10 julho, 2012

Contribuições sob judice

Por Ruy Cavalcante

Por vezes não entendo a ansiedade que parte da igreja sente ao falar sobre dízimos e ofertas. Parece que, de uma hora para outra, esta prática se tornou pagã, imoral ou simplesmente descartável.

Porém, ao observar como o neopentecostalismo tem tratado e modificado a essência da contribuição cristã, acabo entendendo o sentimento de aversão que muitos nutriram contra ela.

A verdade é que parte da igreja cristã substituiu o cerne dos dízimos e das ofertas cristãs, ora rebaixando-os a pratica do toma lá da cá, ora promovendo-os ao cargo de co-redentores.

Há momentos em que tratam a contribuição como moeda de troca divina. Elas deixam de ser manifestações de adoração, reconhecimento das bênçãos divinas e socorro ao necessitado para se tornarem requisitos para que a benção de Deus nos alcance, e isso é um verdadeiro absurdo!

Ofertas e dízimos possuem outra função, não são condições para sermos abençoados.

Pensem bem irmãos, a maior de todas as bênçãos possíveis de recebermos foi-nos entregue quando ainda éramos pecadores, impuros, ignorantes, rebeldes e não dávamos a mínima para Deus, para sua justiça e santidade. Foi nesta situação deplorável em que nos encontrávamos (sem jamais dizimar!) que Deus nos abençoou com tão grande salvação, através do sacrifício de seu unigênito, nosso amado Jesus Cristo.

Como podemos agora colocar a graça de Deus, que se baseia unicamente no amor dEle, sob a tutela de uma oferta?

Não, mil vezes não! Deus nos ama independente de nossas atitudes, o que obviamente não significa que Ele nos salvará se não renunciarmos o pecado por amor a Ele. Porém, a sua Graça sempre foi, e continuará sendo, a única razão para que Ele nos abençoe. E isso não é um direito outorgado somente ao crente, mas a todos os seres humanos, justos e injustos, pois Ele ama a todos sem distinção.

O dízimo e a oferta são justamente o contrário disso. São uma forma de agradecer a Deus, suprindo as necessidades da Igreja, pelo fato de termos sidos abençoados de antemão, reconhecendo que tudo o que temos e somos só foi possível por meio dEle. Ou seja, o dízimo vem depois da benção, não antes! E não temos direito a exigir nada a Deus por causa disso.

Em contrapartida, há ocasiões em que colocamos o dízimo e a oferta num patamar tão alto, que os mesmos tornam-se participantes da salvação do homem. Outro absurdo!

Como podemos achar que a salvação do ser humana é comprada ou mesmo mantida através de dinheiro? Como podemos defender a tese de que “sem dízimos não há salvação”?

Não há nada no Evangelho de Jesus Cristo que de a mínima margem para se pensar isso. A salvação não vem de nós! É fruto da Graça de Deus, não são as nossas obras que nos garantirão a salvação e sim o amor de Deus!

Não destrua nem rebaixe a Graça de Deus! Cristo não subiu numa cruz pensando em dinheiro, Ele pensava em você, ele morreu por você, Ele quer você ao lado dEle eternamente, não seu bolso.

Não é Deus quem precisa de seu dizimo e de sua oferta, é a Igreja. E eles devem ser usados para o sustento dela, não simplesmente do templo, esse tem papel periférico (ou deveria ter), mas sim das pessoas, dos órfãos, das viúvas, dos irmãos necessitados. São estes os verdadeiros beneficiados pela sua oferta.

Portanto este artigo não é um chamado ao encerramento das contribuições, pelo contrário, é uma convocação à contribuição, livre da opressão e do jugo, por amor, para o socorro dos que sofrem, pois este é um bom costume a ser seguido pelos servos de Cristo.

Cuidado onde você os entrega, você é responsável por isso. Afaste de você o pensamento de que não importa o que fazem com este dinheiro, pois é justamente isso o que realmente importa. Dizime, oferte, mas faça isso onde você tenha a certeza de que serão usados para o que for justo.

É sua responsabilidade sustentar os irmãos em dificuldade, abençoe-os, deixa que de você Deus cuide.

“Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeastes; aos seus amados ele o dá enquanto dormem”. (Salmos 127:2)

(OBS. A falta de referências bíblicas é proposital, minha intenção é fazer você pensar e buscar soluções bíblicas para o que apresentei no texto, pois acredite, elas existem aos montes. Se preciso, indicarei algumas de acordo com os comentários e indagações que forem surgindo)