostaria neste blog) e confesso que passei a “admirar” mais ainda o referido Pastor. É preciso muita coragem para criar tal deturpação na Palavra de Deus e ele mostrou que coragem tem de sobra.

Só para esclarecer, os textos que ele cita fazem referência ao sustento do trabalhador, promessa realmente bíblica (Sl 37:25, Lc 12:22-31, Mt 7:7-11, 1Tm 5:18, ...)

Sinceramente, não sei quais as intenções do Pastor quando chama de trouxa aqueles que ofertam sem esperar nada em troca. Oferta não é trabalho, e mesmo se fosse, seria no máximo um trabalho voluntário. Espero que seja apenas um equívoco, uma empolgação. Mas no caso de ser intencional eu afirmo a meus caros irmão que prefiro continuar sendo um trouxa e aparentando uma pseudo-santidade a negociar com Deus aquilo que Ele mesmo me deu, pois isso sim seria furtá-lo.

Antes trouxa que ladrão, pois os trouxas herdarão o Reino de Deus, os ladrões não...
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01 setembro, 2009

A providência de Deus

Por Ruy Cavalcante

Não é novidade a minha antipatia contra os movimentos neopentecostais, pois percebo vários pontos preocupantes em sua doutrina e liturgia. Há muito o que falar sobre esse assunto, porém neste momento gostaria de tratar, mesmo que em forma de esboço, a questão da providência divina dentro e fora desses movimentos.

Pessoalmente entendo como característica destacada desse movimento o misticismo e conseqüentemente a ênfase à sobrenaturalidade da revelação e da providência de Deus. Desconfio que seus líderes sequer conhecem a forma como os reformistas trataram esse assunto.

Com o retorno às escrituras (Sola Scriptura) conquistado pelo cristianismo histórico através dos reformadores, este e outros temas teológicos voltaram a fincar suas bases na Palavra de Deus, subjugando as experiências pessoais para fins de interpretação bíblica. A partir deste novo (e velho) contexto, a doutrina da providencia de Deus voltou a considerar que a ação divina na vida das pessoas é manifesta primariamente na forma “natural”, deixando como regime de exceção as manifestações sobrenaturais desta interação de Deus com o ser humano.

Em outras palavras, a providência de Deus acontece todos os dias, sem a necessidade de manifestações extraordinárias, ou como afirma o Pastor Augustus Nicodemus em seu artigo sobre Batalha Espiritual, “acontece através de pessoas e circunstâncias da vida para atingir seus propósitos”. Isso vale até mesmo para a questão da conversão. A maioria das pessoas são alcançadas pelo evangelho de Cristo através de uma pregação, de um amigo, de uma leitura da Bíblia ou mesmo do testemunho de alguém. Eu mesmo fui alcançado por influência de amigos.

Infelizmente esta é mais uma das deturpações do evangelho criada, principalmente, pelo movimento neopentecostal. Neste contexto, a providência e toda atuação divina encontra-se subordinada às coisas sobrenaturais, ao inexplicável. Espiritual é o homem ou a mulher que recebe constantes revelações, que lança “palavras proféticas”, que é alcançado pelo evangelho de forma extraordinária, a exemplo da conversão de Paulo. Note que a conversão de Paulo é explicitamente uma exceção às demais descritas no livro de Atos dos apóstolos. O próprio Pedro foi usado por Deus de forma natural para a conversão de milhares, a partir de uma simples (mas viva) pregação.

Não tento com isso negar a atuação sobrenatural ou extraordinária de Deus, pois ela é real. Mas sim afirmo que as manifestações sobrenaturais não são nem de longe a principal maneira como Deus se relaciona com seu povo, pois afirmar isso é considerar os milhares de cristãos que não viveram experiências afins como inferiores espiritualmente aos demais que, por propósito divino, experimentaram coisas inexplicáveis.

Outro problema deste delírio gospel é o poder que ele possui de converter pessoas simples em comerciantes de milagres. As pessoas abandonam Cristo para buscar seus prodígios, deixam o amor em segundo plano para valorizar somente as coisas sobrenaturais, enfim, deixam o verdadeiro em simples evangelho de Jesus para viver o misticismo evangelical.

Temos que encontrar um sentido verdadeiro para nossas pregações, um sentido para nossos cultos, um sentido para nossos ministérios. Se a manifestação de Cristo em nós não estiver refletida primeiramente em nossa conduta diária, em nossa convivência com o próximo ou em nosso papel como agentes sociais creio eu que é vã nossa pregação e pura vaidade nossa vida cristã, por mais profecias que eu seja capaz de proferir ou curas que eu possa realizar.

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26 agosto, 2009

Não conhecemos o Evangelho de Cristo

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Assista atentamente este trecho de uma pregação do pastor Paul Washer:
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O vídeo fala por si, por esse motivo farei apenas um pequeno comentário:
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Nós somos todos os dias confrontados com vários tipos de “evangelhos”. Somos cobrados pelo evangelho das igrejas, com suas proibições e liturgias exóticas, bem como suas regras e doutrinas relacionadas com a adoração, oração e vida ministerial, como se cada uma dessas coisas fossem passíveis de regulamentos eclesiásticos.

