31 dezembro, 2011

Não desejo honra para o seu 2012

Por Ruy Cavalcante

Não pude deixar de observar, nos dias que antecedem a virada para o ano novo, os votos deixados por muitos irmãos nas diversas redes sociais espalhadas pela grande rede.

Como sempre, desejos de prosperidade, dupla honra, vitória e conquista permeiam nossos sonhos para 2012. Como sempre, nós estamos em primeiro lugar.

Eu sinceramente não consigo harmonizar essa busca desenfreada por vitórias pessoais com o Evangelho de Cristo, não consigo entender qual a necessidade de tanta honra, ou para que ser honrado por homens quando o assunto é cristianismo. Isso se parece muito com algo que Jesus criticou:

Todas as suas obras eles fazem a fim de serem vistos pelos homens; pois alargam os seus filactérios, e aumentam as franjas dos seus mantos; gostam do primeiro lugar nos banquetes, das primeiras cadeiras nas sinagogas, das saudações nas praças, e de serem chamados pelos homens: Rabi. Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi; porque um só é o vosso Mestre, e todos vós sois irmãos”. (Mt 23:5-8)

Eram os fariseus que buscavam honra, eram eles que faziam extrema questão de serem vistos por “cabeça”. Aliás, quanta ignorância nossa achar que a promessa de que “O Senhor te porá por cabeça e não por cauda” se referia a nossa vida em plena graça, ainda nesta terra.

A verdade é que nossos votos para o ano que chega, se é que queremos viver um cristianismo verdadeiro, deveriam ser o de alcançarmos o status de servos verdadeiros, pequenos diante dos homens, porém, grandes e honrados diante de Deus. É isso que Jesus espera dos seus discípulos, conforme vemos no desenrolar de seu discurso:

Mas o maior dentre vós há de ser vosso servo. Qualquer, pois, que a si mesmo se exaltar, será humilhado; e qualquer que a si mesmo se humilhar, será exaltado”. (Mt 23:11-12)

Além disso, de acordo com o caráter cristão que encontramos tão densamente descrito na Palavra de Deus, deveriamos estar buscando, antes de qualquer coisa, o benefício para as pessoas próximas a nós, pois de nós quem cuida é o Senhor.

Ninguém busque o proveito próprio, antes cada um o de outrem”. (1Co 10:24)

Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão de dores, pois ele supre aos seus amados enquanto dormem”. (Sl 127:2)

Posto isso, meu desejo para sua vida não é que sejas honrado ou alcance vitória financeira, mas que tenha um encontro real com Jesus e seu Evangelho a ponto de ser totalmente transformado por Ele, pronto para suportar o que for por amor desse Cristo e sabedor que nem mesmo a morte pode tirar-lhe a vitória de ter Jesus consigo.

Quanto às bençãos de Deus, não se preocupe, ame-o apenas e seja obediente que o mais Ele fará.

Ah, e por favor, se quiser realmente prosperar, trabalhe, assim Jesus também vai te abençoar.

Feliz ano novo. :)



22 novembro, 2011

Globo e eu, nada a ver.



Durante todo o ano de 2011 fiquei observando a repercussão de notícias referentes à nova postura da rede Globo diante, não dos evangélicos, mas dos artistas gospels. 

Pessoalmente achei muito natural esta abertura, mesmo considerando a histórica antipatia da referida rede com os evangélicos, expressa em personagens caricatos em suas novelas, em notícias na grande rede (ou na falta delas) dentre outras, afinal de contas, ela é uma empresa, e como tal, se importa com lucros.

Bem sabemos do crescimento da população que se diz evangélica e de como o seu poder de consumo é grande, assim, nada mais natural que a Globo, através especialmente de sua gravadora, Som Livre, busque uma fatia deste bolo.

Mas o que me deixa realmente espantado e absolutamente frustrado é saber que os mesmos que durante décadas trataram a Globo como um antro de perdição, estatal de satanás, rede aberta de apologia a tudo o que é profano, agora, simplesmente por ela ter decidido investir no meio gospel, referem-se a ela como parceira.

Todos os dias leio nas mais diversas redes sociais que agora a Globo está “aos pés do Senhor Jesus”. Nada poderia ser mais ingênuo. Porém não se trata apenas de ingenuidade, pois muitos evangélicos estão ganhando muita grana com isso.

Agora fecham os olhos para as apologias que ela continua fazendo ao pecado, este ano inclusive com muito mais ousadia. Dizem que é uma oportunidade para Jesus, como se nosso Cristo dependesse de uma rede de televisão profana.

Ao bem da verdade é sim uma oportunidade. Uma nova oportunidade para nossos tão amados (idolatrados) artistas gospels enriquecerem ainda mais, as custas da adoração, que é uma obrigatoriedade de todo cristão.

Oh glória!

Agora deveria ser a hora de dizer: Não Globo, obrigado, o povo cristão não precisa de você nem do seu dinheiro.

Desculpa, mas outra vez perdemos a oportunidade de sermos cristãos...

Ruy Cavalcante

Fonte da imagem: http://tvfoco.pop.com.br



18 novembro, 2011

Reflexão sobre a Carta a Diogneto


O Cristianismo surgia como uma das maiores inovações criadas na Humanidade. Revolucionava os valores conhecidos, particularmente aquele da Fraternidade ou Solidariedade de relacionamento entre os seres humanos. Considerada a "jóia da literatura cristã primitiva", a Carta de Diogneto foi escrita cerca do ano 120 d.C. Trata-se do testemunho escrito por um cristão anônimo respondendo à indagação de Diogneto, pagão culto, desejoso de conhecer melhor a nova religião que se espalhava com tanta rapidez pelas províncias do Império Romano.
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Trecho da Carta a Diogneto (Escrita cerca do ano 120 d.C)
Exórdio
1. Excelentíssimo Diogneto, vejo que te interessas em aprender a religião dos cristãos e que, muito sábia e cuidadosamente, te informaste sobre eles:
[...]

