27 outubro, 2010

A pregação da fé

Por Ruy Cavalcante

Para quem não me conhece, eu tenho a fama (algumas vezes merecida) de ser um pouco áspero em minhas palavras, especialmente quando estou ensinando a Palavra de Deus. O que me consola é o fato de saber que Jesus também O era quando as coisas de Deus e a sua Palavra estavam em jogo (Mt 21:13; Mt 23:33; Jo 6:66-67; Jo 21:22).

Eu já tentei melhorar, ser mais comedido, porém nem sempre isso é possível, pois me indigno quando assuntos como o deste artigo são menosprezados dentro das igrejas. E o assunto é a pregação do Evangelho de Cristo.

A bíblia faz o seguinte questionamento:

Como creram em quem não ouvirem falar? E como ouvirão se não há quem pregue? (Rm 10:14)

Até mesmo numa rápida análise do contexto desta passagem, é possível perceber que Paulo se refere à pregação do Evangelho de Cristo. Durante todo o capítulo, em especial nos versos de 2 a 4, Paulo tenta mostrar como a fé dos israelitas estava firmada em algo que não possuía valor, baseado em sua própria justiça e não na justiça de Deus, encarnada na figura de Jesus Cristo e no que Ele conquistou na Cruz, sendo Ele próprio o fim, o objetivo, o alvo da Lei.

É a esta pregação que Paulo se refere, à pregação da cruz, a única verdade que pode de fato libertar, gerando fé e salvação na vida do ser humano. Eu insisto:

“Mas como crerão naquele em quem não ouvirem falar?”

Evangelho, como todos nós sabemos (ou deveríamos saber) possui um sentido etimológico referente a “boas novas”, ou “boas notícias”. Qual seria então a boa notícia que temos para anunciar ao ser humano?

A boa notícia é que existe esperança de salvação para nós, existe um Deus que entregou seu Único Filho para sofrer a condenação que era contra nós, um substituto para receber o castigo que enfim nos traz a paz (Is 53:5). Esta boa notícia envolve sacrifício na cruz, arrependimento e perdão de pecados, vida nova e transformada, renúncia e serviço dedicado àquele que por nós se entregou. Esta é a pregação da fé, é este o discurso que transforma pranto em riso, que nos tira do poder das trevas para o Reino do Filho do amor de Deus (Cl 1:13).

O problema, e o que me deixa cada dia mais áspero, é que boa parte da igreja espera transformar vidas falando e pregando sobre prosperidade, sobre extravagância e sobre conquistas.

É impossível que riquezas, promessas e unções extravagantes transformem vidas! O que transforma e converte o coração do homem é a pregação da cruz! Está sim, é a pregação da fé! E pela falta dela a igreja está doente, mal adornada, e não consegue mais ser o sal e tampouco a luz deste mundo, antes participa das mesmas corrupções que outrora condenava.

E não poderia ser diferente, pois se alguém começa a participar do corpo de Cristo após haver sido “alcançado” por uma pregação apócrifa, como poderia ela apresentar os frutos do Espírito de Deus? Nunca se viu uma geração tão fraca diante dos oferecimentos deste mundo, quanto esta de nossos dias. Este é o resultado de vidas não transformadas pelo Evangelho de Cristo, mas influenciadas pelo evangelho humano, pela “boa notícia” da prosperidade na vida do homem, um evangelho não mais baseado na justiça de Deus, mas na (in)justiça dos homens.

É possível alguém que ama a Deus e zela por sua Palavra não ficar indignado com um quadro semelhante a este?

Nós precisamos retornar ao Evangelho de Cristo se quisermos transformar para melhor o Brasil. Não serão atos proféticos nem a compra de aviões que farão a coisa melhorar. Apenas um coração convertido ao Senhor, através da fé gerada pelas suas boas novas, poderá tirar a igreja do noticiário policial Brasil afora.

