22 novembro, 2011

Globo e eu, nada a ver.



Durante todo o ano de 2011 fiquei observando a repercussão de notícias referentes à nova postura da rede Globo diante, não dos evangélicos, mas dos artistas gospels. 

Pessoalmente achei muito natural esta abertura, mesmo considerando a histórica antipatia da referida rede com os evangélicos, expressa em personagens caricatos em suas novelas, em notícias na grande rede (ou na falta delas) dentre outras, afinal de contas, ela é uma empresa, e como tal, se importa com lucros.

Bem sabemos do crescimento da população que se diz evangélica e de como o seu poder de consumo é grande, assim, nada mais natural que a Globo, através especialmente de sua gravadora, Som Livre, busque uma fatia deste bolo.

Mas o que me deixa realmente espantado e absolutamente frustrado é saber que os mesmos que durante décadas trataram a Globo como um antro de perdição, estatal de satanás, rede aberta de apologia a tudo o que é profano, agora, simplesmente por ela ter decidido investir no meio gospel, referem-se a ela como parceira.

Todos os dias leio nas mais diversas redes sociais que agora a Globo está “aos pés do Senhor Jesus”. Nada poderia ser mais ingênuo. Porém não se trata apenas de ingenuidade, pois muitos evangélicos estão ganhando muita grana com isso.

Agora fecham os olhos para as apologias que ela continua fazendo ao pecado, este ano inclusive com muito mais ousadia. Dizem que é uma oportunidade para Jesus, como se nosso Cristo dependesse de uma rede de televisão profana.

Ao bem da verdade é sim uma oportunidade. Uma nova oportunidade para nossos tão amados (idolatrados) artistas gospels enriquecerem ainda mais, as custas da adoração, que é uma obrigatoriedade de todo cristão.

Oh glória!

Agora deveria ser a hora de dizer: Não Globo, obrigado, o povo cristão não precisa de você nem do seu dinheiro.

Desculpa, mas outra vez perdemos a oportunidade de sermos cristãos...

Ruy Cavalcante

Fonte da imagem: http://tvfoco.pop.com.br



18 novembro, 2011

Reflexão sobre a Carta a Diogneto


O Cristianismo surgia como uma das maiores inovações criadas na Humanidade. Revolucionava os valores conhecidos, particularmente aquele da Fraternidade ou Solidariedade de relacionamento entre os seres humanos. Considerada a "jóia da literatura cristã primitiva", a Carta de Diogneto foi escrita cerca do ano 120 d.C. Trata-se do testemunho escrito por um cristão anônimo respondendo à indagação de Diogneto, pagão culto, desejoso de conhecer melhor a nova religião que se espalhava com tanta rapidez pelas províncias do Império Romano.
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Trecho da Carta a Diogneto (Escrita cerca do ano 120 d.C)
Exórdio
1. Excelentíssimo Diogneto, vejo que te interessas em aprender a religião dos cristãos e que, muito sábia e cuidadosamente, te informaste sobre eles:
[...]

Os cristãos não se distinguem dos demais homens, nem pela terra, nem pela língua, nem pelos costumes. Nem, em parte alguma, habitam cidades peculiares, nem usam alguma língua distinta, nem vivem uma vida de natureza singular. (...) Habitando cidades Gregas e Bárbaras, conforme coube em sorte a cada um, e seguindo os usos e costumes das regiões, no vestuário, no regime alimentar e no resto da vida, revelam unanimemente uma maravilhosa e paradoxal constituição no seu regime de vida político-social. Habitam pátrias próprias, mas como peregrinos: participam de tudo, como cidadãos, e tudo sofrem como estrangeiros. Toda a terra estrangeira é para eles uma pátria e toda a pátria uma terra estrangeira. (...) Moram na terra e são regidos pelo céu. Obedecem às leis estabelecidas e superam as leis com as próprias vidas. Amam todos e por todos são perseguidos. Não são reconhecidos, mas são condenados à morte; são condenados à morte e ganham a vida. São pobres, mas enriquecem muita gente; de tudo carecem, mas em tudo abundam. São desonrados, e nas desonras são glorificados; injuriados, são também justificados. Insultados, bendizem; ultrajados, prestam as devidas honras. Fazendo o bem, são punidos como maus; fustigados, alegram-se, como se recebessem a vida. São hostilizados pelos Judeus como estrangeiros; são perseguidos pelos Gregos, e os que os odeiam não sabem dizer a causa do ódio. (...) A alma invisível vela no corpo visível; Também os cristãos sabe-se que estão neste mundo, mas a sua religião permanece invisível. A carne odeia a alma, e, apesar de não a ter ofendido em nada, faz-lhe guerra, só porque se lhe opõe a que se entregue aos prazeres; da mesma forma, o mundo odeia os cristãos que não lhe fazem nenhum mal, porque se opõem aos seus prazeres. A alma ama a carne, que a odeia, e os seus membros; Também os cristãos amam os que os odeiam. A alma está encerrada no corpo, é todavia ela que sustém o corpo; Também os cristãos se encontram retidos no mundo como em cárcere, mas são eles que sustêm o mundo. A alma imortal habita numa tenda mortal; Também os cristãos habitam em tendas mortais, esperando a incorrupção nos céus. Provada pela fome e pela sede, a alma vai-se melhorando; também os cristãos, fustigados dia-a-dia, mais se vão multiplicando. Deus pô-los numa tal situação, que lhes não é permitido evadir-se.
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Essa carta retrata o verdadeiro espírito e caráter cristão. Um povo que ama, que causa espanto pela maneira como perdoa seus detratores e mantém-se fiel ao seu Senhor. Um povo que não busca riquezas, mas é infinitamente rico diante de Deus, rico em obras, rico em mansidão, rico em compaixão.
É de um cristianismo assim que o Brasil precisa. Uma religião desligada do que é material, sem preocupações com poder secular, mas que demonstra um imenso poder espiritual, capaz de fazer refletir sobre o amor até o mais violento perseguidor. Um cristianismo que entende que seu reino não é terrestre, que não busca ser honrado, mas que honra a todos os que estão próximos a ele.
Que alegria sinto ao ler uma descrição tão confrontadora quanto essa. Que tristeza em saber que vivemos um cristianismo tão diferente...
Ruy Cavalcante
(Clique aqui para ler a carta na integra)



