01 dezembro, 2014

À esposa, submissão, mas e ao marido?


Por Ruy Cavalcante

Como cristão evangélico, estou familiarizado sobre o ensino a respeito da submissão que a esposa deve ao marido e, quando observado dentro dos parâmetros das Escrituras, entendo como uma atitude importante da esposa para com o mesmo (cf. Ef 5:22; Cl 3:18; Tt 2:5). Mas não é sobre o papel da esposa que gostaria de comentar, e sim sobre o outro lado da questão.

Isso porque vejo muitos irmãos ensinando sobre submissão, especialmente sobre a necessidade de a mulher se submeter ao marido, entretanto afirmo, sem medo de me equivocar, que a maioria dos que falam sobre o assunto (ou uma grande parcela deles) não entendem nada a respeito, e acreditam realmente que suas esposas precisam obedecê-los, ou algo parecido com isso, transformando seus ensinos em apenas uma reivindicação de seus "direitos de homem".


Entendo sim que o marido é “o cabeça” da família e o grande responsável, diante de Deus, por ela. Mas é justamente neste ponto que se encontra a confusão na mente da maioria dos "machos".

Ora, os mesmos textos que dizem para a esposa ser submissa ao marido, ordenam também que o marido ame sua esposa. Mas há um detalhe importantíssimo aqui: O marido deve amar a esposa, mas não amar de qualquer maneira e sim amar como Cristo amou (e ama) a Igreja!

Maridos, amem suas mulheres, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se a si mesmo por ela”. (Ef 5:25)

O amor de Cristo pela igreja fez, dentre outras coisas, que Ele tomasse forma de servo, e de fato serviu a Igreja. Mais do que isso, ele a serviu com sua própria vida, não a tendo por mais preciosa que a Igreja. Resumindo, Cristo deu mais importância à Igreja do que a si mesmo (falo do Cristo homem). Não há medidas para o amor de Cristo pela Igreja, nem medida nem requisitos. Ele não veio e ficou dando ordens a ela, Ele veio, a amou e, por seu amor e sacrifício, a salvou.

Vejamos também o que diz o apóstolo Pedro:

Do mesmo modo vocês, maridos, sejam sábios no convívio com suas mulheres e tratem-nas com honra, como parte mais frágil e co-herdeiras do dom da graça da vida, de forma que não sejam interrompidas as suas orações”. (1Pe 3:7)


Observe que, falando sobre o papel do marido, Pedro declara que o mesmo deve ser sábio no convívio, o que implica, dentre outras coisas, não usar de direitos que acredita ter para proveito próprio, prejudicando a harmonia do lar. Diz ainda que o marido tem a obrigação de considerar a esposa como parte mais frágil, ou seja, é o sentimento dela que deve ser levado em maior grau de importância. Assim ela me deve submissão, e eu devo considerar que são os desejos dela, e não os meus, que deven ser priorizados, obviamente quando não afrontam a vontade revelada de Deus.

Acredito que estes dois textos sejam suficientes para que se entenda o recado, mas se for o caso convido vocês a meditarem nos outros textos citados no início deste artigo.

Para resumir o que pretendo ensinar, afirmo que é fácil ser um marido que dá ordens à esposa, que exige dela submissão, mas não é disso que se trata o casamento.

Um marido que compreende o que Jesus e os apóstolos ensinam a respeito do tema, jamais agirá com sua esposa como um superior que "manda na família", pelo contrário, um marido que ama sua esposa como cristo amou a Igreja irá servi-la, priorizá-la em suas necessidades, será terno e carinhoso e caminhará sempre com sabedoria, em busca da felicidade no casamento que todos sonham.

Não sou mulher, mas imagino como deve ser infeliz a vida de uma esposa submissa (conforme o entendimento bíblico da expressão), mas que vive ao lado de um marido que não compreende o que Deus espera dele.

Enfim, o casamento jamais será sem desentendimentos, mas quando cada um assume e cumpre seu papel, as chances de que ele dure para sempre, mesmo neste mundo pós-moderno, aumenta exponencialmente (Lembro que para o cristão é mister que dure no mínimo, até a morte). Além do mais, é isso o que Deus quer de nós, homens, o que já é motivo suficiente para observarmos estas diretrizes.

No mais, no casamento não há lugar para que se deem ordens... Ali é o melhor lugar do mundo para amar, servir e perdoar.

Lembre-se disso.


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Postado originalmente no Blog Púlpito Cristão.



29 outubro, 2014

Mensagem aos reformados

Por Ruy Cavalcante

Quem me conhece pessoalmente sabe que sou de origem batista, arminiano, mas no decorrer dos anos mudei muito minha visão do Reino de Deus, influenciado que fui e sou por pensamentos, teólogos, livros e irmãos reformados. Não posso dizer que sou calvinista, mas com certeza sou monergista.

