31 outubro, 2009

Faça você mesmo

Por Ruy Cavalcante

Acompanhando o tema do post anterior, me sinto compelido a expor outra face desta verdade: A responsabilidade continua sendo pessoal e ninguém pode se justificar de não levar uma vida espiritual saudável por culpa exclusiva de pregadores doentes.

Uma das principais conquistas da reforma foi, se não a maior delas, a abertura da Palavra de Deus para o povo leigo e, a partir daí, a livre interpretação da Bíblia. Livre no sentido de que esta não estaria mais sob domínio da Igreja Católica, mas à disposição de qualquer um que desejasse interpreta-la.

Apesar disso, o que mais vejo são homens e mulheres que, não obstante haverem decidido servir a Deus anos atrás, continuam acomodados ao ponto de aceitarem qualquer palavra proferida por um líder religioso, muitas vezes sem qualquer preparo teológico ou respaldo moral, simplesmente por ser mais fácil e rápido receber alimento instantâneo. É o que chamaria de “Nissin Miojo espiritual”.

Por conta disso vivem como crianças, atraídos por qualquer apito (lê-se grito). Charles Spurgeon faz uma consideração interessante sobre este tema quando diz:

Crianças correm atrás de qualquer brinquedo novo; em qualquer pequena
apresentação de rua os garotos ficam todos excitados, boquiabertos; mas os seus
pais têm trabalho por fazer, e suas mães têm outros assuntos em casa; aquele
tambor e aquele apito não vão atraí-los.

Homens e mulheres maduros sabem diferenciar coisas importantes de coisas inúteis. Eles não obedecem à primeira corneta como se fossem parte de uma tropa de recrutas inexperientes. Antes eles entendem a necessidade de alimento sólido, bem preparado, sem condimentos, saudável, e sabem que somente na bíblia podem encontrar tais nutrientes para seus espíritos.

É responsabilidade de cada um de nós verificarmos se o que é pregado em nossas igrejas se confirma na Palavra de Deus. Não podemos nos esconder atrás de outras pessoas, que por possuírem cargos importantes dentro da estrutura eclesiástica, reivindicam para si o monopólio da revelação divina. Não existe ninguém mais habilitado para lhe revelar as verdades do Evangelho do que o próprio Evangelho, com a indissolúvel contribuição do Espírito Santo, aquele mesmo que fez habitação DENTRO DE VOCÊ.

Portanto leia, medite, estude, analise a Palavra de Deus, considere todas as coisas, mas retenha o que for bom conforme consta nela e somente nela. Seja ortodoxo quanto a Palavra, mas tome cuidado para desvinculá-la de todo tradicionalismo exagerado tanto quanto do liberalismo libertino. Você é responsável por sua carreira e no final de tudo você prestará conta de sua vida, não seu pregador favorito. Pense nisso.
.
Fonte da imagem: http://membres.lycos.fr
.



26 outubro, 2009

A necessidade do Evangelho

Por Ruy Cavalcante

“ide e pregai o evangelho...”

Há algum tempo venho pensando nos motivos que fizeram a igreja evangélica se assemelhar tão grandemente com uma empresa em busca de espaço no mercado, mercado esse regido pelas leis da competitividade. Eu não sei em que ponto isso começou, mas sei que foi o início de uma grande derrocada.

Por questões espúrias como a competitividade eclesiástica iniciou-se um processo de humanização do evangelho, materialização de seu conteúdo e deturpação de sua essência, ao ponto que, hoje, pouco se prega um evangelho que não seja baseado em princípios materialistas, com facilidades para seus adeptos, centrado nas necessidades e desejos do indivíduo.

Estatisticamente o Reino de Deus tem avançado exponencialmente no Brasil, mas espiritualmente, será que o evangelho que tem sido pregado, é capaz de aumentar as estatísticas daqueles que ultrapassarão a “entrada estreita”?

