22 novembro, 2009

Uma Nova Geração

Por Ruy Cavalcante

Tenho ouvido bastante nos últimos anos, especialmente nos últimos meses, que Deus está levantando uma nova geração. Não questiono este assunto, pois creio que realmente isso acontecerá, não na velocidade que, como homem, gostaria, mas com certeza na velocidade que Deus decidiu.

Por outro lado, satanás tem copiado este plano e já tem levantado não somente uma, mas várias gerações, embora sejam gerações “piratas”. Uma delas, assunto deste post, é a “geração restituição”.

Geração restituição é aquela que, diferente da perspectiva bíblica para tal atitude de devolução, exige a restituição. Neste novo ponto de vista Deus passa a ser servo, e o crente por sua vez é aquele que é servido, que lança ordens do tipo “eu quero de volta o que é meu”.

Não há como negar que restituição é uma expectativa, uma promessa bíblica, porém, no livro de Joel temos grandes revelações de como esse processo se dá e podemos então perceber quão divergente o contexto bíblico se apresenta em relação às determinações da geração restituição. Vejamos alguns trechos:

(...) Todavia ainda agora diz o Senhor: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, e com choro, e com pranto. E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes; e convertei-vos ao Senhor vosso Deus; porque ele é misericordioso e compassivo, tardio em irar-se e grande em benignidade, e se arrepende do mal. (...) Então o Senhor teve zelo da sua terra, e se compadeceu do seu povo. E o Senhor, respondendo, disse ao seu povo: Eis que vos envio o trigo, o vinho e o azeite, e deles sereis fartos; e vos não entregarei mais ao opróbrio entre as nações; (...) Assim vos restituirei os anos que foram consumidos pelo gafanhoto voador, o devorador, o destruidor e o cortador, o meu grande exército que enviei contra vós. Comereis abundantemente e vos fartareis, e louvareis o nome do Senhor vosso Deus, que procedeu para convosco maravilhosamente; e o meu povo nunca será envergonhado. (...)

A restituição prometida não é aquela que acontece quando “determinamos a benção” ou quando pressionamos Deus na parede para cumprir aquilo que decidimos ter direito. A verdadeira restituição só acontece quando há transformação, mas será que esta atual geração apresenta um coração transformado?

Será que aqueles que ordenam a Deus que devolva aquilo que se perdeu já rasgaram os seus corações, já se converteram e mostraram isso com jejuns e com choro? Será que as lágrimas desta geração refletem arrependimento ou são apenas emoções diversas?

Deus de fato é misericordioso, mas a misericórdia dEle está contida em Cristo e não em suas bênçãos. Para que ela seja realidade em nossas vidas precisamos antes de tudo estar ligados a Jesus, convertidos a Ele, transformados em servos e não em senhores ou em colegas semi-deuses. Quando esta condição não existe, a única expectativa para nossas vidas é a condenação eterna, longe da misericórdia de Deus.

O grande engano de satanás, levado a cabo por esta geração delirante, é justamente fazer acreditar que a misericórdia de Deus se revela não em Cristo, mas em suas bênçãos e em seus sinais. Como afirmei no artigo anterior, os sinais não são a marca da salvação e sim os frutos. Perguntarei novamente, será que esta geração tem apresentado frutos de arrependimento, o que a bíblia também chama de Frutos do Espírito?

Reafirmo que creio numa nova geração, não conforme a que se apresenta no contexto gospel de nosso país, mas conforme o contexto das primeiras gerações, narradas nos Evangelhos e em Atos do Apóstolos. Uma nova (porém antiga) prole de cristãos, comprometidas com a Palavra de Deus segundo o exemplo dos bereianos (At 17:11-12), capazes de renunciar seus próprios desejos (Lc 9:23) para viver a vontade de Deus, que amam não somente de palavras, mas em atitudes de obediência (Jo 14:21), e que sabem da obrigação de cumprirem um papel social ativo (Tg 4:17; Ef 2:10).

É nesta “trupe” que pretendo ser encontrado, numa comunidade subversiva quanto aos oferecimentos de satanás, revoluta, vivendo a verdadeira contra-cultura do mundo, e meu desejo e luta têm sido para que você, que lê estas linhas mal traçadas, possa ser despertado para Cristo, sem qualquer dissonância de Sua única e verdadeira Palavra, que excede todo entendimento e que nos liberta verdadeiramente. Pense nisso.

Em Cristo, com amor.
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17 novembro, 2009

Conhecer a Deus

Por Ruy Cavalcante

Escrevo esse post após uma conversa via MSN com uma grande amiga, que reencontrei há alguns meses, após dez longos anos de distância. Distância esta revelada não somente em espaço físico, mas acima de tudo na quebra de uma relação de amizade que agora descobrimos ser eterna, graças a Deus.