Creio sim que a salvação emana ela toda de Deus, sem qualquer participação humana. Creio na soberania absoluta de Deus, compreendendo que nada, absolutamente nada, está alheio ao seu controle e a sua vontade, ainda que permissiva. Creio e sou entusiasta das cinco solas, a ponto de ter desenvolvido o costume de afixar cartazes com um texto contendo elas, adicionadas de alguns comentários meus, na porta de muitas igrejas durante a madrugada do dia 31 de outubro, onde comemoramos o dia da Reforma Protestante. Também creio no amor de Deus, na graça comum, na Sua misericórdia e, em absoluto, na bíblia (o que torna as outras coisas uma consequência desta). Enfim, eu me considero um cristão reformado.


Posto isso, exponho agora minha decepção com muitos irmãos, alguns dos quais foram fonte de influencia para minha caminhada cristã.

Após as eleições, muitos destes irmãos reformados se mostraram absolutamente arminianos, talvez de uma forma tão esdrúxula que até Arminio se espantaria. Manifestações de revolta nas redes sociais, whatsapp e nas igrejas que extrapolam o bom senso e se constituem numa clara e manifesta negação do que até então defendiam com afinco, donde destaco a Soberania de Deus, mas não somente.

Ver irmãos condenando ao inferno outros irmãos, que até outrora eram considerados verdadeiros crentes em Cristo, simplesmente por estes haverem votado na Dilma é, para mim, um absurdo. Vejam bem, eu também acho que ela representa o que há de pior na política brasileira, que a ideologia de seu partido é de fato contrária ao cristianismo, e tudo o mais que vemos, ouvimos e sabemos. Além disso, também estou cheio de convicção de que foi uma péssima decisão votar nela, me pego inclusive pensando que foi um pecado essa atitude tomada por vários irmãos (a de votar no PT), por isso não votei. Mas em que momento a salvação passou a estar vinculada a este voto? Se a Dilma não representa a paz, justiça, amor e a santidade de Deus, por acaso Aécio representa? Se votar na Dilma é ir contra Deus, nessa mesma perspectiva votar no Aécio também não seria?

Penso que essa política partidária não é de Deus, nem do diabo, é nossa, e reflete bem quem somos: Seres caídos, carentes da Graça de Deus. Não é diferente com a Dilma, com o Aécio, comigo ou com vocês. Quem pode rogar para si a capacidade e as qualidades de representar bem a Deus diante dos homens?

Por outro lado, onde ficam afirmações de Jesus como a que diz a respeito das boas árvores? Pode uma árvore má dar bons frutos? Ora, se muitos irmãos vinham dando bons frutos, frutos que permanecem, durante toda sua jornada cristã, eles se tornaram árvores más agora simplesmente por terem votado na candidata do PT? Ora meus amados irmãos reformados, vocês esqueceram que somente a Graça de Deus pode nos fazer tomar direções que estão de acordo com a vontade de Deus?

Por acaso esqueceram que no final das contas, é a vontade de Deus que prevalece? Esqueceram que a razão pela qual a murmuração se constitui pecado, é justamente porque qualquer murmuração é contra Deus? Por que uma eleição humana fez com que vocês negassem essa Soberania divina e demonizassem quem divergiu com o pensamento de vocês? Por que razão bastou que as coisas saíssem de seus controles para vocês agirem como quem é descrente em tudo que a teologia reformada defende? Por acaso vocês acham que os planos de Deus foram frustrados?

Eu entendo a revolta, a frustração, o sentimento de perda, mas isso não justifica o que estão fazendo. Afirmar categoricamente que aqueles irmãos que votaram na Dilma não tem parte no Reino de Deus? Baseados em quê? Vi irmãos dizerem que jamais orariam pelo governo eleito e me pergunto: A vitória do PT justifica nossa desobediência a claros mandamentos bíblicos? A atitude de muitos de vocês é lamentável. Se o cristianismo que vocês vivem não é capaz se suportar algo mínimo, que dirá se um dia tudo que mais tememos de fato ocorrer. Deus nos livre disso.

De uma hora pra outra parece que não creem mais na doutrina da salvação reformada, deixaram de ser monergistas e nem à bíblia dão mais crédito. Tudo depende apenas de em quem nossos irmãos votaram nas eleições brasileiras. Aparentemente a confiança que vocês diziam ter em Deus, virou pavor, e não é mais Deus quem pode proteger a igreja, mas um político qualquer.

Repito, vocês não percebem que, por pior que seja (e eu acho realmente péssimo), votar na Dilma não torna alguém uma árvore má? Que essa atitude não invalida a eleição divina? Que não apaga os bons frutos de alguém? Vocês nãos percebem que pecado por pecado, maldade por maldade, erro por erro, todos nós somos culpados e carecidos somos da Glória de Deus? Não fosse a graça de Deus não somente quem votou na Dilma estaria condenado, mas você que mente, que fofoca, que age por impulso, que não nega a si mesmo, que não ama, que não tem misericórdia.

Ora, As coisas de Deus se firmam em fundamentos absolutamente superiores a nossa vã filosofia, e não é nestas coisas que a salvação está vinculada. Vocês sabem disso, mas por terem sidos contrariados parece que esqueceram. Que fracos vocês são!

