14 novembro, 2015

Assista AO VIVO - 1º Café Teológico da Igreja Batista Restauração em Rio Branco Acre.

Participação:
Pr. Renato Vargens – RJ
Pr. Paulo Siqueira – SP
Pr. Marcos Lopes – AC

Apresentação:
Ruy Cavalcante


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02 outubro, 2015

A igreja e a "opressão" das contribuições



Por Ruy Cavalcante

Dízimos e ofertas são um assunto sempre recorrente e polêmico no meio das rodas cristãs. A maioria das pessoas sequer possui um posicionamento definitivo a respeito disso, hora defendendo um ponto, hora contradizendo o que há pouco tempo defendeu.

Mas não quero falar sobre fundamentos teológicos a respeito das contribuições financeiras, uma vez que já tratei deste assunto aqui mesmo no Intervalo Cristão, embora sem grandes aprofundamentos. Você pode encontrar o que já disse a respeito desse tema clicando aqui.

Posto isso, meu desejo é expressar algumas opiniões a respeito da grande ênfase que muitos cristãos têm dado ao assunto “dinheiro” na igreja.

Sinceramente, eu não consigo entender a razão de muitos dedicarem mais tempo a este assunto do que aos objetivos fins de um culto (cito o culto como exemplo), a saber a adoração e a pregação do Evangelho. Alguns chegam a destilar ódio, outros falam como se disso dependesse a salvação da humanidade.

Quando vejo isso acontecer só encontro duas possíveis explicações: Ou não confiamos em Deus para sustentar Sua Obra; ou no fundo sabemos que a obra que estamos executando não é dEle.

Digo isto por que estou certo de que Deus, de fato, sustenta Sua Obra, sempre (Sl 127:1-2).

Não lembram como Deus supriu as necessidades do povo no deserto (Sl 78:22-28), mesmo este sendo incrédulo e infiel? Ele fez isso porque era Obra Sua levar o povo do Egito à Canaã.

Não lembram também como Deus supriu as necessidades da viúva (I Rs 17:16) que ofereceu tudo o que tinha para Eliseu, e como não faltou azeite em sua botija? Ele fez isso porque era Obra Sua o ministério de Eliseu.

Estes são apenas dois exemplos de centenas que gritam: Deus sempre sustenta Sua Obra!

Mas, tudo bem, se querem continuar enfatizando o dinheiro, porque não usam da mesma intrepidez na hora de enfatizar as contribuições para sustentar missionários, ou para socorrer os irmãos em necessidade? Eu não percebo tanto destaque quando as contribuições se destinam a missões e ações sociais, mesmo quando estas ações são para membros da própria igreja.

Alguém pode me questionar dizendo: Mas você não acabou de falar que é Deus quem sustenta Sua Obra? Então Ele é quem sustentará as missões e seus filhos!

Sim, eu falei. Mas se olharmos com atenção, veremos claramente no Novo Testamento Deus fazendo estas duas coisas por intermédio da Igreja.

Não lembram para o que eram levantadas as contribuições, segundo as epístolas de Paulo? Eram para suprir as necessidades dos missionários enviados por todas aquelas cidades e vilas da época. Deus usou a Igreja para suprir os missionários e os necessitados (II Co 9).

Não lembram também como foram supridas as necessidades dos irmãos pobres, história essa contada por Lucas no livro de Atos? Deus supriu suas necessidades através da Igreja, quando os que tinham muito, repartiam com os que não tinham nada (At 2:45). 

Quem tinha dava, quem não tinha recebia e não eram amaldiçoados por não darem.

Tudo isso Deus fez e faz quando a Obra é Sua, não precisamos tornar o culto e a igreja num centro de arrecadações. Só o que precisamos é ensinar sobre amor e liberalidade, pois é Deus quem usará cada um para suprir as necessidades de Sua Obra, e se não houver ninguém para contribuir, Deus fará cair do céu, literalmente, como fez no deserto. 

Uma coisa é certa, os planos de Deus jamais serão frustrados (Jo 42:2), nem mesmo se todos os cristãos do mundo encerrarem suas contribuições. Você percebe que Deus é Soberano até mesmo quando o assunto é dinheiro? Isso parece bem óbvio, e é mesmo, mas às vezes parece que esquecemos, que fechamos os olhos, ou que apenas expressamos nosso desejo materialista, usando as contribuições como subterfúgio para isso.

Estes fatores explicam bastante o porquê de programas de rádio, televisão e também igrejas inteiras, dedicarem grande parte de seu tempo de programa/culto para pedir dinheiro. Quem lê entenda.

E você? Como pretende agir? Trabalhando em tempo e fora de tempo para que nossos irmãos conheçam as verdades do Evangelho, ensinando e corrigindo, edificando e encorajando, no amor e na verdade, para que todos compreendam as necessidades das contribuições sem a necessidade de ameaças e maldições, ou preferirá tratar a Obra de Deus apenas como um serviço comum, secular, que só se sustenta apenas se estiver financeiramente bem abastecida, sendo então necessárias horas de discursos tirânicos? Ensino ou opressão?

Pense nisso.



23 setembro, 2015

A morte do peregrino e o testemunho cristão



Por Ruy Cavalcante

Foi então que ele [Proteus] conheceu a maravilhosa doutrina dos cristãos, associando-se a seus sacerdotes e escribas na Palestina. (...) E o consideraram como protetor e o tiveram como legislador, logo abaixo do outro [legislador], aquele que eles ainda adoram, o homem que foi crucificado na Palestina por dar origem a este culto.(...) Os pobres infelizes estão totalmente convencidos, que eles serão imortais e terão a vida eterna, desta forma eles desprezam a morte e voluntariamente se dão ao aprisionamento; a maior parte deles. Além disso, seu primeiro legislador os convenceu de que eram todos irmãos, uma que vez que eles haviam transgredido, negando os deuses gregos, e adoram o sofista crucificado vivendo sob suas leis." (A morte do Peregrino, 11 e 13 - Luciano de Samosata, 125-180 DC)

Luciano de Samosata foi um satirista ateu do segundo século, ganhava a vida como sofista e orador errante, uma espécie de filósofo satírico.

Em sua obra intitulada "A morte do Peregrino" (outras traduções podem apresentar títulos como "A passagem do Peregrino" ou "O fim do Peregrino"), ele conta a biografia de Proteus, um personagem real, filósofo do início do segundo século, que em dado momento havia se convertido ao cristianismo, mas que na verdade, segundo Luciano, se aproveitava da boa vontade dos cristãos, tendo apostatado depois de algum tempo.

A história é interessante e possui muitas semelhanças com o que ocorre hoje em dia, vale a pena uma pesquisa para conhecê-la melhor, além de ser ela uma das provas importantes da existência do Jesus histórico. No trecho postado, Jesus é identificado como o "Outro Legislador" e o "Primeiro Legislador".

Mas eu gostaria de chamar a atenção para outro aspecto dessa biografia zombeteira. 