16 novembro, 2011

Considerações sobre “cair no poder”

Por Ruy Cavalcante

Sem levar em conta a reportagem esdrúxula da Record, extremamente hipócrita se ponderarmos a quem a emissora pertence, gostaria de fazer algumas breves considerações a respeito desta manifestação conhecida como “cair no poder (ou no espírito)”.

Para iniciar gostaria de deixar claro algo que já tratei em outros artigos: Experiências pessoais são o que a própria expressão diz, pessoais. Elas não podem se tornar doutrinas tampouco padrão para a Igreja, mesmo porque, elas possuem diversas raízes. Podem ser fruto de uma manifestação do Espírito Santo, do espírito do engano, ou mesmo do coração humano, a mais enganosa de todas as coisas. (Hb 2.4; 2Ts 2:9; Ap 19:20; Jr 17.9)

Dessa forma, experiências não explicam a bíblia e sim o contrário.

Entretanto, se experiências pessoais fossem capazes de criar bases doutrinárias para a Igreja do Senhor, ainda assim o que vemos hoje em dia, a respeito desse tipo de manifestação (o de cair no poder), estaria absolutamente desvirtuado daquilo que encontramos na Palavra de Deus, em diversas oportunidades. Citarei algumas.

(...) e louvavam ao Senhor, dizendo: Porque ele é bom, porque a sua benignidade dura para sempre; então se encheu duma nuvem a casa, a saber, a casa do Senhor, de modo que os sacerdotes não podiam ter-se em pé, para ministrar, por causa da nuvem; porque a glória do Senhor encheu a casa de Deus”. (2Cr 5:13-14)

Como o aspecto do arco que aparece na nuvem no dia da chuva, assim era o aspecto do resplendor em redor. Este era o aspecto da semelhança da glória do Senhor; e, vendo isso, caí com o rosto em terra, e ouvi uma voz de quem falava”. (Ez 1:28. Ver também 3.23; 44:4)

Veio, pois, perto de onde eu estava; e vindo ele, fiquei amedrontado, e caí com o rosto em terra. Mas ele me disse: Entende, filho do homem, pois esta visão se refere ao tempo do fim”. (Dn 8:17)

Estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu; e dela saiu uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi. Os discípulos, ouvindo isso, caíram com o rosto em terra, e ficaram grandemente atemorizados”. (Mt 17:5-6)

Quando o vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo: Não temas; eu sou o primeiro e o último”. (Ap 1:17)

A partir destas passagens do AT e NT (existem ainda outras semelhantes a estas), é possível concluir que sim, este tipo de experiência e bíblica.

Mas após uma simples análise, é facilmente perceptível o abismo de diferença entre estas experiências genuínas e aquelas que vemos acontecer em nossos cultos hoje em dia.

A primeira grande diferença é que em nenhuma das experiências bíblicas existe a figura de um sacerdote, pastor, apóstolo, profeta ou quem quer que seja, ministrando esta “unção” sobre a vida das pessoas. Note que em todas elas o próprio Deus, ou Jesus glorificado, é o causador de tais fenômenos, simplesmente pela presença de sua glória.

Observe também que todos aqueles que presenciam a manifestação da glória de Deus caem, ninguém fica de pé, não existe um super crente ou um sacerdote especial que continua de pé enquanto os outros são “ministrados”, alias, não existe ministração alguma.

A única coisa possível de se afirmar sobre este assunto é que este fenômeno é causado quando a glória de Deus enche um lugar e que, acontecendo, absolutamente todos caem, fruto da fraqueza humana diante de Deus. Em geral, todos ficam atemorizados.

Enfim, não há ser humano que suporte ficar de pé quando a glória de Deus é manifesta, o próprio Deus alertou a Moises que ele poderia morrer se visse sua Glória (Êx 33:18).

