17 agosto, 2010

Paulo não sabia determinar

Por Ruy Cavalcante

Erasto ficou em Corínto. Quanto a Trófimo, deixei-o doente em Mileto” (II Timóteo 4:20)

Trófimo era um crente de Éfeso (At 21:29), o mesmo que, junto com Tíquico, esperou Paulo em Trôade, quando da visita deste à Macedônia (At 20:4-5). Além disso, o que sabemos de Trófimo é que, conforme Paulo assume para Timóteo, foi deixado doente em Mileto.

À primeira vista parece algo irrelevante. E seria mesmo, salvo não vivêssemos tempos em que as falsas doutrinas têm se alastrado sobremaneira nos arraiais cristãos. Entre elas queria destacar, mais uma vez neste blog, a confissão positiva, defendida por tantos ícones do cristianismo tupiniquim.

Kenneth Hagin, baseado em pensamentos expostos em seus livros, em especial “A autoridade do crente (Rio de Janeiro: Graça Editorial, S/D.)”, se tornou uma espécie de oráculo de pessoas como R.R. Soares, Valnice Milhomens e Edir Macedo. Entre suas falácias está o tão conhecido “determine”, baseado justamente nesta suposta autoridade do crente contra todos os males, incluindo a pobreza e as doenças. Estes, por sua vez, difundem estas idéias em nossos púlpitos, contaminando nossa nação com afirmações do tipo “determine a benção”, “determine a cura”, e tentam tomar para si uma posição de representantes espirituais da autoridade do evangelho.

R. R. Soares, por exemplo, ensina que não devemos pedir nada em oração e sim determinar. Ele afirma que se constitui erro você incluir expressões do tipo “Se for da vontade de Deus” em nossas orações, pois isso faz com as mesmas não tenham poder, antes devemos sempre “determinar, trazer a existência o milagre, tomar posse dele” (livro “O direito de desfrutar saúde, p. 11). Há pouco tempo escrevi um artigo sobre este tema.

Uma coisa precisamos avaliar: se esta doutrina estiver correta, Paulo a desconhecia.

Obviamente isto não é possível (o fato de Paulo desconhecer uma doutrina cristã), uma vez que entre as funções do apostolado estava a de fundamentar a fé, tanto que a doutrina cristã é também conhecida como a “doutrina dos apóstolos” (At 2:42).

Quanto ao fato de alguns defenderem novas revelações trazidas diretamente aos “ungidos” de Deus, pouco ainda resta falar que eu já não tenha dito em outros posts. Repito então um versículo que destrói esta visão completamente:

Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema. Como antes temos dito, assim agora novamente o digo: Se alguém vos pregar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema”. (Gl 1:8-9)
Se nem um anjo possui autoridade para revelar coisas novas, o que falar das afirmações destes “ungidos”? Nada mais que anátema!

Se esta doutrina está correta, porque então Paulo não determinou a cura de Trófimo, antes deixou-o doente, e partiu? Porque Paulo não curou a enfermidade de Timóteo ou ainda, porque Timóteo não tomou posse da benção, da cura, ao invés de ouvir de Paulo que tomasse vinho para ajudar em seus problemas digestivos, fato este narrado em I Tm 5:23?

Julgue cada um a si mesmo e ore por discernimento. Eu prefiro crer na doutrina dos apóstolos em detrimento de qualquer outra doutrina humana. E, se for da vontade de Deus, ele nos abençoará.

Porque diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia, e terei compaixão de quem me aprouver ter compaixão”. (Rm 9:15)



06 agosto, 2010

Vai mais uma unçãozinha ai?

Assista ao vídeo abaixo:


Eu gostaria de tecer vários comentários a respeito destas coisas, porém, para evitar palavras grosseiras, desta vez apenas responderei às possíveis interpelações, mesmo porque, existem coisas que não necessitam de muita sabedoria para discernir quando não são de Deus... 
"Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas". (II Timóteo 4:3-4)
...
Ruy Cavalcante