A obra é tanto uma biografia quanto uma crítica contra Proteus (o peregrino). Proteus era muito elogiado por outros filósofos de sua época, como Theagenes de Patras e Aulus Gellius (125-180 DC), e é a fim de refutar estes elogios que Luciano parece escrever esta obra (ambos são citados na mesma). Em vários momentos Luciano satiriza o comportamento dos cristãos, faz piada deles, mas suas zombarias são, na verdade, um atestado do verdadeiro cristianismo que eles viviam.

Ele afirma que eles criam numa vida eterna e por isso desprezavam a morte e a perseguição por conta de sua fé. Eles se reconheciam como irmãos e, por conta disso, serviam uns aos outros continuamente, se doando e servindo de suporte. Luciano caçoa destas atitudes.

No decorrer de sua obra ele ridiculariza a maneira como os cristãos tratavam Proteus durante toda sua vida cristã e especialmente durante sua prisão (ele fora preso durante perseguição religiosa, por sua fé ao cristianismo). Ele diz que:

"[Peregrino] recebia toda a forma de atenção, não esporádica mas assídua. Desde o amanhecer viúvas idosas e crianças órfãs podiam ser vistas esperando perto da prisão, enquanto seus oficiais dormiam junto a ele depois de subornar os guardas. Traziam-lhe refeições elaboradas e livros sagrados de onde liam passagens em voz alta. O notável Peregrino - pois ainda conservava esse nome - era chamado por ele de "o novo Sócrates". (A Morte do Peregrino, 12)".

Esta vida de entrega ao outro não era considerada valorosa pela sociedade greco-romana, e esse comportamento causava estranheza. 

Numa contextualização grosseira, Luciano era como alguns humoristas modernos que zombam da fé cristã, a exemplo do grupo "Porta dos fundos". Com duas semelhanças e duas diferenças abismais.

A semelhança é que ambos zombam daquilo que veem, ridicularizando o proceder dos cristãos. Os humoristas (ou filósofos) satíricos, ao observarem o costume de quem constituíram como alvo de seus escárnios, e perceberem a diferença entre seus comportamentos e o status quo da sua própria sociedade, buscam formas de parodia-los, numa espécie de crítica cômica (embora nos primeiros séculos isso tomasse um sentido não de comédia, mas filosófico).

Por outro lado, a diferença é que, enquanto Luciano via e zombava de coisas que, embora para ele fossem ridículas, eram para o cristianismo bíblico não apenas ordenanças de Jesus, mas características de uma verdadeira conversão, como o amor fraternal e o sentimento de serem peregrinos nesta vida. Já os atuais grupos humorísticos veem e zombam de procedimentos completamente alheios aos ensinos de Cristo. 

O pior dessa diferença é que a zombaria que fazem com a igreja hoje encontra sentido no nosso próprio comportamento, pois em boa parte das vezes, quando nos observam, não enxergam amor e sim delírios e comportamentos extravagantes.

Resumindo, os primeiros cristãos eram ridicularizados por amarem demais, e nós hoje somos ridicularizados por nos comportarmos como materialistas, egocêntricos e arrogantes.

Onde está o erro? Neles que, ao nos observarem, não conseguem enxergar quem de fato somos, ou em nós, que não mostramos quem de fato deveríamos ser?

Os humoristas de hoje nos satirizam por coisas que de fato praticamos, a exemplo de Luciano no segundo século, ou tudo não passam de invenções sem nenhum fundamento, apenas para fazer rir?

Permitir-me-ei encerrar este texto sem conclusão, pois gostaria que todos pensássemos a respeito de nosso comportamento, assim como eu já venho pensando há um bom tempo.

E que todos nós, cristãos, possamos ser perseguidos não por causa de nossos pecados, mas por causa de nossos acertos, por causa do nome de Jesus e por, apesar de vivermos em meio a lama, não sujarmos as nossas vestes.

Deus abençoe a todos.



26 agosto, 2015

A igreja é importante, a família é mais.


Por Ruy Cavalcante

Um problema que não é recente, mas que nos últimos anos, com o advento do neopentecostalismo, em especial a sua vertente Gdozista, tem se solidificado, é a confusão que fazem quanto as nossas prioridades enquanto cristãos, e infelizmente nessa questão a família está no centro da batalha, levando saraivadas por todos os lados. 

Apesar de o discurso ser sempre em favor da mesma, na prática esta quase sempre é renegada a um segundo plano. São casos e mais casos de famílias desestruturadas, divórcios e perturbações no lar, ocasionados por um descompasso entre o ensino bíblico e as regras eclesiásticas. 

Eu mesmo conheço de perto alguns casos alarmantes, como a de uma família inteira praticamente destruída após a conversão da esposa, e não foi em consequência do Evangelho não ter sido abraçado pelos outros integrantes, mas pela pressão que os então líderes exerceram sobra a mulher, fazendo-a dedicar todo seu tempo e esforço aos serviços eclesiásticos, ausentando-se completamente do lar. As consequências? Marido adulterando, filhos viciados, abandono escolar, dentre outros. Uma família que caminhava em relativa harmonia se desestruturando justamente quando, supostamente, Deus havia penetrado no lar. Isso é alarmante.

Outro grande amigo meu, durante uma viagem a trabalho, me relatou como seu casamento estava ruindo. Durante a conversa, ao aconselha-lo a que dedicasse mais tempo às necessidades de sua esposa, a ouvi-la, a dar-lhe carinho, ele me revelou que haviam se passado mais de 3 meses desde a ultima vez que saíram juntos, somente os dois. Na ocasião foram a uma lanchonete, comeram um sanduiche e meia hora depois retornaram, porque havia mais uma reunião para participarem na igreja. Ao questioná-lo quanto ao excesso de reuniões, ele afirmou que elas ocorriam todos os dias, por motivos diferentes, e que não poderia se ausentar, pois se não priorizasse Deus, como Ele lhe ajudaria?

Esse é um discurso comum em muitas igrejas, a de quê priorizando as atividades da congregação, você estaria priorizando Deus e, tendo Deus a primazia absoluta na vida do ser humano, a família poderia ficar para depois. Mas a congregação não é Deus!

Essa confusão precisa cessar, a igreja precisa ser agente de Deus para restaurar famílias, não para destruí-las! 

Mas, se alguém não cuida dos seus, e especialmente dos da sua família, tem negado a fé, e é pior que um incrédulo”. (I Tm 5-8)

Eu acredito piamente que esta deturpação não seja fruto de má fé destas igrejas, mas independentemente da intenção, atente-se a isso: se tua igreja o exige de forma tão intensa que você não possui mais tempo sequer para sua família, e ainda te recriminam quando você tenta dedicar tempo a ela, cuidado, ela já não está mais agindo como igreja e você não está agindo como cristão.

Cuide de sua família, dedique tempo e amor a ela, não seja pior do que os incrédulos. A igreja é importante, a família é mais.

