26 abril, 2010

Vamos todos curtir um Show?

Por Ruy Cavalcante

Não sei, talvez seja pura falta de conhecimento a respeito de ministérios cristãos, mas sinceramente, não entra na minha cabeça um cidadão que se diz ministro do evangelho ou ministro de louvor (se é que esse ministério existe, biblicamente falando) e cobrar para exercer sua missão. Afinal de contas, ser sustentado pelo ministério, pela igreja é uma coisa, cobrar para “pregar” ou “louvar” é outra completamente diferente, especialmente quando o que se cobra está completamente fora da realidade da sociedade brasileira, algo em torno de algumas dezenas de milhares de reais.

Se considerarmos ainda o fato de que, no fundo no fundo, não se trata de uma pregação ou de um louvor que esses caras “ministram” e sim de “apresentações”, a coisa fica ainda mais absurda. Ora, se eles são de fato ministros cristãos, não há problemas em aceitarem um convite para ministrar em sua igreja local, no seu bairro humilde, com apenas algumas dezenas de membros e dois ou três visitantes, utilizando apenas o equipamento que sua igreja possui. Alguém acredita que eles aceitariam o convite?

Poxa, será que eu sou tão cego assim, que não percebo que confeccionar um contrato registrado em cartório, com cláusulas e multas, para que seja possível a “ministração” destes “ungidos” não é exatamente o que Paulo tentou dizer ao afirmar que “Se semeamos para vós as coisas espirituais, será muito que de vós colhamos as materiais”? Talvez eles, ou nós, não tenhamos paciência de ler o restante do texto, onde ele, juntamente com seus discípulos, afirma não buscar exercer esse direito para que o Evangelho de Cristo não se torne pesado para ninguém e para que não se ponha nenhum impedimento (eu disse NENHUM) ao Evangelho.

Hoje em minha terrinha haverá mais um “Show Gospel”. Mais uma vez a cidade fervilha de evangélicos afoitos para o início das “ministrações”. A entrada (ingresso)? Apenas R$ 10,00. Mas o valor não importa, “é pra Deus”. Queria ver se a galera que estará presente neste evento fosse convidada a doar R$ 10,00 para compra de cestas básicas para um grande evangelismo nos bairros alagados do Estado, se estariam tão elétricos assim para participar. Sei lá, talvez sim. Talvez eu esteja sendo incrédulo demais...

Sempre me acusaram de ser assim mesmo, sem fé. Na verdade eu tenho fé, mas ela encontra bases numa coisa chamada Bíblia...



22 abril, 2010

A hipocrisia de uma pregação sem ação (social)

Por Leonardo Gonçalves

Soteria não é apenas salvação metafísica, mas cura das doenças, da fome, do abandono. "O evangelho todo, para o homem todo" foi o brado de Lausanne, e a este grito eu também faço coro.

Dói dentro de mim ver o quanto a igreja de Cristo, que deveria ser sal e luz influenciando o mundo por meio das boas obras (palavras de Jesus), as quais foram preparadas por Deus de antemão para a observância dos santos (Ef 2.10), têm cedido a essa doença chamada consumismo, comercializando benesses divinas numa relação custo/benefício, enquanto milhares de pessoas vão dormir com o estômago vazio todos os dias.

"Dai-lhes vós de comer!", disse Jesus. Por isso, muito mais que criticar o comunismo ou o capitalismo, convém que eu, enquanto igreja, alimente estes miseráveis. É disso que o profeta fala em Deuteronômio 15.5, e foi essa a recomendação que Paulo recebeu no primeiro concílio eclesiástico (Gl 2.10). Dicotomizar a missão da igreja (missão espiritual x missão social) só vai contribuir para o agravamento da miséria no mundo. O evangelho é integral!

Falar da missão social da igreja a uma sociedade "cristã" que reza todos os dias pela cartilha do capitalismo é uma missão difícil e árdua. A consciência evangélica, de um modo geral, está embotada para esta realidade, e só Deus pode despertá-la.

Há vários perigos que cercam a igreja. As heresias são um deles. O outro, muito mais sutil, é a ortodoxia em detrimento da ortopraxia, a crença politicamente correta que nada produz. Precisamos manter nosso coração livre de ambas se quisermos ser relevantes em nossa missão.

.....

Minha opinião:

Boa parte de nós, cristãos evangélicos, estamos tão engessados dentro de uma visão capitalista e secularizada que permitimos que nossos valores sejam moldados pelas suas filosofias. Hoje em dia parece heresia falar em repartir nossas riquezas com quem não as possui, mas é justamente isso que o Evangelho de Cristo nos ensina. Precisamos valorizar menos as conquistas pessoais e as coisas materiais, e muito mais o ser humano.

.....

Postado originalmente em: http://www.pulpitocristao.com/2010/04/pregacao-acao-social-hipocrisia.html com o título "Pregação - ação social = hipocrisia"



14 abril, 2010

Jesus não sabia de nada...

