26 março, 2010

O toque ungido - Adoradores de Gezuiz

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Tente assistir este vídeo até o fim. Eu sei que é difícil, dá enjôo, mas tente.



Quando assisti a este vídeo pela primeira vez, minha primeira reação foi rir muito. Mas antes que ele chegasse ao fim comecei a ficar triste e frustrado, principalmente quando comparam tocar nas vestes de Jesus com tocar num adorador de mamom como esse superastro, ungido, highlander pai-de-santopóstolo do vídeo. Eu não consigo entender como crentes em Jesus, pastores, pessoas com todas as oportunidades possíveis para conhecer e estudar a Palavra de Deus, podem deixar-se levar por tamanha idolatria.

Como tem faltado Evangelho para nossas vidas! Como será o futuro de nossas igrejas se as coisas ensinadas são absurdas e as práticas absolutamente imbecis e delirantes como estas?

Hoje em dia tem sido muito mais difícil ensinar aos crentes o que é ser cristão do que falar sobre Cristo com alguém que não crê, aliás, os maiores culpados pela falta de fé somos justamente nós, os “crentes”.

Já disse e repito. Divorcio-me dessas práticas, nego-me a ensiná-las, abro mão de ser crente.

O que eu quero mesmo é ser servo, cada dia mais. Servir a Deus e a meus irmãos, ter uma vida simples assim como o Evangelho é simples. Se tiver que tocar em alguém, que seja em Cristo, pois quero habitar no seu Reino. Quero conseguir dar importância para todos ao meu redor, mais do que a mim mesmo. Quero dedicar toda glória de minha salvação, santificação e justificação somente a Jesus, pois foi somente Ele que sofreu e morreu por minha causa.

Pessoas como as do vídeo jamais fizeram algo pelas nossas vidas e, portanto não merecem nenhum crédito. Jesus fez tudo, Jesus é tudo. Ele é suficiente para a minha e para a sua vida.

Não se deixe conduzir por idolatrias e doutrinas que nascem no coração corrupto do homem (II Pe 2:1), não faça parte disso. Creia em Cristo, siga a Cristo, obedeça cegamente somente aquilo que Ele ensinou e determinou (Jo 14:21). Ele é o verdadeiro Ungido (At 4:26-27), todos os outros são genéricos. Ele é nosso líder espiritual verdadeiro (Mt 23:8-10), a quem devemos submeter nossas vidas. Não entregue o que Ele salvou para homens ou mulheres, pois todos eles, todos nós, somos maus e buscamos nossa própria glória.

Não estou ensinando a insubmissão. Submeta-se a quem de direito, mas até o ponto em que a Palavra de Deus não seja falsificada (At 5:27-32), se for o caso, levante-se contra, pois é nossa obrigação zelar pelo Evangelho verdadeiro de Cristo (At 17:10-11; Gl 1:8-9).

Estarei atento para a próxima artimanha, e sim, eu me levanto contra esses “ungidos”...

Ruy Cavalcante



19 março, 2010

Varejão gospel, o mercado de gezuiz sempre perto de você

Já está funcionando numa igreja perto de você o Varejão gospel, o mercado de gezuiz. Nele você encontrará tudo o que precisa para a sua vida e da sua família. Produtos de qualidade duvidosa, atraentes aos olhos. Não aceite imitações, peça produtos oferecidos pelos genuínos ungidos de gezuiz.

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Postado por Ruy Cavalcante, triste por não encontrar o que precisava.



06 março, 2010

Uma igreja nos moldes do mundo

Por Ruy Cavalcante

Mundanismo é uma palavra que parece haver perdido o sentido depreciativo ou a importância no decorrer dos anos. Quase não se fala mais nisso dentro das igrejas evangélicas por ser algo, digamos, ultrapassado. Porém poucas vezes se viu na história uma igreja tão mundana quanto a de hoje.