Quando damos preferência a família estamos, sem dúvida nenhuma, dando preferência a Deus, priorizando sua vontade e sua herança deixada para nós. Se tivéssemos de grafar nossas prioridades, com certeza a família viria antes da congregação. Até mesmo o presbítero deve primeiro cuidar de sua própria casa, só então se dedicar aos cuidados da congregação (I Tm 3:4-5).

Por favor, não entenda que eu tento com estas palavras desprestigiar a igreja local, longe de mim. Quem acompanha o Blog Intervalo Cristão, meu Twitter ou facebook, sabe que sou defensor da congregação, do congregar e servir a Deus em comunhão com outros irmãos, mas esta deve ser uma pratica de santidade e amor, que fortaleça a família no lugar de prejudica-la. 

Não podemos usar a desculpa de servir a Deus para negligenciar a família, isso não é serviço cristão, pois Deus com certeza se alegra com um lar unido e odeia quem o prejudica.

Se existisse maldição para a vida de um verdadeiro cristão, ela com certeza não seria para aquele que ao se dedicar às necessidades de sua família, se ausentou de algumas reuniões na igreja, mas para o que fez o caminho inverso, deixando seu lar entregue a própria sorte enquanto cuidava se afazeres menos importantes, como uma reunião de líderes ou um “encontro com Deus”. 

Você encontrará com Deus mais vezes quando estiver ao lado de sua família, dedicando a ela todo o amor que você seja capaz de doar.

Não dê ouvidos a quem te cobra o contrário, pois tal pessoa não está a serviço de Deus quando age desta maneira. E que o amor seja o combustível de nosso relacionamento primeiramente com Deus e, logo em seguida, bem coladinho mesmo, com a família. 

Paz a todos.



14 julho, 2015

Por uma Igreja Institucional subversiva


Por Ruy Cavalcante

Instituições são mecanismos sociais que controlam e organizam as relações entre os mais diversos grupos sociais, ou seja, estruturam e controlam a sociedade. O estudo específico destes mecanismos é relativamente novo dentro da sociologia, porém as instituições existem desde quando seres humanos passaram a conviver em comunidade, embora não com estruturas formais como as encontradas na sociedade moderna, a exemplo de instituições políticas, educacionais, de saúde e etc.

Elas são estruturas sociais relativamente permanentes e marcadas por padrões de comportamentos delimitados por normas e valores específicos, sendo marcadas por finalidades próprias, e possuindo composição unificada. Resumidamente isso significa que as instituições refletem em suas estruturas os valores, princípios e padrões da sociedade onde estão inseridas, mesmo tendo sido dito que elas organizam a sociedade. Em outras palavras, as instituições refletem a sociedade.

A partir de agora refletirei este assunto sobre o ponto de vista pessoal de um cristão brasileiro.

Se as instituições refletem a sociedade, e se a sociedade é formada por pessoas pecadoras, decaídas da graça de Deus, nada mais natural que elas manifestem estes desvios. No Brasil isto é muito evidente. Corrupção, autoritarismo, impiedade, discriminação e todo tipo de maldade estão presentes em nossas instituições, simplesmente mantendo e organizando o padrão corrupto da sociedade. As instituições possuem, portanto, um papel fundamental dentro da sociedade, sendo uma das grandes responsáveis por manter a roda girando, a roda da corrupção e da maldade. 

Não estou com isso ignorando que existam coisas boas na sociedade brasileira, apenas quero, por hora, enfatizar as ruins.

E a instituição igreja, como fica nesta roda?

Bem, sabemos que Jesus não fundou nenhuma instituição, tampouco uma instituição religiosa. Entretanto, as instituições são frutos de necessidades humanas, portanto é praticamente impossível estar separado delas. Dessa forma, a igreja cristã também passou por um processo inevitável de institucionalização no decorrer da história.

O problema da igreja institucional cristã, e quero me referir especificamente às igrejas evangélicas, nicho institucional do qual eu faço parte, não está no fato de ela se organizar desta maneira, mas sim quando, ao se institucionalizar, ela também passa a refletir o que a sociedade é. Isso sim é uma desgraça!

Mesmo sendo uma instituição, a igreja possui valores próprios a serem manifestados e estes não são, nem de longe, os mesmos valores das sociedades humanas. A igreja precisa refletir Cristo, e viver sempre de acordo com uma cosmovisão cristã, mesmo que isso seja contrário a tudo que os outros esperam dela.

Mas não é isso que temos visto no Brasil. Pelo contrário, vemos denominações cristãs inteiras estruturadas para o favorecimento de ideologias políticas, incentivando a busca por coisas perecíveis, enfatizando em seus púlpitos não a cruz, mas o dinheiro, gerando multidões de crentes avarentos, impiedosos, com os mesmos valores e princípios que se mostram estampados em nosso cotidiano tupiniquim. John Stott disse algo interessante sobre este assunto:

Urge que não somente vejamos, mas também sintamos, a grandeza dessa tragédia, pois, na medida em que uma igreja se conforme com o mundo, e as duas comunidades pareçam ser meramente duas versões da mesma coisa, essa igreja está contra­dizendo a sua verdadeira identidade. Nenhum comentário po­deria ser mais prejudicial para o cristão do que as palavras: "Mas você não é diferente das outras pessoas!" (STOTT, 1981, p.7.).

Não! A igreja não pode se conformar com o mundo!

Embora eu não concorde com aqueles que demonizam a igreja institucional, eu compreendo as acusações contra ela e o desencantamento que ela tem gerado em muitos cristãos e na própria sociedade. 

Por mais institucionalizada que seja, a igreja evangélica precisa ser um ponto de conflito nesta roda que faz a sociedade funcionar, de forma que, ao passar por ela, a rotação não siga mais em seu eixo natural, antes seja sacudida de maneira a mudar sua direção ou, pelo menos, diminuir seu ritmo.

Ora, se a roda vem trazendo e refletindo corrupção, ao passar pela igreja deve haver uma quebra deste padrão, de maneira que esta corrupção seja bloqueada. A corrupção não pode continuar seu curso ao passar pela igreja, da mesma maneira a mentira, a prostituição, a impiedade e tantos outros padrões de uma sociedade caída, não podem continuar ditando as regras quando esse ciclo encontra uma instituição cristã.

Na instituição igreja a pessoas devem aprender a não mais se corromperem nem manifestarem os valores seculares. Mais do que isso, a igreja deve ser um marco bem fundamentado dessa quebra de cosmovisão, ela mesmo refletindo continuamente outros valores, os valores de Cristo. Mesmo sendo uma instituição humana, a igreja deve revelar um padrão diferente, de pessoas regidas por princípios regenerados, sob pena de não poder se declarar uma organização cristã genuína. 

Sim, no mundo moderno a igreja é uma instituição (falo da igreja visível), mas ela precisa ser uma instituição subversiva!

Se isso não está acontecendo, que comece por mim e por você. Lute comigo, sejamos indivíduos perturbadores do status quo, se esforce comigo para que nossas comunidades cristãs subvertam nossa sociedade. Chega de uma igreja brasileira moldada ao mundo, vamos colocar um defeito nessa roda!