Enfim, encerrada a eleição brasileira, oro para que tudo se tranquilize, e para que vocês voltem a ensinar e praticar as doutrinas reformadas, mas oro principalmente para que Deus os torne fortes, coerentes e mansos, pois mais eleições virão, e o povo de Deus, e nós, precisamos de vocês como suporte, não como cegos desesperados, sem saber para onde ir.

Deus abençoe a todos.


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Postado originalmente no Blog Púlpito Cristão, com o título "Mensagem a alguns irmãos reformados".



12 agosto, 2014

Eleições 2014 - Mensagem aos pastores



Por Ruy Cavalcante

Aproveitando o ano onde no Brasil ocorrerão eleições gerais, para mandatos estaduais e nacionais, gostaria de ajudar alguns pastores, com informações importantes.

Não sei se os amados pastores sabem, mas é crime ceder o púlpito para candidatos, bem como fazer propaganda política de quaisquer espécies em templos religiosos, conforme explicita a Lei das Eleições (Lei nº 9.504, de 30 de setembro de 1997), nos artigos que seguem:



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Art. 37. Nos bens cujo uso dependa de cessão ou permissão do Poder Público, ou que a ele pertençam, e nos DE USO COMUM, inclusive postes de iluminação pública e sinalização de tráfego, viadutos, passarelas,pontes, paradas de ônibus e outros equipamentos urbanos, é vedada a veiculação de propaganda de qualquer natureza, inclusive pichação, inscrição a tinta, fixação de placas, estandartes, faixas, cavaletes e assemelhados. (Grifo meu)



§ . BENS DE USO COMUM, para  fins eleitorais, são os assim definidos pela Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 - Código Civil e também aqueles a que a população em geral tem acesso, tais como cinemas, clubes, lojas, centros comerciais, TEMPLOS, ginásios, estádios, ainda que de propriedade privada. (Grifo meu)

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A propósito, eu quase ia esquecendo, há outra informação de extrema relevância que creio muitos dos amados pastores precisam saber, pois por algum motivo que desconheço, eles não vêm dando a devida importância. Pois bem, eu estou aqui para ajudá-los, portanto lhes informo que receber ou oferecer qualquer favor, benesse, benefício em troca de voto é crime. Tanto o candidato quanto o eleitor podem ser denunciados e condenados por essa prática, portanto queridos pastores, aquele forro da igreja, aquele terreno, a pintura nova, a promessa de empregos e apoio político para seus filhos e outros membros da congregação, até mesmo aquela chácara para fazer acampamento, se for oferecido em troca de voto ou apoio à candidatura (que dá no mesmo), é crime também! Observe o que diz, novamente, a Lei das Eleições:

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Art. 41. A da Lei eleitoral: Ressalvado o disposto no art. 26 e seus incisos, constitui captação de sufrágio, vedada por esta Lei, o candidato doar, oferecer, prometer, ou entregar, ao eleitor, com o fim de obter-lhe o voto, bem ou vantagem pessoal de qualquer natureza, inclusive emprego ou função pública, desde o registro da candidatura até o dia da eleição, inclusive, sob pena de multa de mil a cinqüenta mil Ufir, e cassação do registro ou do diploma.

§ 1º. Para a caracterização da conduta ilícita, é DESNECESSÁRIO O PEDIDO EXPLÍCITO DE VOTOS, bastando a evidência do dolo, consistente no especial fim de agir. (Grifo meu)

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Não precisam me agradecer pelo esclarecimento, caros e amados pastores, tenho certeza que vocês estão absolutamente comprometidos em serem líderes honestos, éticos, santos e obedientes às leis brasileiras, desde que obviamente não sejam contrárias à Palavra de Deus, como é o caso da lei eleitoral, por exemplo.


Deus abençoe a todos.



01 julho, 2014

O que tenho a falar sobre dízimos...


Por Ruy Cavalcante

Coincidentemente esta semana algumas pessoas me fizeram perguntas semelhantes, pessoas que não possuem ligações entre si, que conheço via redes sociais ou mesmo pessoalmente. As perguntas são referentes a dízimos e ofertas, especialmente dízimos.

A maioria delas queria saber a minha opinião a respeito, sincera, sem levar em conta preconceitos ou assertivas pré-estabelecidas.

Bom, dessa forma resolvi transportar ao Blog uma das respostas que enviei por e-mail, desta feita a um irmão que conheci via Facebook. Transcrevo na integra a resposta dada, com algumas edições pontuais para facilitar a leitura e entendimento.

Lembro aos amigos que o que segue trata-se tão somente de minha opinião pessoal, não necessariamente um esboço teológico nem tampouco uma reprodução doutrinária. Lembro ainda que estou ciente das controvérsias que envolvem o tema. Segue o texto:

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Olá meu irmão, a paz.