Os cristãos não se distinguem dos demais homens, nem pela terra, nem pela língua, nem pelos costumes. Nem, em parte alguma, habitam cidades peculiares, nem usam alguma língua distinta, nem vivem uma vida de natureza singular. (...) Habitando cidades Gregas e Bárbaras, conforme coube em sorte a cada um, e seguindo os usos e costumes das regiões, no vestuário, no regime alimentar e no resto da vida, revelam unanimemente uma maravilhosa e paradoxal constituição no seu regime de vida político-social. Habitam pátrias próprias, mas como peregrinos: participam de tudo, como cidadãos, e tudo sofrem como estrangeiros. Toda a terra estrangeira é para eles uma pátria e toda a pátria uma terra estrangeira. (...) Moram na terra e são regidos pelo céu. Obedecem às leis estabelecidas e superam as leis com as próprias vidas. Amam todos e por todos são perseguidos. Não são reconhecidos, mas são condenados à morte; são condenados à morte e ganham a vida. São pobres, mas enriquecem muita gente; de tudo carecem, mas em tudo abundam. São desonrados, e nas desonras são glorificados; injuriados, são também justificados. Insultados, bendizem; ultrajados, prestam as devidas honras. Fazendo o bem, são punidos como maus; fustigados, alegram-se, como se recebessem a vida. São hostilizados pelos Judeus como estrangeiros; são perseguidos pelos Gregos, e os que os odeiam não sabem dizer a causa do ódio. (...) A alma invisível vela no corpo visível; Também os cristãos sabe-se que estão neste mundo, mas a sua religião permanece invisível. A carne odeia a alma, e, apesar de não a ter ofendido em nada, faz-lhe guerra, só porque se lhe opõe a que se entregue aos prazeres; da mesma forma, o mundo odeia os cristãos que não lhe fazem nenhum mal, porque se opõem aos seus prazeres. A alma ama a carne, que a odeia, e os seus membros; Também os cristãos amam os que os odeiam. A alma está encerrada no corpo, é todavia ela que sustém o corpo; Também os cristãos se encontram retidos no mundo como em cárcere, mas são eles que sustêm o mundo. A alma imortal habita numa tenda mortal; Também os cristãos habitam em tendas mortais, esperando a incorrupção nos céus. Provada pela fome e pela sede, a alma vai-se melhorando; também os cristãos, fustigados dia-a-dia, mais se vão multiplicando. Deus pô-los numa tal situação, que lhes não é permitido evadir-se.
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Essa carta retrata o verdadeiro espírito e caráter cristão. Um povo que ama, que causa espanto pela maneira como perdoa seus detratores e mantém-se fiel ao seu Senhor. Um povo que não busca riquezas, mas é infinitamente rico diante de Deus, rico em obras, rico em mansidão, rico em compaixão.
É de um cristianismo assim que o Brasil precisa. Uma religião desligada do que é material, sem preocupações com poder secular, mas que demonstra um imenso poder espiritual, capaz de fazer refletir sobre o amor até o mais violento perseguidor. Um cristianismo que entende que seu reino não é terrestre, que não busca ser honrado, mas que honra a todos os que estão próximos a ele.
Que alegria sinto ao ler uma descrição tão confrontadora quanto essa. Que tristeza em saber que vivemos um cristianismo tão diferente...
Ruy Cavalcante
(Clique aqui para ler a carta na integra)



16 novembro, 2011

Considerações sobre “cair no poder”

Por Ruy Cavalcante

Sem levar em conta a reportagem esdrúxula da Record, extremamente hipócrita se ponderarmos a quem a emissora pertence, gostaria de fazer algumas breves considerações a respeito desta manifestação conhecida como “cair no poder (ou no espírito)”.

Para iniciar gostaria de deixar claro algo que já tratei em outros artigos: Experiências pessoais são o que a própria expressão diz, pessoais. Elas não podem se tornar doutrinas tampouco padrão para a Igreja, mesmo porque, elas possuem diversas raízes. Podem ser fruto de uma manifestação do Espírito Santo, do espírito do engano, ou mesmo do coração humano, a mais enganosa de todas as coisas. (Hb 2.4; 2Ts 2:9; Ap 19:20; Jr 17.9)

Dessa forma, experiências não explicam a bíblia e sim o contrário.

Entretanto, se experiências pessoais fossem capazes de criar bases doutrinárias para a Igreja do Senhor, ainda assim o que vemos hoje em dia, a respeito desse tipo de manifestação (o de cair no poder), estaria absolutamente desvirtuado daquilo que encontramos na Palavra de Deus, em diversas oportunidades. Citarei algumas.

(...) e louvavam ao Senhor, dizendo: Porque ele é bom, porque a sua benignidade dura para sempre; então se encheu duma nuvem a casa, a saber, a casa do Senhor, de modo que os sacerdotes não podiam ter-se em pé, para ministrar, por causa da nuvem; porque a glória do Senhor encheu a casa de Deus”. (2Cr 5:13-14)

Como o aspecto do arco que aparece na nuvem no dia da chuva, assim era o aspecto do resplendor em redor. Este era o aspecto da semelhança da glória do Senhor; e, vendo isso, caí com o rosto em terra, e ouvi uma voz de quem falava”. (Ez 1:28. Ver também 3.23; 44:4)

Veio, pois, perto de onde eu estava; e vindo ele, fiquei amedrontado, e caí com o rosto em terra. Mas ele me disse: Entende, filho do homem, pois esta visão se refere ao tempo do fim”. (Dn 8:17)

Estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu; e dela saiu uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi. Os discípulos, ouvindo isso, caíram com o rosto em terra, e ficaram grandemente atemorizados”. (Mt 17:5-6)

Quando o vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo: Não temas; eu sou o primeiro e o último”. (Ap 1:17)

A partir destas passagens do AT e NT (existem ainda outras semelhantes a estas), é possível concluir que sim, este tipo de experiência e bíblica.

Mas após uma simples análise, é facilmente perceptível o abismo de diferença entre estas experiências genuínas e aquelas que vemos acontecer em nossos cultos hoje em dia.

A primeira grande diferença é que em nenhuma das experiências bíblicas existe a figura de um sacerdote, pastor, apóstolo, profeta ou quem quer que seja, ministrando esta “unção” sobre a vida das pessoas. Note que em todas elas o próprio Deus, ou Jesus glorificado, é o causador de tais fenômenos, simplesmente pela presença de sua glória.

Observe também que todos aqueles que presenciam a manifestação da glória de Deus caem, ninguém fica de pé, não existe um super crente ou um sacerdote especial que continua de pé enquanto os outros são “ministrados”, alias, não existe ministração alguma.

A única coisa possível de se afirmar sobre este assunto é que este fenômeno é causado quando a glória de Deus enche um lugar e que, acontecendo, absolutamente todos caem, fruto da fraqueza humana diante de Deus. Em geral, todos ficam atemorizados.

Enfim, não há ser humano que suporte ficar de pé quando a glória de Deus é manifesta, o próprio Deus alertou a Moises que ele poderia morrer se visse sua Glória (Êx 33:18).

Importante salientar que ao falar da “glória de Deus encher um lugar” não estou falando da presença de Deus, pois se assim fosse, ninguém ficaria jamais de pé a partir do momento da conversão, pois nesse momento o Espírito Santo de Deus faz morada em nossas vidas e estamos permanentemente em Sua presença.

E que consenso tem o santuário de Deus com ídolos? Pois nós somos santuário de Deus vivo, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo”. (2 Co 6:16)

Há ainda um forte argumento contrário à doutrina do “cair no poder”.

Quando Paulo ensina aos coríntios sobre os dons espirituais, ele afirma que:

Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito para o proveito comum”. (1 Co 12:4-7)

(Você pode ler considerações adicionais sobre este texto aqui)

Ora, apesar de ser uma pergunta repetitiva, ela ainda se encaixa neste assunto, então perguntarei: Que proveito para a Igreja (o corpo de Cristo) possui cair no poder, após ministrações diversas?