Referências:

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Sociologia Geral. 7ª edição. São Paulo: Atlas, 2010.

STOTT, John. Contracultura Cristã, A Mensagem do Sermão do Monte. São Paulo: ABU, 1981.





22 junho, 2015

Por favor, não ignore. Ajuda missionária ao Projeto Piura, Peru.


O Projeto Piura é uma obra missionária brasileira no Peru, na cidade de Piura, na região do deserto de Sechura. 

O projeto engloba o PEPE (Projeto Educacional Pré Escolar "La Buena Tierra"), promovendo integração social, evangelização e educação infantil numa das regiões mais pobres e com a maior taxa de analfabetismo no Peru, nos assentamentos humanos de Piura, visando alcançar crianças em idade pré-escolar (entre 4 e 6 anos), do assentamento “La Península” (Assista o vídeo com um documentário sobre a dura vida das crianças nos assentamentos humanos de Piura).


Além do PEPE, o Projeto Piura trabalha com a Plantação de Igrejas numa região onde impera o misticismo, a pobreza e o analfabetismo, bem como com a formação de obreiros na mesma região. Há ainda outras frentes de trabalho tanto sociais quanto evangelísticos, além de treinamentos para formação de obreiros. Saiba mais através do site (http://www.projetopiura.org/).

Infelizmente os tempos são muito difíceis para a Igreja Cristã mundo afora, são inúmeros problemas assolando o povo cristão, tanto exteriores quanto internos, com a crescente secularização de igrejas e líderes e com isso, uma das áreas que mais sofrem as consequências negativas dessa realidade é a área missionária. 

Não é diferente com o Projeto Piura. 

Por esta razão publico este curto pedido de ajuda, orando constantemente a Deus que envie cada dia mais socorro e obreiros à sua ceara.

Em primeiro lugar, peço ajuda em oração de todos os irmãos e irmãs comprometidos com o Evangelho. Orem por esse projeto e por tantos outros, em todas as frentes, em todas as nações, incessantemente, pois apenas Deus é realmente capaz de suprir as necessidades de nossos irmãos e irmãs missionárias e do povo que tem sido assistido por eles.

Em segundo lugar, peço ajuda financeira, pois as necessidades são muitas, desde as necessidades dos missionários e suas famílias, à manutenção dos trabalhos sociais e evangelísticos. Qualquer valor será recebido com muita alegria e esperança.

Ajude!

Você pode fazer sua doação através da conta bancária do Leonardo Gonçalves, que é o missionário responsável pelo projeto, cujos dados seguem abaixo:

Banco do Brasil 
Agencia 0872-9 
Conta Corrente 21372-1 
Leonardo Gonçalves da Silva

Outra maneira para doar é através de links temporários, que de tempos em tempos são criados para doações. No momento está sendo mantido por mim um destes links, que estará ativo até o próximo dia 26/06/2015, sexta-feira, no seguinte endereço: 


Através dele você pode doar qualquer valor via boleto bancário ou cartão de crédito.

Caso tenha interesse em obter mais informações sobre o Projeto Piura, entre em contato comigo, através de meu Facebook ou Whatsapp, terei o maior prazer em manter esse contato e fazer os esclarecimentos necessários.


Whatsapp: +55 (68) 81112621

Deus abençoe a todos!


***


Ruy Cavalcante.



22 maio, 2015

Evangelho agradável... e falso!



Por Ruy Cavalcante

Poucas pessoas gostam de um bolo sem fermento, ele não é agradável aos olhos. Em minha região (sou acriano) esse tipo de bolo é chamado de "solado", e seu aspecto alerta nossos sentidos e faz a maioria das pessoas sequer desejar prová-lo.

Por outro lado, o bolo com fermento é diferente. Ele é bonito, visualmente agradável e é o tipo de bolo que a maioria das pessoas escolhe comer. Seu aspecto alerta nossos sentidos, fazendo-nos desejá-lo.

Bolo solado                              Bolo fermentado

Algo semelhante acontece com o Evangelho. Quando Ele nos é apresentado pura em simplesmente, sem adições, sem "fermento", poucas pessoas o recebem de bom grado. Ele não é uma mensagem atraente, pelo contrário, causa repulsa na maioria das pessoas, pois ele é loucura e escândalo.

Mas basta adicionar um pouco de "fermento" para que ele passe a ser agradável aos ouvidos. Um pouco de brilho e a maioria das pessoas passam a abraçá-lo. Entretanto, diferentemente do bolo, esse brilho e esse fermento o tornam outra coisa, ele já não é mais o Evangelho, e já não pode mais conduzir as pessoas pelo caminho que o Verdadeiro Evangelho conduz, mesmo que ele pareça maravilhoso.

No Evangelho, basta uma pequena adição de fermento para que toda a sua essência se perca, e com ela perde-se também o poder para salvação (Rm 1:16), uma vez que o mesmo deixa de ser, de fato, Evangelho.

Então entenderam que não dissera que se guardassem, do fermento dos pães, mas da doutrina dos fariseus e dos saduceus”. (Mt 16:12)
Vocês corriam bem. Quem os impediu de continuar obedecendo à verdade? Tal persuasão não provém daquele que os chama. "Um pouco de fermento leveda toda a massa”. (Gl 5:7-9)

É preciso sempre lembrar que a mensagem do Evangelho jamais será bem recebida pelo mundo, pelo contrário, ele sempre causará repulsa, tal qual um lunático com seus delírios absurdos.

Desconfie quando a mensagem de alguém que se denomina ministro do Evangelho, é recebida com alegria pelo mundo. Desconfie quando canções gospeis são compradas pela sociedade em geral, tocadas por cantores seculares não protestantes, contratadas pelas grandes empresas seculares. Você acha mesmo que grandes empresas midiáticas aceitariam que a mensagem de seus funcionários fosse repulsiva para o grande público?

Não, eles não aceitam, e por esta razão vemos tantas canções, cantores e grupos musicais evangélicos falando de um amor distorcido, anunciando coisas atrativas, mas que nem de longe sinalizam a verdadeira intenção do Evangelho de Jesus Cristo.

A mensagem do Evangelho não diz que você é uma raridade, que não importa o que você é ou que Deus vai resolver contigo essa parada.

A mensagem do Evangelho é: Arrependa-se! Negue-se! Siga-me!

Ninguém jamais pagará por esta mensagem, ela não gera lucros. Os grupos de louvores verdadeiramente cristocêntricos não vendem milhões de discos nem aparecem em grandes programas seculares, pois seus recados não são bem recebidos.

Cuidado com estas mensagens que parecem espirituais, que são agradáveis e cheias de brilho, pois o Evangelho não é tão glamoroso assim. O Evangelho é feito de Sangue!

E cuidado, muito cuidado irmão, com a mensagem que você está abraçando, ela pode ser uma linda e agradável mensagem de morte.