Somos exortados pelo evangelho dos milagres e do fogo, onde necessitamos urgentemente alcançar níveis elevadíssimos de espiritualidade (vã?) para que estejamos prontos e preparados para a aceitação divina. O que falar então do evangelho da prosperidade, onde nos ensinam os segredos da vida prospera e vitoriosa?

Porém, apesar de cheios de conhecimento, chegou a hora de aumentarmos nossa gama de informação e aceitarmos incluir em nosso rol de evangelhos um que, apesar da simplicidade, tem um poder diferente: o da vida eterna.

Que tal você decidir agora, nesse momento, deixar um pouco de lado os outros evangelhos e, sem demora, aprender a viver através do Evangelho de Jesus Cristo?
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Ruy Cavalcante
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23 agosto, 2009

A quem cultuamos?

Por Ruy Cavalcante

Eram 22:30 quando cheguei em casa hoje, após o culto. Estava com muita dor de cabeça antes de sair, porém a noite era especial para mim, pois marcava meu retorno ao ministério de louvor de minha igreja, do qual havia saído a alguns meses para me dedicar somente ao ensino da palavra. Vários motivos me levaram a decidir retornar mas o principal deles é o meu desejo em contribuir para que se encontre um sentido para a existência deste ministério eclesiástico.

Como eu previ a noite foi realmente especial. Não por causa da banda, não por causa das músicas ou da resposta dada pela comunidade à elas, tampouco porque consegui executar todas as minhas “técnicas” na minha querida percussão. O especial da noite foi que mais uma vez Deus me transformou e abriu meus olhos para o que estava tão latente: Nós (e aqui incluo boa parte das comunidades evangélicas) poucas vezes cultuamos a Deus. Poucas vezes nosso culto é direcionado a quem de fato deveria.

Por culto entendo a atitude de adorar e prestar honra e homenagens a Deus (considerando que só Ele é digno de ser cultuado). Porém quando estava lá em cima, no púlpito, tocando, cantando e ouvindo as palavras do ministro, percebi que estamos direcionando o nosso culto para outros fins. Nossas músicas falam do ser humano, de como ele pode ser abençoado, de como ele pode alcançar vitória, conquistar coisas. As nossas orações também se concentram em pedidos pessoais e gerais, com pouca ênfase na simples adoração, e quando o fazemos é como uma introdução a um pedido especial.

Em raros momentos cantamos alguma música em que a letra trata da simples adoração. São nesses pequenos intervalos que o culto de fato parece ter sentido.

É, temos muito trabalho pela frente. Muita coisa a ser transformada. Graças a Deus pela sua misericórdia, pois mesmo com toda nossa negligência e falta de entendimento Ele nos abençoa continuamente, pois seu amor é incondicional, não depende de nossos erros e acertos.

Espero que um dia possamos amá-lo da mesma forma, sem esperar nada em troca, adorando-o sem com isso planejar conquistar qualquer benção, somente por amor, aquele amor “tal” que sempre tentamos explicar, mas que poucas vezes decidimos viver...

Decida viver por amor enquanto é tempo, pois contra o amor não há lei.

Fonte da imagem (editada): http://semiaderb.spaces.live.com/blog/
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07 agosto, 2009

Quem disse que o "evangelho" não reconcilia?

Assista esse vídeo:

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Existe um evangelho muito poderoso, capaz de transformar muitas pessoas. Esse evangelho torna possível a reconciliação entre qualquer tipo de pólos divergentes, seja no âmbito emocional, filosófico ou doutrinário. A partir dele muitas pessoas se arrependem de antigas atitudes, voltam atrás em suas convicções, se esvaziam de si mesmo.

Esse evangelho atrai grandes vitórias para os que o seguem, grandes conquistas. Muitas igrejas explodiram em crescimento a partir de seus ensinamentos e milhões de pessoas são alcançadas diariamente por ele. Neste evangelho existem muitas manifestações de poder e de fogo, uma explosão de dons e de milagres. A partir dele muitos operários falidos se tornaram empresários bem sucedidos ao ponto de nem mesmo uma crise financeira de proporção mundial abalar, mesmo que ligeiramente, suas estruturas, pois nele o crescimento não para.

Não, não estou falando do Evangelho de Jesus Cristo. Estou falando de outro evangelho, um que não está, a exemplo daquele, baseado no amor. Bem, na verdade está baseado sim no amor, mas não no amor incondicional de Deus por nós, e sim no amor com bases em outro tesouro, um tesouro que se corroe, que não permanece para sempre, que é portanto pura ilusão...
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Ruy Cavalcante
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05 agosto, 2009

Qual a nossa motivação?

