22 junho, 2010

O Evangelho não é relativo

Por Ruy Cavalcante

Apesar de tantos alardes que ouço quanto a um verdadeiro avivamento estar acontecendo no Brasil, e posso afirmar que os alaridos são bem altos aqui em minha terrinha (Acre), não é bem isso que a prática demonstra.

A prática se apresenta de uma forma bem diferente de um avivamento espiritual, resumindo-se em crescimento explosivo da instituição igreja o que, de fato, não representa necessariamente o crescimento da Igreja enquanto Corpo de Cristo. Mas como posso eu falar algo tão “absurdo” como esse? Como eu, apenas um jovem pecador desconhecido, pode afirmar que esse crescimento não é na verdade um avivamento?

Ora, isso é bem simples. Pelos frutos.

Que frutos têm se observado dessa multidão de evangélicos? Segundo previsão do IBGE, este ano chegaríamos a 55 milhões de cristãos evangélicos no Brasil, e não consigo ver uma transformação genuína na sociedade, pelo contrário, todos os números negativos crescem. A violência nunca foi tão grande e alarmante, assim como a prostituição, a gravidez durante a adolescência, a violência domestica, a corrupção e todos os males da nossa sociedade que, participando de um verdadeiro avivamento, deveriam estar sendo diminuídos na proporção do crescimento da igreja, pelo menos. Mas não conseguimos sequer cair na graça do povo, como antes (At 2:47).

Não se ouve uma única notícia da transformação de um bairro sequer pelo poder do evangelho. Antes vemos a participação cada vez maior de evangélicos nos números da corrupção e escândalos políticos. Outro dia, estando eu de serviço na Delegacia de Flagrantes da capital Rio Branco (sou policial civil nas horas vagas), tive a oportunidade de me deparar com 5 pastores presos numa única ocorrência. O motivo? Saíram literalmente no tapa dentro da igreja por questões de disputa territorial (a igreja de um deles era próximo da igreja dos outros quatro e disputavam membros). Vale tudo pelo “crescimento”.

Não entendo como pode estar havendo um avivamento se as pessoas não estão se amando mais. A instituição igreja tem crescido a passos largos, isso é verdade, mas para que tal realidade fosse possível o evangelho foi relativizado.

Para que as pessoas pudessem ser “atraídas” para as igrejas tudo foi facilitado, não é mais necessário se pregar sobre renúncia e cruz, pois o que as pessoas gostam de ouvir é sobre sucesso e prosperidade e essa é a formula mágica para o crescimento. Pobres apóstolos e pais da Igreja, desconheciam tais “verdades” e por isso sofreram todo tipo de perseguição, cadeia e morte, por amor ao evangelho. Eles não sabiam que fomos chamados para o sucesso terreno.

A ironia se justifica pelo fato de não haver esse tipo de doutrina nas Escrituras. Tomando por exemplo o Apóstolo Paulo, ele jamais relativizou o evangelho para que fosse “mais fácil” seguir a Cristo, mais vantajoso. Ele entendia que a grande vantagem que Cristo nos conquistou foi morrer a morte que era nossa.

A verdade é que o amor não esquentou, mas esfriou. As pessoas não querem mais abrir mão de seus próprios desejos para fazer unicamente a vontade de Deus, uma vez que nem sempre essa vontade é tão divertida assim. As pessoas parecem aceitar Cristo para virarem sócias do “Beach Park” de Jesus, tanto é a quantidade de água que pedem e de eventos que inventam. Porém esquecem que espiritual mesmo, como digo no slogan do Blog, é amar.

Na prática percebo todos os dias a dificuldade que é para os evangélicos se reunirem para fazer algo importante para o Reino de Deus, como evangelizar, se esse procedimento não for divertido, se ele não ocorrer nos eventos da cidade ou com o acompanhamento de grupos de música e teatro para que tudo seja mais animado. Evangelizar nas colônias e bairros pobres? Nem pensar.

As relações também ficaram esquisitas com essa relativização do Evangelho. Não se perdoa mais, nem se pede perdão. Não se ora mais buscando direção de Deus para entrar num relacionamento afetivo (namoro para ficar mais claro) nem se busca amar pessoas que não possibilitem termos alguma vantagem. Amar a Deus acima de todas as coisas, mais do que a nós mesmo, ao ponto de abrirmos mão de alguma coisa por Ele, mesmo que seja uma bobagem com fins de entretenimento, é pura heresia.

Amados não se enganem, se Cristo não governar nossas vidas a ponto de nos transformar e nos converter a Ele, não somos dignos de sermos chamados servos, tampouco filhos, e nossa parte não é com Cristo, mas com aquele que nos oferece os reinos desse mundo.

Pense nisso.

Referências: Mt 16:24; Mt 4:8-9; 1Co 10:24; At 2:47; Jo 13:34; Mt 6:14-15; 2Co 11:16-28.



11 junho, 2010

Marcha para Jesus 2010 – Milhares marchando, quantos servindo?

O vídeo a seguir é de inteira responsabilidade do autor do Blog Intervalo Cristão e de seus irmãos subversivos:



Por Ruy Cavalcante

Com um pouco de atraso, este é o vídeo da marcha para Jesus 2010, que foi realizado em minha cidade, Rio Branco, capital do Estado do Acre, onde tivemos a oportunidade de levar adiante o que já faço neste Blog, apologia Cristã, anunciando o Evangelho Genuíno de Cristo, pacificamente, cumprindo com nossa obrigação de zelar pelo mesmo.

O vídeo fala por si só, mas, em poucas palavras, gostaria de deixar minhas impressões a respeito não somente desta marcha, mas de todas as concentrações de evangélicos que acontecem durante o “calendário litúrgico” brasileiro.

Eu vejo nestes agrupamentos muita gente alegre, festiva e sincera e um grande poder de mobilização do povo cristão, mostrando que unidos podemos realizar grandes ações. Vejo ainda muita paixão e vontade de “fazer bonito”.

Porém, não encontro a mesma paixão e o mesmo empenho quando a mobilização é feita para evangelização e para cuidar dos pobres e necessitados. Com estas coisas não se gasta dinheiro nem tempo.

A título de exemplo vou citar o que aconteceu durante esta marcha: muitos irmãos ficaram chateados comigo porque eu não os convidei para irmos juntos à marcha. Na verdade alguns sequer sabiam que faríamos este protesto, acreditavam que iríamos apenas “curtir”. Após a marcha convidei alguns destes para ir comigo numa colônia distante 72 km de nossa cidade, que trata dependentes químicos, para me ajudar a trazer um rapaz ao hospital que sofrera um acidente. O resultado é que somente não fui sozinho porque no caminho encontrei outro irmão que procurava um ônibus para ir à sua casa e aceitou meu convite.

Isso aconteceu realmente e serve como ilustração de que só poder de mobilização não resolve nada, principalmente quando ele só existe na hora da festa e não na hora da cruz.

Outro ponto negativo, que cito no vídeo inclusive, é a “politicagem” presente na marcha, e isso não é um “privilégio” de nós acreanos, pois a notícia que temos aqui é de que no restante do Brasil, os púlpitos, especialmente os da marcha, viraram palanques eleitorais.

Fica então o recado: não precisamos demonstrar poder, força nem tampouco alegria. O que precisamos é demonstrar amor... amor com atitude santa.

Em tempo: Perceberam a quantidade de bandeiras e símbolos de Israel? Acho que se enganaram de endereço...