22 abril, 2015

Opressão cristã, o mais pesado dos fardos



Por Ruy Cavalcante

Nos últimos dias vários irmãos e irmãs, de congregações e cidades diferentes, têm conversado comigo a respeito de um mesmo problema. A maioria deles pede ajuda e conselhos porque não estão mais suportando o ambiente de tensão nas igrejas onde congregam.

Esse problema não é exatamente uma novidade, mas chama atenção como tantas pessoas estão enfraquecidas justamente por isso, e pedindo ajuda.

Elas fazem várias alegações. Que são constantemente cobradas para que alcancem as “metas” estipuladas pelas suas respectivas igrejas, o que torna suas vidas um redemoinho de reuniões, encontros, eventos, congressos, dentre outros que, por vezes, prejudicam até mesmo a relação familiar dos mesmos, dada a ausência constante no lar.

Também se sentem oprimidas pelo bombardeio de ensinos e pregações a respeito de finanças, entrando em várias encruzilhadas do tipo “suprir as necessidades da casa ou da igreja?”. 

Mas o que é pior e comum a todos são as constantes ameaças que sofrem, especialmente por parte das lideranças. São ameaçados de maldição se não contribuírem com as quantias absurdas que pedem em todo tipo de reunião. São ameaçados de maldição caso questionem qualquer tipo de ordem ou ensino da liderança, por mais absurdo que sejam. São ameaçados de maldição se frequentarem outras congregações. A lista de ameaças não para, são constantes, por tudo, e em todo tempo.

Além das ameaças, qualquer tipo de “desobediência” por vezes é exposta diante de todos, durante os cultos. Tudo isso causa um clima de opressão que retira a paz, causa medo e abre feridas que se mantém geralmente escondidas, mas que não saram.

Aliada a falta de ensino bíblico consistente, o que mantém estes irmãos na mais plena ignorância, típico de governos autoritários, essa realidade ocasiona uma verdadeira prisão, um fardo quase insuportável de se carregar.

Aqueles que têm zelo pelas Sagradas Escrituras já sabem onde quero chegar. Vou deixar então que esta Palavra fale por mim:

No amor não há medo antes o perfeito amor lança fora o medo; porque o medo envolve castigo; e quem tem medo não está aperfeiçoado no amor”. (1Jo 4:18)

Sabe quando você está numa igreja, e tudo que te ensinam te causa mais medo do que esperança? Sabe quando você está numa igreja, e se você questionar qualquer coisa, logo é advertido quanto ao risco que está correndo de ser amaldiçoado? Sabe quando você está numa igreja e no lugar de se sentir livre para viver e para pensar, você se sente oprimido por tantas cobranças e por um fardo quase impossível de suportar? 

Pois é, essa igreja não ama, e se não ama, não está a serviço de Deus.

Quem ama perdoa, quem ama acolhe, quem ama jamais ameaça, quem ama jamais amaldiçoa, quem ama não mete medo. Quem ama, simplesmente ama.

Lembro-me do vídeo de um dito apóstolo brasileiro, que rolou nas redes sociais nas últimas semanas, onde o mesmo esbraveja contra aqueles que o criticam declarando que “Deus o mate em três dias” caso ele não seja profeta, mas se não matar então que sejam todos os seus questionadores amaldiçoados. Tudo isso com uma expressão clara de ódio.

Cito este vídeo apenas para ilustrar algo. Vejamos novamente o que a bíblia diz a respeito destas coisas:

Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros; não sejais vagarosos no cuidado; sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor; alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração; acudi aos santos nas suas necessidades, exercei a hospitalidade; abençoai aos que vos perseguem; abençoai, e não amaldiçoeis”. (Rm 12:10-14)

Diferente do como o tal “apóstolo” se comportou, Deus nos ensina a não amaldiçoar, mas a abençoar aqueles que nos perseguem. Se lembrarmos que o contexto de perseguição relatado pelos apóstolos verdadeiros, bíblicos, é sempre de alguém que sofre perseguição por amor a Cristo e não por desvios doutrinários, a coisa fica ainda mais complicada.

Mas então, se até mesmo aqueles que me perseguem devem ser abençoados por mim, jamais amaldiçoados, se até mesmo meus inimigos devem receber minhas orações, meu bem, meu perdão (Lc 6:27-28), quanto mais os meus irmãos!

Percebem o absurdo que é uma congregação, uma liderança cristã, ou qualquer outro participante do corpo de Cristo manter o costume de ameaçar outros irmãos, seja qual for o motivo? Percebem que isso não é cristianismo? Percebem que isso não é o amor cristão?

Viver em uma comunidade cristã é estar entre pessoas que te amam, que te perdoam, que convivem com as tuas falhas sem te impor fardos pesados, mas que te ajudam a carregar os fardos da vida (Gl 6:2; Cl 3:13), sem acrescentar outros.

Que terrível é ser livre da escravidão do pecado para ser escravo numa congregação cristã! Que terrível é acreditar no fardo suave de Cristo sem jamais experimenta-lo! Que terrível é viver oprimido por aqueles que um dia te prometeram liberdade e paz!

Não é meu costume dizer isso, mas nesse caso não há outra solução: irmãos, fujam de igrejas onde no lugar de amor, há ameaça, no lugar de paz, há opressão, no lugar de serviço, há escravidão e no lugar de irmãos, há chefes. Fuja, saia de lá, antes que teu coração se endureça, antes que a desesperança se instale na tua alma. 

Tenha a certeza de que Deus quer te dar a verdadeira paz e o verdadeiro amor, e busque um lugar onde, apesar das inevitáveis imperfeições, os irmãos compreendam o verdadeiro sentido do Evangelho e da comunhão cristã. Saia, e viva, encontre a suavidade de Cristo e abrace-a para nunca mais largar.

Deus abençoe a todos.



15 abril, 2015

Série: Cristão radical – Maturidade



Por Ruy Cavalcante

Irmãos, não lhes pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a crianças em Cristo. Dei-lhes leite, e não alimento sólido, pois vocês não estavam em condições de recebê-lo. De fato, vocês ainda não estão em condições, porque ainda são carnais. Porque, visto que há inveja e divisão entre vocês, não estão sendo carnais e agindo como mundanos?” (1Co 3:1-3)

Infelizmente em nossos dias, os mesmos cristãos que se autodenominam radicais ou “loucos por Cristo” são também os mais imaturos. Poucas coisas deixam isso tão escancarado quanto canções e pregações proferidas por esta geração, que se desenvolvem a partir de afirmações como “Disseram que eu não era capaz” ou “Não reconheceram o meu valor”.

Percebem a bobagem contida em tais lamentações? Volto a elas ao final do artigo.

Umas das preocupações de Paulo com seus irmãos em Cristo é para que se tornassem cristãos maduros, fortes, preparados e capazes de suportar as adversidades que viriam. Aos coríntios ele realiza uma forte exortação, reclamando de não poder sequer falar-lhes coisas mais sérias e importantes, nem ser enfático como devem ser as palavras dirigidas a adultos maduros. Nesse texto ele cita uma das razões pela imaturidade deles: A carnalidade.

