28 julho, 2010

Considerações a respeito das músicas utilizadas nos cultos

Por Ruy Cavalcante

Atendendo a pedidos realizados a partir da área de análise de músicas deste Blog, deixarei minha opinião a respeito do tipo de música que, acredito, deveriam ser utilizadas em nossos cultos, uma vez que sou extremamente absolutista nesta questão.

Para isso primeiro precisamos entender o significado, mesmo que geral, da expressão “culto”.

Cultuar significa prestar honra, homenagem a alguém ou a alguma coisa. Em nosso caso, como cristãos, significa prestar homenagens ao único Deus, Criador do universo, em especial na figura de Seu Unigênito Jesus Cristo. Dessa forma, culto é a reunião que fazemos para realizar tal tributo, considerando ainda que adorar é a nossa principal obrigação enquanto igreja referente a nossa relação com Deus (Efesios 1:3-12).
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Neste sentido, podemos considerar inicialmente que a postura correta de se dirigir ao culto deve ser o de “entregar” algo, no caso nossa adoração a Deus, e não o de receber algo, uma vez que esta reunião tem como principio fundamental a homenagem a Ele.

Precisamos entender ainda que, no decorrer da história, a igreja acabou organizando o culto de tal forma que vários elementos estivessem presentes na mesma reunião. Resumidamente os elementos são: a adoração a Deus, a pregação da Palavra e a entrega de dízimos e ofertas.

Com isso, o culto deixou de possuir apenas um caráter de homenagem e passou a exerce uma função mais complexa, dentro do corpo da igreja, se tornando o principal momento onde, em comunhão, colocamos em prática boa parte dos ministérios e obrigações cristãs.

Entretanto este fato não retira de nós a obrigação de cultuarmos a Deus e aqui entra a música cristã utilizada no “período de louvor” de nossas reuniões.

Acredito que o entendimento deste assunto seja relativamente fácil: se Deus deve ser prioridade absoluta em nossa vida mas o momento do culto que separamos para demonstrar isso for utilizada para fazer alusão a benefícios para o ser humano, onde fica a adoração?

O momento do louvor nos cultos é, em geral, pouco menor que a metade do tempo total do culto, mas é justamente o instante onde de fato ele possui seu caráter primaz. Ora, se este momento reduzido for utilizado para entoarmos canções como “eu vou viver uma virada”, “Reinar em vida vou” ou “restitui, eu quero de volta o que é meu”, a verdade que posso extrair disso é que Deus não é tão prioritário assim, antes nossa própria vida possui a preferência.

Isto não vale apenas para canções que fogem das verdades bíblicas, uma vez que o que está em jogo é a adoração. Desta forma, qualquer canção que não possua em sua essência a verdadeira adoração, deveria ser posta de lado, ao menos no período de louvor, mesmo que ela reflita conceitos verdadeiramente cristãos.

Vale lembrar que uma canção, para ser considerada de adoração, não basta ser composta e interpretada por um cristão, antes é necessário que ela possua em seu contexto expressões ou conceitos verdadeiros de adoração. Vejamos um exemplo:

Oh, Deus da minha vida!
Que toda honra seja a Ti
Que toda glória seja a Ti, Senhor
Para sempre
(Música: De todo meu coração - Mariana Valadão)

Veja a diferença para outra canção que não se encaixa nestes conceitos:

Quem vai retroceder é você
Mas eu vou avançar e chegar ao fim
Coroa de vitória é o que vou receber
E no lago de fogo você vai arder
(Música: Mais que Vencedor - Diante do Trono)

Perceberam a diferença? Considerarei que sim.

Existem, portanto diversos outros momentos para cantarmos músicas cujo principio é festejar conquistas, buscar benefícios e/ou contar testemunhos e isso não é necessariamente errado. Porque então a insistência em utilizar os poucos momentos que temos dentro de nossa tão defendida organização para, no lugar de adorar a Deus, centralizar no homem nossas canções?

Pessoalmente eu não consigo entender a dificuldade de dedicar um tempo do culto exclusivamente a Deus e esquecer um pouco de nós mesmos, como manda o Evangelho ao determinar que o homem negue-se a si mesmo para seguir Jesus (Lc 9:23).