Proveito comum significa proveito de todos e não apenas de uma pessoa ou de uma parcela da congregação, logo, pessoalmente, não consigo visualizar a menor adição ao crescimento espiritual do corpo de Cristo após tais manifestações.

A verdade é que este tipo de manifestação é bastante recente, não se tendo notícias de que faziam parte, enquanto elemento, dos cultos da igreja primitiva, da igreja reformada, tampouco da doutrina dos apóstolos.

Muitos argumentos existem sobre este tema, porém acredito que para os sensatos, estes sejam suficientes para entenderem que, mesmo sendo possível existirem tais fenômenos vindos da parte de Deus, eles nunca fizeram parte do culto cristão, nunca foram ensinados por Cristo ou pelos apóstolos, logo são dispensáveis (para não dizer anátemas) ao cristianismo, salvo se surgirem apenas como experiências pessoais e não doutrinárias...

E lógico, se não surgirem após imposição de mãos humanas, pois isso sim é anátema.

Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema”. (Gl 1:8)



08 novembro, 2011

Eu vou arrebentar!

Ouça a canção abaixo:


Este tipo de canção mostra bem o "estilo" de evangelho que muitos de nós temos buscado. Um tipo de evangelho absolutamente focado em mim mesmo, em minhas conquistas e desejos pessoais, em minha busca por satisfação e poder.

Sinceramente eu não entendo como um servo em Cristo impetra cantar algo assim sem sentir-se mal consigo mesmo. Pode parecer que faço aqui um julgamento pessoal, mas não, faço sim um julgamento de valor, valor do Evangelho de Cristo, pois a vitória deste está inserida em outro contexto, assim como suas bases se solidificam em outros valores.

Eu não costumo usar a nomenclatura “hino” para canções cristãs, mas essa é com certeza um dos hinos da “gospelândia”. Neste mundo particular de boa parte dos crentes, Jesus subiu numa cruz para que eu fosse prospero, realizasse meus sonhos pessoais e tivesse experiências sobrenaturais.

No Evangelho genuíno de Cristo as coisas são bem diferentes. Jesus foi crucificado para que eu não recebesse a justa condenação por meus pecados, para que eu escapasse da condenação eterna e alcançasse a amizade de Deus. Nada pode ter mais valor para o ser humano do que isso.
Falar de carro importado, empresa abençoada e dizer que assim glorificamos a Jesus é uma verdadeira afronta contra nossos irmãos que escreveram com sangue a história do cristianismo, permitindo que hoje eu e você tivéssemos liberdade de culto a Deus. Eles sabem o que significa glorificar a Deus na prática!
A grande marca e sinal do Evangelho foi e sempre será o sangue, a morte e a cruz (Mt 16:4).
O sofrimento e o sangue derramado de Cristo nos trazem à paz com Deus, e o sangue dos mártires atestam e confirmam o caminho da cruz. Nossa vitória é Cristo e não um carro importando, mesmo que a morte e tortura seja o destino daqueles que professam seu nome. Mesmo morrendo, viveremos, lembram?
Declarou-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que morra, viverá”. (Jo 11:25)
E vi que a mulher estava embriagada com o sangue dos santos e com o sangue dos mártires de Jesus. Quando a vi, maravilhei-me com grande admiração”. (Ap 17:6)
O evangelho das vitórias temporais, do triunfalismo e da prosperidade é absurdamente raso, inútil, impuro e falso!
Ele não tem poder algum para transformar corações, restaurar famílias e nos aproximar de Deus, antes nos coloca num universo de falsa espiritualidade, com aparência de piedade e de unção divina, causando a morte daqueles que não conseguem se libertar dele.
Fujam dele irmãos. Servir a Jesus nunca foi tão glamoroso como tentam nos pintar hoje em dia, pois ele exige renúncia e isso gera conflitos e perseguições.
Em seguida dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e siga-me”. (Lc 9:23)
Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pai, a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra; e assim os inimigos do homem serão os da sua própria casa. Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim. E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim”. (Mt 10:34-38)
E na verdade todos os que querem viver piamente em Cristo Jesus padecerão perseguições”. (II Tm 3:12)
A benção de Deus existe sobre nossas vidas, mas a coisa não é por ai.
Paz.
Ruy Cavalcante



19 outubro, 2011

Louvor nosso da cada dia

Assista o vídeo a seguir:




Para uns não passa de um vídeo engraçado, mas não para mim...

Há bastante tempo escrevo, ensino e debato sobre o problema do louvor, enquanto ministério, em nossas igrejas.

Primeiro porque não consigo enxergá-lo como um ministério eclesiástico, pelo menos não nos moldes que praticamos o que, apesar não existir ministério semelhante nos relatos bíblicos, não seria um problema tão grande, não fossem a maneira como exaltamos seus integrantes. Muitas vezes parece até que unção foi algo criado por Deus apenas para derramar sobre músicos.

Segundo porque passou o tempo em que canções eram compostas apenas para adorar a Deus ou para anunciar o evangelho. Hoje elas são criadas para vender e, nesta motivação, não importam mais suas afirmações, se são bíblicas, se expressam adoração genuína ou se apenas afagam o nosso ego, o importante é ser popular e gerar dividendos.

Nos acostumamos a sacralizar tudo o que esta envolto neste “ministério”, desde as canções até os músicos, passando pelos instrumentos e o púlpito, que já se transformou em palco em boa parte das igrejas. Por isso é tão difícil combater o erro ali dentro, mas ele existe.

Precisamos urgentemente de sobriedade para reconhecer que ser espiritual é ser obediente a Deus e amar, o restante é periférico. Adoramos a Deus de verdade quando o obedecemos, quando abrimos mão do pecado por amor de Cristo e não quando simplesmente entoamos canções, muitas vezes antropocêntricas, e após o culto seguimos nossa vida com bem entendemos.

Deus nos abençoe com essa sensatez.
Ruy Cavalcante



09 setembro, 2011

Não é chorando que se demonstra amor por Deus

Por Ruy Cavalcante

Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele”. (João 14:21)

Gostaria de desconstruir neste post um pensamento comum que ronda nossas igrejas, especialmente entre aqueles que nunca decidiram se envolver demais com o serviço cristão ou que não acham tão relevante a necessidade de se santificar. Como o assunto é muito claro na bíblia, em poucas linhas será possível concluir esta “empreitada”.

Me refiro a forma com o qual nosso amor por Deus se manifesta.

Aparentemente, muitos irmãos acreditam que por frenquentarem cultos, levantarem as mãos durante o período de louvor, orarem fervorosamente durante as ministrações, participarem de eventos e shows gospels e coisas afins estão, com isso, revelando a Deus e aos homens que amam ao Senhor de verdade. Se por acaso aparecerem lágrimas, então o amor é quase perfeito.

Mas não foi assim que Cristo ensinou.

As nossas práticas devocionais, a nossa frequencia nos cultos, as nossas lágrimas e a nossa aptidão para entoar canticos com “ousadia” não demonstram amor, antes devem ser realizadas em consequência dele e não o contrário.