Por serem carnais eles ainda não estavam preparados para o alimento sólido. Talvez esse tipo de alimento causasse ainda mais divisão entre eles, possivelmente porque não compreenderiam a profundidade de suas palavras, seriam superficiais como crianças.

Aliás, superficialidade é um grande mal em nossos dias, mesmo entre os cristãos. Grande parte de nós possui um conhecimento superficial da palavra de Deus, tornando-nos incapazes de desenvolver firmeza e vigilância. A falta de preparo bíblico é crônica no meio evangélico. 

Mas vamos lá, é preciso responder uma pergunta inicial: O que é maturidade cristã?

Recorramos novamente às palavras de Paulo, desta vez aos Colossenses: 

Nós o proclamamos, advertindo e ensinando a cada um com toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo. Para isso eu me esforço, lutando conforme a sua força, que atua poderosamente em mim”. (Cl 1:28-29 – Grifo meu)

A palavra “perfeito” nesse texto é a tradução do adjetivo grego “teleios”. Literalmente significa “completo” ou “de desenvolvimento completo”. Em outras palavras, Paulo não fala de uma perfeição absoluta e literal, mas de um desenvolvimento completo, ou seja, de maturidade.

Ser um cristão maduro é ser alguém com um relacionamento maduro com Cristo, a ponto de podermos adorá-lo pelo que Ele de fato é, a ponto de confiarmos nEle, de o amar acima de todas as coisas e finalmente de lhe obedecer.

Esse tipo relacionamento só é possível quando O conhecemos, o que significa que sem o conhecimento da revelação a qual possuímos dEle mesmo, que é a Palavra, e sem oração, é impossível ser um cristão maduro. Faz-se necessário também um esforço pessoal (no estudo e oração) para que cheguemos a tal nível de maturidade, observe que Paulo enfatiza sua luta e esforço, no ensino e advertência, em favor desse desenvolvimento, sem esquecer que é a força e o poder de Deus que opera em nós para realizarmos tal luta.

Hoje em dia há muitos cristos sendo ensinados, mas somente o conhecimento do Cristo verdadeiro é capaz de nos capacitar à maturidade. Não existe o cristo da prosperidade, o cristo das portas abertas, o cristo dos sinais e maravilhas, o que existe é o Cristo Soberano, Filho de Deus, o qual lhe aprouve sofrer a morte e o sofrimento que era nosso, a fim de sermos libertos do pecado e justificados pelo seu sangue. Esse é o cristo que precisamos conhecer e a falta dele tem gerado milhões de cristãos “loucos por Cristo”, porém absolutamente imaturos!

Esse Cristo só pode ser encontrado nas Escrituras Sagradas. E essa maturidade conquistada num relacionamento profundo com ele nos torna a casa firmada na rocha (Mt 7:25).

Estar firmado na rocha significa muitas coisas. Significa, por exemplo, ser aquele homem ou aquela mulher mais que vencedora, que embora ciente de que possa passar por tribulações, perseguições, prisões, decepções, frustrações, traições e até mesmo pela morte, sabe que no fim será vencedor, pois Cristo é sua vitória, e assim persevera até em meio ao caos, mantendo-se em santidade.

Também significa ser aquele irmãos que perdoa a quem lhe ofende setenta vezes sete vezes, da forma como Cristo nos perdoou, ou seja, sem a necessidade de requisitos, pois ele perdoa porque Cristo também nos perdoou.

De fato, ser um cristão radical é ser um cristão maduro, maduro o suficiente para abandonar as velhas birras e perdoar, amar, servir. Um cristão radicalmente maduro jamais oraria pedindo que Deus exerça juízo contra um desafeto, pelo contrário, ele amará, perdoará, fará o bem e orará por ele (Lc 6:27-28).

E agora convenhamos, desfalecer porque, supostamente, alguém nos disse que “não vamos conseguir” ou que “não somos capazes”? Quanta imaturidade, quanta meninice! Só a preocupação com estas bobagens já denota o nosso irrisório desenvolvimento espiritual.

Muitos cristãos hoje têm absoluto pavor de simples críticas sobre suas condutas, se revoltam se forem interpelados e exortados, ou perdem a compostura com as menores ofensas. Sinceramente, estas pessoas são radicais sim, radicalmente imaturas e despreparadas para a obra de verdade, na vida real, fora dos portões da gospelândia. 

Fujam disso, busquem o Cristo bíblico, sejam cristãos prontos, desenvolvidos, firmados na rocha onde tempestade algum poderá nos abalar, para que o nome de Deus seja glorificado, mesmo através de nossas vidas imperfeitas.


Referência Bibliográfica

STOTT, John. O discípulo Radical. Viçosa, MG: Ultimato, 2011.



14 março, 2015

Série: Cristão radical – Semelhante a Cristo



Por Ruy Cavalcante

"Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos". (Rm 8:29) 

"E todos nós, que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, segundo a sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é o Espírito". (2Co 3:18) 

"Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser, mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, pois o veremos como ele é". (1Jo 3:2)

Ao criar o ser humano, é nos dito que fomos feitos à imagem e semelhança de Deus. Obviamente isso não significa uma semelhança física, como muitos já sugeriram na história, mas uma semelhança daquilo que compõe nosso caráter. Deus é todo santo, justo, puro e absolutamente correto em tudo o que faz. Nós não éramos iguais a Ele, mas tínhamos um caráter semelhante, não agíamos por maldade, por ganância, por egoísmo ou vaidade, mas isso durou apenas até a queda.

Após a queda tudo se perdeu, não éramos mais parecidos com Deus, já fomos capazes de mentir, de nos envergonhar de nossa nudez e até mesmo de matar, e não apenas matar, mas matar por um sentimento totalmente diferente do contido em Deus, a inveja.

Muito pouco restou no ser humano de semelhante a Deus, e mesmo esse pouco era imperfeito, passageiro. Essa ínfima semelhança é o que hoje costumamos chamar de Graça Comum, ou seja, um pouco da Graça de Deus presente em todo ser humano, o suficiente para que o mesmo, em alguns momentos, faça algo proveitoso, mesmo sendo um ser caído, totalmente depravado. Você não acha realmente que Deus se pareça com pessoas pecadoras como nós, acha?

No entanto, uma das virtudes da Obra realizada por Cristo na cruz é que, na mesma medida em que nos faz inconformados com o mundo, nos conforma à imagem de Si mesmo. Assim, uma vez alcançado e regenerado pela Graça de Deus, o próximo passo é a ação do Espírito Santo em nós, de forma a nos tornar, a cada dia, mais semelhantes a Cristo e é justamente isso que Paulo e João ensinam nos versículos acima.

