28 fevereiro, 2015

Série: Cristão radical – Inconformado


Por Ruy Cavalcante

E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. (Rm 12:2)

Através de sua Palavra, Deus nos ensina a ter um novo e diferente relacionamento com o mundo. Porém este novo relacionamento vem sendo pouco compreendido por muitos no decorrer dos anos. Alguns ensinam que “não ser amigo do mundo” (Tg 4:4) significa que não devemos nos relacionar com as pessoas não cristãs deste mundo, não devemos ter amizade nem qualquer tipo de relacionamento com os pecadores sem Cristo. Pura ignorância. Jesus andou e se relacionou com pecadores e Paulo, por sua vez, enterra totalmente esse argumento quando diz:

Já lhes disse por carta que vocês não devem associar-se com pessoas imorais. Com isso não me refiro aos imorais deste mundo, nem aos avarentos, aos ladrões ou aos idólatras. Se assim fosse, vocês precisariam sair deste mundo. Mas agora estou lhes escrevendo que não devem associar-se com qualquer que, dizendo-se irmão, seja imoral, avarento, idólatra, caluniador, alcoólatra ou ladrão. Com tais pessoas vocês nem devem comer. (1Co 5:9-11)

Não me aprofundarei neste texto, ele é absolutamente claro para a ideia apresentada.

Há ainda quem faça uso das palavras de Paulo a Tito (Tt 1:15), e de textos paralelos, para ensinar que tudo bem, desde que adaptemos as coisas do mundo, tornando-os aceitáveis (leia-se ‘tornando-os gospeis’) podemos sim experimentar os benefícios que o mundo oferece, típico ideal hedonista que enchem o corações dos crentes atuais. O lema não é mais “abster-se” dos prazeres mundanos e sim “adapta-los” para que possamos usufruí-los. Mas a palavra correta a nós continua sendo abstenham-se!

Amados, insisto em que, como estrangeiros e peregrinos no mundo, vocês se abstenham dos desejos carnais que guerreiam contra a alma. Vivam entre os pagãos de maneira exemplar para que, naquilo em que eles os acusam de praticarem o mal, observem as boas obras que vocês praticam e glorifiquem a Deus no dia da sua intervenção. (1Pe 2:11-12)

Lembro-me do refrão de uma canção que diz:

A graça da garça
A graça da garça
A arte de viver em meio a lama sem sujar as vestes
(Música: A graça da garça – Grupo Estratagema de Deus)

Eis o verdadeiro sentido de nossa relação com o mundo, vivemos no mundo, nos relacionamos no mundo, porém não praticamos as mesmas coisas que o mundo pratica, assim como uma graciosa garça, que mesmo vivendo em lugares alagadiços, cheios de lama, mantém sua plumagem perfeitamente limpa, lindamente branca.

Voltando ao texto de Romanos 12, ficou mais fácil compreendê-lo, não é mesmo? A ideia é e sempre foi que sejamos santos! Tal “proposta” foi dita na lei (Lv 18:3-4), ensinada pelos profetas (Is 1:16), pelos salmistas (Sl 15), por Cristo (Mt 5:48) e finalmente pelos apóstolos (Rm 12:2). Como diz John Stott, temos um “convite para desenvolver uma contracultura cristã, para engajar-se sem comprometer-se[1]”, um convite para sermos como a garça da canção.

Desta forma o verdadeiro cristão é alguém radicalmente inconformado! Ele não se conforma com os rumos que o mundo tomou, e por isso não aceita levar uma vida semelhante, lutando incansavelmente para se assemelhar a Cristo, bem como para ajudar outros a fim de que sigam o mesmo caminho de nosso Salvador.

Então, se o mundo ensina o pluralismo, ao afirmar que todos os caminhos e religiões levam a Deus, nós dizemos o contrário, que há um só caminho, e que este caminho não se trata de uma religião, mas do Cristo que vive e Reina. Semelhantemente, quando o mundo prega o materialismo, o cristão radical valoriza, em primeiro lugar, as coisas do Reino de Deus e se mantém firma na fé, com ou sem bens, com ou sem prosperidade, com ou sem acesso aos objetos de desejo anunciados na mídia secular.

De maneira idêntica, quando todos relativizam os valores éticos e morais, o pecado e os relacionamentos, nós, como indivíduos inconformados, defendemos a pureza ensinada por Cristo e por ela lutamos, a começar guerreando para que nós mesmos sejamos santos. Ainda, quando o mundo prega o hedonismo, nós dizemos não, não viveremos segundo o curso de nosso próprio coração, antes faremos a vontade de Deus, praticando o que é prazeroso para Ele. Estes são apenas alguns exemplos.

