25 fevereiro, 2012

Enchente no Estado do Acre - Como ajudar


Saiba como ajudar as vitimas da enchente




Foto: Sérgio Vale/Secom

Por Edmilson Ferreira (Assessoria PMRB)

Ribeirinhos sofrem com a
enchente do Rio Acre (Marcos Vicentti)
Navegar pelo Rio Acre nos dias atuais é testemunhar tempos de sofrimento para as comunidades ribeirinhas desde a foz, nas pequenas vilas de Tahuamanu (departamento de Madre de Dios), no Peru, até a cidade amazonense de Boca do Acre. Da nascente até a desembocadura, são 1.119 quilômetros, e é nos maiores municípios, como Rio Branco, que os estragos provocados pelas enchentes mostram a real dimensão do flagelo vivido pelos milhares de pessoas que escolheram as margens do manancial para morar e trabalhar. Da cidade até a comunidade do Catuaba, grandemente afligida pela cheia, são cerca de vinte quilômetros pelo ramal Belo Jardim – transformado pela força da Natureza em braço do rio por onde ao invés de carro transitam canoas movidas a remo ou motor rabeta. Pelo rio, leva-se 45 minutos descendo e uma hora subindo para fazer esse trajeto.

Enquanto se percorre a zona urbana de Rio Branco, a visão é desoladora: reservatórios de água submersos, torres de energia elétrica ameaçadas, margens desbarrancando e muitas casas ameaçadas. Há regiões em que o rio avançou mais de um quilômetro além de seu leito. A situação parece piorar à medida em que se avança para a área rural: ramais estão debaixo da água, os roçados já apodreceram quase tudo e as perdas, já não há mais dúvida, se avolumam a cada centímetro que o rio sobe. As fruteiras e culturas permanentes vão se perdendo. “Estamos na safra do cajá, fruta que representa uma renda a mais para estes produtores. Eles podem faturar até um salário mínimo neste período mas, com a cheia, deixaram de ganhar esse dinheiro”, observou Jorge Rebolças, diretor da Secretaria de Floresta e Agricultura de Rio Branco (Safra).

No começo da semana a Secretaria divulgou um relatório mostrando que os produtores acumulam prejuízo de cerca de R$ 12,4 milhões com perdas totais nas lavouras de mandioca, banana, grãos e frutas. Das 16 comunidades hoje afetadas, todas estão recebendo ampla ajuda pública em cestas básicas, combustível, transporte, água potável e hipoclorito de sódio para tratamento de água.

No começo da semana a Secretaria de Floresta e Agricultura de Rio Branco divulgou um relatório mostrando que os produtores acumulam prejuízo de cerca de R$ 12,4 milhões (Marcos Vicentti)

No começo da semana a Secretaria
de Floresta e Agricultura de Rio Branco
divulgou um relatório mostrando que os
produtores acumulam prejuízo de cerca
de R$ 12,4 milhões (Marcos Vicentti)
Apesar de ser considerável, o valor será ainda mais elevado quando for levantado o prejuízo com ramal e infraestrutura e perdas mobiliárias. Para fazer o relatório, os técnicos da Safra percorreram as comunidades do Bagaço, Água Preta, Barro Alto, Belo Jardim I, 2 e 3, Benfica Ribeirinho, Catuaba, Extrema, Liberdade, Limoeiro, Moreno Maia, Moreno Maia, Barro Alto e Água Preta conversando com lideranças, moradores antigos e presidentes de associações.

Criação de peixe completamente perdida

Produtor que trabalhava com piscicultura perdeu tudo. É o caso de Raimundo Inácio da Silva, morador da comunidade Extrema, que além das estimadas 5 mil covas de macaxeiras perdidas, acumula sérios prejuízos com a piscicultura. “Cerquei os tanques com tela, mas não teve jeito: a água veio e levou tudo”, lamenta ele, que foi inscrito como beneficiário de cestas básicas para ajudar na sobrevivência da família enquanto dura o flagelo.

Produtores não desanimam

A família do Seu Oliveira, na comunidade Liberdade, trabalha na produção de goma de macaxeira mesmo com seus pertences alagados (Marcos Vicentti)

A família do Seu Oliveira, na comunidade
Liberdade, trabalha na produção de goma de
macaxeira mesmo com seus pertences
alagados (Marcos Vicentti)
Mas o ribeirinho é forte. A família do Seu Oliveira, na comunidade Liberdade trabalha na produção de goma de macaxeira mesmo com seus pertences alagados. A maioria dos 16 filhos do Seu Oliveira está mobilizada em aproveitar ao máximo o macaxeiral que é a base de sustentação econômica da família. Em tempos normais, a produção da Colônia Paraíso, de 107 hectares, chega a cinco toneladas de goma por semana. “Nossa terra é grande e a gente está correndo para não perder a produção”, disse Leonardo Souza Oliveira. Os moradores que permanecem em suas casas (muitas famílias estão abrigadas nas escolas da região) sofrem com o corte de energia elétrica, procedimento adotado pela Eletrobras por questões de segurança. Os moradores pedem que os cortes sejam seletivos, que atinjam casas que tiveram de ser abandonadas e colônias que não tenham agroindústria.

