28 novembro, 2016

É inevitável sofrer




Por Ruy Cavalcante
"Se dispuseres o coração e estenderes as mãos para Deus; se lançares para longe a iniqüidade da tua mão e não permitires habitar na tua tenda a injustiça, então, levantarás o rosto sem mácula, estarás seguro e não temerás. Pois te esquecerás dos teus sofrimentos e deles só terás lembrança como de águas que passaram". (Jó 11:13-16)

Existem muitas razões para o sofrimento. Às vezes são frutos de erros nossos, às vezes erros dos outros, erros de quem amamos. Contudo, na maioria das vezes parecem ser consequências da própria odisseia da vida.

Por ser inevitável, isso (o sofrimento) não é tão importante, mesmo que nos faça ter dias nebulosos. Não é importante, mas não se pode ignorar que não é fácil quando o dia mal chega, quando a dor invade, quando a sensação de ter perdido surge esmagando nossa alma.

Mas há uma forma de se conseguir superar a dor, e torna-la apenas uma lembrança embaçada. Quando nos dispusermos a Deus, quando Ele for reconhecido como o Elo que dá a vida e a mantém, e mediante isso orientarmos esta mesma vida em favor de Sua glória.

Quem vive dessa forma será comparado a casa edificada sobre a rocha, disse Jesus. A doença, a traição, a catástrofe ou a necessidade não serão capazes de derrubar a vida de quem teve seu coração realmente ligado a Deus, e a única forma de se unir a Ele é mediante a cruz de Cristo.

Com Ele podemos suportar todas a coisas, pois nos fortalece. Como Ele nada nos separará do amor de Deus, que nos sustenta.

Se isso acontecer, conseguiremos falar como o apóstolo Paulo, a respeito de suas próprias, e graves, aflições:

"pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles". (2 Co 4:17)

A Graça de Deus sustém o universo, e sua Glória se manifesta em tudo que vive, em tudo que existe. Viver para a Glória de Deus é a resposta para o sofrimento humano.

Viver para a glória de Deus. Amar para a glória de Deus. Perdoar para a glória de Deus. Resistir para a glória de Deus.

Nessa odisseia da vida, necessitamos dEle. Não esqueça.



29 outubro, 2016

Conferência Vozes




O Blog Intervalo Cristão e a Igreja Batista Restauração promovem a primeira conferência cristã de cunho totalmente apologético, e gratuito, do Estado do Acre.

A Conferência Vozes é um evento cristão, de raiz apologética como dito, que visa a produção de conteúdo cristão de qualidade, cristocêntrico e gratuito, a fim de contribuir com a saúde espiritual da Igreja acriana, entendendo que esta só é possível com a ênfase na suficiência das Escrituras para a salvação e edificação da mesma.

Sua primeira edição acontecerá entre os dias 18 e 20 de novembro de 2016, em Rio Branco, Estado do Acre, no templo da Igreja Batista Restauração conforme programação oficial, e terá a seguinte temática: “Resgatando a centralidade de Cristo no culto público”.

Além das plenárias noturnas, ocorrerão diversos eventos compondo o corpo da conferência, alguns deles já com diversas edições, como é o caso do “Café Teológico”, um bate papo teológico com a participação de todos os preletores do evento, debatendo e respondendo perguntas do público presente, e claro, com café sendo servidos a todos, gratuitamente.

Vários preletores já estão confirmados, dentre eles Geremias Couto, do Rio de Janeiro, e Paulo Siqueira, de São Paulo. Na parte musical teremos a participação do Ministério Restauração de Louvor, da Igreja Batista Restauração, conduzindo os louvores durante todo o evento.

A entrada é franca, não perca!

Mais informações no site www.conferenciavozes.com 



18 outubro, 2016

Porque eles alcançarão misericórdia...




Por Ruy Cavalcante

"Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia". (Mt 5:7)

Ultimamente tenho vivido alguns conflitos relacionados a este tema, a maioria deles internos. Mas considerando tudo o que sinto, ouço, vejo e leio a respeito, estou chegando à conclusão de que tem realmente faltado esse tipo de misericórdia no mundo. Porém isso é o que se pode esperar do mundo. A tragédia está no fato de que tal misericórdia tem sido uma grave carência também da igreja.

Entre nós, evangélicos, também anda faltando misericórdia. Quero aproveitar o pensamento de Martyn Lloyd Jones para essa breve reflexão. 

Sobre este texto, Lloyd Jones afirma que “Esta bem-aventurança particular deriva-se de todas as que a antecedem, e é especialmente notório que ela tem uma conexão lógica, bem aguda e definida, com a bem-aventurança imediatamente anterior, que diz: ‘Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos’.” (JONES, 1999, p. 87). 