Por Ruy Cavalcante
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Houve um tempo em que o amor por Cristo motivava a conversão do ser humano. Nesse tempo, a transformação era tamanha que muitos, mesmo durante impiedosas perseguições, mantinham-se fiéis a Ele, ainda que suas vidas estivessem em jogo, tudo por causa do amor.

Mas havia uma profecia que dizia: “Naquele tempo o amor de muitos esfriará”. E parece que enfim esse tempo chegou. Talvez isso explique a mudança em nossa postura cristã.

Reconhecendo as exceções, hoje não mais encontramos tantas pessoas ligadas a Cristo somente pelo amor. Nossa relação com Jesus deixou de ser uma relação amorosa para se constituir num mero contrato, assim como os casamentos “moderninhos”. Nossa transformação se resume no seguinte acordo: Eu paro de beber, de fumar e de me prostituir, cumpro toda a minha parte neste pacto, e o Senhor cumpre a sua, me abençoando, me curando e me fazendo viver coisas sobrenaturais...

Esse tipo de “acordo” nos traz paz de espírito, esperança num futuro melhor e uma aparente sensação de dever cumprido. Quanta vaidade, quanta ilusão...

Existe uma garantia de vitória e sucesso para nossas vidas, mas não é essa. A vitória garantida por Jesus não se refere ao nosso suposto reinado terreno, tampouco a uma vida abastada financeiramente e livre de doenças e/ou empecilhos. A garantia de vitória é a mesma onde aqueles antigos fiéis depositaram sua confiança: “Nada pode nos separar do amor de Deus, pois ainda que morramos, viveremos eternamente com Cristo”. Nisso eles confiaram até o fim, até a morte, mas a morte lhes foi passageira e ineficaz, pois estão eternamente unidos a Cristo, todos eles, os que foram fiéis e o amaram acima de tudo.

Nada pode nos separar do amor de Deus, mas nós nos afastamos dele toda vez que o trocamos por suas bênçãos. As bênçãos são para os filhos, mas os filhos são os que amam... Amam e obedecem (Jo 14:21).

Mas o que será de nós se continuarmos buscando sempre receber alguma coisa de Deus em troca de nossa fidelidade? Que amor é esse que se apaga quando nossos desejos pessoais não são atendidos? Até onde esse amor, essa transformação, essa conversão pode nos levar? E por fim, que relação desejamos ter com Deus e com sua igreja, uma relação de amor e unidade ou um contrato de troca de favores espirituais?

Como se Deus necessitasse de alguma coisa terrena...

Fonte a imagem: http://198.106.77.56/vocacional/



28 julho, 2009

Incorporação gospel

Assista este vídeo:
Por Ruy Cavalcante
O que diria Mircea Eliade se vivesse em nossos tempos? Como ele analisaria o fato de aquilo que no passado a igreja considerava profano, abominação, hoje ela pratica como a última instância da santidade, do sagrado?
Quanta filosofia tem faltado em nossa religião. De quanto conhecimento ou de quanta razão tem carecido nossos religiosos. Até onde chegaremos com essas aberrações, se nem mesmo nossas crianças são poupadas da nossa necessidade de “confessar” santidade?
Afinal de contas, que tipo de santidade queremos viver: aquela que é expressão de minha separação do mundanismo e aproximação da verdade do evangelho e de sua pureza, ou aquela expressa somente em manifestações de duvidosa espiritualidade que não se completam com atitudes e condutas essencialmente cristãs?
Quando Jesus nos ensinou o sincretismo? Quando ele deixou nas entrelinhas que o evangelho poderia ser “misturado” a outras religiões para que as pessoas pudessem ser mais facilmente atraídas por ele? Por que o cristianismo tem lançado tantas perguntas e tão poucas respostas?
Tenho lutado e aguardo ansiosamente por uma solução para esse quadro, mas o cristianismo precisa de mais trabalhadores. Trabalhadores preocupados com a qualidade do adubo e com a saúde da colheita, e que, pensando nisso, não fazem uso de nenhum tipo de “agrotóxico”.
E quanto a você, que adubo tem utilizado em sua lavoura?.



21 julho, 2009

Não me conformo com o cristianismo...

Por Ruy Cavalcante

Não me conformo com o cristianismo. Não me conformo com o rumo que tomamos.

Onde encontramos os delírios que praticamos em nossas igrejas? Certamente não foi no que chamamos de “manual da fé e prática cristã”, a Bíblia. Com certeza não foi nela que aprendemos a tocar no altar para ser abençoado, nem tampouco é nela que encontramos instruções ou passos para a prosperidade financeira.

Como harmonizar a “unção do novilho”, que nos leva a dançar “sublimemente”, com os ensinos de Cristo? Ou como perceber a real necessidade de ungir objetos para que sejam curados, desamarrados e restaurados tantos quantos os tocarem, sem com isso negar toda a obra de Cristo no calvário?