Existem vários outros argumentos e conceitos relacionados a este tema e, se for o caso, irei adicionando cada um deles como comentários ao texto a fim de que o mesmo não se alongue sobremaneira.

Deus abençoe a todos.





27 julho, 2010

Vamos a uma festinha? É gospel.

Por Ruy Cavalcante

Por falar em características de nossa geração, outra bem clara é a nossa inclinação para festas, comemorações e eventos. Como gostamos de uma folia gospel!

Estes dias está sendo anunciada em minha cidade a “Noite dos arrebatados – A festa”, mais uma reunião com o único propósito de levar os jovens, como eu, a dançar, pular e se divertir.

Na verdade, mais parece que estamos apenas tentando substituir as “curtições” seculares por “farras gospel”, que, embora possuam o mesmo propósito (entretenimento) não nos deixam com peso na consciência simplesmente por não haver bebida alcoólica e músicas “mundanas”. E as diferenças param por ai.

Outro dia fui testemunha de uma cena terrível: várias pessoas, algumas crentes em Cristo e outras não, achando engraçado um grupo de cinco mulheres, sendo três crianças, tremendo ininterruptamente por causa do frio, uma vez que estavam sem agasalho, catando lixo. Conseguimos nos divertir até mesmo com a desgraça alheia! Um absurdo.

A titulo de curiosidade gostaria de citar mais algumas festas gospels que tive o desprazer de me deparar: “Noite do homem aranha, quem conhece a Bíblia não desgruda nunca mais”, “Festa equilíbrio – Adoradores extravagantes”, “Days of terror (!?)”, “Ekilibrio fest, a Festa”, e por ai vai.

Isso tudo sem contar nossos congressos, em especial os da juventude, e, em boa medida, nossos cultos. Todos são verdadeiros encontros para entretenimento.

Mas a pergunta que eu gostaria de fazer é: O que estamos comemorando, qual o motivo de tanta festa, de tantos sorrisos?

Eu sei que fomos alcançados por Cristo, que através dEle somos mais que vencedores e que alcançamos a salvação de nossas almas. Mas será que isso me dá o direito de iniciar já agora a comemoração enquanto nossos pais, irmãos e amigos ainda não foram alcançados pelo Evangelho e estão morrendo todos os dias sem o caminho da salvação? Será que posso comemorar enquanto neste exato momento milhares de pessoas, aqui mesmo no Brasil, sofrem em consequencia de enchentes, do frio e da violência?

Será que o momento é de comemorarmos ou de trabalharmos para que eles sejam alcançados por Cristo? Ou por acaso o fato de eu “me dar bem”, significa que nada mais importa, nem mesmo a salvação de meus parentes e amigos, e o que eu preciso mesmo é de festa?

Irmãos, Deus não nos salvou para podermos nos divertir sem sentir culpa, pelo contrário, Ele o fez para sermos seus servos, e para que levássemos adiante o Reino dEle aqui na terra, anunciando o Evangelho Genuíno de Jesus Cristo, a sua obra e a sua salvação através da Cruz e para que fossemos agentes sociais para amenizar a dor dos que sofrem.

O momento é de arregaçar as mangas e pregar o evangelho (Mc 16:15), servir a Deus e as pessoas (Mc 10:44) que necessitam de nós, negando os nossos desejos pessoais em favor de obedecer à vontade de Deus (Mc 8:34) e buscando não o que é proveitoso para nós mesmos, mas o que traz proveito aos outros (I Co 10:24).

Agindo dessa forma, chegará o dia em que vamos comemorar, festejar e nos alegrar eternamente, mas desta vez será ao lado do Cordeiro.

Também ouvi uma voz como a de grande multidão, como a voz de muitas águas, e como a voz de fortes trovões, que dizia: Aleluia! porque já reina o Senhor nosso Deus, o Todo-Poderoso. Regozijemo-nos, e exultemos, e demos-lhe a glória; porque são chegadas as bodas do Cordeiro, e já a sua noiva se preparou, e foi-lhe permitido vestir-se de linho fino, resplandecente e puro; pois o linho fino são as obras justas dos santos. E disse-me: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. Disse-me ainda: Estas são as verdadeiras palavras de Deus”. (Ap 19:6-9)
Até que esse dia chegue, precisamos esquecer um pouco de nós mesmos. Pense nisso, mas pense de verdade...