O que eu vejo, em minha singela observação, são pessoas que buscam a Deus para ficarem ricas, para terem seus problemas resolvidos ou para participarem de uma comunidade interessante. Conforme afirma Marília de Camargo César:

“Segui-lo é sair da miséria, é conseguir o emprego, a promoção ou então evitar o
câncer, a paralisia, o desastre. Ninguém quer diminuir. Todos querem crescer e,
se possível, viver uma vida hollywoodiana.” (Feridos em nome de Deus, São Paulo:
Mundo Cristão, 2009, p. 16.)

Que infelicidade, que engano! Enquanto o evangelho de Cristo faz nascer servos, o evangelho moderno cria protagonistas. Enquanto Jesus determina que todos aqueles que buscam segui-lo neguem-se a si mesmos os atuais líderes dizem: Conquiste, determine, traga à existência a sua vitória, pois você é um Rei!

O evangelho verdadeiro é renúncia, é perseguição, é amor e perdão. O evangelho verdadeiro leva desaforo para casa, enfrenta prisões e calúnias. Afinal de contas, em que gaveta a igreja guardou o exemplo dos apóstolos e missionários neotestamentários? Para qual arquivo secreto enviamos as perseguições e mortes sofridas pelos mártires e pais da igreja? Será que Deus, quebrando seus princípios eternos, estabeleceu acepção de pessoas justamente na vida daqueles que levaram adiante o seu Reino, em tempos onde a morte era a única recompensa para tais idealistas?

Não encontro outra solução para mudanças que não passem por um retorno ao Evangelho de Cristo, não vejo outra saída para os escândalos, malas-cheias, dólares escondidos, pastores dominadores, crentes conquistadores, saqueadores e vendilhões de templos, cristãos namoradores, servos servidos e todo o tipo de doença espiritual sem que a essência do amor, da renúncia, do perdão e da sujeição sejam resgatados por uma pregação mais distante de homíléticas contaminadas por nossos próprios desejos, e mais próximas de Cristo.

Voltemos ao evangelho enquanto é tempo, amanhã pode não adiantar mais.

Fonte da imagem: http://www.anunciame.com.br



15 outubro, 2009

Amar é muito simples

Assista o vídeo abaixo:



Porque é tão difícil honrar um Deus como o nosso? Um Deus que, abrindo mão de sua divindade, se sacrificou por nós, simplesmente por amor.

Porque é tão difícil viver de acordo com esse amor? Porque planejamos todos os dias uma forma diferente de invalidar a sua morte, criando artifícios que possam nos levar ao lugar que Ele conquistou sem precisarmos meditar em sua morte, em nossa culpa, tentando nos tornar merecedores de seu amor sem necessidade da cruz?

É tudo tão simples. Basta amá-lo. Não precisamos de nenhum tipo de extravagância. O amor é muito simples.

Porque é tão difícil entender isso?
Ruy Cavalcante
.



06 outubro, 2009

Ao me exortar, por favor...

.


Este é um post diferente dos demais, escrito num momento de estresse, porém com minhas faculdades mentais funcionando plenamente. Não espero com ele conquistar seguidores, mas, por favor, ao me exortar, pregar ou conversar comigo sobre assuntos cristãos (ou qualquer outro), não utilize nenhuma colocação do tipo:

  • Vou te lançar uma palavra profética...
  • Vamos fazer um ato profético...
  • Abra a boca e profetiza para os teus irmãos...
  • Tome posse da tua benção...
  • Determine a benção, o milagre, a cura...
  • Você precisa entrar num nível espiritual superior...
  • Cuidado pra você não perder a benção meu irmão...
  • Não deixe o diabo roubar a tua benção...
  • Não deixe o diabo roubar essa palavra...
  • Nada vai impedir a tua vitória...
  • Crente não conhece derrota...
  • Você precisa participar do avivamento que a igreja evangélica está passando...
  • Você está dizimando?
  • Você é batizado com o Espírito Santo? Fala em línguas?
  • Deus esta me revelando que você está passando por lutas, mas que a vitória vai chegar...
  • Deus tem um propósito na tua vida...
  • Deus está dizendo que vai operar poderosamente na tua vida...
  • (...)
Esta lista não é aleatória. Todas estas frases foram proferidas para mim mais de uma vez em certos casos. Citações desse tipo farão com que suas palavras não ultrapassem os limites de meus tímpanos, salvo nos casos em que elas, ultrapassando, saírem direto pelo outro lado...