De qual Bíblia retiramos o deus que obriga seus servos a imitarem animais para demonstrar seu poder sobrenatural? Alias, em qual Bíblia encontramos esta palavra ou a frase: “entrar no sobrenatural de Deus”? Nossa vida já não é sobrenatural o bastante para os caçadores de Deus? Existe algo mais sobrenatural e espiritual do que o amor com que devemos nos amar?

Quantos “benny hinns” surgirão até percebermos que a doutrina do cai-cai é alheia à Palavra de Deus? Quantas profetadas obedeceremos até aprendermos que elas devem passar pelo crivo da Palavra? Eu não agüento mais!

Quero viver o evangelho de Cristo, mas não quero isso sozinho, quero companhia. Quero viver o cristianismo que ainda acredita que tudo foi consumado na cruz, que não há mais necessidade de sacrifício nem de artifício nenhum para agradarmos a Deus, basta amá-lo. Basta obedecê-lo. Afinal, só a obediência comprova o nosso amor, como afirma nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo:

Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o
que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me
manifestarei a ele. (João 14:21)

Quero viver o evangelho onde um irmão não abandona o outro, onde Cristo é manifesto primeiramente em nossa conduta, onde não há separação entre vida secular e religiosa e onde o perdão nos mantém unidos mesmo durante a mais tenebrosa tempestade. Um evangelho que não nos torna capaz somente de cantar louvores na igreja (templo), mas que nos conduz a uma vida de adoração, de rejeição à injustiça, nos capacitando até mesmo a negar o oferecimento de uma resposta nas provas escolares, se é que você me entende.

Não sei, talvez eu tenha recebido a “unção do choro” e esteja manifestando isso da forma errada. Por outro lado, a “unção do riso” parece se encaixar bem em determinadas manifestações “evangelicais”. Em todo caso, prefiro a unção que recebi a 10 anos, quando Deus me escolheu para servi-lo e para amá-lo e que não deixa eu me conformar com tais aberrações...
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16 julho, 2009

Operação de milagres é reflexo de vida integra com Deus?

Por Ruy Cavalcante
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Resolvi escrever este post inspirado no texto intitulado “Se um pregador faz milagres, então ele é de Deus?” de Leonardo Gonçalves, editor do Blog Púlpito Cristão.

Para iniciar, gostaria de fazer algumas simples perguntas ao seguinte texto bíblico, para que possamos chegar a conclusões também bastante simples, e claras (!?):
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Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade. (Mt 7:21-23)

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Eis as perguntas:
1 – Quem entrará no Reino dos Céus? A resposta com certeza não será “aquele que faz milagres”, mas sim aquele que faz a vontade de Deus, não de homens.
2 – Em nome de quem os milagres são feitos? Esta pergunta equivale a “pelo poder de quem?”. A resposta é o próprio orador do texto, Jesus.
3 – De que são chamados estas pessoas que profetizavam, expulsavam demônios e faziam milagres? De iníquos, ou seja, os que praticam injustiça, os perversos, malvados.

Como disse, as conclusões são claras. Não se entra no Reino dos céus com discurso piedoso, mas com obediência à vontade de Deus, isto inclui pregar o verdadeiro evangelho de Jesus, a ordem nos cultos, amar incondicionalmente, dentre outros. Por conseguinte, também podemos afirmar que quem opera tais milagres não é a pessoa em si, por méritos, mas Jesus. Por fim, o mais importante. Profetizar, expulsar demônios e operar milagres e maravilhas não significa ser um servo verdadeiro, santo e puro, antes sinaliza que Jesus tem poder para operar o que quiser, como quiser e através de quem desejar, até mesmo de pessoas que não se relacionam com Ele, que não são transformadas e ainda encontram-se afogadas em suas iniqüidades.

Vale ressaltar que o texto deixa explícito que todas essas operações são de Deus (em nome de Jesus), corroborando com o que Jesus afirmou em Mateus 12:26:

Ora, se Satanás expulsa a Satanás, está dividido contra si mesmo; como subsistirá, pois, o seu reino?

Satanás não pode expulsar a si mesmo, caindo por terra qualquer tentativa de deturpar esta passagem afirmando que esses milagres foram realizados por ele.

Quanta diferença para o que vemos no dia-a-dia evangélico. Somos levados a acreditar que se alguém orar com intrepidez significa que este possui intimidade extrema com Cristo, quanto mais se profecias (lê-se profetadas) forem cuspidas irrefreadamente de sua boca. Somos capazes de pagar 30 mil reais (!?) por sua presença em nosso “evento gospel” ou a pagar 7 reais por um milagre por eles liberados “profeticamente”, tudo para estar ao lado do servo fiel, a quem Deus revela o que jamais havia sido revelado, nem mesmo em Sua Palavra (!?)...

Não me estenderei neste assunto, apesar de aparentemente o haver encerrado pela metade, mas fica a pergunta: Você acha possível considerar alguém infiel a Deus após operar tais maravilhas?
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11 julho, 2009

Espiritual x racional?

