23 maio, 2011

Modernos demais

Por Ruy Cavalcante


Já escrevi bastante aqui no blog sobre as características da nossa geração cristã, mas até certo ponto fui omisso quanto à outra delas, o relativismo.

O interessante (ou o mais absurdo) é que esta (má) qualidade infere especialmente sobre o grupo de cristãos que arrogam para si o título de defensores da fé, ou apologetas, grupo este que também sou arrogante ao ponto de me incluir.

Percebo que muitos de nós nutrimos pensamentos demasiadamente libertinos em relação a assuntos que outrora eram consenso, como a bebida alcoólica, as vestimentas, o sexo no namoro, o uso de palavras torpes, entre outros temas considerados (agora) por demais ultrapassados.

No lugar de apologias à fé fazem apologia à bebida alcoólica, por exemplo, como se o primeiro gole para alguns não fosse mais capaz de causar a “falência múltipla de corações” como é facilmente observado em famílias onde ele penetrou e que hoje lutam contra uma doença incurável (porém controlável), como é a dependência.

Não bastasse isso, também costumamos ensinar um estilo de vida “cristão boêmio” e nessa onda freqüentamos barzinhos com os amigos da faculdade, da igreja, das “antigas” e de onde mais aparecerem, sempre com a desculpa de que isso não afeta nossa espiritualidade, pois se não amarmos nossos amigos, se não entrarmos em comunhão com eles, como poderão ver eles Cristo em nós? E, enquanto curtimos a vida adoidado, em nossa volta, nas esquinas dos mesmos bares estão pessoas sedentas, não por cerveja, mas por Cristo, morrendo, se perdendo, porque estamos ocupados demais tentando “influenciar” nossos amigos.

Eu pergunto: quem foi que disse que a vida cristã precisa ser divertida? Que ensinou que a liberdade cristã refere-se a práticas e não a escravidão pelo pecado? Quem precisa de álcool, falar “palavrões”, transar ou curtir um “biquininho” na praia para ser feliz, para se encontrar com Cristo?

Não era assim que agiam nossos pais na fé, não era em diversão que eles pensavam diariamente. O que percorriam seus pensamentos e suas práticas era o desejo de servir a Deus, negando-se a si mesmos se fosse preciso, sofrendo perseguição, açoites e escárnio por amor de Jesus, na esperança de conseguir anunciar tão grande salvação advinda do sacrifício do Cordeiro.

Nossa liberdade não pode, em nenhuma circunstância, dar ocasião ao pecado nem tampouco legitimar uma vida boêmia, que busca satisfação pessoal, antes ela nos obriga a viver em “novidade de vida” e imagino que não é preciso explicar o significado desta expressão.

Sobreveio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça; para que, assim como o pecado veio a reinar na morte, assim também viesse a reinar a graça pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor. Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que abunde a graça? De modo nenhum. Nós, que já morremos para o pecado, como viveremos ainda nele? Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida”. (Rm 5:20-21; 6:1-4)

Incomoda-me o fato de estarmos cada dia mais parecidos com o que éramos antes de conhecer Cristo. A matemática divina diz que a proporção deve ser inversa, e seguindo uma fórmula de progressão geométrica, pois como vimos nos versos acima “onde o pecado abundou, superabundou a graça” (ou deveria superabundar).

Sei que este texto parece arcaico, careta, exagerado e “down”. Sei ainda que não posso me colocar como exemplo de todos os meus textos, mas como alvo. Mas também sei, com toda a convicção que me é possível, que é vivendo um retorno ao antigo, ao velho, ao careta Evangelho de Jesus Cristo (e não só conjugando o verbo ‘retornar’ em todas as pessoas e tempos em nossos blogs) que as coisas podem melhorar e que a nossa geração não terá se levantado em vão.

E se der tempo, nos divertiremos. Mas se não der, ainda assim teremos uma eternidade linda para aproveitar abundantemente...

E que Deus nos abençoe com um bom juízo e vergonha na cara.



9 comentários:

  1. MUITO bom!
    Muito bom mesmo!

    Que Deus continue te usando assim, como vc é.

    O Relativismo diz que vários caminhos levam a Deus (Religião da nova era), mas eu digo que não, que somente Jesus Cristo leva a Deus e ponto final!

    Que voltemos ao puro, simples e "ultrapassado" Evangelho!

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  2. Gostei da sua coerência mano.