Primeiro Paulo afirma aos Romanos que um dos propósitos eternos da salvação é o de, literalmente, nos conformar à imagem do Filho de Deus (Rm 8:29). Em seguida, aos de Corinto, não mais usando a perspectiva de propósito eterno (predestinação), mas de ação presente, ensina que o Espírito Santo nos transforma segundo a imagem do Senhor (2Co 3:18). Por fim, apontando para o futuro, para a conclusão da Obra de Cristo, João ensina que de fato seremos, como na criação, semelhantes a Ele (1Jo 3:2).

Todo cristão genuíno é um radical, e uma das características dessa realidade é que Ele encontra-se em constante trabalho para ter e viver nesta terra com um caráter semelhante ao de Jesus, seja por propósito eterno, por ação presente do Espírito, ou por atitude (Ef 5:1) motivada por uma esperança futura.

"Aquele que afirma que permanece nele, deve andar como ele andou". (1Jo 2:6)

Não importa qual das perspectivas abraçamos (propósito divino, ação presente divina, ou promessa escatológica), a verdade é que para sermos cristãos radicais, precisamos andar como Cristo andou. Não basta falar de amor, temos de amar, não basta ensinarmos sobre perdão, precisamos perdoar, não é satisfatório fazer exposições inspirativas sobre servir, precisamos servir, não é suficiente ensinarmos e combatermos por uma pureza doutrinária, temos de ser, assim como Cristo foi, exemplos práticos dessa doutrina, precisamos ser a própria palavra em ação.

Percebem como não se tratam de simples ações transloucadas? Percebem como tudo está conectado a coisas comuns, normais, porém espirituais e eternas? Ser cristão radical não é agir loucamente por Cristo, é ser semelhante a Cristo!

E por fim, é preciso falar ainda que rapidamente, sobre outra questão, outra semelhança com Cristo que devemos possuir: Precisamos ser semelhantes a Cristo em seu sofrimento!

Jesus nos dá muitas dicas a respeito disso. Ele fala, por exemplo, para tomarmos nossa cruz (Mt 16:24), ou sobre as aflições que teremos no mundo, o mesmo mundo que Ele venceu (Jo 16:33), e que venceremos se formos semelhantes a Ele.

Vou resumir: O verdadeiro cristão, o cristão radical, não desistirá quando as coisas ficarem difíceis, ele não esmorecerá quando todos estiverem contra ele, ainda que os da sua própria casa (Mt 10:34-36), pois todas estas aflições são inevitáveis para os que vivem piedosamente, radicalmente, em Cristo (2Tm 3:12).

O cristão radical persevera mesmo em meio a mais horrível perseguição, pois sua força e consolo estão em Cristo!

"Pois assim como os sofrimentos de Cristo transbordam sobre nós, também por meio de Cristo transborda a nossa consolação". (2Co 1:5)

E então, você se identifica com um genuíno cristão radical? Você é semelhante a Cristo? Ou apenas se mascara de crente extravagante, ignorando ou negando a existência das aflições da cruz?


Referência Bibliográfica

STOTT, John. O discípulo Radical. Viçosa, MG: Ultimato, 2011.



05 março, 2015

No Acre, mais atos patéticos, mais promoção barata


Por Ruy Cavalcante

Ontem, dia 04 de março de 2015, após dias em que o Rio Acre não parava de subir, fato esse que ocasionou a pior enchente da história dos municípios acrianos de Brasiléia, Xapuri e, por último, Rio Branco, o mesmo começou a dar sinais de vazante. Primeiramente estabilizou por volta das 17 horas nos 18.40 mt (O recorde histórico havia sido de 17.66 mt). 


A partir das 23 horas iniciou-se uma vazante, ainda tímida, mas que no exato momento em que escrevo estas linhas, somam-se 7 centímetros, marcando assim 18.33 mt. A situação ainda é de absoluta calamidade, mas esta pequena vazante já nos trás esperanças de que em pouco tempo o rio chegará a sua profundidade normal.


Pois bem, acontece que hoje pela manhã, em Rio branco, um grupo de mais de 60 pastores, “apóstolos”, e demais membros de igrejas evangélicas desta capital, encabeçados pelos líderes das maiores igrejas do estado, como a “apóstola” Deise, da Igreja Renovada, o Pr. Agostinho, da Igreja Batista do Bosque, Daniel Batistela (Jocum) dentre outros, com a presença da Primeira Dama do município e também da vice Governadora, se dirigiram até uma das pontes centrais para realizar orações e atos proféticos, declarando que o rio diminuiria suas águas, acabando com o sofrimento do povo, lançando a bandeira do estado, ungida com óleo, nas águas barrentas do Rio Acre.


Aproveitaram para culpar a população pela cheia do rio, pedindo perdão pelas “orgias” comparadas a Sodoma e Gomorra, ocorridas especialmente no município de Brasiléia, que culminaram com esse “castigo”.


Obviamente que, com a atual conjuntura, o rio irá baixar, nem precisaria de metereologistas, tampouco de revelações sobrenaturais para saber. Este é, portanto, o momento ideal para que os aproveitadores se passem por profetas, demonstrem seus “poderes” e decretem seus milagres.

Foi isso o que aconteceu hoje. 

O pior de tudo é que legiões de evangélicos, ignorantes biblicamente, exaltarão os feitos dessa gente, como já está acontecendo pelas redes sociais. Estou recebendo relatos e mais relatos dessa natureza. Pessoas até sinceras, mas completamente enganadas, crendo que tais atos podem reverter a ação da natureza por si só, creditando na conta de falsos profetas um milagre inexistente.


Eu pergunto a estes irmãos: Vocês não se questionam o por quê de essa gente, que afirma possuir tanta unção, tanta fé, tanto poder, não realizaram tais atos quando a notícia de que o rio subiria foi dada pela defesa civil, impedindo assim toda essa tragédia? Vocês não se perguntam por quê só agora, depois que a mesma defesa civil anuncia que o rio iniciou o processo de vazamento, é que tais profetas realizam seus atos patéticos?


Hoje será mais um dia em que no meu querido estado do Acre, os falsos profetas serão exaltados, mais um dia de tristeza para os que amam e zelam pelo verdadeiro Evangelho, mais um dia em que esse mesmo Evangelho será achincalhado por aqueles que deveriam amá-lo.


Deus tenha misericórdia de todos nós, acrianos. Deus tenha misericórdia de seu povo e de seus líderes, abrindo seus olhos e dando-lhes verdadeiro arrependimento por todo esse delírio apostólico.



04 março, 2015

Campanha Acre Solidário - #Ajude #OrePeloAcre



O governo do Acre iniciou no dia 23 de fevereiro a campanha para arrecadar doações para a população dos municípios atingidos pelas recentes enchentes dos rios acreanos. A ação faz parte do movimento "Acre Solidário", encabeçado pela primeira dama do estado, Marlúcia Cândida. O foco da campanha é arrecadar alimentos não perecíveis, com destaque para o leite em pó e massa para mingau, além de outros itens, como fraldas descartáveis, roupas e calçados.