Importante salientar que ao falar da “glória de Deus encher um lugar” não estou falando da presença de Deus, pois se assim fosse, ninguém ficaria jamais de pé a partir do momento da conversão, pois nesse momento o Espírito Santo de Deus faz morada em nossas vidas e estamos permanentemente em Sua presença.

E que consenso tem o santuário de Deus com ídolos? Pois nós somos santuário de Deus vivo, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo”. (2 Co 6:16)

Há ainda um forte argumento contrário à doutrina do “cair no poder”.

Quando Paulo ensina aos coríntios sobre os dons espirituais, ele afirma que:

Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito para o proveito comum”. (1 Co 12:4-7)

(Você pode ler considerações adicionais sobre este texto aqui)

Ora, apesar de ser uma pergunta repetitiva, ela ainda se encaixa neste assunto, então perguntarei: Que proveito para a Igreja (o corpo de Cristo) possui cair no poder, após ministrações diversas?

Proveito comum significa proveito de todos e não apenas de uma pessoa ou de uma parcela da congregação, logo, pessoalmente, não consigo visualizar a menor adição ao crescimento espiritual do corpo de Cristo após tais manifestações.

A verdade é que este tipo de manifestação é bastante recente, não se tendo notícias de que faziam parte, enquanto elemento, dos cultos da igreja primitiva, da igreja reformada, tampouco da doutrina dos apóstolos.

Muitos argumentos existem sobre este tema, porém acredito que para os sensatos, estes sejam suficientes para entenderem que, mesmo sendo possível existirem tais fenômenos vindos da parte de Deus, eles nunca fizeram parte do culto cristão, nunca foram ensinados por Cristo ou pelos apóstolos, logo são dispensáveis (para não dizer anátemas) ao cristianismo, salvo se surgirem apenas como experiências pessoais e não doutrinárias...

E lógico, se não surgirem após imposição de mãos humanas, pois isso sim é anátema.

Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema”. (Gl 1:8)



08 novembro, 2011

Eu vou arrebentar!

Ouça a canção abaixo:


Este tipo de canção mostra bem o "estilo" de evangelho que muitos de nós temos buscado. Um tipo de evangelho absolutamente focado em mim mesmo, em minhas conquistas e desejos pessoais, em minha busca por satisfação e poder.

Sinceramente eu não entendo como um servo em Cristo impetra cantar algo assim sem sentir-se mal consigo mesmo. Pode parecer que faço aqui um julgamento pessoal, mas não, faço sim um julgamento de valor, valor do Evangelho de Cristo, pois a vitória deste está inserida em outro contexto, assim como suas bases se solidificam em outros valores.

Eu não costumo usar a nomenclatura “hino” para canções cristãs, mas essa é com certeza um dos hinos da “gospelândia”. Neste mundo particular de boa parte dos crentes, Jesus subiu numa cruz para que eu fosse prospero, realizasse meus sonhos pessoais e tivesse experiências sobrenaturais.

No Evangelho genuíno de Cristo as coisas são bem diferentes. Jesus foi crucificado para que eu não recebesse a justa condenação por meus pecados, para que eu escapasse da condenação eterna e alcançasse a amizade de Deus. Nada pode ter mais valor para o ser humano do que isso.
Falar de carro importado, empresa abençoada e dizer que assim glorificamos a Jesus é uma verdadeira afronta contra nossos irmãos que escreveram com sangue a história do cristianismo, permitindo que hoje eu e você tivéssemos liberdade de culto a Deus. Eles sabem o que significa glorificar a Deus na prática!
A grande marca e sinal do Evangelho foi e sempre será o sangue, a morte e a cruz (Mt 16:4).
O sofrimento e o sangue derramado de Cristo nos trazem à paz com Deus, e o sangue dos mártires atestam e confirmam o caminho da cruz. Nossa vitória é Cristo e não um carro importando, mesmo que a morte e tortura seja o destino daqueles que professam seu nome. Mesmo morrendo, viveremos, lembram?
Declarou-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que morra, viverá”. (Jo 11:25)
E vi que a mulher estava embriagada com o sangue dos santos e com o sangue dos mártires de Jesus. Quando a vi, maravilhei-me com grande admiração”. (Ap 17:6)
O evangelho das vitórias temporais, do triunfalismo e da prosperidade é absurdamente raso, inútil, impuro e falso!
Ele não tem poder algum para transformar corações, restaurar famílias e nos aproximar de Deus, antes nos coloca num universo de falsa espiritualidade, com aparência de piedade e de unção divina, causando a morte daqueles que não conseguem se libertar dele.
Fujam dele irmãos. Servir a Jesus nunca foi tão glamoroso como tentam nos pintar hoje em dia, pois ele exige renúncia e isso gera conflitos e perseguições.
Em seguida dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e siga-me”. (Lc 9:23)
Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pai, a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra; e assim os inimigos do homem serão os da sua própria casa. Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim. E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim”. (Mt 10:34-38)
E na verdade todos os que querem viver piamente em Cristo Jesus padecerão perseguições”. (II Tm 3:12)
A benção de Deus existe sobre nossas vidas, mas a coisa não é por ai.
Paz.
Ruy Cavalcante