Por Ruy Cavalcante
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Tenho observado bastante o comportamento de boa parte dos cristãos de minha região frente a assuntos de caráter espiritual. Percebi que existe uma grande confusão relacionada às coisas espirituais ou a vida espiritual que devemos levar.

Esta confusão encontra-se no antagonismo que se faz entre a espiritualidade e a racionalidade do ser humano. Oposição essa totalmente inexistente no ambiente bíblico. Não existe esta separação. Espiritual não é o contrario de racional, antes espiritual é o contrario de carnal e racional o inverso de emocional.

Em consequência disso nós, os cristãos, temos deixado de pensar nossa fé e, como disse Agostinho, “a fé que não é pensada não é nada” ou ainda mais recentemente como afirma John Stott, “crer é também pensar”. Este conflito tem se tornado tão sério que acabamos por praticar em nossas igrejas o que antes atacávamos com entusiasmo.

Tornou-se comum presenciarmos dentro das igrejas “trabalhos” contra “olho gordo”, banhos de sal grosso, sabonetes sagrados. Também nos entregamos a busca de anjos de fogo, canelas de fogo, sapatos de fogo, voz de trovão, unção de animais e todos os abusos e absurdos que a mente humana é capaz de criar ou copiar.

Infelizmente este quadro não é privilégio de meu querido Estado do Acre. Observo através da grande rede, jornais e revistas especializados e notícias de amigos que o Brasil inteiro tem sofrido com esta guerra entre razão e espírito. Nossas músicas refletem continuamente isto. Somos influenciados a tocar nos mantos, nas arcas, reinarmos em vida, tomarmos posse de tudo que nos cerca, mas pouco se fala em entregarmos alguma coisa a Deus ou ao próximo. Pouco se fala em abençoarmos os irmãos e entregar-lhes um amor incondicional. Parece que espiritual se resume em experiências sobrenaturais, as naturais não tem valor. Amar não é tão bem visto quanto profetizar e ter “revelações do mundo espiritual”, mesmo que estas profecias sejam na verdade profetadas e a revelações, revelamentos.

O que seria mais espiritual, orar em línguas incessantemente durante um culto inteiro ou entrar em comunhão durante meia hora com os visitantes de sua igreja, incentivando-os a servir o nosso Deus maravilhoso, fazendo amizade verdadeira e, por que não, pagando um lanche do seu próprio bolso na cantina da igreja?

Penso (e que pecado parece ser pensar hoje em dia no mundo “gospel”) que demonstrar amor verdadeiro por alguém vale mais do que mil horas em oração pedindo, como sempre, aquilo que desejamos. Penso que o evangelho de Cristo é simples, espiritual e racional e não nos obriga a imitar animais, nos arrastando no chão para demonstrar um espiritualidade que não se confirma com obras dignas de arrependimento. Tenho convicção de que os casos de desmaios contidos no texto bíblico se referem a experiências pessoais e não a doutrina litúrgica e que coração quebrantado se trata de coração transformado, não emocionado.

Já passou da hora de considerarmos a razão como uma dádiva de Deus ao ser humano, justamente aquilo que nos diferencia dos outros animais. Fazer uso deste dom não significa ser influenciado por satanás. Significa justamente o contrário, ser usado por Deus, de forma espiritual, pois a ordem é que o adoremos não somente em espírito, mas também em verdade, e como reconheceremos a verdade senão através da razão? Estejamos atentos o quanto antes para o alerta do profeta Isaias:
“Quando os seus ramos se secam, são quebrados; vêm as mulheres e lhes ateiam fogo; porque este povo não é povo de entendimento; por isso aquele que o fez não se compadecerá dele, e aquele que o formou não lhe mostrará nenhum favor.” (Isaias 27:11)
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07 julho, 2009

Ué, mas você não é diferente das outras pessoas...

John Stott

“De um certo modo, os cristãos consideram esta busca de uma cultura alternativa um dos mais promissores, e até mesmo exci­tantes, sinais dos tempos. Pois reconhecemos nisso a atividade do Espírito, o qual, antes de confortar, perturba; e sabemos a quem a busca deles conduzirá, se quiserem encontrar a resposta. Na verdade, é significativo que Theodore Roszak, encontrando dificuldade para expressar a realidade que a juventude contem­porânea procura, alienada como está pela insistência dos cien­tistas quanto à "objetividade", sente-se obrigado a recorrer às palavras de Jesus: "Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?"

Mas, ao lado da esperança que esta disposição de protesto e busca inspira aos cristãos, há também (ou deveria haver) um sentimento de vergonha. Pois, se a juventude de hoje está à procura das coisas certas (significado, paz, amor, realidade), ela as tem procurado nos lugares errados. O primeiro lugar onde deveriam procurar é um lugar que normalmente ignoram, isto é, a Igreja. Pois, com demasiada freqüência, o que vêem nas igrejas não é a contracultura, mas o conformismo; não uma nova sociedade que concretiza seus ideais, mas uma versão da velha sociedade a que renunciaram; não a vida, mas a morte. Prontamente endossariam o que Jesus disse de uma igreja do primeiro século: "Tens nome de que vives, e estás morto".