Na capital, os donativos podem ser entregues na Central de Serviço Público (OCA), na Avenida Brasil; Palácio das Secretarias; Quartel da Polícia Militar; Casa Civil; Igreja Batista do Bosque; Supermercados Araújo do Tangará, Aviário, Izaura Parente e Via Chico Mendes; Secretarias e autarquias estaduais.

Existe ainda uma conta oficial para o recebimento de doações, seguem os dados:

Nome: SOS ENCHENTE RIO ACRE
Agência: 0071-X
Conta Corrente: 500-2
Banco do Brasil







28 fevereiro, 2015

Série: Cristão radical – Inconformado


Por Ruy Cavalcante

E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. (Rm 12:2)

Através de sua Palavra, Deus nos ensina a ter um novo e diferente relacionamento com o mundo. Porém este novo relacionamento vem sendo pouco compreendido por muitos no decorrer dos anos. Alguns ensinam que “não ser amigo do mundo” (Tg 4:4) significa que não devemos nos relacionar com as pessoas não cristãs deste mundo, não devemos ter amizade nem qualquer tipo de relacionamento com os pecadores sem Cristo. Pura ignorância. Jesus andou e se relacionou com pecadores e Paulo, por sua vez, enterra totalmente esse argumento quando diz:

Já lhes disse por carta que vocês não devem associar-se com pessoas imorais. Com isso não me refiro aos imorais deste mundo, nem aos avarentos, aos ladrões ou aos idólatras. Se assim fosse, vocês precisariam sair deste mundo. Mas agora estou lhes escrevendo que não devem associar-se com qualquer que, dizendo-se irmão, seja imoral, avarento, idólatra, caluniador, alcoólatra ou ladrão. Com tais pessoas vocês nem devem comer. (1Co 5:9-11)

Não me aprofundarei neste texto, ele é absolutamente claro para a ideia apresentada.

Há ainda quem faça uso das palavras de Paulo a Tito (Tt 1:15), e de textos paralelos, para ensinar que tudo bem, desde que adaptemos as coisas do mundo, tornando-os aceitáveis (leia-se ‘tornando-os gospeis’) podemos sim experimentar os benefícios que o mundo oferece, típico ideal hedonista que enchem o corações dos crentes atuais. O lema não é mais “abster-se” dos prazeres mundanos e sim “adapta-los” para que possamos usufruí-los. Mas a palavra correta a nós continua sendo abstenham-se!

Amados, insisto em que, como estrangeiros e peregrinos no mundo, vocês se abstenham dos desejos carnais que guerreiam contra a alma. Vivam entre os pagãos de maneira exemplar para que, naquilo em que eles os acusam de praticarem o mal, observem as boas obras que vocês praticam e glorifiquem a Deus no dia da sua intervenção. (1Pe 2:11-12)

Lembro-me do refrão de uma canção que diz:

A graça da garça
A graça da garça
A arte de viver em meio a lama sem sujar as vestes
(Música: A graça da garça – Grupo Estratagema de Deus)

Eis o verdadeiro sentido de nossa relação com o mundo, vivemos no mundo, nos relacionamos no mundo, porém não praticamos as mesmas coisas que o mundo pratica, assim como uma graciosa garça, que mesmo vivendo em lugares alagadiços, cheios de lama, mantém sua plumagem perfeitamente limpa, lindamente branca.

Voltando ao texto de Romanos 12, ficou mais fácil compreendê-lo, não é mesmo? A ideia é e sempre foi que sejamos santos! Tal “proposta” foi dita na lei (Lv 18:3-4), ensinada pelos profetas (Is 1:16), pelos salmistas (Sl 15), por Cristo (Mt 5:48) e finalmente pelos apóstolos (Rm 12:2). Como diz John Stott, temos um “convite para desenvolver uma contracultura cristã, para engajar-se sem comprometer-se[1]”, um convite para sermos como a garça da canção.

Desta forma o verdadeiro cristão é alguém radicalmente inconformado! Ele não se conforma com os rumos que o mundo tomou, e por isso não aceita levar uma vida semelhante, lutando incansavelmente para se assemelhar a Cristo, bem como para ajudar outros a fim de que sigam o mesmo caminho de nosso Salvador.

Então, se o mundo ensina o pluralismo, ao afirmar que todos os caminhos e religiões levam a Deus, nós dizemos o contrário, que há um só caminho, e que este caminho não se trata de uma religião, mas do Cristo que vive e Reina. Semelhantemente, quando o mundo prega o materialismo, o cristão radical valoriza, em primeiro lugar, as coisas do Reino de Deus e se mantém firma na fé, com ou sem bens, com ou sem prosperidade, com ou sem acesso aos objetos de desejo anunciados na mídia secular.

De maneira idêntica, quando todos relativizam os valores éticos e morais, o pecado e os relacionamentos, nós, como indivíduos inconformados, defendemos a pureza ensinada por Cristo e por ela lutamos, a começar guerreando para que nós mesmos sejamos santos. Ainda, quando o mundo prega o hedonismo, nós dizemos não, não viveremos segundo o curso de nosso próprio coração, antes faremos a vontade de Deus, praticando o que é prazeroso para Ele. Estes são apenas alguns exemplos.

Esta atitude de inconformismo, ensinada por Cristo quando nos ordena que neguemos a nós mesmos, neguemos o desejo de seguir nos trilhos e nos apegos que o mundo tem por valioso, de forma radical ao ponto de termos de encarar os sofrimentos inevitáveis, a cruz inevitável por ser um cristão verdadeiro, nos torna alvo e não parceiros do mundo. Insisto, não temos o direito de nos adaptar, devemos nos abster.

O inconformismo cristão é absolutamente o inverso do que a maioria dos grupos de cristãos “radicais” ensinam. Na verdade o que eles vem praticando é uma brincadeira de muito mau gosto com o Evangelho. Eles se organizam em grupos para fazer loucuras, fazem marchas, festas raves gospeis, atos proféticos, adorações extravagantes e coisas semelhantes a estas, chamando isso de uma atitude de servir a Deus de forma radical. Quanta superficialidade, quanta ignorância.

Alguns se defendem dizendo: Mas se estão ganhando almas, se a igreja está crescendo e os jovens estão cada vez mais desejosos de “viver para Cristo”, o que importa?

Lamento informar, mas crescimento não é marca de santidade, tampouco de aceitação de Deus. Não esqueçam que a religião que mais tem crescido é o islã, e não o cristianismo, e então eu pergunto: O islã é a vontade de Deus para seu povo?

Além disso, “viver para Cristo” não é, nem de longe, ser crente, fazer coisas de crente, ou fazer “loucuras” para Cristo. Ser Cristão é viver incansavelmente para fazer a vontade de Deus, mesmo que ela não seja divertida, mesmo que ela nos leve a morte, como muitos antes de nós.

Ser cristão radical é ser um inconformado! 


Referência Bibliográfica

STOTT, John. O discípulo Radical. Viçosa, MG: Ultimato, 2011.




[1] STOTT, 2011, p. 14.