09 janeiro, 2015

Cristão sem palavra, vergonha para o Evangelho




Por Ruy Cavalcante


Poucas coisas são tão irritantes quanto conviver com alguém que não mantém a sua palavra, em cujas promessas não se podem confiar. 

Combinou de se encontrar com alguém assim, num determinado horário? Se prepare e conte até 10, pois ela te deixará “de molho” até que resolva aparecer, e o pior, quando chegar agirá como se estivesse fazendo um grande favor em ir ao local que ela mesma combinou. 

Os exemplos são sem fim, desde coisas simples, até compromissos que podem ocasionar grandes complicações. Elas simplesmente não se importam em manter a palavra que proferiram, em cumprir suas promessas, em comparecer no compromisso firmado ou em te ajudar conforme declarou que faria. 


Mas quando se trata de um cristão, mais do que irritante, esse tipo de atitude é absolutamente reprovável e a Palavra de Deus está recheada de exortações e ensinos a esse respeito. 

Talvez o texto mais conhecido sobre este assunto seja o encontrado em Mateus 5:37, onde Jesus ensina seus discípulos no episódio conhecido como o sermão do monte. Ali o Mestre afirma que, se dissermos sim, que seja sim realmente, e se dissermos não, que de fato seja não, pois agindo diferente estaremos servindo a propósitos malignos. 

Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna”. (Mt 5:37

Que conclusão perturbadora Jesus dá a essa questão! Não é admissível que nós, enquanto professantes da fé cristã, ignoremos isso. 

Mas eu gostaria de citar outro texto muito interessante, um salmo onde Davi medita sobre as características encontradas naqueles que habitarão com Deus. Trata-se do salmo 15, onde ele escreve: 

Senhor, quem habitará no teu santuário? Quem poderá morar no teu santo monte? Aquele que é íntegro em sua conduta e pratica o que é justo, que de coração fala a verdade e não usa a língua para difamar, que nenhum mal faz ao seu semelhante e não lança calúnia contra o seu próximo, que rejeita quem merece desprezo, mas honra os que temem ao Senhor, que mantém a sua palavra, mesmo quando sai prejudicado, que não empresta o seu dinheiro visando lucro nem aceita suborno contra o inocente. Quem assim procede nunca será abalado!” (Salmo 15 – Grifo meu

Sem entrar em grandes aprofundamentos teológicos, é possível perceber claramente o quanto Deus considera importante que mantenhamos nossa palavra. Que algo fique claro, quando me refiro a Deus considerar importante não estou ignorando o fato de Davi ser autor do salmo, apenas estou considerando, assim como manda minha fé, que ele foi inspirado por Deus para expressar estas linhas. 

Retornando. Davi (e Deus) é radical neste ponto, e afirma confiantemente que, mesmo que seja prejudicado por isso, aquele que de fato habitará no céu tem como uma de suas grandes e vistosas características o fato de sempre manter a sua própria palavra. 

Infelizmente este é um ponto no qual sempre observei grande deficiência em muitos dos que se dizem cristãos. Estes tratam esse tema com uma irrelevância inexplicável, e muitas vezes riem-se de quem tenta exortá-los quanto a isto. 

Se você for um deles te afirmo com total convicção: Este assunto não é irrelevante, não para Deus, tampouco para quem precisa se exercitar no domínio próprio e na mansidão todas as vezes que entra em algum tipo de acordo com você. E digo mais, desta vez com pesar: Você é uma vergonha para o Evangelho!

Falo como servo de Deus, meu irmão, considere isso para sua vida. Não volte atrás em suas promessas nem as ignore simplesmente porque se chateou com algo, ou porque não calculou bem a dificuldade envolvida, ou por ter sentido preguiça, ou seja lá por qual razão você pensou em não mantê-las. 

Ser cristão envolve estas coisas práticas da vida, pois de nada adianta viver uma religiosidade apenas ritualística, isso é absolutamente inútil. 

Pense nisso. 

Naquele que jamais muda.


***
Publicado originalmente no Blog Púlpito Cristão.



0 comentários:

Postar um comentário

Somente comentários ofensivos serão moderados. Discordar de mim não é pecado, então discorde à vontade.