Por Ruy Cavalcante

"Jesus, pois, chamou-os para junto de si e lhes disse: Sabeis que os governadores dos gentios os dominam, e os seus grandes exercem autoridades sobre eles. Não será assim entre vós; antes, qualquer que entre vós quiser tornar-se grande, será esse o que vos sirva; e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, será vosso servo; assim como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos". (Mateus 20:25-26)

Engraçado, ao ler esse texto fico com a impressão de que os líderes da igreja atual consideram Jesus um lunático. Me pego imaginando o que eles devem pensar quando estão diante de documentos como este. Talvez algo como:

“Ora ora, Jesus não sabia de nada”.
Bom, pelo menos eu não consigo entender outro motivo para tão grande discrepância entre os ensinamentos de Cristo e aquilo que é ensinado, pregado e vivido hoje em dia.

Sinceramente, ao meditar nestas palavras de Jesus, em seu contexto e nas passagens correlatas, não consigo chegar a outra conclusão diferente da afirmação de que entre o povo de Deus não devem existir maiorais, guias dominadores, que determinam tudo em nossa vida eclesiástica e pessoal. Mas será que as coisas têm funcionado dessa forma?

A nossa relação com a liderança cristã tem sido semelhante à relação rei x súdito, senhor x servo ou está parecida com a relação irmão x irmão, servo x servo? Somos iguais e servimos um ao outro ou eles possuem uma posição mais elevada na pirâmide hierárquica cristã (embora ela de fato não exista, ou não devesse existir)?

Infelizmente estamos longe de sermos servos uns dos outros. Somos ensinados todos os dias a liderar pessoas e a exercer autoridade sobre a vida delas, mesmo isso sendo contrário a vontade de Jesus, que de fato, mesmo sendo Deus, veio para nos servir e entregar sua vida por amor de nós. Alheios a isso, existem muitos poucos líderes hoje em dia dispostos a considerar os membros da congregação superiores a si mesmos. O que eles querem é dominar.

Pedro os ensina a conduzir o rebanho de Deus (isso mesmo, de Deus, o rebanho não é deles) como exemplo de ovelha, não como dominadores (I Pedro 5:2-3), mas esse princípio não faz eco em suas vidas. Jesus diz que o maior de nós é justamente o maior servo, não o maior líder, ao mesmo tempo em que decreta: “um só é o vosso Guia, que é o Cristo” (Mateus 23:8-11). Quanta diferença... Nossos “guias” gostam de usar o exemplo dos reis velho-testamentários para justificar seus ministérios monárquicos, esquecendo completamente que eles figuravam Cristo e não a igreja.

Posto isso, a única conclusão que encontro faz coro com diversos outros Blogs Cristãos, com pregadores reformados (genuínos) e com um incontável número de cristãos sinceros pelo Brasil inteiro: Precisamos retornar ao Evangelho de Cristo enquanto é tempo, afinal de contas, se existe uma geração que Deus quer levantar (e eu tenho convicção que Ele quer), é a geração de eleitos convertidos a Cristo, através da Palavra que liberta, e ela, assim como Ele, não muda.



08 abril, 2010

Não se ame tanto

Por Ruy Cavalcante

Entristece-me o fato de perdemos tanto tempo combatendo falsos ensinos em lugar de ensinar e escrever cada dia mais sobre o Evangelho genuíno de Cristo, sobre o perdão, o arrependimento, a santidade, o juízo de Deus e, de forma especial, o amor. Pior ainda por estarmos batalhando contra heresias surgidas dentro de nossas próprias igrejas. Mas entendo a necessidade crescente de zelarmos pela santa doutrina dos apóstolos, razão pelo qual insistimos em denunciar, cobrar e esclarecer aos leitores tais aberrações doutrinárias, pois temos consciência que tais instruções podem levar centenas de vidas à ruína espiritual, o que já tem acontecido.

Mais do que expor conceitos teológicos, nestas linhas gostaria de externar meu sentimento quanto a tudo isso.

Sinceramente eu não consigo entender como tantas pessoas se deixam conduzir por tais caminhos. A bíblia é tão clara quanto às intenções de Deus para as nossas vidas. De todas as formas ela demonstra a necessidade de o ser humano abrir mão de seus prazeres pessoais pelo bem comum, e da mesma forma é tão distinta a maneira como ela trata a nossa relação com o dinheiro, mostrando que deve ser diferente da relação que os ímpios têm com ele.

O dinheiro serve para ser compartilhado, para que aqueles que têm, possam repartir com os que não têm. O dinheiro dos cristãos não é jamais para ostentação, acúmulo ou auto-satisfação. Obviamente que aquele que alcança riquezas materiais licitamente tem também o direito de ser o primeiro a usufruí-lo, mas o dinheiro deve servir a ele e aos necessitados, não o contrário.

Afinal de contas, dinheiro não é marca de santidade, uma vez que os ímpios também prosperam (ora bolas), e muitas vezes de forma mais honesta que muitos cristãos usurpadores de ofertas, adoradores de mamom.