Ser misericordioso é, portanto, uma consequência direta de ser humilde de espírito, manso e ter sede de justiça. Aquele que passou pelo processo de se tornar o que afirmam as três primeiras bem-aventuranças será, inevitavelmente, misericordioso. Aqui misericórdia é mais do que reconhecer a miséria humana, é reconhecê-la em nós mesmos e assim entender que não somos melhores que o pior dos transgressores. Esse é um dos fundamentos da misericórdia cristã.

Ao comentar sobre isso, Lloyd faz ainda uma analogia com a nossa reação contra quem nos causou grande dano (vide o dano que causaram em Cristo e sua reação a seus agressores).

Ele afirma: “você saber se é uma pessoa misericordiosa ou não consiste em considerar como você está se sentindo a respeito daquele indivíduo que o ofendeu. Haverá você de dizer: ‘Bem, agora exercerei os meus direitos quanto a isso. Quero cumprir a lei à risca. Essa pessoa transgrediu contra mim. Pois bem, sei que é chegada a minha oportunidade de vingar-me’. Essa atitude formaria a própria antítese da atitude misericordiosa. Tal transgressor está à sua mercê. Em você manifesta-se, porventura, um espírito vingativo, ou antes há em você a atitude de piedade e tristeza (pela miséria que há nele), ou, se você assim preferir, um espírito de gentileza para com o seu adversário, agora aflito?” (JONES, 1999, p. 91).

Ou seja, nosso desejo de justiça é legítimo, mas não pode nos fazer ignorar que a miséria humana se estende a todos nós. Portanto a misericórdia é uma necessidade humana, nossa, e de nosso inimigo também. Infelizmente a aparência sugere que o desejo de muitos cristãos hoje é de misericórdia para si, porém juízo para os outros.

Reconheço que duro é esse discurso, mas eu concordo com ele, pois não é imitando o mal que se pode vencê-lo. Se lá fora não há misericórdia, eu venço tendo misericórdia; se lá fora não há perdão, eu venço perdoando, se lá fora não há amor, eu venço amando. Este é o caráter (quase perdido) daquele que segue a Cristo.

"Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem". (Rm 12:21)


***
JONES, Martyn Lloyd. Estudos no sermão do monte. 4. ed. São José dos Campos: Editora Fiel, 1999.



24 agosto, 2016

Série "Entendes?" Tema 04 - A Igreja judaizante





Chegou o quarto episódio da nossa série, o tema agora é "A Igreja Judaizante", apresentado pelo Pr .Hector Vargas, de São paulo.



15 agosto, 2016

Série "Entendes?" Tema 03 - O que é ser espiritual?





Olá pessoal. Sem delongas, vamos direto ao terceiro tema da série, desta vez apresentado pelo Pr. Paulo Siqueira, de São Paulo: "O que é ser espiritual?".



13 agosto, 2016

Série "Entendes?" Tema 02 - Atos Proféticos.




Com o objetivo de discutir e comentar a respeito de alguns temas bem presentes no dia a dia do evangelicalismo brasileiro, em especial do acriano (alvo principal deste e dos outros vídeos que seguirão a ele), continuo com série "Entendes", onde eu e alguns irmãos abordaremos de forma direta e sintética tais assuntos dogmáticos.

Longe de tentar esgotar cada tema, o objetivo da série é contribuir para o esclarecimento de praticas e doutrinas controversas e pouco enfrentadas em nossas igrejas. Não busco gerar polêmicas e disputas, mas estou ciente de que onde a mentira e o engano reinam dominantes, a verdade se torna polêmica e belicosa.

Chegamos então com o segundo tema: "Atos Proféticos".



25 julho, 2016

Série "Entendes?" Tema 01 - Cobertura Espiritual.




Com o objetivo de discutir e comentar a respeito de alguns temas bem presentes no dia a dia do evangelicalismo brasileiro, em especial do acreano (alvo principal deste e dos outros vídeos que seguirão a ele), inicio hoje uma nova série, desta vez em vídeo (uma novidade para o blog), onde eu e alguns irmãos abordaremos de forma direta e sintética tais assuntos dogmáticos.

Longe de tentar esgotar cada tema, o objetivo da série é contribuir para o esclarecimento de praticas e doutrinas duvidosas e pouco enfrentadas em nossas igrejas. Não busco gerar polêmicas e disputas, mas estou ciente de que onde a mentira e o engano reinam dominantes, a verdade se torna polêmica e belicosa.

Então vamos lá. O tema inicial é "Cobertura espiritual".