Após assistir ao vídeo (clique aqui para assistir), você me pediu algumas explicações via Facebook, relacionadas ao tema de dízimos e ofertas, de forma clara e simples, bíblica e santa, uma vez que afirma não ter “sentido paz” com o conteúdo ensinado no mesmo, então tentarei fazer isso no menor número de linhas possíveis.

Começo primeiro te orientando a conferir/confirmar tudo o que eu te disser com a bíblia, pois eu não sou detentor da verdade, mas ela sim. Tentemos ser o mais humilde possível para ensinar apenas o que ela ensina.

Não farei uma análise do vídeo, não me preocuparei em refutá-lo, mas citarei apenas dois pontos tratados nele antes de começarmos.

1º - O texto "áureo" de Malaquias, a respeito dos dízimos, usado pelo pastor no vídeo, e pela maioria dos pastores mundo a fora, não foi escrito para o povo diretamente, mas para os sacerdotes e isso é muito fácil observar se você não isolar esta passagem do restante do livro. Se você ler o livro de Malaquias por inteiro, atentamente, perceberá que ele direciona seus alertas e exortações aos sacerdotes. Vou resumir o contexto e depois você  mesmo poderá ler e observar isso: 

Malaquias acusa os sacerdotes de estarem roubando a Deus, e faz isso de forma literal e não alegórica como a maioria ensina. Como você bem sabe, os dízimos foram instituídos como ordenança na Lei mosaica (já existiam dízimos antes, mas não como mandamento, a exemplo de Abraão que deu dízimos a Melquisedeque apenas uma vez). 

Continuando, eles foram instituídos como ordenança por uma razão muito clara: Após a divisão das terras de Canaã, onze tribos receberam sua parte, porém a tribo de Levi não recebeu porção de terra, pois eles deveriam viver exclusivamente para serviço do tabernáculo/templo/rituais. Dessa forma, como não tinham terra nem podia plantar, colher, criar animais nem coisas semelhantes a estas, as outras onze tribos tinham a responsabilidade de suprir suas necessidades através dos dízimos de todos os seus produtos. Essa era a porção dos levitas, é a isso que Malaquias se refere quando diz "para que haja mantimentos na minha casa". Mantimentos pra quem? Para uma casa física? Para Deus? Não, para os levitas!

Dessa forma, enquanto o povo dizimava e ofertava, os sacerdotes, responsáveis por receber as contribuições e repassarem integralmente aos levitas, estavam retendo uma parte para eles, não estavam levando "todos os dízimos", ou seja, estavam roubando. O resto você já sabe.

2º - Por volta do minuto 8 do vídeo, o pastor começa a argumentar e fazer alegorias, tentando provar que o dízimo está relacionado a redenção. Isso é um absurdo! Nem vou perder tempo provando isso biblicamente, pois não há nenhuma, absolutamente nenhuma relação entre dízimos e salvação, mesmo porque, a grosso modo dízimos são obras, e salvação nunca foi nem jamais será por obras. Imagino que isso seja algo claro para você... :)

Continuando. Vamos à forma que eu entendo ser bíblica para os dízimos.

Eu citei que já havia dízimos antes da Lei, e é verdade, Abraão deu dízimos a Melquisedeque (Gn 14:18-20), e eu te pergunto: Por que razão Abraão deu seus dízimos? Observe bem o texto, vou perguntar e eu mesmo responderei, você apenas confirma no texto:

Por mandamento? Não. Não há qualquer ordem dada a ele nesse sentido.

Para ser abençoado? Não. Note que ele foi abençoado antes de dizimar (v 19), e mesmo antes disso ele já era abençoado pelo próprio Deus, tanto que tinha muito para dizimar.

Então qual foi a razão? Foi por reconhecer que ele era sacerdote do Deus altíssimo e quis adorar a Deus com essa atitude.

Dessa forma já temos claro o propósito inicial dos dízimos: Adorar a Deus, reconhecer que Ele é o Senhor e o supridor de nossas vidas, e isso é feito por livre e espontânea vontade, não por mandamento. Lembre que “o Senhor ama quem dá com alegria” (2 Co 9:7).

Vamos a um segundo propósito dos dízimos.

Lembrando novamente de Malaquias e da lei. Os dízimos e ofertas eram usados para que os levitas tivessem suas necessidades supridas, uma vez que não tinham terra para plantar, colher, criar animais ou executar outras tarefas que lhes rendessem lucros. E vou além, olha o que diz a Lei a respeito desse assunto:

Ao final de cada três anos, tragam todos os dízimos da colheita do terceiro ano e armazene-os em sua própria cidade, para que os levitas, que não possuem propriedade nem herança, e os estrangeiros, os órfãos e as viúvas que vivem na sua cidade venham comer e saciar-se, e para que o Senhor, o seu Deus, o abençoe em todo o trabalho das suas mãos. (Dt 14:28-29)

Fica claro um segundo propósito que a Lei dá aos dízimos: Suprir (ou socorrer) as necessidades dos levitas, dos estrangeiros, dos órfãos e das viúvas. Ora meu irmão, a expressão “estrangeiros, órfãos e viúvas” nada mais é do que uma referencia a todos aqueles que passam necessidades, estando sob nosso alcance socorrê-los. Naquela época, estrangeiros também não poderiam ter posses na terra de Israel, então eles eram um grupo absolutamente necessitado, bem como órfãos, por motivos óbvios, e viúvas, mas hoje são todos aqueles da nossa congregação (no mínimo) que passam necessidades. 