Quantas pessoas conhecemos capazes de choramingar por oras durante shows evangélicos, vigílias e cultos, mas que no dia seguinte retornam às suas práticas carnais?

Jesus afirma sem deixar dúvidas: o que comprova o nosso amor por Deus é a obediência à Sua Palavra. A mesma Palavra que nos manda negar a nós mesmos, ajudar o necessitado, buscar a santidade, servir a Deus, não viver em busca de benefícios pessoais e sim o benefício comum a todos, ser puros, constantes, perdoadores, honestos, verdadeiros, servos uns dos outros e tantas outras coisas que, semelhantes a estas, formam o caráter de um verdadeiro cristão.


Se me amardes, guardareis os meus mandamentos”. (Jo 14:15)


Ninguém jamais pode dizer que ama a Jesus sem que seja submisso à sua Palavra, obediente e praticante dela. Quem não obedece é um mentiroso quando diz que o ama, lembre-se disso.

Cuidado irmãos, fujam do engano de que amar a Deus significa apenas chorar. Mais cuidado ainda com aqueles que colocam o amor por Deus relacionado ao dinheiro. Deus não busca dinheiro, o que Ele busca são corações quebrantados dispostos a adorá-lo continuamente com suas vidas, pois é isso que significa adorá-lo em espírito e em verdade (Sl 34:18; Sl 51:17; Jo 4:23-24).

Obedecer a Deus é obedecer à Palavra de Deus e não às palavras de seu pastor, apóstolo, líder, cantor gospel, professor da EBD ou blogueiro preferido, salvo se seus conselhos forem compatíveis com ela (At 5:29). Mas como saber se de fato são?

Lendo a bíblia, meditando nela dia e noite.


Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores; antes tem seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e noite”. (Sl 1:1)


Portanto irmãos, vocês podem morrer assim se quiserem, mas se depender de mim não será por engano, mas conscientes, porque só ama Jesus quem O obedece!
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23 agosto, 2011

Semeando honra?

Por Ruy Cavalcante
 
Gostaria de fazer alguns comentários sobre uma doutrina apócrifa que vem ganhando bastante força no meio cristão ultimamente, especialmente na região norte do país, região onde me encontro. Trata-se dos princípios (ou leis) da semeadura e da honra.

Em respeito, não aos falsificadores do Evangelho, mas aos seus discípulos cegos, tentarei ser o mais impessoal possível em minha curta abordagem sobre o tema.

Ambos os princípios caminham juntos e possuem várias ramificações, porém dão destaque especial a questões de ordem financeira, geralmente (mas não somente) interligados ao que chamam de “primícias”. Meus comentários serão direcionados a estes pontos.

Resumidamente, afirmam que:

  • Através da semeadura você se conecta com o futuro;
  • O Senhor criou esse princípio para estabelecer a fidelidade e a fé;
  • Criou a oferta para estabelecer o princípio da honra. E estabeleceu a primícia como princípio de santidade.

Segundo afirma um de seus maiores defensores, os dízimos e ofertas são dados a Deus, para obtenção de prosperidade, mas as primícias são dadas ao líder espiritual (sacerdote) para estabelecer o princípio da honra. Através das primícias o discípulo honra o seu líder e ganha o respeito de Deus, uma vez que estão deixando o “sacerdote” liberado para cuidar das coisas de Deus, sem se preocupar com coisas “elementares”, como seu sustento e o de sua família.

O resultado disso? Enriquecimento dos líderes e uma busca desenfreada de se tornar líder também e ter o direito de ser honrado com “primícias”.

Uma das bases para essa doutrina encontra-se em Ezequiel 44:30:


E as primícias de todos os primeiros frutos de tudo, e toda a oblação de tudo, de todas as vossas oblações, serão dos sacerdotes; também as primeiras das vossas massas dareis ao sacerdote, para que faça repousar a bênção sobre a tua casa.”


Bem, considerando o caráter antitípico (Hb 10:1) do Antigo Testamento, onde os sacerdotes eram figuras de Cristo, temos hoje um único sacerdote no sentido original do termo, que é Jesus (Hb 5:6; Hb 7; Hb 8). Desta forma, se há alguém ainda digno de receber as primícias do homem, este se chama Jesus.

Entretanto a aliança definitiva que Deus fez com o homem está baseada em promessas superiores (Hb 8:6), assim como devemos entregar-lhes coisas superiores, e não apenas algum percentual de renda, mas a vida inteira (Mt 19:21; Lc 14:26: Hb 9:14).

Por isso Paulo afirma:


Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”. (1 Pd 2:9)


Tudo em nós pertence a Ele, pois somos sua propriedade exclusiva.

Ora, em última instância, segundo o mesmo texto de 1 Pedro 2:9, hoje somos todos sacerdotes e, sem tentar apelar para falácias, não há qualquer menção bíblica que indique haver entrega de primícias de um sacerdote a outro.

A verdade é que Jesus modificou as relações humanas referente à vida religiosa nos moldes do antigo testamento quando afirmou:


Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi; porque um só é o vosso Mestre, e todos vós sois irmãos. E a ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque um só é o vosso Pai, aquele que está nos céus. Nem queirais ser chamados guias; porque um só é o vosso Guia, que é o Cristo. Mas o maior dentre vós há de ser vosso servo. Qualquer, pois, que a si mesmo se exaltar, será humilhado; e qualquer que a si mesmo se humilhar, será exaltado”. (Mt 23:8-12)


E continua:


Jesus, pois, chamou-os para junto de si e lhes disse: Sabeis que os governadores dos gentios os dominam, e os seus grandes exercem autoridade sobre eles. Não será assim entre vós; antes, qualquer que entre vós quiser tornar-se grande, será esse o que vos sirva; e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, será vosso servo; assim como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos”. (Mt 20:26-28)


E ainda:


Ai de vós, quando todos os homens vos louvarem! porque assim faziam os seus pais aos falsos profetas”. (Lc 6:26)


Desta forma, somos todos sacerdotes e irmãos, nosso Mestre, nosso Guia e nosso Senhor é um só, Jesus Cristo, somente Ele é digno de ser honrado, não apenas com primícias, mas com tudo o que temos e somos eternamente.

Estas doutrinas são totalmente alheias ao Evangelho de Cristo, são aberrações que possuem o claro objetivo de sacralizar a prosperidade e justificar o enriquecimento às custas do serviço cristão, como se "viver do Evangelho" significasse ganhar dinheiro por meio dele.

Quando o Novo testamento fala da prosperidade financeira num sentido proveitoso ele lhe atribui a seguinte perspectiva:


Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tem necessidade”. (Ef 4:28)


Ou seja, a prosperidade financeira deve servir na vida cristã para que possamos socorrer o necessitado e ela vem mediante o trabalho. É trabalhando que Deus nos abençoa com prosperidade.

A única coisa que conseguimos entregando primícias para nossos líderes é enriquecê-los, e com isso perpetuamos algo condenado por Cristo, que é a cobiça.


Porque o amor ao dinheiro é raiz de todos os males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores”. (1Tm 6:10)


Ver também Lucas 12:15.