É um pedido que faço, por favor, considere-o, não me faça perder o crédito em sua relação com a verdadeira Palavra de Deus.

Pronto, falei...
Ruy Cavalcante

Fonte da imagem: http://domfernando.files.wordpress.com
.



02 outubro, 2009

Tudo me será acrescentado?

Por Ruy Cavalcante

Mas buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas as coisas vos serão acrescentadas. (Mt 6:33)

Os mais desavisados, ou aqueles que pouco se preocupam com uma interpretação bíblica sadia, que infelizmente parecem ser maioria no meio “gospel”, diriam que este versículo é chave para promessas materiais e financeiras aos que crêem. Na maioria dos casos afirmariam, caso fosse perguntado e como pude comprovar em minha própria comunidade evangélica, que ele está aqui grafado da forma correta. Quantas vezes eu mesmo ouvi pregações em cima deste versículo, com esta grafia, trazendo em sua homilética “verdades” a respeito da prosperidade.

Porém, com um pouco mais de atenção, e consulta ao texto bíblico, perceberemos o erro aqui contido. Eis a expressão correta:

Mas buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. (Mt 6:33)

Não fosse o termo em destaque, confesso que seria difícil negar uma promessa não só material aqui contida, mas uma que abarcasse todas as áreas de nossa vida, mesmo considerando o contexto em que o versículo se apresenta. Porém ele está lá, e refere-se rigorosamente ao que, na frase, está definido imediatamente antes. Vejamos então, rapidamente, a que coisas este versículo faz alusão:

O contexto mediato deste versículo inicia-se no verso 25. Ali, Jesus alerta seus discípulos a não se preocuparem tanto com o que haverão de comer, beber ou vestir nesta vida, ou seja, não estarem ansiosos com as suas necessidades básicas. A partir de então ele explica o motivo para tal segurança que eles deveriam apresentar.

O verso 26, tratando da alimentação, que é básica para a manutenção da vida, assim como a bebida, demonstra como Deus sustenta as aves e como fará o mesmo com eles, devido o valor que seus discípulos possuem, superior às aves. Em seguida, a partir do versículo 28 ao 30, Ele apresenta uma verdade semelhante, agora a respeito das vestimentas, outra necessidade real e básica do ser humano após sua queda, mostrando como Deus “veste” o lírios do campo e como fará o mesmo com eles. Após reafirmar a necessidade de confiar em Deus quanto a estas coisas, Jesus cita o verso em questão, mostrando uma verdade imutável de Deus. Ele supre todas as necessidades daqueles que, abandonando o cuidado pelas suas próprias vidas, dedicam-se ao Reino de Deus e praticam a justiça que esta condição lhes impõe.

Portanto, a verdade é que este texto de fato faz promessas materiais, a mentira é que estas promessas não aludem à prosperidade financeira, portas abertas de emprego (salvo se isso for necessário para o sustento e não para afirmação social), carros ou coisas afins. A promessa material aqui contida refere-se ao sustento, ao suprimento das
necessidades básicas daqueles que o servem, simples assim.

Gostaria de finalizar indicando alguns textos que corroboram com tudo isso, caso lhe interesse, para análise dos mesmos, e de seus respectivos contextos:

I Reis 17:8-24; Salmos 37:25; Mt 7:7-11 (meu preferido, e não menos deturpado)

Fonte da imagem: http://images.quebarato.com.br/
.