17 maio, 2016

Ser cristão é ser justo, não há opção



Por Ruy Cavalcante

O cristão precisa ser justo. Esta é uma afirmação que acredito ser consensual entre todos os evangélicos, mas eu gostaria de acrescentar algo a ela.

O cristão precisa ser justo, e ele inevitavelmente será.

Ser justo não é uma opção para o cristão, é uma realidade presente naquele que nasceu de novo, assim como o é “ser luz”. A afirmação de Jesus em Mateus 5:14-15 não apresenta uma orientação para que o cristão saiba que caminho percorrer, mas uma constatação da essência de um indivíduo regenerado. Ele é luz, e isto não é opcional. Analisemos brevemente o texto:

Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa”. (Mateus 5:14-15)

A declaração é que somos luz. Façamos algumas perguntas ao texto.

Quem nos torna luz? Deus, certo? Entendo que sim, é óbvio. Esta simples compreensão é chave para se interpretar corretamente o texto.

Ora, se é Deus quem nos torna luz, então Ele mesmo é o personagem que não acenderá uma candeia para, em seguida, apaga-la, ou esconde-la onde não possa iluminar. Percebe? O texto, diferente do que muitos ensinam, não está afirmando ser possível que alguém, sendo luz, possa “esconder” ou “apagar” sua luz, antes afirma que “se não há pessoa tola o bastante para acender uma candeia que não ilumine, muito menos Deus faria isso”.

Temos então a afirmação inicial: O cristão precisa ser justo, e ele inevitavelmente será. O cristão é justo, ele é luz.

Entretanto, a justiça que ele ergue como bandeira não é uma justiça comum, ela é a justiça misericordiosa de Deus e obedece a um princípio bem exposto por Cristo também em seu sermão do monte.

Somos iguais e temos o mesmo valor, ou seja, valemos todos muito pouco! Não temos vantagem alguma sobre o outro, nem mesmo sobre descrentes.

Esta é a razão, por exemplo, pela qual devo amar meu inimigo, pois eu não sou muito diferente dele, por mais que eu pense ser alguém bom, eu não passo de um pobre miserável, e a justiça que vem de mim não passa de trapos de imundice (Is 64:6).

Não tenho vantagem alguma sobre meus inimigos, ou sobre um malfeitor qualquer, pois como eles eu também sou capaz das maiores atrocidades, basta tão somente uma motivação para isso.

Ser justo é reconhecer essa igualdade, e assim tratar o outro, independentemente de quem seja, como eu gostaria de ser tratado.

Tratar alguém mal por conta de suas ações, baseando meu tratamento nos méritos dele, é como dizer que devo ser tratado por Deus também baseado em meus méritos, o que seria algo realmente terrível.

Portanto ser justo significa se igualar aos outros e assim ter misericórdia de todos, tanto quanto gostaria de misericórdia para si mesmo. Não basta não furtar, é preciso reconhecer que não sou mais especial do que aquele que furta, uma vez que ambos necessitamos da mesma Graça e misericórdia divina, pois sem elas estamos na iminência de um terrível fim.

Caso você se identifique como cristão, mas não apresenta esta luz e esta justiça, retorne ao início, comece tudo de novo, pois a porta por onde passou era a porta errada.

Caminhemos portanto pelas veredas da justiça, a justiça misericordiosa de Deus, cujo final da linha é apenas o início da jornada, uma jornada eterna de paz.




16 maio, 2016

Um pouco mais sobre a "Marcha para Jesus - Rio Branco"




Dia 14 de maio ocorreu a "Marcha para Jesus" em Rio Branco. O texto que segue expressa bem meus pensamentos em relação a ela.


Por Augusto Hidalgo

Antes de ler esse texto, e eu quero muito que você se esforce para ler todo, saiba que eu já fui a muitas marchas, pulei, cantei, “profetizei”, e no mesmo dia até pequei, e a cada ano essa marcha foi perdendo o brilho, a ultima em 2014 foi tão indigesta a ponto de só estar lá presente por conta dos amigos, comecei a achar estranho todo aquele "fogo" em pessoas tão rasas, de achar tão superficial todas aquelas musicas e orações, comecei a não engolir todos aqueles momentos de “decretos proféticos” para mudar a cidade enquanto mendigos invisíveis aos olhos daqueles que deveriam ser o seu braço de ajuda catavam latinhas em meio ao alvoroço. Enfim, quem vos escreve é alguém que já participou, tinha uma certa liderança dentro do movimento, então sabia como as coisas funcionavam (ou ainda funcionam), se emocionou, mas com o tempo, maturidade e acima de tudo leitura bíblica foi se desprendendo disso tudo.