Urge que não somente vejamos, mas também sintamos, a grandeza dessa tragédia, pois, na medida em que uma igreja se conforme com o mundo, e as duas comunidades pareçam ser meramente duas versões da mesma coisa, essa igreja está contra­dizendo a sua verdadeira identidade. Nenhum comentário po­deria ser mais prejudicial para o cristão do que as palavras: "Mas você não é diferente das outras pessoas!"

O tema essencial de toda a Bíblia, desde o começo até o fim, é que o propósito histórico de Deus é chamar um povo para si mesmo; que este povo é um povo "santo", separado do mundo para lhe pertencer e obedecer; e que a sua vocação é permanecer fiel à sua identidade, isto ê, ser "santo" ou "diferente" em todo o seu pensamento e em todo o seu comportamento.”

Minha opinião:

Concordo plenamente quando Stott indica um dos motivos pelos quais o jovem não busca na igreja essa tal “contracultura”: o conformismo e a semelhança que a igreja contemporânea tem com as práticas do mundo.

Todos os dias me deparo com novas, porém antigas práticas. Novas por nos surpreender a cada dia. Antigas por fazerem partes há muito tempo da vida religiosa e secular do Brasil. Triunfalismo barato, folhas de arruda, unção de animais (!?), mantos sagrados, músicas mercantilistas, etc, etc.

O pior é que nos sentimos profundamente ofendidos quando nos assemelham com os que não professam a mesma fé, mesmo nossas práticas demonstrando exatamente esta igualdade de atitudes. Não nos importa mais o evangelho genuino, o amor verdadeiro e incondicional por nossos irmãos, irmãs e por nosso Salvador Jesus Cristo. Somente damos ouvidos para pregações acompanhadas de promessas, mesmo que vazias, pois estamos preocupados demais em receber algo e nunca em dar alguma coisa. O mundo já funciona dessa forma deste a sua fundação, ele não esta precisando que a igreja de Cristo o ajude nesta “caminhada”.

A igreja precisa andar na contramão do mundo, na contracultura. A igreja precisa ser um lugar onde as pessoas sejam atraídas pelo amor, não pelas promessas extrabiblicas, pois uma vez que estas promessas não se cumprem, a decepção fica latente, e os que não se perdem nesse contexto acabam se influenciando por ele e enveredando pelo mesmo caminho. Contra o amor não há lei, contra o amor não há resistência.

A igreja precisa salgar o mundo, dar sabor, mas tem preferido se alimentar com os doces e guloseimas que o mundo oferece. Devemos ser diferentes do mundo, especialmente em nossas práticas. Voltemos ao verdadeiro evangelho de Cristo, que diz:


“Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.”

E você? O que argumentaria caso lhe dissessem que você não é diferentes dos outros... ?

Ruy Cavalcante



01 julho, 2009

Caindo na real...

Por Ruy Cavalcante
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Como de costume, estava aproveitando um tempinho vago em meu trabalho para navegar entre diversos blogs e sites cristãos, buscando crescimento, conhecimento e, principalmente, graça. Aproveitei para me atualizar com as “novidades” do mundo “gospel”, algumas como fruto de novas “interpretações” bíblicas, novos (maus) costumes e infelizmente poucas de raízes puramente bíblicas. Deparei-me então com a atualíssima “unção do quatro seres viventes”, que já se faz presente em minha cidade, fruto da não menos atual “adoração extravagante” que, pessoalmente, parece título de livro de artes cênicas de baixa qualidade.

Foi então que algo estalou em minha pequenina cabeça (talvez não tão pequena diria alguns). Algo que está longe de ser novidade, mas que se renova a cada dia em nosso meio, principalmente na parte gospel do meio cristão (!?). Isso aconteceu quando me deparei com o seguinte texto bíblico:

“quem nos separará do amor de Cristo? a tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte o dia todo; fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais que vencedores, por aquele que nos amou.” (Romanos 8:35-37)


Um texto tão conhecido e tão pouco entendido. Hoje esse texto me falou muito sobre o triunfalismo que vivemos há algum tempo em nossas igrejas, em nossas vidas. Canso de ouvir “somos mais que vencedores”, como se esse texto afirmasse que venceremos em tudo neste mundo, que “reinaremos em vida” como diz um novo “sucesso gospel”, que onde pisar a planta de nosso pé o Senhor nos dará como herança, como se fossemos o povo de Israel buscando o lar prometido, a fim de deixarmos de perambular por ai por causa do pecado.