Esta atitude de inconformismo, ensinada por Cristo quando nos ordena que neguemos a nós mesmos, neguemos o desejo de seguir nos trilhos e nos apegos que o mundo tem por valioso, de forma radical ao ponto de termos de encarar os sofrimentos inevitáveis, a cruz inevitável por ser um cristão verdadeiro, nos torna alvo e não parceiros do mundo. Insisto, não temos o direito de nos adaptar, devemos nos abster.

O inconformismo cristão é absolutamente o inverso do que a maioria dos grupos de cristãos “radicais” ensinam. Na verdade o que eles vem praticando é uma brincadeira de muito mau gosto com o Evangelho. Eles se organizam em grupos para fazer loucuras, fazem marchas, festas raves gospeis, atos proféticos, adorações extravagantes e coisas semelhantes a estas, chamando isso de uma atitude de servir a Deus de forma radical. Quanta superficialidade, quanta ignorância.

Alguns se defendem dizendo: Mas se estão ganhando almas, se a igreja está crescendo e os jovens estão cada vez mais desejosos de “viver para Cristo”, o que importa?

Lamento informar, mas crescimento não é marca de santidade, tampouco de aceitação de Deus. Não esqueçam que a religião que mais tem crescido é o islã, e não o cristianismo, e então eu pergunto: O islã é a vontade de Deus para seu povo?

Além disso, “viver para Cristo” não é, nem de longe, ser crente, fazer coisas de crente, ou fazer “loucuras” para Cristo. Ser Cristão é viver incansavelmente para fazer a vontade de Deus, mesmo que ela não seja divertida, mesmo que ela nos leve a morte, como muitos antes de nós.

Ser cristão radical é ser um inconformado! 


Referência Bibliográfica

STOTT, John. O discípulo Radical. Viçosa, MG: Ultimato, 2011.




[1] STOTT, 2011, p. 14.



27 fevereiro, 2015

Série: Cristão Radical – Introdução



Por Ruy Cavalcante

Nos últimos anos vêm se multiplicado no Brasil vários grupos que se intitulam radicais da fé. "Crentes radicais", "profetas radicais", "jovens radicais" e "loucos por Cristo" são alguns nomes pelos quais são conhecidos. A maioria deles são formados por jovens cristãos, sinceros (acredito eu) e cheios de disposição.

Até aí nada de estranho, afinal a simples atitude de se tornar um cristão num mundo que odeia Cristo, já pode ser considerada uma atitude radical. Viver o Evangelho, negar a si mesmo, tomar nossa Cruz e sofrer as aflições de Cristo são consequências e deveres de quem trilha este caminho. Essa é sim uma atitude extremada.



Entretanto não é bem isso que se observa em tais grupos. Há algo em comum à maioria deles, a saber, sua relação com o seguinte texto bíblico:
Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes”. (1Co 1:27)
Em geral este texto é interpretado de maneira a dar fundamento para que eles ajam “loucamente”, extravagantemente, dando total vazão a suas criatividades na hora de realizar os procedimentos e ordenanças bíblicas relacionadas ao culto, ao evangelismo e demais serviços cristãos/eclesiásticos. Nada muito além disso, e sempre com essa justificativa, a de que Deus usa as coisas loucas para realizar sua obra.

Porém o texto nem de longe diz isso. Vejamos toda a perícope:
Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus. Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios e aniquilarei a inteligência dos inteligentes. Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o inquiridor deste século? Porventura, não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo? Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação. Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus e loucura para os gregos. Mas, para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus. Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens. Porque vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados. Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes”. (1Co 1:18-27 – Grifo meu)
Mesmo numa análise superficial, sem tantas preocupações exegéticas, podemos facilmente perceber que ao afirmar que “Deus escolhe as coisas loucas para confundir as sábias”, Ele está falando da Sua Palavra, do Seu Evangelho, loucura para os gentios e para os que estão perecendo. Não há nenhuma forma responsável de se observar este texto e compreender que tal loucura se trata de atitudes nossas, pessoais, de forma a criarmos todo o tipo de “doidice” com a justificativa de fazer a Obra de Deus. 