Hoje continuamos separados por dois mil quilômetros de distância, mas meu coração nunca esteve tão próximo e desejoso de um reencontro como agora, principalmente depois dessa conversa que estarei parafraseando-a (sem destaques) no decorrer do post.

Logo após nos reencontrarmos, e poucos antes de seu retorno à sua cidade, minha amiga “aceitou Cristo”. Foi embora muito feliz e empolgada com essa nova condição. Porém, não demorou muito para que ela deixasse esta comoção de lado, chegando ao ponto de, hoje, me pedir orações para que se animasse a freqüentar alguma igreja, voltasse a orar naturalmente sem que isso fosse um peso e também para que sua vida voltasse a ter aquele sentido que sonhou ao ser apresentada a “cristo”.

As aspas em “cristo” são justamente a causa de tal situação.

Aconteceu com ela o que tem acontecido com milhares de pessoas todos os dias. Ela foi apresentada ao cristo das igrejas (maioria) e não ao Cristo da Bíblia. O deus que ela conheceu foi o deus genérico, aquele que não transforma vidas, apenas contas bancárias.

Quando conhecemos o Deus verdadeiro existe transformação verdadeira. Quando isso acontece não há mais necessidade de suplicar orações pela animação de nosso espírito, pois o próprio Deus se torna a nossa maior motivação de buscá-lo. Conhecer o Deus verdadeiro significa encontrar amor e paz e um evangelho que não nos conduz a esta realidade deve ser rejeitado.

Não existe o deus do sucesso, da prosperidade, do milagre. O que existe é o Deus do amor, da renúncia, da paz e o mesmo vale para o seu Evangelho. Um evangelho que não fale de amor, renúncia e paz não é o evangelho de Cristo e devemos ter muito cuidado com isso. Se o evangelho pregado a mim não é capaz de me levar a um estado de serenidade mesmo em meio a angustias e perseguições, a reconhecer o amor incondicional de Deus e a odiar o pecado que um dia amei, esse não é um evangelho genuíno.

Muita gente tem destruído sua própria vida e a de sua família confiando num deus institucional, que não é capaz sequer de me atrair para si mesmo. Eu devia tê-la alertado quando percebi que suas dúvidas quanto a esta nova realidade em sua vida se referia a sua relação com a graça de Deus. Deus não confunde, antes esclarece.

O deus que lhe foi apresentado não foi capaz de lhe convencer de sua liberdade e isso não possui conexão com nenhuma escassez de conhecimento teológico, pois o Deus bíblico dá entendimento ao simples (Sl 119:130).

Prestem bem atenção nisso: um evangelho que trata somente de milagres, profecias, revelações e condenações está distante do que foi pregado por Jesus e seus apóstolos. O principio essencial do Evangelho de Jesus não está conectado aos milagres e sim aos frutos do Espírito, onde o maior deles é o amor. Eu posso viver os sinais sem os frutos, mas esses sinais não irão me levar a lugar algum a não ser ao centro do meu próprio ego.

A Bíblia nos avisa que os sinais acompanharão aos que crêem, portanto nós não precisamos dedicar nossa vida em busca deles, pois no dia em que vivermos os frutos do Espírito Santo os sinais virão atrás de nós.

Em Mateus capítulo 7 versos 22 e 23, Jesus fala de pessoas que viviam os sinais. Eles profetizavam, expulsavam demônios, operavam coisas sobrenaturais, porém no apagar das luzes Jesus determina que se afastem, pois eles praticam a iniquidade e, por causa disso, Ele não os reconhece como filhos. Ora, praticar a iniquidade é não viver os frutos do Espírito e sim os frutos da carne e este texto deixa claro que é perfeitamente possível viver os milagres sem ter de fato nascido de novo.

Em tempo, receber a Cristo não é simplesmente abrir a boca e dizer que O aceita. É antes de tudo se arrepender dos erros após ser alcançado por Sua Graça, é amar a Cristo e a partir de então odiar o pecado. Isso acontece não porque somos bons, mas porque Jesus nos torna bons e, dessa forma, verdadeiramente tudo se faz novo. Enfim, nossas atitudes mudam, convergem para Jesus e começamos a ser capazes de amar a Deus sem falsidade, sem barganhas, e esse amor se estende às suas criaturas, sem que isso dependa do merecimento de quem estamos amando.

É a partir desse amor imerecido que surge o perdão em nosso coração e somos capazes de viver sempre em harmonia, sem medo, e com paz.