Espero sinceramente que este curto artigo sirva para nos fazer refletir um pouco sobre o tipo de vida cristã que estamos vivendo e se ela está de fato em concordância com o que a Palavra de Deus nos ensina e adverte. E que o amor de Deus nos leve a buscar conhecimento doutrinário exclusivamente em Sua Palavra e que assim aprendamos que espiritual mesmo é amar...

...

Peço perdão pela falta de aprofundamento exegético, pois achei que deixaria o texto muito denso e cansativo. Caso necessário, farei considerações exegéticas adicionais nos comentários.



29 julho, 2011

Obediência cega (Cobertura Espiritual - Parte 2)

Por Ruy Cavalcante

Dando continuidade ao post anterior, contarei mais um breve testemunho.

Quando conheci minha esposa não éramos servos de Jesus. Durante o namoro ela foi ao “Encontro” gedozista e ao retornar passamos a freqüentar uma igreja em células. Minha esposa estava grávida, mas ainda não sabíamos. Ao descobrir, durante o terceiro mês de gestação, já havíamos nos entregado a Cristo.

Até então, tudo em minha vida era pecado, pois somente em Cristo somos purificados. Acontece que nossos líderes exigiram que eu separasse de minha esposa, alegando que nosso relacionamento não era da vontade de Deus, por haver sido iniciado sem a confirmação dEle. Ora, qual a pessoa que não serve a Deus pedirá autorização a Ele para se relacionar com alguém?

Meu relacionamento, assim como tudo em minha vida até aquela data, não tinha sido constituído nos moldes cristãos, mas a partir de então, cabia a nós dois cumprir com os propósitos de Deus, oficializando o casamento de acordo com as leis civis e celebrando a vida de nossa filha que chegaria em breve. Eles não aceitaram, disseram que se não foi autorizado por Deus não poderia acontecer e que se insistíssemos eles não mais nos “cobririam espiritualmente”.
Eu já havia freqüentando a igreja evangélica durante alguns anos e isso salvou minha família, pois desde o primeiro dia que pisei numa igreja comecei a ler o que diziam ser o “manual do crente”, ou seja, a bíblia. Nela eu já havia descoberto o caminho e o procedimento correto diante de Deus, mas até aquele momento ainda não havia permitido que aquilo fizesse parte de minha vida. Mas agora era diferente. Eu queria Jesus e queria minha família. Tinha certeza que meu arrependimento faria com que Deus me perdoasse, purificasse meu espírito e transformasse minha família.


"Justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo, por quem obtivemos também nosso acesso pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e gloriemo-nos na esperança da glória de Deus".  (Rm 5:1-2)


Decidi ficar sem “cobertura espiritual” e permanecer com Cristo e com minha família. Hoje continuamos juntos, minha filha fará em setembro sete anos de idade, está no segundo ano escolar, sabe ler, escrever, tem uma família estruturada e conhece a bíblia mais do que muito crente “coberto”. Eu e minha casa servimos ao Senhor na igreja Batista Restauração, cujo pastor Breno Cavalcante é nosso amigo, líder irrepreensível, o qual eu respeito absolutamente em tudo, temos todos os problemas e conflitos relacionados à família, mas somos felizes e Cristo é conosco.

Mas se houvéssemos obedecido nossa cobertura espiritual, que legislava sobre nossa vida pessoal e havia determinado o fim de minha família, como estaríamos hoje?


"Mas, se alguém não cuida dos seus, e especialmente dos da sua família, tem negado a fé, e é pior que um incrédulo". (I Tm 5:8)

Jesus é o nosso Senhor (Rm 5:1; 14:8)e Ele escolheu líderes para nos ajudar a caminhar, não para que nós os ajudássemos em suas caminhadas pessoais ou para que confirmássemos sua liderança obedecendo-os cegamente...

...

Em tempo...

Tenho certeza que minha experiência não é necessariamente o padrão em igrejas evangélicas, especialmente neopentecostais, porém este é mais um exemplo de como esta doutrina extrabíblica da "cobertura espiritual" pode causar danos irreparáveis. Quantos Brasil afora não se depararam com situações semelhantes e obedeceram seus líderes, sob a suposta autoridade concedida a eles por Deus para legislar sobre a vida pessoal das ovelhas, e acabaram mal?

Este artigo não é um tratado em favor da rebeldia e sim em favor do senhorio exclusivo de Cristo sobre as nossas vidas.

E que o nosso absoluto Senhor Jesus nos abençoe.



25 julho, 2011

Cobertura Espiritual?

Por Ruy Cavalcante

Oito anos se passaram desde que minha esposa me afirmou, com a voz já alterada: “Ruy, nem mesmo se você me mostrar isso na bíblia eu acreditarei, pois eu acredito no que meu líder ensinou, eu aprendi assim e não vou mudar!”.

O susto ao ouvir isso foi grande e eu o considero um marco em minha vida. Foi neste dia que decidi nunca mais me omitir em relação ao ensino bíblico e comecei por minha casa. Desafiei minha esposa a estudar os fundamentos da fé durante um mês comigo, usando como única fonte literária a bíblia. Para a Glória de Deus, após um mês tudo mudou e ela disse outra frase de extrema importância para aqueles dias marcantes: “Ruy, como eu pude acreditar em tudo aquilo?”.

Mas a verdade é que eu tinha muita culpa no que estava acontecendo, pois mesmo observando o desenrolar das coisas, eu me omiti quando percebi que, ao deturpar o sentido de liderança cristã, estavam dominando a mente de minha esposa, ao ponto de ela dar preferência a autoridades humanas, em detrimento da autoridade de Deus, através de Sua Palavra. Isso aconteceu a partir do que conhecemos por “cobertura espiritual”.

Para ser bem claro, sou absolutamente consciente e convicto ao falar que a “cobertura espiritual” não é bíblica sendo, portanto, maldita (Gl 1:8).

Os adeptos de tal doutrina afirmam que (e não me digam que não, pois vivenciei isso) o nosso líder tem total autoridade sobre a nossa vida, ele é a nossa cobertura. Na verdade aqui é realizada uma grande deturpação do que a bíblia ensina sobre liderança.

Vou deixar que neste momento a bíblia fale por mim:
Todas as suas obras eles fazem a fim de serem vistos pelos homens; pois alargam os seus filactérios, e aumentam as franjas dos seus mantos; gostam do primeiro lugar nos banquetes, das primeiras cadeiras nas sinagogas, das saudações nas praças, e de serem chamados pelos homens: Rabi. Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi; porque um só é o vosso Mestre, e todos vós sois irmãos. E a ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque um só é o vosso Pai, aquele que está nos céus. Nem queirais ser chamados guias; porque um só é o vosso Guia, que é o Cristo. Mas o maior dentre vós há de ser vosso servo. Qualquer, pois, que a si mesmo se exaltar, será humilhado; e qualquer que a si mesmo se humilhar, será exaltado”. (Mt 23:5-12)

E ainda:

E ele, sentando-se, chamou os doze e lhes disse: se alguém quiser ser o primeiro, será o derradeiro de todos e o servo de todos”. (Mc 9:35)

...sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo”. (Ef 5:21)

Ora, na bíblia a regra é “eu me sujeito a você e você a mim”, na cobertura espiritual a coisa muda para “eu me sujeito a você e você manda em mim”.