Posto isso, inicio esta semana uma série de 8 (oito) artigos, baseados no livro “O discípulo Radical”, de John Stott (e obviamente na bíblia), tentando dar a minha contribuição para que tenhamos uma correta compreensão do que significa ser, de fato, um cristão radical, deixando claro que não sou contrário a tais ajuntamentos, desde que existam fundamentos claros e verdadeiros, e que se entendam as consequências de se tomar a atitude mais extrema possível, que é ser um discípulo de Cristo, pois como dizem as Escrituras:
E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições”. (2Tm 3:12)
Então é isso, aguardem o primeiro tópico intitulado "Inconformados", e que Deus abençoe a todos nós.



24 fevereiro, 2015

A mensagem inegociável da música cristã



Por Ruy Cavalcante


Gostaria de repercutir no blog um assunto no qual envolvi-me bastante durante a ultima semana, em conversas com amigos e em postagens no Facebook. E o tema é música cristã.

Bom, eu não sou músico instrumentista, nem teórico musical e sei da dificuldade que músicos e a igreja em geral têm de dar ouvidos a alguém como eu, mas me permitam falar algumas coisas.

O Reino de Deus funciona em uma sintonia absolutamente diferente do nosso mundo, o mundo humano, secular. Isso significa que, em relação à música cristã, não interessa ao Reino de Deus que a mesma seja comercial, pois ao contrário do mundo, isso não faz o menor sentido para aquele. Da mesma maneira a técnica musical é algo totalmente periférico para o mundo espiritual. Com isso não estou deslegitimando nem diminuindo a importância da técnica, pois como amante da boa música que sou eu não poderia negar isso, e imagino que Deus também não, porém há coisas muito mais importantes quando estamos tratando de canções cristãs.

A música cristã possui propósitos e fundamentos diferentes da música secular, e em termos gerais eu diria que ela sempre deve estar firmada em três pilares, a saber, “Homenagear Deus”, “pregar o Evangelho” e “Ensinar a Palavra”, tudo isso sendo feito na forma cantada e tendo como primeiro, grande e único objetivo, glorificar a Deus (assim como tudo que fazemos).

Dessa forma, a verdadeira música cristã é (e precisa ser) temática, possuindo uma mensagem verdadeira, sendo desta escrava. Portanto irmãos, especialmente os músicos e compositores, não escravizem a música cristã por nada além de sua mensagem, nem pela possibilidade comercial, tampouco pelo desejo de que ela sirva como simples entretenimento.

Dentre tantos, trago à memória dois grupos musicais deveras importantes para a história da música cristã nacional. O primeiro trata-se do Grupo Elo, talvez pouco conhecido pela maioria, mas que revolucionou a forma de cantar e compor “para Deus” a partir do início da década de 70. Não me aprofundarei na história deles neste artigo, mas gostaria de citar algo dito por Tim J Schlener, co-fundador e ex-baterista do Grupo, a respeito dos propósitos que eles tinham com suas canções. Disse ele:

"Grupo Elo's goal was to ensure that people would here of Gods plan for salvation through our music".
"O objetivo de Grupo Elo era assegurar que as pessoas compreendessem o plano de Deus para a salvação através da nossa música".

Eles sim compreendiam a importância da mensagem! Faça um teste, se ainda não conhece, busque as canções desse grupo, ouça-as, medite nas letras, você entenderá bem do que estou falando.

Outro Grupo importante, que está na estrada até hoje, é o Grupo Logos. Talvez não seja coincidência que o mesmo tenha sido criado por Paulo Cezar, ex-vocalista e compositor do Grupo Elo, que havia sido desfeito após a morte de Jayrinho, certamente o principal compositor e vocalista do grupo, em um trágico acidente que vitimizou também sua esposa e filho, no ano de 1981.

(Ao final do artigo incluirei alguns links para que você possa conhecer um pouco mais sobre a história de ambos os grupos)

Semana passada, durante a Consciência Cristã, participei de um seminário com Paulo Cezar. Gostaria de parafrasear algo que ele disse a respeito de uma indagação que havia recebido de certo produtor musical, sobre achar que suas canções e seu estilo não eram muito comerciais. Ele respondeu:

"Esta não é a minha preocupação, preocupa-me apenas o conteúdo".

Quanta diferença para os grupos modernos, cujas canções ecoam pelas igrejas do Brasil! Hoje em dia o compromisso da música cristã é pela própria música, pela produção, pela técnica, pela rentabilidade. Não se prima mais pela mensagem, não se buscam mais objetivos claros através de mensagens verdadeiramente bíblicas.

Obviamente há exceções, mas sinceramente, não são tantas assim, ao menos não tantas quanto deveriam.

Nos últimos anos têm-se observado claramente (salvo os que não querem enxergar) uma ampla decadência neste tema, tanto de ordem doutrinária quanto artística. Pouco se canta a Bíblia e, em sua maioria, os atuais artistas são apenas uma cópia gospel do que se faz no ambiente secular, criatividade zero.

