24 fevereiro, 2015

A mensagem inegociável da música cristã



Por Ruy Cavalcante


Gostaria de repercutir no blog um assunto no qual envolvi-me bastante durante a ultima semana, em conversas com amigos e em postagens no Facebook. E o tema é música cristã.

Bom, eu não sou músico instrumentista, nem teórico musical e sei da dificuldade que músicos e a igreja em geral têm de dar ouvidos a alguém como eu, mas me permitam falar algumas coisas.

O Reino de Deus funciona em uma sintonia absolutamente diferente do nosso mundo, o mundo humano, secular. Isso significa que, em relação à música cristã, não interessa ao Reino de Deus que a mesma seja comercial, pois ao contrário do mundo, isso não faz o menor sentido para aquele. Da mesma maneira a técnica musical é algo totalmente periférico para o mundo espiritual. Com isso não estou deslegitimando nem diminuindo a importância da técnica, pois como amante da boa música que sou eu não poderia negar isso, e imagino que Deus também não, porém há coisas muito mais importantes quando estamos tratando de canções cristãs.

A música cristã possui propósitos e fundamentos diferentes da música secular, e em termos gerais eu diria que ela sempre deve estar firmada em três pilares, a saber, “Homenagear Deus”, “pregar o Evangelho” e “Ensinar a Palavra”, tudo isso sendo feito na forma cantada e tendo como primeiro, grande e único objetivo, glorificar a Deus (assim como tudo que fazemos).

Dessa forma, a verdadeira música cristã é (e precisa ser) temática, possuindo uma mensagem verdadeira, sendo desta escrava. Portanto irmãos, especialmente os músicos e compositores, não escravizem a música cristã por nada além de sua mensagem, nem pela possibilidade comercial, tampouco pelo desejo de que ela sirva como simples entretenimento.

Dentre tantos, trago à memória dois grupos musicais deveras importantes para a história da música cristã nacional. O primeiro trata-se do Grupo Elo, talvez pouco conhecido pela maioria, mas que revolucionou a forma de cantar e compor “para Deus” a partir do início da década de 70. Não me aprofundarei na história deles neste artigo, mas gostaria de citar algo dito por Tim J Schlener, co-fundador e ex-baterista do Grupo, a respeito dos propósitos que eles tinham com suas canções. Disse ele:

"Grupo Elo's goal was to ensure that people would here of Gods plan for salvation through our music".
"O objetivo de Grupo Elo era assegurar que as pessoas compreendessem o plano de Deus para a salvação através da nossa música".

Eles sim compreendiam a importância da mensagem! Faça um teste, se ainda não conhece, busque as canções desse grupo, ouça-as, medite nas letras, você entenderá bem do que estou falando.

Outro Grupo importante, que está na estrada até hoje, é o Grupo Logos. Talvez não seja coincidência que o mesmo tenha sido criado por Paulo Cezar, ex-vocalista e compositor do Grupo Elo, que havia sido desfeito após a morte de Jayrinho, certamente o principal compositor e vocalista do grupo, em um trágico acidente que vitimizou também sua esposa e filho, no ano de 1981.

(Ao final do artigo incluirei alguns links para que você possa conhecer um pouco mais sobre a história de ambos os grupos)

Semana passada, durante a Consciência Cristã, participei de um seminário com Paulo Cezar. Gostaria de parafrasear algo que ele disse a respeito de uma indagação que havia recebido de certo produtor musical, sobre achar que suas canções e seu estilo não eram muito comerciais. Ele respondeu:

"Esta não é a minha preocupação, preocupa-me apenas o conteúdo".

Quanta diferença para os grupos modernos, cujas canções ecoam pelas igrejas do Brasil! Hoje em dia o compromisso da música cristã é pela própria música, pela produção, pela técnica, pela rentabilidade. Não se prima mais pela mensagem, não se buscam mais objetivos claros através de mensagens verdadeiramente bíblicas.

Obviamente há exceções, mas sinceramente, não são tantas assim, ao menos não tantas quanto deveriam.

Nos últimos anos têm-se observado claramente (salvo os que não querem enxergar) uma ampla decadência neste tema, tanto de ordem doutrinária quanto artística. Pouco se canta a Bíblia e, em sua maioria, os atuais artistas são apenas uma cópia gospel do que se faz no ambiente secular, criatividade zero.

Eu não poderia deixar de falar algo. Pessoalmente sou muito crítico quanto à música cristã atual, mas a verdade é que ela é a vítima, e não a culpada, pela deturpação que fazem do Evangelho em nossos dias. E ela vem sendo vitimizada porque parte da igreja tem se conformado com os valores que não pertencem ao Reino. É mais uma consequência por parte da igreja estar se adaptando ao mundo, no lugar de se afastar dele, ou de transforma-lo pelo poder o Evangelho.

A situação atual é crítica. Parece estar chegando o dia em que deveremos nos posicionar, sair de cima do muro. Ou vivemos a verdade e por ela sofremos e até mesmo morremos, ou mergulhamos na imundice contida fora do Reino de Deus.

Este assunto rendeu-me horas de conversas e discussões, porém não me estenderei nele aqui no blog, ao menos por hora, porém gostaria de deixar uma pergunta a todos os que depararam de alguma maneira com estas linhas: 

De quê lado você vai se posicionar?
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