Isso é facilmente observável em toda a bíblia. No novo testamento, por exemplo, todas as vezes que Paulo trata do assunto 'contribuições', é sempre no sentido de socorrer irmãos em necessidades, suprir as necessidades de missionários e coisas semelhantes a estas.

"e para que o Senhor, o seu Deus, o abençoe em todo o trabalho das suas mãos”. Esta conclusão se refere a uma ação circular. Eles deram os dízimos dos frutos de seu trabalho (do trabalho de suas mãos), ao fazer isso, Deus continuará abençoando, e eles continuarão reconhecendo a mão do Senhor, e dizimando, mantendo o ciclo de obrigações, bênçãos e adoração. 

Concluo dizendo o seguinte: O termo dízimo, conforme usado no Antigo testamento, herança da lei, não há mais sentido na nova aliança, ou seja, não é mais mandamento.

Porém o dízimo continua existindo (pois já existia antes da Lei), e é natural que todo aquele que crê, confia e adora o Senhor, dê dízimos e dê ofertas. Como eu falei antes, dízimo é obra, e uma boa obra, pois tem um maravilhoso objetivo (adorar a Deus e socorrer irmãos em necessidade), e fomos criados para as boas obras (Ef 2:10).

Dízimos e ofertas em hipótese nenhuma são (muito menos devem ser) usados como uma forma de troca com Deus, onde eu dizimo para receber bênçãos. Não! Eu dízimo porque já fui abençoado, e através dele eu reconheço isso! É um princípio totalmente inverso do que muitos têm ensinado em nossos dias!

*(Além de uma forma de escambo espiritual, as contribuições dadas nas igrejas contemporâneas, em geral, são utilizadas para fins de manutenção e construção de templos, bem como para coisas que não possuem a menor relevância para o Reino de Deus. Não entrarei na questão se é correto ou não utilizar dízimos para construir templos, mas com certeza esse nunca foi um propósito majoritário do dízimo bíblico).

Em outras palavras, eu não preciso dizimar PARA SER abençoado, eu dizimo porque SOU abençoado!

Encerro apresentando outro problema: Quem usa os dízimos para os propósitos que a bíblia dá a eles? Que congregação usa este dinheiro para socorrer os irmãos em necessidade?

Felizmente há sim congregações que entendem e vivem isso, mas está longe de ser a maioria...

Então é isso, o texto ficou maior do que eu gostaria, mas o assunto é realmente muito amplo e há muito mais a ser dito e, principalmente, a ser vivido. Espero ter ajudado meu irmão.

Deus abençoe.

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*Este trecho não se encontra na resposta original.

Fonte da imagem: http://guiame.com.br/ 



10 junho, 2014

Nota de Esclarecimento atendendo a um pedido da Faculdade de Teologia Batista Betel - FTBB


A Faculdade de Teologia Batista Betel - FTBB foi recentemente alvo de graves denuncias, através de uma notícia publicada no site Contilnet (veja a matéria aqui). Fui procurado pelo diretor da Faculdade, o Pr. Albino de Souza, que me fez um pedido: Ele queria que eu publicasse uma nota de esclarecimento a respeito destas denúncias, uma vez que estava encontrando dificuldades para fazê-lo através de outros veículos de notícia.

Embora este Blog tenha outro objetivo, resolvi atender seu pedido pois achei justo que o mesmo pudesse se defender das acusações, e espero que o mesmo veículo que noticiou as denúncias possa também dar transparência e oportunidade para que a Faculdade se pronuncie de forma oficial.


Segue abaixo a nota na íntegra, fornecida a mim pela direção da FTBB.

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NOTA DE ESCLARECIMENTO

A FACULDADE DE TEOLOGIA BATISTA BETEL – FTBB, na pessoa do seu diretor executivo Francisco Albino de Souza, vem através deste meio de comunicação responder a noticia veiculada no site Contilnet, referente a denuncias contra a faculdade, afirmando que a mesma vem fornecendo diplomas falsos para seus alunos.

Dessa forma, a FTBB esclarece que:

1- São caluniosas as acusações de produção de diplomas falsos, uma vez que o registro dos mesmos é responsabilidade, sendo de fato executado, do Ministério da Educação – MEC que, conforme documentos anexos, informa não haver irregularidades.

2 – Dessa forma, em relação ao diploma da denunciante, o Ministério da Educação afirma que o diploma foi corretamente registrado e autenticado por aquela instituição, ou seja, é verdadeiro.