O conceito “Marcha para Jesus” começa na Inglaterra mais ou menos em 1987, através de uma ação ecumênica (juntar religiões) entre protestantes e católicos de Londres. A organização foi iniciativa dos líderes carismáticos Britânicos Gerald Coates, Roger Forster, Lynn Green e Graham Kendrick. Segundo eles, a passeata pública foi feita para demonstrar a “unidade entre a Igreja” e mostrar a fé cristã para a sociedade, bem como promover atos proféticos de batalha espiritual contra espíritos territoriais malignos, dominantes da Europa.

O que muitos não sabem é que estes líderes britânicos são adeptos de práticas neopentecostais duvidosas e de conceitos antibíblicos. Para se ter uma idéia, um dos idealizadores da Marcha é Gerald Coates, famoso carismático liberal Britânico, que tem como referência nada menos que Rodney Howard-Browne e Benny Hinn ambos conhecidos no meio televisivo por suas heresias bem como famosos por serem idolatrados por grupos religiosos.

Coates nega abertamente a inerrância e suficiência das Escrituras, ou seja a bíblia em sim não e suficiente para ele, defende a benção de Toronto (cair no espirito, unção de animais, recentemente a tal benção foi divulgada com Ana Paula Valadão e sua “unção do leão”) e o derramamento de Pensacola (magia branca, quase uma macumba gospel) como “mover” do Espírito Santo, utiliza como fontes de ensino a espiritualidade Celta, além de emitir falsas profecias e apoiar falsos profetas como Paul Cain (falso profeta que teve declínio moral com alcoolismo). Lynn Green é um carismático ecumênico que defende a unificação doutrinária das religiões monoteístas, principalmente entre católicos e protestantes. Roger Forster é um carismático controverso, defensor da batalha espiritual e da luta contra espíritos territoriais malignos, através de atos proféticos e outras práticas místicas. Por fim, Graham Lendrick é um ministro de louvor carismático, autor de músicas com letras teologicamente questionáveis, também defende o ecumenismo, a benção de Toronto(cair no espirito) e é adepto da confissão positiva (se eu decreto Deus obedece).

Com estas informações, podemos ter uma ideia do que se conceitua a original Marcha para Jesus. Entretanto, no Brasil a o problema é muito mais grave.

No Brasil, o evento começou a ser realizado em São Paulo no ano de 1993, organizado pela Igreja Renascer em Cristo através de seus líderes, o “Apóstolo” Estevão Hernandes e “Bispa” Sônia Hernandes, ambos conhecidos internacionalmente após sérios problemas com a justiça brasileira e americana, em razão de suas infrações contravencionais. Além disso, são conhecidos por serem expoentes do neopentecostalismo, bem como por pregar as doutrinas da restauração apostólica triunfalista e teologia da prosperidade.

Posteriormente assume liderança também Renê Terra Nova, líder com doutrina neopentecostal, adepto do falso evangelho judaizante com ênfase na confissão positiva, teologia da prosperidade, famoso por profecias não cumpridas que o caracterizam como um falso profeta, uma delas proferida em 2011 dizia que seus fieis ressuscitariam mortos e que todos os parentes seriam convertidos, além do mais e o criador da chamada “Ditadura da honra” onde os lideres de seu ministério jamais devem ser questionados, também e o fundador do M12 que nada mais é que uma cópia barata e escrachada do já falido movimento colombiano G12 do falso profeta Cesar Castellanos.

No dia, 03/09/2009, o então Presidente da República, Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou a lei que instituiu o Dia Nacional da Marcha para Jesus.

E quem ali estava? Alguns líderes do governo pra variar, juntamente com o bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, Marcelo Crivella, e os lideres da Igreja Renascer em Cristo, Estevam e Sônia Hernandes. A sanção do presidente apenas tornou oficial uma prática que se repete a cada ano.

Considerando o tamanho do evento e a quantidade de irmãos que mobiliza, logo abaixo tem dez motivos que cada cristão deveria pensar antes de participar desta marcha. As informações que dão base à análise podem ser encontradas em sites de promoção da marcha:

1. Pra começar as igrejas que organizam a maior parte da marcha são conduzidas por homens, e pasme até mulheres que se autodenominam apóstolos. Este é um erro cada vez mais frequente. Pra explicar o título “apóstolo” foi reservado àquele primeiro grupo de homens escolhidos por Cristo. Após a traição e suicídio de Judas, os apóstolos escolheram outro para ocupar seu lugar (At 1.15-20), mas, como foi feita esta escolha? Que critérios foram usados? 1º) Ter sido discípulo de Jesus durante o seu ministério terreno; 2º) Ter sido testemunha ocular do Cristo ressurreto. Logo, ninguém que não tenha sido da época de Cristo ou dos apóstolos (como Paulo o foi) pode sustentar para si o título de apóstolo; para se aprofundar recomendo a leitura de “Apóstolos” de Augustus Nicodemus Lopes, a venda no site da editora fiel