Esse é o Evangelho verdadeiro, o Deus verdadeiro, e é somente nEle que encontramos a verdadeira salvação. Rejeite qualquer outro evangelho, mesmo que ele seja anunciado por um anjo de luz (Gl 1:8).
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14 novembro, 2009

Ser Cristão...

Por Ruy Cavalcante

Tenho andado muito preocupado nos últimos meses, na verdade nos últimos três anos, desde que iniciei minha faculdade de teologia. Sinceramente imaginei que encontraria por lá pessoas que, como eu, estavam preocupadas com a ortodoxia da Palavra de Deus, como o Evangelho salvífico de Cristo e com a sua simplicidade.

Mas não foi o que aconteceu. Com as devidas exceções (no mais amplo sentido desta palavra), o que encontrei foram pessoas interessadas nas mesmas fórmulas de crescimento explosivo de igrejas que tanto questiono. Pessoas dispostas a continuar anunciando um evangelho genérico, pautado em riquezas corruptíveis, simbologias místicas, lideranças papais e carismáticas e expressões de adoração externas em detrimento de um coração transformado.

Todas as justificativas possíveis são utilizadas para que este evangelho seja anunciado pelos líderes antigos e iniciantes na “carreira”. Mesmo com bases bíblicas insustentáveis eles apelam para uma espiritualidade desligada da verdade, a fim de levar adiante esta semente “transgênica”.

O fato é que no decorrer dos anos e com a grande difusão deste falso evangelho, o povo cristão aos poucos está perdendo a essência de uma vida realmente cristã, conduzida pelos frutos e não pelos dons do Espírito. Aos poucos a avareza e a ganância têm tomado conta de nossos arraiais e os que antes eram servos agora desejam serem servidos. Aos poucos a pureza e a santidade têm sido trocados pelo consumismo e imoralidade, pois o que determina a liderança de alguém não é mais o chamado de Deus, confirmado pela Igreja, mas as ofertas do indivíduo, seu poder de persuasão e, quando muito, a demonstração de uma super espiritualidade, que em geral, não ultrapassa o teto da mais humilde congregação.

O povo, por falta de exemplos a seguir, acaba disseminando estes conceitos, criando um círculo vicioso maligno, mas que é defendido como a última instância da revelação bíblica.

A principal característica dos líderes e igrejas que vivem esse evangelho falso é a falta de doutrinação bíblica em suas comunidades. Quando se ensina a bíblia nestes locais os estudos são temáticos, fundamentados nos interesses da liderança, geralmente baseados na teologia do medo. São exaustivos estudos sobre maldição, dízimos e ofertas, castigos divinos, respeito cego aos profetas, dentre outros. Não se estuda sobre o amor e a graça de Deus, sobre a obra de Cristo na vida do cristão, sobre os frutos do Espírito e a conduta cristã, sobre a necessidade de arrependimento, sobre humildade, serviço.

Isso não é cristianismo. Isso não é ser cristão.

Ser cristão é andar irrepreensivelmente e amar a justiça, é falar a verdade mesmo que isso te cause algum dano, é ser humilde e considerar os outros superiores a si mesmo, é produzir frutos dignos, que demonstrem arrependimento. Ser cristão é andar com Deus, viver por Ele, amá-lo acima de todas as coisas, é adorá-lo com sua vida e testemunho e não somente com seus lábios. Ser cristão é servir e não buscar ser servido.

Ser cristão é nascer de novo e, mesmo pecando, odiar o pecado. É ter o coração transformado, inclinado para as coisas de Deus. É amar aos outros da forma como Cristo amou, sem o requisito do merecimento. Ser cristão é sofrer perseguição por amor de Cristo, é enfrentar a espada se for preciso, é sofrer angustia, dor, e saber que no fim será glorificado.

Ser cristão é negar a si mesmo em favor dos outros.

Como bem disse Paul Washer, isso não é poesia, isso é o evangelho genuíno de Jesus Cristo. Não há vitória maior que a vida eterna, e muitos estão abandonando esta por uma vida de sucesso, de riquezas, de prosperidade material e não espiritual, e o que é pior, por uma vida de promiscuidade acreditando que por um dia haverem levantado as mãos e declarado “eu te aceito Jesus” estão com a marca da promessa de vida eterna.

Por favor, não se enganem nem se deixem enganar meus queridos irmãos. Não há vida eterna sem santidade, sem renúncia, sem amor e sem perdão. Aceitar a Cristo não é declarar isto publicamente, pois nem todo que diz “senhor, senhor” será salvo. Nós é que somos aceitos por Ele, e se o seu coração ainda não foi transformado, peça que Ele o faça, pois sem isso você jamais o verá, mesmo que “seu celeiro” esteja abarrotado de bens.

Que Deus nos abençoe.

Em Cristo.
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