3 - A Faculdade de Teologia Batista Betel trabalha com parcerias, e está presente no Estado do Acre desde o ano 2005, já havendo formado diversas turmas dos cursos de Teologia, Pedagogia e Filosofia, bem como inúmeras turmas de pós-graduação, sem qualquer tipo de problemas. É o caso do diploma supracitado, fornecido pela Faculdade de Teologia de Boa Vista – Fatebov, uma vez que no período do curso em questão, a FTBB funcionava em caráter de extensão daquela instituição.

4 – Nestes quase nove anos de funcionamento, a FTBB tem contribuído grandemente com o desenvolvimento do nosso querido Estado, obtendo reconhecimento municipal e estadual, através da Lei de Utilidade Pública Municipal Nº 1.810 de 19 de Julho de 2010, e da Lei de Utilidade Pública Estadual Nº 2.582 DE 9 DE AGOSTO DE 2012.

5 – Por fim, a Faculdade de Teologia Batista Betel encontra-se atualmente em Processo de credenciamento de sua sede própria em Rio Branco - Acre, aguardando a visita da comissão do MEC, para vistorias e demais necessidades institucionais.


Arquivos anexos (Clique para abrir)




(Ver também RESOLUÇÃO Nº 2, DE 29 DE JANEIRO DE 2009, que estabelece normas para o apostilamento, no diploma do curso de Pedagogia, do direito ao exercício do magistério nos anos iniciais do Ensino Fundamental, modificada pela Resolução CNE/CES nº 8, de 29 de março de 2006.)


Sendo apenas isso para o momento, a Faculdade de Teologia Batista Betel informa que encontra-se totalmente a disposição das autoridades competentes e da população em geral, a fim de dirimir quaisquer questões adicionais, de forma que possam aferir sua idoneidade de forma absolutamente transparente.



Francisco Albino de Souza

Diretor Executivo/FTBB

(068)9984-2793



16 maio, 2014

Sudanesa é condenada a morte por não negar Cristo



A Justiça do Sudão condenou à morte por enforcamento uma mulher muçulmana acusada de apostasia - abandono da religião - depois que ela se afastou do Islã para se casar com um cristão.

"Demos a você três dias para se retratar mas você insiste em não voltar para o Islã. Sentencio você a ser enforcada até a morte", disse o juiz, segundo a agência de notícias AFP, se referindo ao prazo dado para que a mulher aceitasse o islamismo.
O grupo de defesa de direitos humanos Anistia Internacional condenou a decisão e afirmou que a sentença é "espantosa e repugnante".
A imprensa local informou que, como a mulher está grávida, a sentença só será executada dois anos depois do nascimento da criança.
A mulher foi identificada como Meriam Yehya Ibrahim Ishag e alega que é cristã.
A maioria da população sudanesa é muçulmana e o país segue as leis islâmicas. Segundo estas leis, a apostasia é um crime.

Chibatadas

Embaixadas de países ocidentais e grupos de defesa de direitos humanos pediram que o governo do Sudão respeite o direito da mulher de escolher a própria religião.
As embaixadas dos Estados Unidos, Canadá, Grã-Bretanha e Holanda divulgaram uma declaração conjunta na qual afirmaram que os países estavam muito preocupados com o caso e pediram que o governo do Sudão respeite a liberdade de religião.
Mas, além da pena de morte, o juiz do caso também sentenciou a mulher a receber 100 chibatada por adultério, já que o casamento com o homem cristão não é considerado válido segundo a lei islâmica.
A sentença das chibatadas será executada assim que a mulher se recuperar do parto.
A condenação por adultério se deve ao fato de, segundo a lei islâmica do Sudão, uma mulher muçulmana não pode se casar com homens de outra religião. Meriam se casou com um cristão do Sudão do Sul.
Durante a audiência, Meriam, cujo nome islâmico é Adraf Al-Hadi Mohammed Abdullah, foi interrogada por um clérigo islâmico e disse ao juiz que era uma "cristã e nunca cometi apostasia".
Segundo a Anistia Internacional, a mulher foi criada como cristã ortodoxa, a religião da mãe, pois ela teria tido um pai ausente durante a infância.
A Anistia informou que a mulher foi presa e acusada de adultério em agosto de 2013 e a Justiça sudanesa adicionou a acusação de apostasia em fevereiro de 2014, quando Meriam disse que era cristã.
O pesquisador da organização especializado em assuntos ligados ao Sudão, Manar Idriss, condenou a sentença e afirmou que apostasia e adultério nem deveriam ser considerados crimes.
"O fato de uma mulher ter sido sentenciada à morte por sua escolha religiosa e à chibatadas por adultério por ser casada com um homem que, supostamente, tem outra religião, é espantoso e repugnante", disse.
A condenação gerou polêmica no país de acordo com a AFP. Pequenos grupos de manifestantes, contra e a favor da sentença, se reuniram em frente à corte onde Meriam foi julgada.
O correspondente da BBC em Cartum Osman Mohamed, afirmou que sentenças de morte raramente são executadas no Sudão.
E um dos advogados de Meriam disse à AFP que vai entrar com um recurso em instâncias superiores.