#pense nisso




19 outubro, 2010

Por um Evangelho sem adornos

Por Ruy Cavalcante

O vosso adorno não seja o enfeite exterior, como as tranças dos cabelos, o uso de jóias de ouro, ou o luxo dos vestidos, mas seja o do íntimo do coração, no incorruptível traje de um espírito manso e tranqüilo, que és, para que permaneçam as coisas”. (I Pe 3:3-4)

Este é um alerta interessante que Pedro faz às mulheres. Não se trata de machismo, antes ele entendia que se preocupar exageradamente com cabelos, roupas bonitas, sapatos, maquiagem e outros utensílios afins causam uma espécie de “ilusão de ótica”. As pessoas (os homens especialmente) são atraídas a este tipo de mulher iludidas por sua boa aparência, buscando a sua exterioridade e não a sua essência, o seu coração, a sua verdadeira imagem. O fim deste tipo de relação geralmente é a decepção, desilusão e dor, muita dor. Somente quem já passou por uma decepção que envolva relacionamentos sabe do que estou falando.

Entretanto não é de adornos femininos que eu gostaria de tratar neste artigo, mas da relação que esta passagem bíblica tem com aquilo que boa parte da igreja vem fazendo com o Evangelho de Cristo.

À exemplo de mulheres adornadas com utensílios que não demonstram seu verdadeiro conteúdo, muitos têm pregado um evangelho decorado com promessas e facilidades que não fazem parte de sua essência, causando um fenômeno semelhante ao ocorrido com as mulheres, onde milhares de pessoas são atraídas por coisas externas ao verdadeiro Evangelho, desconhecendo seu cerne, seu conteúdo vivo.

A conseqüência mais grave deste processo é a formação de um exército de crentes não transformados, identificados com um evangelho transformado à revelia. Claro, isso não podia ser diferente, uma vez que o evangelho que transforma é o de Jesus, não o adornado por homens.

Jesus nunca prometeu riquezas materiais nem a solução imediata de todos os nossos problemas terrenos, isso não passa de um enfeite ao evangelho, com a intenção de atrair mais pessoas para a igreja, dando uma mãozinha a Jesus, como se a Sua Obra não fosse suficiente para salvar e atrair o ser humano para o Seu Reino. Jesus nunca afirmou que não conheceríamos derrotas ou que seríamos conquistadores ou mesmo autoridades nesta terra (Mc 10:42-44), essas coisas na verdade são reflexo de nossa natureza caída, a mesma que fez satanás se rebelar contra Deus, ao desejar ser um conquistador, um rei.

O Reino de Jesus sequer é desta terra, como poderíamos nós achar que reinaríamos por aqui? Na verdade, quem oferece reinos terrenos é satanás, não Jesus, como podemos averiguar nos evangelhos de Mateus e Lucas, durante a tentação que Jesus sofreu no deserto:

Novamente o Diabo o levou a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles; e disse-lhe: Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares”. (Mt 4:8-9)

Como eu falei esses dias no twitter, o Evangelho de Jesus é salvação para aquele que crê, não dinheiro no bolso. Não encontramos nas Escrituras nenhuma ênfase ao dinheiro ou a bens e posses deste mundo, mas a riquezas que vem do alto, de Deus, que não se pode encontrar nos cofres de um banco, mas no coração de Deus.

Este é o Evangelho que transforma e restaura vidas, aquele que ensina que o homem é um vencedor apenas por intermédio de Cristo e que para isso deve negar a si mesmo e viver a vontade de Deus não a sua própria. Este Evangelho gera vida eterna e não precisa de qualquer ornamentação. São estas as boas novas que devem ser anunciadas, as que proclamam que, apesar de nossa injustiça, temos alguém que morreu para que fossemos feitos justos, aptos a habitar com Deus eternamente, na terra onde a corrupção não entra.

Por isso eu suplico à igreja, retorne ao Evangelho de Jesus Cristo, pois somente Ele pode nos salvar de nós mesmos.

O mundo precisa de nós.

#pensenisso