2. As igrejas que organizam a marcha ensinam a Teologia da prosperidade (crença de que o cristão deve ser próspero financeiramente), Confissão positiva (crença no poder profético das palavras — assim como Deus falou e tudo foi criado, eu também falo e tudo acontece), Quebra de maldições (convicção de que podem existir maldições, mesmo na vida dos já salvos por Cristo) e Espíritos territoriais (crença em espíritos malignos que governam sob determinadas áreas de uma cidade);

3. A filosofia da marcha está fundamentada em uma Teologia Triunfalista (tudo sempre vai dar certo, não existem problemas na vida do crente), tendo como base textos como Êxodo 14 (passagem de Israel no mar Vermelho) e Josué 6 (destruição de Jericó);

4. De acordo com os sites que organizam a marcha (são vários), uma das finalidades dela é promover curas e libertações;

5. A marcha não celebra culto, mas “show gospel” e se achar que não eu te pergunto, sempre que se anuncia a marcha qual a primeira pergunta ? quem vai vir cantar ?;

6. Os líderes do movimento propagam que a marcha tem o poder de “mudar o destino de uma nação”;

7. Na visão dos grupos, com base em Josué 1.3: “Todo lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado”, a marcha é uma reivindicação do lugar por onde passam na cidade, tipo um movimento sem terra cristão;

8. Na visão dos grupos, a marcha serve para tapar as “brechas deixadas pelos atos ímpios de nossa nação”;

9. Na visão dos grupos, a marcha destrói “fortalezas erguidas pelo inimigo em certas áreas em nossas cidades e regiões”;

10. A marcha tem caráter isolacionista, ou seja, tenta mostrar que os cristãos tem grande numero e não são uma voz “fraca” na sociedade, e não o que Cristo nos ensinou, a saber, envolvimento amplo na sociedade, como sal e luz (Mt 5.13-16), com irrepreensível testemunho cristão: “...mantendo exemplar o vosso procedimento no meio dos gentios, para que, naquilo que falam contra vós outros como de malfeitores, observando-vos em vossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação” (1 Pe 2.12).

Ademais, é importante observar que toda a organização da marcha está centrada nas mãos de uma igreja apenas, excluindo-se o alegado caráter de união entre os evangélicos.
Por mais que vc me diga que nao existe placa de igreja na marcha eu te pergunto, qual o trio elétrico principal? e sempre da maior igreja né? pq td mundo tem sua blusa personalizada? ja ta bom por aqui.

Ademais os objetivos da marcha que nao falam, mas que são totalmente perceptíveis :

1 - Competir com a “marcha do orgulho gay” em termos numéricos e mostrar o poder do que consideram igreja;

2 - Servir como trampolim para promoção de cantores, líderes e políticos “gospel”, e se vc dizer que nao eu digo que sempre vem o cantor do momento e sempre ta o prefeito ou governador de microfone na mão, sempre ovacionados pelo público.

3 - Promover o comércio de produtos/serviços gospel;

4 - Além um transtorno para a ordem da cidade, por conta da perturbação do sossego público e do bloqueio ao trânsito, afastando as pessoas do evangelho, bem como envergonhando os cristãos que não compactuam com o evento, muitos ate se orgulham de ver as pessoas com raiva, como se fossem verdadeiros cristãos revolucionários.

No Estado do Acre quem comanda são as Igrejas famosas por escândalos e com doutrinas judaizantes confusas, desvirtuadas pelos movimentos que surgiram aqui em meados dos anos 2000 do g12 e m12, que vieram travestidos de grandes avivamentos, e não e difícil achar pessoas que tiveram suas vidas arrasadas por estes sistemas, tais igrejas perderam totalmente sua base de fé e hoje não seguem confissão de fé alguma, em muitas nem escola bíblica existe mais, e multiplicam-se lideres totalmente ignorantes das doutrinas bíblicas fundamentais, além do que estas promovem o movimento com viés profético questionável, e totalmente isolacionista de modo que igrejas que não são do movimento ou “cobertura espiritual” como chamam, não podem ter participação na liderança do avento e participam desagregados dos grandes trios.

Pra finalizar, uma marcha que não traz mudança alguma para a sociedade, não prega o evangelho de Cristo, que não ajuda um necessitado, que não socorre o aflito, alimenta o faminto, veste o mendigo, JAMAIS pode ser associada com JESUS.