Fonte: BBC Brasil (http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/05/140515_sudao_pena_morte_religiao_fn.shtml)
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Nota do Blog
Essa é mais uma de milhares de histórias mundo afora, de cristãos sendo cristãos, sofrendo como cristãos e se mantendo firmes como cristãos.
Enquanto isso ocorre no sudão e em outros países islâmicos (não são os únicos cuja perseguição cristã é de fato violenta), no Brasil um imenso grupo de hereges são tratados como profetas ungidos e honrados com pompas monárquicas, enquanto anunciam um evangelho totalmente falso, apegado a coisas terrenas, prometendo riquezas e segurança nesta terra. 
Deixo as palavras de Paulo, palavras estas ignoradas pela maioria dos crentes brasileiros:
"E na verdade todos os que querem viver piamente em Cristo Jesus padecerão perseguições". (2 Tm 3:12)



07 maio, 2014

Sem sinais eu não quero Jesus!


Por Ruy Cavalcante

Uma das consequências de todas as transformações que a igreja evangélica vem sofrendo nos últimos anos, especialmente com o surgimento do movimento neopentecostal, é a crescente ênfase nas experiências sobrenaturais (sensitivas) para fins de legitimar doutrinas, desenvolvendo assim o que alguns tem chamado de “Evangelho empirista”. Eu mesmo já tratei um pouco sobre este tema das experiências aqui mesmo no Intervalo Cristão (leia aqui).

O que eu ainda não falei foi que esta preocupação exacerbada com experiências sobrenaturais não é, necessariamente, uma novidade no meio cristão. Na verdade remonta aos tempos de Cristo.

Um texto muito utilizado por aqueles de defendem ser as experiências sobrenaturais de extrema importância não apenas para o fortalecimento da fé, como também para o crescimento da Igreja, é aquele presente no Evangelho de João, capítulo 6, verso 2, que diz:

"E seguia-o uma grande multidão, porque via os sinais que operava sobre os enfermos".

Engraçado como muitos evangélicos se apegam a esta passagem para fundamentar a suposta necessidade que temos de sinais, prodígios e maravilhas. Com essa justificativa correm desenfreadamente em busca de milagres e, ao menor sinal de eventos “inexplicáveis” (geralmente se explicam com uma simples observação do emocionalismo envolvido) se atiram cegamente em movimentos que a própria bíblia condena, e se submetem inadvertidamente aos “profetas” que proporcionam tais sinais.

Mas como negar o que João afirma no texto acima?

Não há como negar. De fato milhares de discípulos seguiam Jesus por causa dos milagres que Ele operava, mas a continuidade e a conclusão a que João chega não são nada agradáveis aos profetas do neopentecostalismo, por esta razão são sempre omitidas.

Pois bem, após essa afirmação, João continua seu relato. No mesmo capítulo fala a respeito de um dos milagres da multiplicação dos pães (v. 5-13), de como Jesus andou sobre as águas a caminho de Cafarnaum (v. 16-21), sendo logo seguido pela multidão (v. 22-24) dentre outras coisas, até que Jesus começa a anunciar-lhes a verdade, a dura verdade do Evangelho!

O resultado seria desastroso se Jesus fosse um líder neopentecostal, assim como é desastroso para as pretensões dos profetas do evangelho empirista. Vejamos o que João relata ao final do capítulo.

"Muitos, pois, dos seus discípulos, ouvindo isto, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir? (...) Por causa disso muitos dos seus discípulos voltaram para trás e não andaram mais com ele". (Jo 6:60, 66)

Perceberam o que aconteceu?

Os adeptos do evangelho empirista se revestem da primeira afirmação de João, mas esquecem de que, quando Jesus resolveu pregar, falar a verdade, expor o verdadeiro Evangelho, o resultado foi bem diferente! Bastou Jesus pregar o Evangelho para eles irem embora, para eles O abandonarem!

Sobrou até para os apóstolos. Jesus já sabedor da falsidade que impera sobre aqueles que buscam sinais, lhes diz: “Quereis vós também retirar-vos?" (Jo 6:67).

A resposta de Pedro não inclui qualquer ênfase nos milagres que poucas linhas atrás haviam sido narradas por João. Eles responde: “Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna” (Jo 6:68). Pedro entendia que o Evangelho sim era poderoso, que apenas ele teria poder para salvar. Todo o resto era desnecessário, o Evangelho de Cristo era-lhes suficiente!

Mas aqueles que o seguiam por causa dos sinais não eram verdadeiros discípulos, foram embora não querendo se submeter ao Evangelho. Ora, nada poderia ser mais falso do que essa fé baseada em experiências sobrenaturais. Lembram-se da primeira aparição de Jesus aos discípulos, após a ressurreição? Lembram-se de como Tomé duvidou que se tratasse realmente de Jesus? Jesus precisou mostrar-lhe suas feridas para que ele cresse, mas em seguida advertiu: “Bem aventurados aqueles que não viram e creram” (Jo 20:29). Feliz mesmo é aquele que não precisou de sinais para crer, este sim teve fé, a verdadeira fé naquilo que não se pode ver (Hb 11:1), mas que ainda assim lhe deposita grande esperança!

