06 maio, 2010

O Deus desconhecido

Alan Brizotti

Conta-se que um rabino passou a manhã inteira em fervente oração pedindo ao Eterno que revelasse seu verdadeiro nome. Por volta do meio-dia, o Eterno decidiu revelar ao insistente rabino seu verdadeiro nome, então o mestre passou o restante do dia e a noite inteira em desesperada oração: "Ó Eterno, por favor, faça-me esquecer teu verdadeiro nome!"

Tenho a sensação de que a gritante maioria das pessoas que frequentam os templos evangélicos não faz ideia de quem é Deus, do que seja uma teologia, do que é essa tal "presença de Deus". A fraseologia do que se canta nas igrejas revela o nível terminal em que se encontra a mentalidade evangélica brasileira.

Nessa igreja da banalização, temas como: pecado, cruz, salvação, santidade, louvor, são misturados na salada da autoajuda espiritualizada, no caldeirão místico dos que perderam o foco. Troca-se conversão por adesão a um sistema religioso de facilidades e bobagens tatuadas de sagrado. Trocam-se púlpitos por palcos, onde palhaços de uma espiritualidade circense demonstram seus "talentos"de Silvio Santos da mesmice religiosa.

Cantar com a mãozinha no coração fazendo cara de santo e beicinho choroso passou a ser a coreografia mais repetida, a configuração traumática dos herdeiros das Anas Paulas Valadões da vida (não estou dizendo que ela esteja errada, mas que a experiência pessoal dela, não pode ser normativa, doutrinária, paradigmática).

Dia desses ouvi a seguinte frase num "louvor": "Estamos desesperados pela tua presença, ó Deus". Esse desespero incrivelmente desaparece nas manhãs de domingo, nas Escolas Dominicais. Some nas noites das verdadeiras vigílias (aquelas onde a oração tem lugar principal). Esse desespero simplesmente inexiste nos cultos de ensino. Os desesperados estão apenas nas carnavalizações folclóricas da fé, nas micaretas teológicas, nessa espiritualidade "baiana" das Ivetes de Gizuz.

Cansei. Prefiro os "retrógrados" hinos da Harpa Cristã e dos Hinários. Prefiro o silêncio. Essa irrtante mania de uma espiritualidade da birra existencial perdeu o rumo, a identidade e o propósito.

"Há mais restauradora alegria em cinco minutos de adoração do que em cinco noites de folia".
A. W. Tozer

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Minha opinião:

O "deus" da geração gospel é realmente meio, digamos, diferente do Deus que me foi apresentado 11 anos atrás. Este era simples, amava o ser humano e não lhe pedia dinheiro para abençoa-lo, era simples como o Evangelho de Cristo também o é, sem nenhuma "extravagância".

Porém, hoje em dia, outro "deus" tem sido anunciado. Um deus "emo", reclamão, apaixonado por "sementes financeiras", que nos faz imitar animais e que cobra para ser adorado.

Reconheço que postagens como estas não são muito populares, mas de um deus emo eu quero distância. Prefiro o Deus criador e salvador, que me ama mesmo quando eu não tenho nada para oferecer em troca desse amor. É esse Deus que será sempre apresentado neste Blog, em minhas aulas, em minhas rodas de conversas. Quem não gostar que fique com seu deus reclamão, que faz beicinho quando alguém não deposita seus pertences aos "pés dos apóstolos".

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Postado originalmente em: http://www.genizahvirtual.com/2010/05/um-deus-desconhecido-mas-limpinho.html com o título "Um "deus" desconhecido, mas limpinho..."

Fonte da imagem: http://grimoiredomago.blogspot.com



Um comentário:

  1. Parabéns pelo trabalho no blog. Já estou seguindo.

    Aproveito para lhe convidar a conhecer o meu blog, e se desejar segui-lo, será uma honra.

    Seus comentários também serão muito bem-vindos.

    www.adonainews.com.br

    Vicente Lino da Natividade Apelidado: NEL

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