Ao escrever estas linhas lembro-me de quando aconselhei cautela a um amigo que iria fazer uma visita a uma família recém convertida, num bairro perigoso de Rio Branco. Ele me respondeu: Que é isso irmão, eu vou fazer a vontade de Deus, como você pode imaginar que algo ruim poderia acontecer estando eu fazendo a obra dEle? Tentei explicar o que Paulo estava fazendo ao ser por várias vezes preso, açoitado e mesmo morto; tentei mostrar o que fazia Estevão ao ser apedrejado; tentei esclarecer quem nos conta a história ter sido queimado nas fogueiras da inquisição. Não surtiu muito efeito, o triunfo estava impregnado e, como graças a Deus nada de mal aconteceu, temo que tenha ficado ainda mais cauterizado.

Eu, porém, penso que Paulo não estava pregando o sucesso absoluto do crente neste mundo. O que ele afirma claramente em meu coração é que, independentemente do que aconteça, mesmo que eu seja morto, no fim eu receberei a coroa da vida, pois mesmo que eu morra, viverei, e que minha vitória é certa em Cristo. Como escrevi no post “O céu sempre atrapalhou os cristãos”, Ele já nos preparou um lugar, nós realmente já vencemos a morte, o céu já espera por nós.

Essa sim é nossa vitória incontestável! Esta é a vitória que deveríamos apregoar, mas não parece ser o que gostamos de ouvir, talvez por isso não mudamos o discurso, afinal, quem ficaria numa igreja que não prega o sucesso já? Possivelmente as igrejas ficariam vazias de crentes (embora cheias de Cristo) e não é isso que a visão da “vitória” gostaria. Não é isso que nossos líderes sonham, pois seus nomes não serão jamais lembrados por haverem pastoreado igrejinhas de poucos membros, mesmo que estes fossem parte do mundo puramente cristão, não somente gospel.

Claro, exemplos de vitórias e triunfos nesta terra são encontrados aos montes na Santa Palavra de Deus, que o diga Isaías. Mas esta não é a regra. Aliás, no Reino de Deus a única regra que há encontra-se restrita a Sua soberana Vontade:
“Porque diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia, e
terei compaixão de quem me aprouver ter compaixão (...). Portanto, tem
misericórdia de quem quer, e a quem quer endurece.” (Romanos 9:15, 18)

Precisamos buscar sabedoria continuamente, em Deus, e voltar a pregar exclusivamente o que Cristo ensinou. Só assim teremos igrejas cheias. Não de crentes. Mas de pecadores restaurados.

Naquele que jamais perdeu...
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05 junho, 2009

Voo 447, Salvo da morte. Onde guardaram o amor?


Por Ruy Cavalcante
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Essa peça ai afirma que recebeu um grande livramento de Deus. Trata-se de um pastor missionário que exerce suas funções “sacerdotais” em Paris, e atende pelo nome de Gláucio Oliveira. Segundo ele, estava com passagem reservada para o trágico vôo 447 da Air France, que desapareceu no oceano Atlântico, mas desistiu da viagem após receber uma mensagem de Deus para não embarcar, mensagem esta citada na imagem acima.

A mensagem foi-lhe repassada por outra moça evangélica, pouco conhecida do mesmo, que havia participado de um grupo de orações e recebido tal mensagem. Bom, até ai tudo dentro da “normalidade” de Deus. Deus realmente livra seus filhos constantemente de várias tragédias, especialmente quando possui ainda algum propósito para ser realizado através de suas vidas, que o diga o apostolo Paulo.

Agora, com o perdão da palavra, imaginar que Paulo, após escapar de apedrejamentos, prisões e várias perseguições, estaria com uma foto estampando essa cara de palhaço, alardeando o livramento de Deus, se auto promovendo como o homem de Deus que por Ele é protegido, carregando consigo o chicote de seu carrasco na mão é demais pra mim.

É demais olhar para esse sorriso e não imaginar o que as famílias das vítimas sentiram ou sentiriam ao vê-lo. É difícil não pensar que testemunho por promoção não transforma vidas, antes as afasta mais ainda de Deus. Quem gostaria de um deus que amou mais um palhaço desses do que as crianças daquele vôo? Deus ama ambos da mesma forma e, se foi Ele quem o livrou da morte, tenho convicção que não estava pensando nesta foto quando o fez. O propósito foi outro.

Quanta falta de respeito, de consideração, de amor e de solidariedade pela vida daqueles que não tiveram a mesma sorte e pela dor da perda que estão passando os familiares. Como a falta de amor pode nos tornar tão egoístas. Tirar um foto como esta, com a Bíblia numa mão, o bilhete na outra e este sorriso? Quanta vergonha estou sentindo. Que amor é este?

Fonte da notícia e imagem: Blog http://cristisantana.blogspot.com/
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03 junho, 2009

Sobre pássaros e gaiolas

Rubens Alves
Deus criou os pássaros.