Mas o dinheiro não é o nosso único problema, pois o egocentrismo o abarca poderosamente no meio cristão. Ninguém aceita mais servir, todos querem ser servidos, todos querem ser conquistadores. Está em voga ultimamente até mesmo a tal da “unção da nobreza”, outra aberração do egocentrismo gospel.

Temos ainda outro câncer maligno, o antropocentrismo. Até mesmo nossos cultos estão centralizados no ser humano. Como já escrevi várias vezes neste blog, nossas músicas cantam promessas, falsas em sua maioria. As pregações falam também de promessas e passos para alcançar vitória. Quase não se fala mais de Cristo e de sua obra, tudo para agradar aos nossos queridos “ouvintes”. Com isso cada dia mais os valores seculares se fazem presentes dentro do corpo de Cristo (ou do que deveria ser o corpo) em detrimento da santidade, do arrependimento e da fé.

Tudo isso por pura falta de amor. Melhor dizendo, excesso de amor, porém não o amor que Deus espera, mas o excesso de amor próprio, de desejo de se dar bem independente da situação por que passam as outras pessoas.

Deveríamos ter amor em excesso sim, é bem verdade, mas por Deus em primeiro lugar, o que nos impediria de barganhar suas bênçãos e de lhe oferecer dinheiro até mesmo pela salvação de nossos parentes, como no vídeo do post anterior.

Outro amor abrasador que nos traria proveito seria aquele direcionado aos nossos irmãos, parentes e mesmo aos desconhecidos, como verdadeiros samaritanos modernos, o que também nos impossibilitaria de criar todo o tipo de falácia com o único objetivo de receber a “semeadura” dos outros, enriquecendo a custa da ignorância (ou da ganância) alheia. Esse amor também nos imporia a obrigação de anunciar incessantemente as Boas Novas da salvação, e não os passos da perdição.

Essa falta de amor será a nossa ruína. Precisamos buscar a cura de nossa cegueira em Cristo, antes que seja tarde. Precisamos retornar ao Evangelho, precisamos amar a Deus e aos nossos irmãos!

Pense nisso.




04 abril, 2010

Em defesa do evangelho - contra unções financeiras

Assista a este trecho do programa do Pr. Silas Malafaia "Vitória em Cristo", do dia 03 de Abril de 2010:


Ultimamente tenho postado bastantes artigos como este, onde critico, combato, questiono e “julgo sumariamente” algumas doutrinas espúrias que contaminam nossas igrejas. Confesso que fico relutante em escrever tantos artigos apologéticos em detrimento de temas como amor, perdão e arrependimento, porém se nós, cristãos, servos de Cristo que buscam segui-lo com sinceridade não combatermos tais aberrações, quem o fará? Quando penso dessa forma fico tranqüilo em exercer meu papel de defensor do Evangelho Verdadeiro.

Posto isso, não poderia deixar de mencionar o último programa do Pr. Malafaia onde, à exemplo do que aconteceu com Morris Cerullo e sua flamigerada unção do R$ 900,00, mais uma vez o Evangelho é invalidado por falsas promessas de prosperidade negociada, agora por R$ 1.000,00, talvez seguindo a mesma linha numerológica do primeiro, desta vez na pessoa de Mike Murdock.

O engraçado deste vídeo e destes ensinos é que agora a única semente que se pode plantar para Deus é dinheiro. Ele quer somente o nosso dinheiro. Imagino como ficam os pobres, impossibilitados de agradarem a Deus, de serem aceitos por Ele, simplesmente por não poderem “semear” a quantidade que Deus “exige”.

Onde guardaram verdades espirituais como “misericórdia quero, e não sacrifício (Os 6:6)”, “o amor ao dinheiro nos faz desviar da fé (I Tm 6:10)”, “dificilmente um rico (ou quem confia nas riquezas) entrará no reino dos céus (Mt 19:23)” ou “O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois julgaste adquirir, por meio dele, o dom de Deus (At 8:20)”? Mais do que isso, como podem ensinar que a riqueza é um sinal de santidade e da benção de Deus quando até os ímpios Ele faz prosperar (Jr 12:1-2; Sl 73)?

Meus irmãos, não se deixem enganar, Deus não precisa nem anseia dia e noite pelo seu dinheiro, mesmo porque, se toda a sua vida, incluindo seus bens, não pertencer a Cristo, nem por um bilhão você poderia se salvar. Deus quer um coração contrito e quebrantado (Sl 51:17) e a marca de sua salvação não está em sua prosperidade, mas em seus frutos espirituais (Gl 5:22-26), dignos de arrependimento.

Por fim, medite no Salmo 15 e verifique se você se enquadra nas características daqueles que habitarão com o Senhor. Acredite, o dinheiro não é uma delas...

Em tempo, quase me esqueço. Quer ficar rico? Vai trabalhar meu filho!

Ruy Cavalcante