Tanta força e entusiasmo deveriam ser canalizados para a pregação do evangelho. As pesquisas indicam que os evangélicos já somam 70% a 80% da população brasileira, no entanto, a imoralidade, a corrupção e a violência estão cada vez maiores em nosso país. Os canais de TV, os programas de rádio, as marchas não têm gerado transformação de vida alguma em nosso povo, pois tem servido apenas de PURO ENTRETENIMENTO e não na pregação expositiva da palavra de Deus.

A marcha que Cristo ensinou à sua igreja foi outra, silenciosa e efetiva, igual o sal salgando o alimento (Mt 5.13); pessoal e de relacionamento, como na igreja primitiva (At 8.4); cotidiana e sem cessar, como entre os primeiros convertidos (At 2.42-47).

Que Deus nos restaure essa visão, nos traga maturidade, podia estender bem mais esse texto, falar que tudo isso é apenas o fruto da falta de cultura bíblica, da alienação pos moderna, mas nao tenho pretensão de transformar isso em um grande artigo, no mais Deus nos abençoe e continue tendo misericórdia para conosco, amém.


***
Augusto Hidalgo é acreano, ex membro de igreja neopentecostal, alcançado e transformado pela Graça de Deus e pelo conhecimento do Seu Evangelho.



09 fevereiro, 2016

Carta de Campina Grande - 18º Encontro para a Consciência Cristã





Como já é costume, ao final do 18º Encontro para a Consciência Cristã, em Campina Grande - PB, foi produzido um documento que resume toda a produção teológica dos 6 dias do congresso, assinada por vários líderes e palestrantes do evento, e que sugere soluções e faz alertas quanto aos rumos em que a igreja evangélica brasileira tem tomado.

Segue a carta em sua íntegra.


Carta de Campina Grande


Nós, membros da igreja de Jesus Cristo, participantes do 18º Encontro para a Consciência Cristã, celebramos a comunhão que desfrutamos como povo de Deus, e unidos ao redor do evangelho de Cristo afirmamos:

1. Que a mensagem pregada pelos apóstolos tinha por conteúdo exclusivo a verdade inequívoca de que Jesus Cristo era o único capaz de salvar os homens de seus delitos e pecados, e que fora deleabsolutamente ninguém pode ser salvo(Atos 4:12).

2. Afirmamos também que através da morte de Cristo na Cruz todo escrito de dívida que era contra nós foi cancelado (Colossenses 2:13-14) e que, devido a isso, não existe nenhuma maldição ou condenação que possa prevalecer, amedrontar ou escravizar aqueles que por Ele foram salvos.

3. Afirmamos que o sacrifício de Cristo na cruz do Calvário foi suficiente para livrar o crente de toda condenação do pecado.Em virtude disso, tornam-se desnecessárias ações humanas cujo foco destina-se a quebra de maldições hereditárias, repreensão de espíritos familiares que escravizam os homens ou até mesmo a observância de elementos místicos cujos conceitos não estão fundamentados nas Sagradas Escrituras. Ao contrário disso, afirmamos veementemente que cremos que a morte de Cristo na cruz foi suficiente para libertar os salvos das garras deSatanás dando a estes, vida eterna (Colossenses 1:13-14).

4. Afirmamos que Cristo é suficiente para a salvação do pecador. Em virtude disso, não existe nada, nem ninguém, nem tampouco nenhuma observância religiosa capaz de corroborar com a salvação dos homens. Acreditamos que a salvação não se deve a uma conquista humana, mas é uma dádiva de Deus.Não nos é possível alcança-la por mérito, mas sim por graça, e que também não é um tipo de troféu que erguemos como fruto do nosso esforço pessoal, mas um presente imerecido (Efésios 2:1-10).

5. Afirmamos que o evangelho é a boa notícia da salvação graciosa de Deus de que somente pela fé em Jesus Cristo o homem pode ser salvo e que ninguém pode ser justificado por suas obras, visto que todos pecaram e distanciaram-se da glória de Deus (Romanos 3:23; 6:23; Efésios 2:8-9), tornando-se assim incapazes de se autojustificarem diante de Deus (Romanos 3:10-11).

Diante do exposto, concluímos:

Estamos convictos de que fora de Cristo absolutamente ninguém pode ser salvo, portanto, com coração contrito, afirmamosque rejeitamos todo tipo de doutrina, ensino ou conceito teológico que afirme a possibilidade de salvação do pecador fora de Cristo.