13 julho, 2010

Somente Cristo nos faz firmes

Por Ruy Cavalcante

Uma das marcas desta geração, e afirmo isso por observação, é a inconstância. Talvez isso se explique pelo fato de nos acostumarmos com um evangelho de facilidades e, quando a realidade bate à porta, desfalecemos.

Talvez seja também conseqüência de uma vida desligada dos padrões de Cristo para segui-lo, pois muitos de nós, seguidores de Cristo, levam suas vidas baseados naquilo que gostamos de fazer, naquilo que nos dá prazer e não nas coisas que agradam a Deus. Como eu sempre digo, Cristo não morreu para que tivéssemos uma vida divertida, mas para que fossemos livres da condenação certa.

Independentemente da razão, a verdade é que somos excessivamente instáveis, bem diferentes do que víamos em nossos “pais da fé”, vejamos, por exemplo, o que Paulo escreveu a respeito de sua própria vida:

dos judeus cinco vezes recebi quarenta açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha raça, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos; em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejuns muitas vezes, em frio e nudez. Além dessas coisas exteriores, há o que diariamente pesa sobre mim, o cuidado de todas as igrejas”. (II Co 11:24-28)
Mas o resultado de tudo isso foi bem diferente do que vemos hoje:

Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé”. (II Tm 4:7)
Não obstante tudo o que sofreu, Paulo guardou a fé, manteve-se firme com Cristo, pois estava firmado na rocha e não na areia onde qualquer vento poderia derrubá-lo. Além de Paulo, quantas pessoas no decorrer da história sofreram, foram presas, açoitadas, queimadas sem, contudo, abandonar a fé? Isso sem citar que a maioria delas passou por tudo isso justamente por anunciar e servir a Cristo, e poderiam facilmente se livrar do sofrimento negando-o, mas preferiram a dor corporal à dor de estar sem Jesus.

Hoje, porém, arrisco dizer que até mesmo um “beliscão” seria motivo suficiente para boa parte de nós abandonarmos tudo por causa de “tão grande” ofensa.

Sinceramente, eu não consigo encontrar outra resposta para essa fraqueza e inconstância presente na Igreja que não seja o fato de que muitos de nós, na verdade, ainda não conhecemos o Cristo Verdadeiro. Conhecemos o cristo que morreu para que prosperássemos, para que recebêssemos unções extravagantes e para que tivéssemos liberdade de pular, gritar e espernear, mas ainda não conhecemos o Cristo que morreu para nos libertar da escravidão do pecado, para que nos tornássemos servos dEles e dos irmãos e para que fossemos puros.

Esse Cristo parece ser ainda desconhecido por muitos de nós, o Cristo que transforma vidas, tirando-as da inconstância das coisas terrenas para a fortaleza da vida eterna.

Foi por esse último Cristo que Paulo suportou o sofrimento, foi por Ele que muitos morreram queimados, executados a tiro, apedrejados, pois quando se conhece Jesus O Salvador, o verdadeiro Cristo de Deus, impossível é tornar a abandoná-lo, pois nEle encontramos sustento, paz, amor. A vida está nEle, e por Ele somos capazes de entregar a nossa estadia terrena, por uma vida abundante e eterna.

Busque Jesus, mas procure pelo Jesus da Bíblia, o Jesus Cristo de Deus, não o jesus dos homens que só tem poder para transformar o teu bolso, mas não o teu coração.

Ele te tornará firme...

para que não mais sejamos meninos, inconstantes, levados ao redor por todo vento de doutrina, pela fraudulência dos homens, pela astúcia tendente à maquinação do erro” (Ef 4:14)



05 julho, 2010

Você ama a Deus realmente ou são apenas palavras?

Por Ruy Cavalcante

Acho que não é novidade para ninguém o conceito de que amar não é apenas um sentimento, mas uma atitude, afinal de contas, amar é verbo, não substantivo.