Jesus foi muito claro a respeito deste assunto. Ele não anula o principio da liderança, mas afirma categoricamente que o único que tem domínio e autoridade sobre a vida pessoal de alguém é Ele Próprio, todos os outros são irmãos, iguais e se alguém desejar ser diferente, ser maior, então que seja o servo de todos. Isso é incrível!

Jesus é o nosso Senhor e não há outro além dEle. Ele não divide Sua Glória e Seu Domínio com ninguém (Is 42:8), toda autoridade está sobre Ele (Mt 28:18). Nós não podemos deixar o fardo suave de Jesus (Mt 11:30) por um novo jugo de homens dominadores:

Na cadeira de Moisés se assentam os escribas e fariseus. Portanto, tudo o que vos disserem, isso fazei e observai; mas não façais conforme as suas obras; porque dizem e não praticam. Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; mas eles mesmos nem com o dedo querem movê-los”. (Mt 23:2-4)

Devemos obedecer aos nossos líderes, eles estão numa posição espiritual que lhes atribui este direito e esta responsabilidade, mas não devemos nos colocar sob o jugo deles, pois aqueles que tentam dominar nossas vidas não representam a vontade de Deus, mas a de si mesmos.

O verdadeiro líder é aquele que ensina o discípulo a guardar o que Jesus ensinou (Mt 28:20), é alguém que serve a todos (Mc 9:35), que exorta e aconselha segundo os princípios do Evangelho (At 14:22), que busca não ser pesado e que dá valor a cada um dos discípulos (II Co 12:14).

O texto de Mateus 23:5-12 (transcrito anteriormente) traz nitidamente o que experimentei 8 anos atrás e mais ainda o que observo hoje em dia. Líderes que se aproveitam de uma doutrina antibíblica para difundir seus próprios ideais, legislando sobre a vida pessoal de seus seguidores e por estes defendidos, mais do que se dispõem a defender a fé genuína do Evangelho de Cristo.

Não pretendo esgotar este assunto num único artigo, pois há muito que se falar a respeito. Por hora peço apenas que meditem nestas passagens bíblicas e avaliem por si mesmos esta doutrina esdrúxula que recaiu sobre nossa igreja e nossas mentes, e tomem a decisão de viver um cristianismo bíblico. Eu não sou a fonte da verdade, mas a bíblia é.

Deus abençoe a todos com a sua sabedoria e com o seu discernimento. Paz...



30 junho, 2011

Cristãos em perigo

Por Ruy Cavalcante

Recentemente fiquei absolutamente chocado, de verdade, ao ser confrontado com os resultados de recente pesquisa sobre o cristão e o sexo. Me assombrei também ao perceber que o resultado desta pesquisa, antes de fazer refletir, causou apenas uma enxurrada de piadas entre vários blogs cristãos.
Como pode ser engraçado (por exemplo) saber que uma porcentagem tão grande de evangélicos (24,68% homens e 11,96% mulheres) traem seus cônjuges?
O que está acontecendo conosco? Em que ponto tornamos o Evangelho de Jesus Cristo tão relativo assim em questões sobre o pecado?
Todos os dias vejo nas mais diversas redes sociais jovens brincando de pecar. Citações imorais, desejos carnais expostos sem o menor pudor e com o único intuito de satisfazê-los ou de revelar “como foi bom”. Os jovens cristãos indicam músicas com conteúdo lascivo, apenas para parecerem “atualizados” com as novidades, filmes impróprios, textos e citações contrárias à Palavra de Deus simplesmente para parecerem inteligentes e cultos.
Ora, sabedoria é a que vem do alto, do mundo chama-se engano.
Porque o Senhor dá a sabedoria; da sua boca procedem o conhecimento e o entendimento”. (Pv 2:6)
Não obstante a bíblia afirmar que a sabedoria verdadeira vem do Senhor, nós muitas vezes ensinamos com nossas atitudes o contrário. “Sábio é o mundo que me aceita como eu sou” poderiam dizer muitos crentes moderninhos.
Mas eu preciso alertá-los, leiam atentamente: O Evangelho de Jesus Cristo não é relativo e mesmo com a mais perfeita argumentação racional Ele permanece imutável! O mundo não é capaz de nos ensinar nada que nos leve para mais perto de Deus, cuidado...
Cuidado com as falácias irmãos, cuidado com os argumentos filosóficos que vocês têm aprendido com seus autores preferidos, pois o amor de Deus é provado na crucificação de Seu Filho, não pense que Ele vai te provar fechando os olhos para o seu pecado, isso é mentira! Não se engane, se estamos em Cristo já não somos mais escravos do pecado, não andamos mais segundo os nossos próprios desejos... cuidado irmão.
Ou você acha mesmo que Cristo morreu só para ser reconhecido na história e não para remissão de pecados? E se Ele fez isso por causa do nosso pecado, então o pecado é algo sério, mesmo que todos em sua volta digam que não...
Transar antes do casamento e ser imoral continua sendo pecado, mesmo em tempos modernos como o nosso. A cobiça continua conduzindo pessoas à condenação, a falta de amor, a fofoca e a falsidade continuam nos afastando de Deus assim como a dois mil anos atrás, cuidado jovem. O fato de todos fazerem não te torna justificável. Jesus Cristo é a justiça de Deus aplicada em nós, sem Ele somos indesculpáveis e com Ele somos apartados de tudo isso, se de fato estivermos nEle!


Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção”. (I Co 1:30)


Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à justiça de Deus. Pois Cristo é o fim da lei para justificar a todo aquele que crê”. (Rm 10:3-4)
Não se enganem irmãos, não há outra justiça que não aquela propiciada por Jesus Cristo. O que é divertido hoje pode ser trágico amanhã...



06 junho, 2011

Guerra Santa contra mim mesmo

Por Ruy Cavalcante

Olá, meu nome é Igreja e gostaria de me falar algo...