    Entendi(eu acho)a sua preocupação nesse texto. Muitos que não estão alicerçados em Jesus tem transformado sua liberdade em Cristo em pura libertinagem. Na verdade, usam a liberdade em Cristo para justificar seus desejos carnais. Transformam a Graça em Desgraça.

    Porém, tenho sido enfático em afirmar que o princípio de Maquiavel - os fins justificam os meios - não se aplica ao Reino de Deus.

    Uns, com medo e vendo do tropeço de alguns, tem cerceado a liberdade em Cristo contando mentiras para "proteger" outros.

    Nossa função é ensinar a Verdade, seguindo as instruções Paulinas, dando "leitinho" no início, mas depois de maduros, liberando a "feijoada" para fortalecimento da fé.

    Deus abençoe seu trabalho meu irmão.

    Quem compreendeu a Graça não se derrama em pecados se justificando em uma pseudo-liberdade.

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  3. Ana Cláudia,

    Quem disse que o velho é tem que ser ruim né? Claro que o novo as vezes é bom, desde que não seja um novo evangelho..

    paz

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  4. Irmão Marcello,

    Concordo com você 100%, porém eu quis enfatizar apenas o lado ruim desta liberdade, não desmerecendo que Jesus também nos livrou do negalismo...

    Dessa forma, e como exemplo, afirmo que Deus não nos proibiu a "música mundana", mas o mundanismo na música e na vida...

    Deus te abençoe.. paz

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  5. Pois é, o que tem de mal numa cervejinha? Num vinhoziho. Numa distanciadinha de Deus. Numa negadinha a Jesus. Que tem de mal que eu ao invés de trazer as pessoas a CRISTO, seja mal exemplo para elas?

    É isto que o "crente" tem feito.

    "tudo me é licito, mas nem tudo me convém"

    E não me convém para que não envergonhe o NOME que esta acima de todo nome: JESUS CRISTO.

    Parabéns irmão. Tamo junto!

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  6. Ruy Cavalcante27 maio, 2011 01:22

    Amém mano Alex, com certeza estamos juntos por Cristo.. Paz irmão.

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. Olá Ruy!
    Conhecí seu blog através do "Meninas do Reino".Gostei muito do seu post,aliás vai de encontro a alguns questionamentos meus atualmente:
    Como ser luz entre as trevas sem me deixar influenciar por tudo que aí está?
    Como viver intensamente o evangelho sem me transformar numa cristã legalista? São muitas questões que rondam minha mente ultimamente.
    Comecei a me preocupar desde quando percebí que não tenho mais amigos não-convertidos,estou por fora das músicas q fazem "sucesso" no meio secular e outras coisas mais...Aí me vem à mente:será que tenho que ser radical assim mesmo?
    Será que sendo assim não torna a evangelização mais difícil,já que não tenho um "papo" interessante?
    Se Jesus comia com pecadores porque eu não?
    Qual seria o meio termo ideal?será que ele existe?
    Não quero ser crente chata,mas também não quero fazer nada errado e persisto na procura de respostas dentro de mim mesma à luz da palavra.Pode parecer besteira,mas apesar disso nunca ter sido problema p/ mim lá no começo,agora me angustia,não quero ser como alguns crentes velhos e chatos,quero ser feliz e ver pessoas felizes por terem se convertido.Mas vezes me parece que tudo é opressão ,tudo se resume em:não pode! e isso tem me preocupado,tenho visto muitos jovens fugindo da igreja,até que ponto é culpa do pecado? Será que toda a organização também não tem uma parcela ?Ah sei lá...Acho que estou parecendo uma doida,não sei se está fazendo sentido,mas não consigo me expressar melhor,acho que é minha 1ª crise espiritual(rs).Depois de tanto tempo,acho que tenho esse direito! (que o meu pastor não leia !)kkkk
    Graça e Paz!

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  9. Ruy Cavalcante06 junho, 2011 17:16

    Olá querida Anália,

    Seus questionamentos são recorrentes no coração de muitos cristãos, o problema é que a igreja não parece estar mais disposta a dar respostas para a necessidade do povo e sim atraí-los com promessas vazias de unção e prosperidade.

    O povo precisa de Cristo não de prosperidade, pois esta é passageira assim como nós somos passageiros nesta terra...

    Espero que aos poucos possamos descobrir juntos as respostas corretas, conte comigo para esta caminhada.

    Deus te abençoe sempre, paz.

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