Acredito que todas as vezes que você perguntar em sua comunidade cristã quem ama a Deus, todos responderão positivamente. Provavelmente ninguém responderia que não ama ou que não tem certeza se ama ou não.

Porém “amar a Deus” não se resume em gostar de Deus ou em acreditar nEle. Uma vez que amar é uma ação, uma atitude, posso afirmar sem dúvidas que a principal ação que envolve “amar a Deus” é a obediência à sua Palavra, às suas leis. Senão vejamos:

Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele”. (João 14:21)

Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando”. (João 15:14)

Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor”. (João 15:10)
Jesus não deixa dúvidas quanto à necessidade de demonstrar esse amor pela obediência, uma vez que ela prova se nosso amor é genuíno ou apenas um discurso vazio.

Dessa forma, gostaria de citar alguns desses mandamentos para que possamos responder a esta pergunta adequadamente e para que possamos nos despertar para o que Jesus ordenou que praticássemos.

1 º - Pregar o evangelho e fazer discípulos (Mateus 28:18-20) – Se você respondeu que ama a Deus, então com certeza você obedece a este mandamento, correto?

Esta talvez seja a ordem de Cristo mais repetida dentro das igrejas justamente por ser essencial para quem se torna seu discípulo. É impossível você afirmar que ama a Deus e não obedecer sequer a ordem mais geral e universal para a igreja enquanto corpo. Pregar o evangelho não é responsabilidade apenas de pastores, mestres a evangelistas, mas de todos aqueles que professam o nome de Cristo e que dizem amá-lo.

Se você acha que ama a Deus e a única coisa que faz por Ele é tocar algum instrumento no coral, limpar a cadeiras do templo ou fazer a recepção dos cultos (por exemplo) pode estar enganando a si mesmo. Quem ama a Deus prega o evangelho, seja no púlpito, ou no trabalho, na faculdade, no bairro, nas conversas com amigos, na internet, no twitter, etc.

2º - Amar os outros sem o requisito do merecimento (João 15:12) – Obviamente que, se você respondeu que ama a Deus, o padrão para o amor que você pratica para com seus irmãos e seu próximo segue o mesmo padrão de Cristo, ou seja, independe do merecimento de quem se ama.

O mandamento de Cristo é que devemos amar como Ele amou e não como nós achamos que devemos amar. Jesus não amou apenas seus amigos ou as pessoas que o faziam bem, pelo contrário, Ele nos amou sendo nós ainda pecadores (Romanos 05:8), logo, se você ama a Deus também ama seus irmãos e seu próximo mesmo quando eles não te recompensam por isso, seja com a reciprocidade ou com qualquer outra vantagem que pode surgir a partir da prática do amor. Amar os nossos amigos é uma prática que as pessoas que não servem a Cristo fazem naturalmente, isto não nos torna diferentes de ninguém.

3º - Negar seus próprios desejos em favor de Cristo (Mateus 16:24) – Se você ama realmente a Deus, nada mais natural que você busque fazer aquilo que o agrada, mesmo que para isso seja necessário abrir mão de coisas que te dão prazer.

Ora, Jesus não veio ao mundo, sofreu e morreu pelos nossos pecados para que pudéssemos ter uma vida divertida e sim para que fossemos salvos da condenação certa. Para isso Jesus exige renúncia, obediência e santidade. Essa mudança de vida é essencial para aquele que afirma amar a Deus, assim como João Batista pregou, devemos produzir frutos dignos de arrependimento, isso significa mudança de atitude frente ao pecado que outrora foi natural.

Com certeza este texto seria enorme se eu tivesse a pretensão de enumerar e comentar todos os mandamentos de Cristo para seus discípulos, porém acredito que estes três já sejam suficientes para que possamos responder a esta pergunta sem vacilar. Portanto, se você obedece estes mandamentos, possivelmente suas palavras são verdadeiras quando afirma amar a Deus, doutra maneira, caso não esteja agindo em conformidade com estas ordens, é melhor começar a mudar de atitude e agir antes que o ladrão venha e seja tarde demais.

Pense nisso...