Tenho me observado nos últimos dias e percebi que meu discurso anda meio estranho. Estranho porque não parece que estou conseguindo usá-lo para anunciar que ainda existe uma solução para o mal, pelo contrário, meu discurso está gerando ainda mais ódio e não foi assim que aprendi com Cristo.
Como exemplo mais recente, posso citar a forma como tenho conduzido a discussão sobre o homossexualismo e a PL 122. Não consegui gerar debate, mas embate. As pessoas não estão meditando no que Cristo ensina através desta minha guerrinha, antes estão construindo a cada dia um muro maior de frustração entre elas e eu. Mas sinceramente, eu não entendo porque apontei todas as minhas armas para o homossexualismo, se dentro de mim existem órgãos tão doentes.
A verdade é que eu estou cada dia mais hipócrita.
Quantas vezes eu não me pego em flagrante prostituindo-me? Quantas vezes abandono as necessidades de meus membros que considero menos honrados, para buscar a satisfação de membros superiores, especialmente minhas mãos, olhos e língua? Isso também não seria pecado? E quantas vezes tenho traído meu noivo, trocado seu amor por bajulação, riqueza, unção, poder e vitória?
Eu sei que minha convicção contra a prática homossexual é bíblica, mas é tão bíblica quanto a aversão que Deus sente pela falta de perdão que eu cometo todos os dias.
Não sei, eu só acho que se eu amasse mais, até mesmo os homossexuais seriam contra a tal PL, pois eles não abririam mão de um amor verdadeiro por uma prática não tão boa assim ou, pelo menos, pensariam melhor a respeito.
Poxa, será que eu não enxergo que eles, os homossexuais, estão me odiando cada vez mais? De que maneira eles irão desejar o nosso Deus se, em nome dEle, criamos uma guerra de acusações? Na verdade eu acho que tenho muito que acusar a mim mesmo antes de começar a acusar os outros.
Se for para entrar numa guerra, espero que eu escolha uma guerra contra mim mesmo, contra meus próprios erros antes que todos virem-me as costas.
Melhor seria eu passar fome, nudez e não ter nenhuma porta aberta nem promessa sobre minha vida do que me faltar amor para dar ao pecador, pois eu sou o maior deles.
Todo dia eu busco honra e poder, desejo unção, determino vitória, mas não busco ser cristão.
Eu tenho pena de mim se eu continuar assim...



23 maio, 2011

Modernos demais

Por Ruy Cavalcante


Já escrevi bastante aqui no blog sobre as características da nossa geração cristã, mas até certo ponto fui omisso quanto à outra delas, o relativismo.

O interessante (ou o mais absurdo) é que esta (má) qualidade infere especialmente sobre o grupo de cristãos que arrogam para si o título de defensores da fé, ou apologetas, grupo este que também sou arrogante ao ponto de me incluir.

Percebo que muitos de nós nutrimos pensamentos demasiadamente libertinos em relação a assuntos que outrora eram consenso, como a bebida alcoólica, as vestimentas, o sexo no namoro, o uso de palavras torpes, entre outros temas considerados (agora) por demais ultrapassados.

No lugar de apologias à fé fazem apologia à bebida alcoólica, por exemplo, como se o primeiro gole para alguns não fosse mais capaz de causar a “falência múltipla de corações” como é facilmente observado em famílias onde ele penetrou e que hoje lutam contra uma doença incurável (porém controlável), como é a dependência.

Não bastasse isso, também costumamos ensinar um estilo de vida “cristão boêmio” e nessa onda freqüentamos barzinhos com os amigos da faculdade, da igreja, das “antigas” e de onde mais aparecerem, sempre com a desculpa de que isso não afeta nossa espiritualidade, pois se não amarmos nossos amigos, se não entrarmos em comunhão com eles, como poderão ver eles Cristo em nós? E, enquanto curtimos a vida adoidado, em nossa volta, nas esquinas dos mesmos bares estão pessoas sedentas, não por cerveja, mas por Cristo, morrendo, se perdendo, porque estamos ocupados demais tentando “influenciar” nossos amigos.

Eu pergunto: quem foi que disse que a vida cristã precisa ser divertida? Que ensinou que a liberdade cristã refere-se a práticas e não a escravidão pelo pecado? Quem precisa de álcool, falar “palavrões”, transar ou curtir um “biquininho” na praia para ser feliz, para se encontrar com Cristo?

Não era assim que agiam nossos pais na fé, não era em diversão que eles pensavam diariamente. O que percorriam seus pensamentos e suas práticas era o desejo de servir a Deus, negando-se a si mesmos se fosse preciso, sofrendo perseguição, açoites e escárnio por amor de Jesus, na esperança de conseguir anunciar tão grande salvação advinda do sacrifício do Cordeiro.

Nossa liberdade não pode, em nenhuma circunstância, dar ocasião ao pecado nem tampouco legitimar uma vida boêmia, que busca satisfação pessoal, antes ela nos obriga a viver em “novidade de vida” e imagino que não é preciso explicar o significado desta expressão.

Sobreveio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça; para que, assim como o pecado veio a reinar na morte, assim também viesse a reinar a graça pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor. Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que abunde a graça? De modo nenhum. Nós, que já morremos para o pecado, como viveremos ainda nele? Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida”. (Rm 5:20-21; 6:1-4)

Incomoda-me o fato de estarmos cada dia mais parecidos com o que éramos antes de conhecer Cristo. A matemática divina diz que a proporção deve ser inversa, e seguindo uma fórmula de progressão geométrica, pois como vimos nos versos acima “onde o pecado abundou, superabundou a graça” (ou deveria superabundar).

Sei que este texto parece arcaico, careta, exagerado e “down”. Sei ainda que não posso me colocar como exemplo de todos os meus textos, mas como alvo. Mas também sei, com toda a convicção que me é possível, que é vivendo um retorno ao antigo, ao velho, ao careta Evangelho de Jesus Cristo (e não só conjugando o verbo ‘retornar’ em todas as pessoas e tempos em nossos blogs) que as coisas podem melhorar e que a nossa geração não terá se levantado em vão.

E se der tempo, nos divertiremos. Mas se não der, ainda assim teremos uma eternidade linda para aproveitar abundantemente...

E que Deus nos abençoe com um bom juízo e vergonha na cara.



24 março, 2011

Comentário sobre manifestações do Espírito

Por Ruy Cavalcante

Dada a quantidade de pessoas que têm buscado a igreja com o intuito de encontrar ali manifestações sobrenaturais na forma de visões, “quedas no poder”, recebimento de “unções diversas”, danças proféticas e todo o tipo de suposta manifestação do Espírito Santo de Deus, sinto-me compelido a fazer um curto comentário bíblico referente a este tema.

Em primeiro lugar gostaria de esclarecer que acredito em manifestações sobrenaturais realizadas através do poder do Espírito Santo, a começar pelos dons espirituais, o profetizar, o curar, o falar em línguas e todos os outros descritos na Palavra de Deus, creio em visões, em revelações, em curas e tudo o mais que, segundo a Bíblia, possa ocorrer através deste mesmo Poder.

Entretanto, com a mesma convicção (quanto à existência destas manifestações) creio que elas sempre, absolutamente sempre, ocorrem quando existe um propósito e uma utilidade para o Reino de Deus. Vejamos o que Sua Palavra afirma:

Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil”. (I Coríntios 12:4-7)

É interessante o fato de Paulo restringir o que acabara de afirmar nos versículos de 4 a 6, (utilizando para isso a conjunção adversativa “mas” ("porém", dependendo da tradução)), à condição de que haja uma utilidade para tais manifestações. Paulo não deixa dúvidas. É importante ainda identificar que a palavra “útil” aqui, contextualmente infere uma idéia de “bem comum”, ou seja, não se trata apenas de possuir uma utilidade, mas de que ela seja útil para todos e não apenas para um indivíduo em especial. Outras traduções confirmam este fato:

A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito para o proveito comum”. (ARIB)
A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito, visando ao bem comum”. (NVI)
A cada um é dada a manifestação do Espírito para proveito comum”. (Católica)

Nesta perspectiva podemos inclusive perceber mais profundamente as motivações de Paulo ao também restringir as manifestações do dom de “línguas”, afirmando que:

O que fala em língua edifica-se a si mesmo, mas o que profetiza edifica a igreja”. (I Coríntios 14:4)

Com a preocupação do bem comum, Paulo restringe o uso do dom de línguas no culto apenas para as situações ondem exista quem possa interpretar, para que todos sejam edificados. A preocupação dele não estava baseada apenas numa questão de ordem, mas de utilidade para todos.