Entenda-se mundanismo como o ato de moldar as nossas atitudes, desejos, sonhos e mesmo a nossa conduta de acordo com valores do mundo e não de acordo com a Palavra de Deus (I Jo 2:16-17) o que, para membros da igreja de Cristo deveria ser um absurdo inimaginável. Ao falar sobre esse assunto com meus amigos eu sempre cito um exemplo simples: Hoje em dia quando vamos a um clube de verão ou à praia não é mais possível identificar quem é “crente” ou não, porque muitas vezes os biquínis das irmãs são menores do que o das garotas “mundanas”. Parece uma bobagem, mas eu não consigo visualizar Paulo de sunguinha ou Maria de fio dental, mas fazer o que, se uma marquinha de biquíni possui mais valor no mundo do que as marcas de Cristo (Gl 6:17).

Quando falo de mundanismo na igreja, não me refiro somente aos membros anônimos das mesmas, uma vez que a própria liturgia presente na maioria delas sofre desse mal, conseqüência da contaminação dos líderes. Os cultos são planejados, estruturados e preparados para suprir o desejo dos “ouvintes”. As pregações são verdadeiras palestras motivacionais, as músicas, quanto mais pegajosas, mais “ungidas”, e coitado do “grupo de louvor” se errarem uma notinha que seja, pois não se pode admitir um som que não agrade os ouvidos exigentes dos irmãos. Também não se podem tocar músicas desconhecidas do mercado gospel, pois o sucesso dos super astros, ungidos, quase anjos gospeis indica o tamanho do “mover do espírito” proporcionado por elas, poucos importando a letra das mesmas.

Pregar o evangelho da forma como Jesus ensinou, sem falsas promessas, sem negociar bênçãos, confrontando o pecado, chamando para servir aos outros ao invés de ser servido, considerando-os assim superiores a si mesmo, exortando para uma mudança real de vida não são mais ações “populares” dentro de nossas igrejas. Ninguém quer ser confrontado, incomodado. Essas coisas esvaziam a igreja no lugar de enchê-las. O que se faz hoje é agradar aos irmãos pregando aquilo que eles gostariam de ouvir e fazendo do culto uma extensão da praça.

Somos tão estúpidos que achamos que se maquiarmos a Palavra de Deus, deixando-a menos ofensiva em relação ao pecador, conseguiremos fazer com que mais pessoas aceitem Jesus, o que de fato acontece, embora falar “eu te aceito Jesus” nem de longe signifique salvação.

A conseqüência mais direta de tudo isso é que a cada dia mais pessoas que desconhecem o que é uma vida longe da prática do pecado se identificam com a Igreja, e cada dia mais os valores mundanos se confundem com os cristãos. Ora, se para ser um “cristão abençoado” eu não preciso mais ser santo, não preciso considerar os outros superiores a mim mesmo, não preciso servir ninguém nem abdicar de meus próprios desejos e prazeres, então a igreja é o lugar certo para eu estar.

Não à toa canso de ver crentes com vergonha de expor sua bíblia em público, de exortar um amigo chamando-o à santidade ou mesmo de inserir Cristo em seus bate-papos do colégio, faculdade ou trabalho. Ser da igreja é legal, de Cristo nem tanto.

Embora a opinião vigente seja o contrário, eu tenho certeza que estamos vivendo tempos de verdadeiro “congelamento” espiritual (Mt 24:12). Precisamos despertar (Rm 13:11), retornar ao Evangelho e não se envergonhar dele (Rm 1:16). A salvação não pode ser negociada nem adaptada aos desejos do homem e, para alcançá-la, precisamos ter as marcas de Cristo. Isso o mundo não pode oferecer. Agradar o mundo é desagradar a Deus e ponto.

Infiéis, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus. (Tg 4:4)

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04 março, 2010

Música gospel contemporânea - esculhambação total

Por Ruy Cavalcante

Observando nossas igrejas podemos facilmente encontrar inúmeras fontes de absurdos praticados no meio cristão (??) nos dias de hoje. A criatividade de nossos líderes não tem fim e o desejo de se afirmar no ministério contribui, alimenta este “dom”. Mas nada esculhambou mais a nossa saúde mental do que as músicas (mantras) evangélicas produzidas neste tempo de “avivamento”.