Eu não poderia deixar de falar algo. Pessoalmente sou muito crítico quanto à música cristã atual, mas a verdade é que ela é a vítima, e não a culpada, pela deturpação que fazem do Evangelho em nossos dias. E ela vem sendo vitimizada porque parte da igreja tem se conformado com os valores que não pertencem ao Reino. É mais uma consequência por parte da igreja estar se adaptando ao mundo, no lugar de se afastar dele, ou de transforma-lo pelo poder o Evangelho.

A situação atual é crítica. Parece estar chegando o dia em que deveremos nos posicionar, sair de cima do muro. Ou vivemos a verdade e por ela sofremos e até mesmo morremos, ou mergulhamos na imundice contida fora do Reino de Deus.

Este assunto rendeu-me horas de conversas e discussões, porém não me estenderei nele aqui no blog, ao menos por hora, porém gostaria de deixar uma pergunta a todos os que depararam de alguma maneira com estas linhas: 

De quê lado você vai se posicionar?
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Links:



17 fevereiro, 2015

“Carta de Campina Grande 2015” é lançada na noite desta terça-feira




Na noite de encerramento do 17º Encontro para a Consciência Cristã, nesta terça-feira (17), a VINACC, entidade organizadora do evento, lançou a “Carta de Campina Grande – Consciência Cristã 2015”. Na missiva, elaborada por uma comissão de grandes nomes da fé cristã no país, é reafirmado e reconfirmado compromisso com o genuíno Evangelho de Cristo, sua defesa e sua pregação por todo o Brasil e todo o mundo, para a glória do nome de Deus. 

O Intervalo Cristão acompanhou ao vivo todo o evento e trás em tempo real a íntegra da carta.



Carta de Campina Grande – Consciência Cristã 2015 

“Fazei tudo para a glória de Deus” 

 Nossos dias têm sido marcados por momentos críticos. Lamentavelmente, o Brasil tem experimentado, nos últimos anos, uma curva ascendente de escândalos, que nos fazem ruborizar de vergonha. Para nossa tristeza, as primeiras páginas dos jornais têm estampado — quase que diariamente — escândalos políticos de primeira linha. Como se não bastasse isso, a corrupção dos e nos poderes da República nos mostram que a nação encontra-se em avançado estado de “metástase”. 

Junta-se a tudo isso o problema da violência, que no Brasil tornou-se endêmica. Segundo a ONU, nosso país possui onze das trinta cidades mais violentas do mundo, isso sem falar no consumo de drogas, no descaso do poder público com a saúde da população, educação, transporte e bem estar social. E, para piorar essa situação, a igreja brasileira não tem cumprido o seu papel como sal da terra e luz do mundo. Pelo contrário, de norte a sul e de leste a oeste multiplicam-se os desvios teológicos e heresias hediondas de um lado, como a esterilidade de um saber teológico desvinculado da santificação e da prática de outro, coisas que, de forma acintosa, causam incontáveis males ao povo de Deus. 

Ademais, nos últimos anos, ferozes “lobos” têm tido livre tráfego em nossos arraiais, promovendo dissenções mediante ensinamentos falsos que afrontam a Palavra de Deus e induzem uma parte do povo de Deus ao erro, haja vista as práticas e comportamentos sincréticos que ora são verificados em muitas igrejas, nas quais pastores desprovidos de piedade, amor e misericórdia comercializam o Evangelho, assim como alertaram os apóstolos Paulo e Pedro (cf. 2 Co 2.17; 2 Pe 2.1-3). 

Diante do exposto nós, da Visão Nacional para a Consciência Cristã (VINACC), entidade organizadora do 17º Encontro para a Consciência Cristã, decide: 

  1. Lutar pela unidade da igreja brasileira através da absoluta lealdade às verdades transformadoras do evangelho, para a glória de Deus. 

Cremos na santa Igreja, na existência de um só Corpo, um só Espírito, um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus. Cremos na unidade da Igreja, como também na comunhão dos santos. Cremos que essa unidade é obra exclusiva de Deus, e que nós, pelos nossos próprios esforços, não podemos produzi-la. Cremos que a unidade só é possível em torno da verdade, e que uma igreja que relativiza as Escrituras, negando as verdades fundamentais da fé cristã, não pode ser considerada parte do Corpo de Cristo. Cremos que a unidade da Igreja é bíblica e deve ser desejada e vivida pelos salvos. Cremos que somos chamados por Jesus Cristo a preservar a unidade do Corpo, não tratando como prioridade aquilo que as Escrituras consideram secundário. Pelo contrário, somos chamados por nosso Senhor para andarmos em amor, em humildade e em verdade, obedecendo à Palavra de Deus e glorificando ao Senhor através da nossa união. 