As religiões criaram as gaiolas. As gaiolas criadas pelas religiões são feitas com palavras. Elas têm o nome de dogmas. Dogmas são gaiolas de palavras que pretendem prender o Pássaro. Guerra Junqueiro, poeta português, escreveu um longo poema que se tornou clássico sobre este assunto: “O Melro”. É bonito. Merece ser lido.

Escrevi, para minha filha pequena, uma estória sobre um Pássaro Encantado e uma Menina. Pássaro e Menina se amavam.Mas sempre chegava o momento quando o Pássaro dizia: “Preciso ir”. A menina chorava e dizia: “Não vá. Nós nos amamos tanto!” O Pássaro respondia: “Eu preciso ir para ter saudades. Porque o meu encanto nasce da saudade!” E partia. A Menina, então, teve uma idéia perversa: engaiolar o pássaro para que ele nunca mais partisse. E assim ela fez. Quando o Pássaro voltou, cheio de estórias para contar, cheio de penas de novas cores, enquanto ele dormiu, ela o engaiolou numa linda gaiola de prata. Ao acordar o Pássaro deu um grito de dor. “Menina, vou perder meu encanto. Vamos perder o amor!” E assim aconteceu. Foram-se as cores. Foram-se as estórias que ele contava. Foi-se o amor.

Escrevi esta estória porque eu ia partir para uma longa viagem e minha filha de quatro anos estava muito triste. Depois de publicada fiquei sabendo que meus colegas terapeutas a estavam usando para lidar com as relações amorosas, maridos engaiolando esposas, esposas engaiolando maridos, maridos querendo voar, esposas querendo voar... Aprovei. Aí um amigo me disse: “Que linda estória você escreveu sobre Deus!” Perguntei: “Que estória?” Ele me respondeu: A da Menina e do Pássaro encantado. Pois o Pássaro Encantado não é Deus que as religiões tentam engaiolar?”.

Um Deus engaiolado nas gaiolas de palavras chamadas dogmas é sempre menor que a gaiola. Esse Deus não é pássaro que voa, é pássaro empalhado.
Deus mora na saudade.
Deus mora na nostalgia.

Pelo menos foi aí que Santo Agostinho o encontrou; num lugar obscuro e doloroso da memória, onde só há silêncio, não há palavras.

Deus não nos deu asas. Deu-nos o pensamento. Voamos nas asas do pensamento. A ciência, a literatura, a música, as artes plásticas, o balé, a culinária, os brinquedos, as coisas que nos dão alegria, são todas criaturas do pensamento. Primeiro voamos na fantasia para, a seguir, criar. Miguel Ângelo primeiro pensou a Pietá para depois esculpir a Pietá... O pensamento são as asas que Deus nos deu.

(...)

O fato é que a história do Cristianismo está cheia de gaiolas. Quantos foram mortos pelo crime de pensar diferente! Desse crime tanto católicos quanto protestantes são culpados. Os mortos foram pássaros que se recusaram a ficar dentro das gaiolas. Os hereges.

ALVES, Rubem, Dogmatismo e Tolerância – Edições Loyola – SP – 2004 – Pp 9-10.



25 maio, 2009

Uma familía deveria ser...

Uma família deveria ser algo indestrutível. Acredito que este seja o pensamento de Deus para ela. Deveria ser um lugar onde o verdadeiro amor nunca se acabasse. Um lugar de verdadeiro refúgio e conforto onde nossas forças estariam todas concentradas em sua manutenção, preservação, permanência...

Tudo o que somos começou nela. Nossos defeitos, nossos traumas, mas também nossas primeiras lembranças do amor, da felicidade. TODOS deveriam entender o seu valor, a sua importância. Todos nós deveríamos lutar para que ela resistisse aos desafios do dia a dia, pois os dias são maus o suficiente.

Não se pode entender quem não entende... o valor de uma família.

Ela pode formar os mais perigosos malfeitores, quando enfraquecida, mas sempre é nela que são formados os heróis, principalmente os da fé. Não há bem mais precioso do que a família que Deus te deu. Entenda isso. Ame-a. Ame-a com todas as suas forças. Seus pais e irmãos. Seus filhos, esposas e maridos. Pois a falta deles pode destruir você. Espero que isso você jamais entenda... o que é perder sua família. Pior ainda, o que é perder sua família por algo que não tem sequer valor, quanto mais pode ser comparado a ela.

Jamais usurpe sua presença de sua família, jamais a substitua por suas paixões ou a destrua por suas convicções. DEIXE DEUS TE ENSINAR A AMÁ-LA. DEIXE ELE TE TRANSFORMAR, TE RESTAURAR. DEIXE HOJE. Amanhã pode ser muito tarde para isso. Amanha você pode ter conseguido destroçá-la. Não se destrói aquilo que Deus te deu, não sem um dia, mesmo que não agora, Ele te peça contas disso.
"Mas, se alguém não cuida dos seus, e especialmente dos da
sua família, tem negado a fé, e é pior que um incrédulo. (I Tm 5:8)"