14 março, 2015

Série: Cristão radical – Semelhante a Cristo



Por Ruy Cavalcante

"Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos". (Rm 8:29) 

"E todos nós, que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, segundo a sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é o Espírito". (2Co 3:18) 

"Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser, mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, pois o veremos como ele é". (1Jo 3:2)

Ao criar o ser humano, é nos dito que fomos feitos à imagem e semelhança de Deus. Obviamente isso não significa uma semelhança física, como muitos já sugeriram na história, mas uma semelhança daquilo que compõe nosso caráter. Deus é todo santo, justo, puro e absolutamente correto em tudo o que faz. Nós não éramos iguais a Ele, mas tínhamos um caráter semelhante, não agíamos por maldade, por ganância, por egoísmo ou vaidade, mas isso durou apenas até a queda.

Após a queda tudo se perdeu, não éramos mais parecidos com Deus, já fomos capazes de mentir, de nos envergonhar de nossa nudez e até mesmo de matar, e não apenas matar, mas matar por um sentimento totalmente diferente do contido em Deus, a inveja.

Muito pouco restou no ser humano de semelhante a Deus, e mesmo esse pouco era imperfeito, passageiro. Essa ínfima semelhança é o que hoje costumamos chamar de Graça Comum, ou seja, um pouco da Graça de Deus presente em todo ser humano, o suficiente para que o mesmo, em alguns momentos, faça algo proveitoso, mesmo sendo um ser caído, totalmente depravado. Você não acha realmente que Deus se pareça com pessoas pecadoras como nós, acha?

No entanto, uma das virtudes da Obra realizada por Cristo na cruz é que, na mesma medida em que nos faz inconformados com o mundo, nos conforma à imagem de Si mesmo. Assim, uma vez alcançado e regenerado pela Graça de Deus, o próximo passo é a ação do Espírito Santo em nós, de forma a nos tornar, a cada dia, mais semelhantes a Cristo e é justamente isso que Paulo e João ensinam nos versículos acima.

Primeiro Paulo afirma aos Romanos que um dos propósitos eternos da salvação é o de, literalmente, nos conformar à imagem do Filho de Deus (Rm 8:29). Em seguida, aos de Corinto, não mais usando a perspectiva de propósito eterno (predestinação), mas de ação presente, ensina que o Espírito Santo nos transforma segundo a imagem do Senhor (2Co 3:18). Por fim, apontando para o futuro, para a conclusão da Obra de Cristo, João ensina que de fato seremos, como na criação, semelhantes a Ele (1Jo 3:2).

Todo cristão genuíno é um radical, e uma das características dessa realidade é que Ele encontra-se em constante trabalho para ter e viver nesta terra com um caráter semelhante ao de Jesus, seja por propósito eterno, por ação presente do Espírito, ou por atitude (Ef 5:1) motivada por uma esperança futura.

"Aquele que afirma que permanece nele, deve andar como ele andou". (1Jo 2:6)

Não importa qual das perspectivas abraçamos (propósito divino, ação presente divina, ou promessa escatológica), a verdade é que para sermos cristãos radicais, precisamos andar como Cristo andou. Não basta falar de amor, temos de amar, não basta ensinarmos sobre perdão, precisamos perdoar, não é satisfatório fazer exposições inspirativas sobre servir, precisamos servir, não é suficiente ensinarmos e combatermos por uma pureza doutrinária, temos de ser, assim como Cristo foi, exemplos práticos dessa doutrina, precisamos ser a própria palavra em ação.

Percebem como não se tratam de simples ações transloucadas? Percebem como tudo está conectado a coisas comuns, normais, porém espirituais e eternas? Ser cristão radical não é agir loucamente por Cristo, é ser semelhante a Cristo!

E por fim, é preciso falar ainda que rapidamente, sobre outra questão, outra semelhança com Cristo que devemos possuir: Precisamos ser semelhantes a Cristo em seu sofrimento!

Jesus nos dá muitas dicas a respeito disso. Ele fala, por exemplo, para tomarmos nossa cruz (Mt 16:24), ou sobre as aflições que teremos no mundo, o mesmo mundo que Ele venceu (Jo 16:33), e que venceremos se formos semelhantes a Ele.

Vou resumir: O verdadeiro cristão, o cristão radical, não desistirá quando as coisas ficarem difíceis, ele não esmorecerá quando todos estiverem contra ele, ainda que os da sua própria casa (Mt 10:34-36), pois todas estas aflições são inevitáveis para os que vivem piedosamente, radicalmente, em Cristo (2Tm 3:12).

O cristão radical persevera mesmo em meio a mais horrível perseguição, pois sua força e consolo estão em Cristo!

"Pois assim como os sofrimentos de Cristo transbordam sobre nós, também por meio de Cristo transborda a nossa consolação". (2Co 1:5)

E então, você se identifica com um genuíno cristão radical? Você é semelhante a Cristo? Ou apenas se mascara de crente extravagante, ignorando ou negando a existência das aflições da cruz?


Referência Bibliográfica

STOTT, John. O discípulo Radical. Viçosa, MG: Ultimato, 2011.



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