Declaramos também, como discípulos do Senhor, que assumimos o compromisso de proclamar Cristoa todos os povos, tribos, línguas e nações, como o único capaz de salvar o homem de seus delitos e pecados(João 10:6; 11:25; 14:6).

Portanto, confiantes na graça de Deus, assumimos este compromisso diante do Todo-poderoso e de Seu povo, a fim de vermos em nossa nação um poderoso progresso do Evangelho de Cristo.


***

Assinam a carta:

Pr. Euder Faber Guedes Ferreira (presidente da VINACC)

Pr. Augustus Nicodemus (IPB/GO)

Pr. Aurivan Marinho (IC/PE)

Prof. Brenno Douettes (IB/PR)

Pr. Calvino Rocha (IPB/PB)

Pr. Ciro Sanches Zibordi (AD/RJ)

Pr. Conrad Mbewe (KBC/ZAM)

Pr. Franklin Ferreira (IB/SP)

Pr. Gaspar de Souza (IPB/PE)

Pr. Geremias Couto (AD/RJ)

Pr. Joaquim de Andrade (CREIA/SP)

Pr. Jonas Madureira (IB/SP)

Pr. Jorge Noda (ILEST/PB)

Pr. José Bernardo (AMME/SP)

Pr. Marcos Gladstone (SBB/SP)

Prof.ª Norma Braga (IPB/RN)

Pb. Solano Portela (IPB/SP)

Pr. Renato Vargens (ICA/RJ)

Miss. Rosali Melo (IC/PB)

Miss. Thomaz Litz (Juvep/PB)

Pr. Tiago Santos (IB/SP)



18º Encontro para Consciência Cristã - AO VIVO #PLAY




Acompanhe ao vivo a transmissão do 18º Encontro para Consciência Cristã.


PROGRAMAÇÃO PARA O DIA 09 DE FEVEREIRO (NOITE):

INÍCIO AS 19:00HS.

Participação musical: Grupo Sal da Terra.
Preletor 1: Renato Vargens, com o tema "A suficiência de Cristo na salvação".
Preletor 2: Aurivan Marinho, com o tema "Da cegueira para a visão plena da Glória de Deus".





02 fevereiro, 2016

Idolatrando a ignorância, ou ignorando à verdade


Por Ruy Cavalcante

Quando Esdras e Neemias, um após o outro, retornam a Jerusalém, juntamente com milhares de outros israelitas que foram autorizados a deixarem o cativeiro Persa, a fim de reconstruírem Jerusalém, o Templo e ali habitarem, algo essencial ocorreu e tal acontecimento ocasionou um grande avivamento, descrito a partir do capítulo 8 do livro de Neemias.

Diz a Palavra de Deus que o escriba Esdras reuniu-se com o povo, a fim de lerem e meditarem na Lei de Deus. Ali se reuniram homens, mulheres e todos os que possuíam capacidade cognitiva, para que pudessem ouvir e compreender tudo o que Esdras lia diante deles. Esta leitura durou a manhã inteira e todo o povo permanecia imóvel e atento à leitura.

Além de realizada a leitura, haviam vários levitas dando explicações de tudo o que se lia. Estes relatos deixam claro que o Escriba Esdras e o Governador Neemias tinham urgência em que o povo conhecesse a Lei de Deus, para que pudessem finalmente restaurar mais do que as paredes do Templo ou os muros de Jerusalém, mas a sua própria fidelidade a Deus.

Eis que após a compreensão da Palavra, o povo se põe a chorar. Estavam aflitos pois perceberam que suas vidas estavam distantes de Deus. Coube a Esdras, Neemias a aos levitas consolarem o povo, pois percebiam que ali ocorria o que muito tempo depois Jesus veio a ensinar em suas bem aventuranças, a respeito do consolo dos que choram (Mt 5:4). Esse é o choro do arrependimento, daqueles que tiveram seus corações quebrados e perceberam sua miséria diante de Deus, buscando a partir de então a restauração de suas vidas.

Dia após dia o Escriba e Sacerdote Esdras permaneceu lendo e dando explicações da palavra ao povo, e o povo se fortaleceu.

Hoje nos deparamos com situações como as do vídeo, levadas a cabo por um povo carente de conhecimento das Palavras do Criador. Um rebanho de pessoas conduzidas por lobos vorazes, mas que não possuem capacidade de reconhecer que este caminho não é de vida.

Só o conhecimento de Deus e de sua palavra poderá livra-los desta exploração. E o meu desejo é que eles venham a conhecer estas verdades imutáveis do Evangelho e possam ser não apenas libertos da opressão de homens e mulheres que arrancam-lhes a lã sem remorso, mas da opressão de estarem distantes da verdade e, desta forma, distantes de Deus.