Para começar são raras aquelas que adoram ao Senhor. O fato de uma música ter sido composta por evangélicos super astros gospeis não a torna, como num passe de mágica, uma composição de adoração a Deus. Se fizermos uma comparação com músicas de 10 anos atrás veremos diferenças enormes nas letras. Incrível como em pouco tempo esquecemos o que é bom na vida. De certa forma isso explica porque o povo de Israel esquecia tão facilmente de Deus, bastava aparecer alguém ou alguma coisa que agradassem seus egos.

Por falar em ego, estas novas “composições gospeis” são a mais descarada “casa de massagem” para egos evangélicos. São totalmente antropocêntricas e, em boa parte delas, os nomes de Cristo, Deus ou Espírito Santo sequer são citados, mas uma boa ordem ou “pedido” de vitória não pode faltar. Façam o teste e verifiquem se o homem não está no centro da maioria delas, seja pedindo, determinando, recebendo ou se gabando.

Mas o pior de tudo é que, além de não adorarem e de serem antropocêntricas, elas são fonte inesgotáveis de heresias e o povo, que já se acostumou a não ler e meditar na Palavra de Deus (para isso temos nossos gurus espirituais, semideuses e apóstolos tupiniquins) acaba absorvendo tudo como a mais altíssima verdade, e ai de quem se pronunciar ao contrário.

Como forma de ilustração, vou citar alguns trechos de músicas que vieram em minha cabeça enquanto escrevia este post, utilizando um pouco de humor do tipo “rir para não chorar”. São eles:

1 - Melô do herdeiro do Rei doente (Toque no Altar – Reinar em vida)

“Eu só preciso acreditar
Chegou minha vez de celebrar
Reinar em vida eu vou”

OBS.: Na minha Bíblia, dentro da Nova Aliança, só existe um Rei, e não sou eu: (Mt 21:5 e muitos outros).

2 - Melô do fã de Santos Dumont (Filhos do Homem – Voarei)

“Voarei em Tua presença
Serei firme sobre a Rocha
A tristeza não pode mais me alcançar”

OBS.: Além de demonstrar exagerado respeito à aviação, este trecho, especialmente a última frase, esconde outra grande heresia: explica para os primeiros apóstolos (por exemplo) que a tristeza não pode alcança-los... (Rm 9:2; At 16:19-24 e muitos outros)

3 - Melô do latifundiário dedo-duro (Toque no altar – Vou ganhar no grito)

“Ao som da minha voz
Os inimigos tremerão
Mas esta terra é minha
E não vou me calar”

OBS.: Quando foi que Deus me prometeu esta terra? Na minha Bíblia, Deus me promete o “céu” (Jo 14:1-4 e muitos outros)

4 - Melô do aniversariante desviado (Toque no altar – Eu vou viver uma virada)

“Meu Deus já decretou: este é meu dia!
Minha virada festejar!”

OBS.: Se a música fosse o testemunho de um cristão antes de sua conversão tudo bem, embora não encontre bases bíblicas para a expressão “este é meu dia”, porém não é o caso. Trata-se apenas de mais um mantra gospel nonsense.

5 - Melô do crente suicida (Fernandinho – Fogo consumidor)

“Fogo consumidor, vem arder em nós”

OBS.: Este é o cúmulo do remorso gospel. Pedir pra ser queimado pelo fogo consumidor? Essa elite gospel sabe o que é fogo consumidor pelo menos? Bom, na minha Bíblia o fogo consumidor possui ligação direta com a ira de Deus. Eu quero é a misericórdia dEle e seria prudente da parte deles pedir o mesmo (Is 30:30; Hb 12:27-29 e muitos outros)

Esta é clássica.
6 - Melô da vítima do cobrador de ônibus (Toque no altar – Restitui)

“Restitui!
Eu quero de volta o que é meu”

OBS.: Agora somos senhores de Deus e damos ordens para Ele nos devolver aquilo que afirmamos ser nosso. É meus irmãos, Deus não mata mais...

Seria necessário um blog inteiro somente sobre este assunto para citar apenas trechos de músicas inúteis, mas observem e respondam vocês mesmos: Estas músicas estão centralizadas em Cristo ou no homem? Estes trechos possuem bases bíblicas ou servem apenas para massagear nossos egos e iludir nossos desejos pessoais?

Que falta nos faz uma boa e velha harpa cristã...

Fonte da imagem: www.pulpitocristao.com