2. Pregar exclusivamente o Evangelho, nada além do Evangelho 

Reconhecemos que a Igreja foi chamada para proclamar o Evangelho em sua inteireza. Por isso, nos recusamos a vinculá-lo a ideologias políticas ou a agendas de ambições pessoais. Cremos que o Evangelho deve ser proclamado nos termos e ênfases do Evangelho, segundo a Palavra de Deus, e não de acordo com as circunstâncias mutáveis da sociedade. Proclamamos o Evangelho em sua totalidade, sem omitir seus aspectos essenciais, como a justiça e a santidade de Deus, a culpa do ser humano, a salvação somente pela fé, a ressurreição dos mortos, o julgamento final, o céu e o inferno. Proclamamos o Evangelho a todas as pessoas, independentemente de raça, nacionalidade, sexo, religião ou condição social. Cremos que todas as pessoas precisam ouvir o Evangelho — em sua própria língua e cultura, de forma contextualizada — e ter a oportunidade de ser discipuladas, a fim de que também estejam aptas para fazer discípulos, formando igrejas locais autóctones, comprometidas com o pleno ensino do Reino de Deus, fazendo da proclamação do Evangelho um estilo de vida. 

3. Denunciar o pecado, proclamar a justiça, lutando pela transformação de vidas, a fim de que Deus seja glorificado 

Reconhecemos que somos chamados por Cristo para defender a vida, a verdade, a equidade, a família e a justiça. Acreditamos que a Igreja glorifica a Deus quando se posiciona contra o pecado — em suas mais variadas vertentes —, denunciando de forma profética as arbitrariedades cometidas por políticos, os quais, através de leis anticristãs, promovem a morte, a desconstrução da família, a miséria e relativizam o pecado. Entendemos que é a missão bíblica da Igreja pregar o Evangelho a toda criatura, para que, no arrependimento e fé de muitos, haja inclusive um impacto social. Desse modo, a Igreja deve ser a voz da consciência da sociedade, a fim de apresentar aos que nos governam os princípios e verdades contidos nas Escrituras. Afirmamos, ainda, o nosso compromisso com a ética, com a decência. E, por amor a Cristo, repudiamos todo e qualquer tipo manipulação religiosa e política feita em nome de Deus. Cremos ainda que é nosso dever, diante de Deus e da sociedade, exercer a nossa cidadania com responsabilidade e compromisso, convergindo a vocação que temos recebido do Senhor para colocar ordem no caos. Assim, “tudo quanto fizerdes, fazei de coração, como se fizésseis ao Senhor e não aos homens” (Cl 3:23). 

4. Edificar e fortalecer nossas igrejas locais para que sejam exemplos vivos e concretos das verdades do evangelho do Reino em todas as suas dimensões.  

Deus será glorificado quando Seus atributos forem visualizados, claramente, na vida de discípulos de Cristo que vivenciam a transformação do evangelho no meio de uma geração degradada e corrompida. 

5. Glorificar a Deus em todas as áreas da vida.  

Com sincero arrependimento afirmamos, como corpo de Cristo, que rejeitamos todo tipo de idolatria, seja de práticas, pessoas ou instituições, reconhecendo que a honra pertence exclusivamente a Deus e a ninguém mais. Como discípulos de Cristo, assumimos o compromisso de honrar o nome de Deus nas esferas da ética pessoal, da família, da igreja, do trabalho, da cultura e da cidadania, refletindo a glória de Deus em tudo o que fazemos, em todo o tempo e em todos os lugares. 
  
Portanto, confiantes na graça de Deus, assumimos este compromisso diante do Todo-poderoso e de Seu povo, a fim de vermos em nossa nação um poderoso progresso do Evangelho. Façamos, pois, a nossa parte, convictos de que, no fim, o Senhor Jesus Cristo será glorificado em nossa nação. 

Pr. Euder Faber Guedes Ferreira (presidente da VINACC) 

Comissão relatora: 

Pr. Aurivan Marinho 
 
Pr. Elias Medeiros 
 
Pr. Renato Vargens 
 
Pr. Russell Shedd 
 
Pr. Ciro Sanches Zibordi 
 
Prof. Adauto Lourenço 
 
Pr. José Bernardo 
 
Pr. Jorge Noda