21 maio, 2010

Parar, calcular e adorar

Por Ruy Cavalcante

Quem me conhece sabe que sempre bato de frente com a música cristã, especialmente aquela tocada em nossos púlpitos, durante o culto. Não à toa criei recentemente o Blog Intervalo Cristão – Análise de músicas, para levar alguns a refletir sobre a letra das músicas que consideramos “de Deus” sem sequer meditar no que elas proclamam.

Especificamente, gostaria de expor minha visão em relação ao tipo de música que deveria ser utilizada durante o “período de louvor” dos cultos. Não pretendo me aprofundar historicamente nem tampouco teologicamente no assunto, mas apenas deixar minhas ponderações de forma resumida.

Primeiro de tudo: música de adoração não é música lenta cujo compositor é cristão. Música de adoração é música que traz, em sua letra, o “louvor dos lábios”, ou seja, que recita frases e conceitos de adoração (com embasamento bíblico, claro). Não abro mão do que está entre parênteses. Portanto a música pode ser agitada, moderada ou lenta, sem perder a essência da expressão de adoração.

Segundo: em relação ao culto, a própria palavra determina como deve transcorrer. Cultuar significa “prestar culto, homenagem e, no nosso caso, adoração a Deus”. Considerando que a maioria das igrejas realizam 4 (quatro) cultos semanais, cada um durando no máximo 2 (duas) horas, temos um total de 8 horas semanais para adorar a Deus em comunhão com os irmãos. Considerando ainda que metade desse tempo é gasto com a pregação e aproximadamente 10 minutos com outros elementos litúrgicos, restam poucos mais de 3 (três) horas e meia semanais para a adoração de fato.

Se a semana possui 168 (cento e sessenta e oito) horas e utilizamos apenas 3 (três) horas e meia desse tempo em adoração com os irmãos, ainda querem utilizar esse pouco tempo para tocar músicas direcionadas ao ser humano e não a Deus? Sinceramente, eu não consigo entender.

Temos a semana inteira para sermos abençoados por Deus e, nas poucas horas que separamos para adorá-lo em comunhão, não o fazemos, antes pedimos, determinamos e esperneamos querendo mais, mais, muito mais. Não precisamos disso para ser abençoados:

Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão de dores, pois aos seus amados Ele o dá enquanto dormem”. (Salmos 127:2)
Precisamos esquecer um pouco de nós mesmos e adorar mais a Deus, servir mais, se humilhar mais, pois o mundo não gira ao nosso redor.

Se não conseguimos abrir mão sequer de alguns momentos do culto para direcionarmos nossa atenção única e exclusivamente para Deus, sem buscar nada em troca, a quem queremos convencer de que Ele é prioridade absoluta em nossa vida?

Pense nisso. Faça essa simples conta em sua igreja, não dói nada, e antes de tudo, adore, não somente de lábios, mas com sua vida, permitindo que o que seus lábios proclamam reflita-se em sua conduta diária.



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