Ora, Deus não é animador de festas, tampouco derrama seu poder para encher nossos egos. Quando Ele o faz é para que a Igreja seja transformada e para que Seus propósitos sejam alcançados.

Portanto, manifestações supostamente espirituais, mas que não possuem utilidade alguma para o corpo de Cristo e para o bem comum devem ser consideradas, quando muito, apenas fruto de nossas emoções, e como tudo o que provém do coração humano, sem credibilidade cristã alguma.

Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o poderá conhecer?” (Jeremias 17:9)



24 fevereiro, 2011

O culto racional (esboço)

Por Ruy Cavalcante

Aproveitando a idéia do post anterior, gostaria de comentar, resumidamente, alguns pontos do texto encontrado em Romanos 12:1-2:

Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.”

Antes de qualquer coisa é possível perceber claramente que este “culto racional” trata-se de algo pessoal, ou seja, não se refere ao culto litúrgico a qual estamos acostumados, mas ao culto que cada um de nós deve prestar individualmente a Deus. Eis o motivo de Paulo citar o nosso próprio corpo como sacrifício.

Através desse texto sabemos também que o culto racional é algo que agrada a Deus e que ele só é possível quando nós mesmos nos fazemos em sacrifício. Porém este sacrifício não é conforme os relatados na Lei mosaica, mas um sacrifício vivo. Lembremos que pela lei de Moisés sacrificavam-se animais literalmente, derramando seu sangue.

Mas o que seria um sacrifício vivo?

Para facilitar uma resposta adequada a esta questão, deixemos que a própria bíblia fale a respeito:

E chamando a si a multidão com os discípulos, disse-lhes: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me” (Mc 8:34).

“Negar o meu eu” é mais do que abrir mão de assistir a novela ou um jogo de futebol para ir ao culto, antes significa que tudo o que eu gosto de fazer somente é lícito se não atrapalhar a obra de Deus e obviamente se não for um pecado já anunciado em sua Palavra, fora disso, até a mais simples diversão é fruto de uma vida de quem não decidiu se oferecer como um sacrifício vivo. Não é se sacrificar no sentido de se martirizar, mas priorizar o serviço do Reino, sem considerar nossos próprios desejos. É justamente nisso que se resume o cristianismo, deixar de fazer sua vontade para fazer a vontade daquele para quem entregamos a nossa existência, Jesus.

Ora pois, já que Cristo padeceu na carne, armai-vos também vós deste mesmo pensamento; porque aquele que padeceu na carne já cessou do pecado, para que, no tempo que ainda vos resta na carne não continueis a viver para as concupiscências dos homens, mas para a vontade de Deus” (I Pe 4:2).

Enquanto estivermos nesta terra não devemos andar segundo nossos próprios desejos e sim segundo os desejos de Deus, o que está em pleno acordo com o texto anterior e com a idéia do culto racional.

Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outra coisa em que teu irmão tropece” (Rm 14:21).

Seja o que for, sendo bom ou ruim, pecaminoso ou não, se isso escandaliza meu irmão eu devo abrir mão de praticar ou experimentar, isso também é ser um sacrifício vivo, por amor de meu irmão e obediência a Deus. Vale lembrar que escandalizar o irmão não se trata de fazer algo com o qual ele fique assombrado, mas de levá-lo, pelos meus atos, a pecar ou a se desviar da fé.

Ninguém busque o proveito próprio, antes cada um o de outrem” (I Co 10:24).

Não são os nossos sonhos que devem ocupar a prioridade em nossas vidas, mas os sonhos dos outros antes dos nossos, isso também é praticar um culto racional e “negar a si mesmo”. A mesma idéia encontramos em Fp 2:4.

Notem que em todos estes textos faz-se necessário uma decisão pessoal para que cada princípio seja realidade em minha vida. Ora, o culto é racional justamente porque é algo que depende de uma decisão e não de um desejo ou de uma vontade. A decisão é obedecer ou não à palavra de Deus.

No versículo 2 do nosso texto base lemos:

E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.

O que significa não se conformar com este mundo?

Significa não se deixar seduzir pelos valores dele, não se influenciar por eles e sim pelos valores de Deus, revelados em sua palavra. E como fazemos isso? Buscando o renovo, a purificação de nosso entendimento. Isto se consegue através da Palavra de Deus, justamente a principal forma como Deus decidiu revelar a sua vontade ao ser humano. É um processo plenamente racional, baseado em meditação e decisão, além de espiritual, relacionado à atuação do Espírito Santo sobre aqueles que buscam a obediência a sua Palavra. Como sabemos a Palavra de Deus é viva e eficaz (Hb 4:12).

Outro ponto importante em todo este processo diz respeito à vontade de Deus. Diz o texto que ela é boa, perfeita e agradável. Mas ela é agradável para quem?

Mas uma vez deixemos que a bíblia nos responda:

Então lhes disse: A minha alma está triste até a morte; ficai aqui e vigiai comigo. E adiantando-se um pouco, prostrou-se com o rosto em terra e orou, dizendo: Meu Pai, se é possível, passa de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres” (Mt 26:38-39).

São ministros de Cristo? falo como fora de mim, eu ainda mais; em trabalhos muito mais; em prisões muito mais; em açoites sem medida; em perigo de morte muitas vezes, dos judeus cinco vezes recebi quarenta açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, (...)em perigos entre falsos irmãos, em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejuns muitas vezes, em frio e nudez. Além dessas coisas exteriores, há o que diariamente pesa sobre mim, o cuidado de todas as igrejas” (II Co 11:23-28).

Alguém pode afirmar que a experiência de Jesus e Paulo foi agradável?

Duas frases equalizam esta questão, uma de Jesus, outra de Paulo respectivamente: “minha alma está triste até a morte” e “além dessas coisas exteriores, há o que diariamente pesa sobre mim”.

A única conclusão possível é que a vontade de Deus é agradável para o próprio Deus. Cabe a cada um de nós obedecê-la, seja isso divertido, agradável ou não para nós mesmos. Isto é também ministrar um culto racional a Deus.

E por fim, eu não posso deixar de afirmar que aquele que atende aos nossos desejos não é Deus e sim o diabo. Deus atende aos seus próprios desejos, pois somente eles são bons, perfeitos e agradáveis.

Deus abençoe a todos nós e nos ajude a perseverar na verdadeira fé em Cristo.