Vejo sinceridade nos olhares destas pessoas, percebo um desejo zeloso de se achegarem a Deus, mas infelizmente o zelo e a sinceridade sem a posse da verdade não são suficientes, conforme nos ensina o apóstolo Paulo:

"Porque lhes dou testemunho de que eles têm zelo por Deus, porém não com entendimento. Porquanto, desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à que vem de Deus". (Rm 10:2 -3)

Que Deus tenha misericórdia de todos nós.

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22 janeiro, 2016

Sobre campanhas triunfalistas




O vídeo acima trata-se de uma campanha que envolve varias igrejas, de várias denominações, de diversos lugares do Brasil, mas com datas de início diferenciadas. Nada de novidade na verdade, a mesma mensagem que comumente ouvimos Brasil afora, afincada em bases humanas, seculares, sem poder algum para gerar a obra que Deus prometeu realizar no coração humano.

Portanto não comentarei sobre as igrejas envolvidas ou sobre esta bobagem de campanha de vitória mês a mês. Mas queria falar, mesmo que resumidamente, sobre a diferença entre este tipo de mensagem/pregação, e a pregação que gera a fé genuína.

O Apóstolo Paulo diz: 

Mas haverá ira e indignação para os que são egoístas, que rejeitam a verdade e seguem a injustiça(Rm 2:8).

E diz também:

Irmãos, o desejo do meu coração e a minha oração a Deus pelos israelitas é que eles sejam salvos. Pois posso testemunhar que eles têm zelo por Deus, mas o seu zelo não se baseia no conhecimento. Porquanto, ignorando a justiça que vem de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se submeteram à justiça de Deus. Porque o fim da lei é Cristo, para a justificação de todo o que crê(Rm 10:1-4).

Sua primeira afirmação deixa clara a recompensa daqueles que rejeitam a verdade para seguir a injustiça. Na segunda fica obvio qual é a verdade que se reveste de justiça de Deus, a saber Cristo, aquele por meio do qual podemos ser justificados.

Ambas as afirmações são riquíssimas de conteúdo doutrinário, mas como não pretendo produzir um tratado teológico, serei um pouco mais superficial, porém não menos fincado nestas verdades.

Ora, só há uma verdade e ela é cognoscível. A justiça de Deus está firmada em Cristo, e somente pelos méritos dEle podemos ser justificados. Esta é a verdade onde a Igreja está firmada, esta é a rocha na qual cada um de nós deve estar alicerçado e que nos torna mais do que vencedores.

Por ela vencemos até a morte, por ela suportamos perseguições, por ela sofrimento nenhum poderá nos fazer desfalecer, continuaremos vitoriosos assim como Estevão, que mesmo tendo sido apedrejado, recebeu sua coroa de glória.

Somente esta é a verdade, este Evangelho é o poder de Deus para salvação do que crê (Rm 1:16). Através dela teremos vitória não mês a mês, mas absolutamente todos os segundos de nossa existência serão vitoriosos, mesmo que tudo fora de nós esteja em ruínas. A verdadeira vitória cristã é inabalável!

O Apóstolo chega a afirmar que nem mesmo ser zeloso ou sincero diante de Deus será suficiente se a nossa busca não for por esta verdade. 

Não foi por coisas terrenas que Cristo morreu. Não foi por prosperidade, poder, bênçãos e portas abertas que Cristo foi pisado. Dessa forma, todas estas outras afirmações, campanhas, congressos, cruzadas ou afins, que não trazem consigo esta verdade não passam de injustiça.

Assim acontece com esta campanha do vídeo. Apenas o homem procurando estabelecer sua própria justiça, uma justiça humana, fundamentada em falsas verdades que não possuem qualquer alinhamento com Cristo e que, portanto, não são capazes de responder aos verdadeiros anseios do ser humano.

Muitos estão assim, correndo atrás do vento, perambulando pelas veredas da injustiça, galgando caminhos de morte que, por estarem bem adornados, atraem seus instintos, são desejosos assim como foi desejosa a fruta que Adão e Eva jamais deveriam ter provado. Todos sabem a consequência final dessa história. E Paulo apenas repete isso com suas próprias palavras: Mas haverá ira e indignação para os que são egoístas, que rejeitam a verdade e seguem a injustiça.

Mas como crerão, se o que pregamos são mensagens humanas e não eternas?

Que Deus continue renovando Sua misericórdia a cada manhã, e que a igreja consiga ser o sal que impede que o mundo apodreça de uma vez.

Paz a todos.


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Postado originalmente no Blog Púlpito Cristão, com o Título "12 dias de clamor por um prêmio de indignação".