26 abril, 2013

Atos profeticamente patéticos

Por Ruy Cavalcante

Não é novidade para ninguém meu posicionamento firme em relação ao que é verdadeiro dentro do âmbito das práticas cristãs. Para mim, se for bíblico é verdadeiro, é de Deus, se não for bíblico, se não foi ensinado na palavra de Deus, não é dEle logo, é maldito (Gl 1:8).

Não há a mínima margem para eu relativizar esse meu posicionamento, embora eu reconheça ter isso um ar de radicalismo xiita.

Posto isso, gostaria de fazer alguns comentários sobre uma prática comum dentro de boa parte de nossas igrejas, especialmente entre as adeptas do movimento neopentecostal (apesar de a maioria delas negar fazer parte desse movimento). Em poucas linhas, falarei sobre os “Atos proféticos”.

Bem, por profecia entende-se uma mensagem enviada diretamente de Deus, por intermédio de seus servos, geralmente denominados profetas. Se o remetente for qualquer outra pessoa, a mensagem não pode ser considerada uma profecia (Ez 13:7-8; Jr 23:16-18).

Dessa forma, podemos considerar (se é que existem) “atos proféticos” como atitudes que anunciam uma mensagem de Deus, podendo ser um acontecimento, um alerta, etc.

Os que ensinam tais práticas têm, como principal fonte doutrinária, a passagem do vale de ossos secos, descrita em Ezequiel 37. Ora, posso perfeitamente, através desta passagem, considerar que atos proféticos existem, embora me pareça que tal conclusão, baseada apenas nesta passagem, pareça ser meio que forçada. Mas até mesmo numa leitura superficial, podemos perceber claras diferenças entre os “atos proféticos” ensinados e praticados hoje em dia, e este, levado a cabo pelo profeta Ezequiel.

Vou direto ao ponto, veja só o que diz os versos 3 e 4:
Ele me perguntou: Filho do homem, poderão viver estes ossos? Respondi: Senhor Deus, tu o sabes. Então me disse: Profetiza sobre estes ossos, e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do Senhor”.

Claro como a neve não? Ainda que alguém considere isso um verdadeiro ato profético, foi uma ação ordenada diretamente por Deus!

Ezequiel não planejou nada, não elaborou nenhum plano com a igreja, não fez jejum, não invocou anjos, ele simplesmente obedeceu ao que Deus o mandou fazer. Nada partiu da própria vontade de Ezequiel, nada.

Apesar da clareza desta passagem, hoje em dia as pessoas simplesmente não se importam com a verdade bíblica, com os alertas de Deus contra os que profetizam falsamente, elas realizam seus planos mesmo que isso contrarie os ensinamentos imutáveis de Deus.

Muitos de nós apenas nos importamos com uma coisa: Crescimento. Se nossas atitudes promoverem o crescimento da igreja, tocamos o barco em frente, pois crescimento numérico traz consigo muitas outras vantagens. Poder de barganha política, aumento da arrecadação, credibilidade ministerial, e por ai vai. Por isso agimos contra a palavra de Deus sem o menor pudor.

Não me estenderei nessa questão, mas afirmo com total convicção: Os atos proféticos promovidos por nossa geração são apenas mais um câncer que assola a igreja. Atos realizados sem a ordenança expressa de Deus, delírios absurdos que iludem o povo tão sedento de amor, paz e justiça, mas que muitas vezes só encontra lobos vorazes nas cadeiras eclesiásticas, prontos para depenarem o primeiro leigo que aparecer nas fileiras de sua “igreja”.

São na verdade atos patéticos, de uma turma que tenta de todas as formas tornar a igreja num grande circo, onde palhaços são a atração principal.


Fonte da imagem: www.mir12.com.br