Não é a toa que Jesus diz: "Uma geração má e adúltera pede um sinal; e nenhum sinal se lhe dará, senão o do profeta Jonas" (Mt 12:39).

Finalizo dizendo que os sinais acompanharão aos que creem (Mc 16:17), ou seja, primeiro cremos, primeiro nos tornamos discípulos de Jesus, filhos de Deus, só depois é que os verdadeiros sinais nos acompanharão. Entendam, eles nos acompanham, jamais nós a eles, e eles não são motivadores da fé, mas consequências dela!

É... Engraçado como muitos de nós evangélicos lemos, mas não conseguimos enxergar uma vírgula além do que nos interessa... Que Deus tenha misericórdia e abra os olhos de seu povo.



25 abril, 2014

Sim, Jesus mostrou como se julga!



Por Ruy Cavalcante

Não é novidade alguma que a turma do “não julgueis” cresce cada dia mais dentro da comunidade evangélica, mesmo com toda a deturpação da essência do Evangelho que esta expressão acompanha. Como ela cresce, cresce também a necessidade de se continuar falando a respeito, a fim principalmente de acalmar aqueles irmãos que estão amedrontados com a possibilidade de serem amaldiçoados, caso repreendam os falsos profetas e erros doutrinários pelos quais são bombardeados todos os dias.

O interessante dessa turma é que condenam apenas aqueles que julgam os erros cometidos pela própria igreja, mas nada falam quando o julgamento é contra os de fora da igreja evangélica (como os políticos, por exemplo) ou contra os adeptos de outras religiões. Mais irônico ainda é que na medida em que condenam o julgamento contra os da Igreja, eles mesmos estão praticando um julgamento, e neste caso um julgamento absolutamente hipócrita, este sim condenado por Jesus (Mt 7:5).


Por certo, existem várias justificativas para este tipo de comportamento, donde uma das principais é se utilizar de algumas passagens referentes a Jesus, no que tange seu tratamento com pecadores com os quais Ele se relacionava.

Quanto a isto, gostaria de esclarecer algo. Notem que não se pode fundamentar, nas atitudes de compaixão e solidariedade de Jesus para com os pecadores do povo, a ideia de que não podemos agir de outra maneira diante daqueles que, dentro da igreja, deturpam o Evangelho.

Nos evangelhos há uma clara distinção entre o tratamento dispensado por Jesus aos pecadores comuns, e o tratamento que o mesmo Jesus dispensava aos falsos mestres, falsos profetas, fariseus, saduceus e aqueles que faziam comércio das (e nas) coisas de Deus.

Para os pecadores comuns Ele dizia coisas como: "Eu também não te condeno, vá e não peques mais" (Jo 8:11). Atitudes semelhantes encontramos aos montes, e Ele de fato tinha um tratamento bem especial diante de pecadores como a mulher adúltera, publicanos, dentre outros, atitudes das quais temos grande necessidade de imitar.

Porém para os pecados cometidos contra a verdade das sagradas Escrituras, Ele mudava totalmente o discurso, dizendo coisas como: “Hipócritas! Raça de víboras! Sepulcros caiados! Bandidos! Salteadores!” (Mt 21:12-13; Mt 23).

Notam a diferença?

Ele nunca tratou como "raça de víbora" um pecador do povo, uma pessoa comum que, pela sua natureza caída, pecou, mas tratou assim todos aqueles que, conhecendo a verdade, não se submetiam a ela, antes a deturpavam de todas as formas possíveis!

Ora, se é pra se fundamentar nas atitudes de Cristo, façamos então isso, e ensinemos isso, mas de forma completa, não apenas na parte que nos interessa de forma a justificar nossa omissão, nossa covardia e, por vezes, nossa aprovação aos falsos mestres que vomitam dia e noite na sã doutrina. Observe o que o Apóstolo João fala a respeito destas coisas:

Todo aquele que vai além do ensino de Cristo e não permanece nele, não tem a Deus; quem permanece neste ensino, esse tem tanto ao Pai como ao Filho. Se alguém vem ter convosco, e não traz este ensino, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis. Porque quem o saúda participa de suas más obras. (II Jo 1:9-11)

Esse texto é auto explicativo, portanto não há necessidade de comentar a respeito dele.

Em tempo, quando me refiro a “julgar”, falo sempre na perspectiva bíblica, que toma por fundamento e diretriz a inerrante Palavra de Deus, não nossos “achismos”, dogmas, tradições e preconceitos. Devemos julgar sim, mas com fundamento nas Escrituras, quer seja para aprovação, quer seja para a reprovação de ensinos e atitudes, tendo por motivação primária o amor pelo perdido, para que ele não se perca ainda mais, achando que se encontrou.

Vocês não sabem que haveremos de julgar os anjos? Quanto mais as coisas desta vida!” (Co 6:3)

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Publicado originalmente no Blog Púlpito Cristão.