Lideranças locais coordenam distribuição de benefícios

Em Rio Branco, o esforço concentrado dos governos estadual e federal, e da Prefeitura, ao menos diminuem os problemas das famílias que perderam tudo com a cheia –e são os líderes que estão controlando a distribuição de cestas básicas. Cícero Medeiros Brandão, o Pita, fez questão de agradecer o empenho da Prefeitura e do Governo do Estado no trabalho de amenizar o drama dos ribeirinhos. “Todos precisam, mas há agricultores que precisam mais”, disse Pita.

Pita ajudou no atendimento à família de Raimundo Afonso, no Catuaba. Além de receber a cesta básica, Afonso pediu material para curativo. Ele mostrou o pé enfaixado após ferir-se com um pau enquanto operava a motosserra. Com isso, Jorge Rebolças, da Safra, irá pedir que outras secretarias, como a de Saúde, se integrem ao trabalho de atendimento aos ribeirinhos.


Saiba como ajudar as vítimas da enchente

Os dados para depósitos ou transferência são:
Banco do Brasil
Agência: 0071-X
Conta corrente: 100.000-4
CNPJ: 14.346.589/0001-99
Caixa
Agência: 3320 – Estação Experimental
Operação: 006
Conta: 71-7
CGC: 63.608.947/0002-80
Nome: Coordenação Estadual Defesa Civil




Fonte: Agencia Noticias do Acre

Via: Blog PCamaral



23 fevereiro, 2012

É hora de ação

O Estado do Acre passa por uma das maiores enchentes de sua história (possivelmente nos próximos dias se tornará a maior). Alguns municípios encontram-se quase que 100% alagados, como é o caso de Brasiléia e Assis Brasil. Só na capital são, até o momento, 5464 desabrigados nos alojamentos públicos, fora aqueles que estão em casa de parentes, amigos e algumas poucas igrejas e instituições.

Falta de tudo, desde alimentos, roupas, remédios, colchões, material de limpeza, tanto para os abrigos quanto para as diversas famílias que ainda se encontram ilhadas em suas residências, sejam nas cidades ou nas zonas rurais. Os índios passam por apuros ainda maiores, pois são mais suscetíveis a doenças causadas pela água contaminada com dejetos.

No meio disso tudo, o carnaval e, com ele, muita festa, tanto nas vias públicas, quanto nos bares e ainda nos retiros cristãos.

O carnaval contribuiu bastante para que os problemas aumentassem, especialmente para as famílias atingidas pela enchente. Além da ajuda ser menor, dada a preocupação geral em se divertir (tanto nas festas quanto nos retiros “espirituais”), há ainda o sentimento de revolta, pois enquanto uns estão sem luz, sem água, sem comida e sem casa, outros continuam pensando apenas em si mesmos.

Houve um princípio de protesto nas redes sociais pedindo o cancelamento do carnaval na capital, o que gerou revolta de muitos foliantes e no fim, deu em nada. Só para lembrar, o carnaval público (pago com dinheiro público e realizado em local público) aconteceu a 500 metros dos dois bairros mais atingidos pela enchente na capital.

Mas que importa? Não foi comigo então não tenho porque ficar triste e não pular o carnaval. Talvez o mesmo tenha pensado diversas igrejas que se “retiraram” do meio do problema, como quem diz: Não tenho nada com isso.

Sinceramente, eu acho os retiros cristãos ótimos, e uma ótima oportunidade de entrar em comunhão com os irmãos, evangelizar e orar. Mas ajudar os outros é melhor. Bem que poderíamos conciliar as duas coisas, ir aos retiros e organizar equipes diárias para voltar à cidade e ajudar a população nesse momento difícil.

Bom, graças a Deus nem tudo foi decepção. Era possível encontrar dezenas de voluntários anônimos, pessoas comuns, crentes e descrentes, dia e noite, nos abrigos, nos bairros alagados, carregando geladeira, resgatando pessoas, limpando banheiros, cozinhando, resolvendo conflitos, doando alimentos roupas e força de trabalho.

Foi possível observar que o Reino de Deus continua vivo e eficaz, através de irmãos corajosos que abriram mão de momentos de lazer para arriscar a vida e resgatar o sonho de famílias inteiras nas águas do Rio Acre, e isso me fez renovar as forças e aumentar as esperanças de que somos de fato o Reino de Deus em ação.

Que agora, após retiros e carnavais, possamos unir forças, esquecendo o que passou, deixando de lado divergências doutrinárias e placas de igrejas, apenas para ajudar o próximo, obrigação essa que nos assiste, a todos nós, servos de Deus.

E que Deus tenha misericórdia do Acre e abençoe estas famílias que por hora choram...