22 janeiro, 2016

Sobre campanhas triunfalistas




O vídeo acima trata-se de uma campanha que envolve varias igrejas, de várias denominações, de diversos lugares do Brasil, mas com datas de início diferenciadas. Nada de novidade na verdade, a mesma mensagem que comumente ouvimos Brasil afora, afincada em bases humanas, seculares, sem poder algum para gerar a obra que Deus prometeu realizar no coração humano.

Portanto não comentarei sobre as igrejas envolvidas ou sobre esta bobagem de campanha de vitória mês a mês. Mas queria falar, mesmo que resumidamente, sobre a diferença entre este tipo de mensagem/pregação, e a pregação que gera a fé genuína.

O Apóstolo Paulo diz: 

Mas haverá ira e indignação para os que são egoístas, que rejeitam a verdade e seguem a injustiça(Rm 2:8).

E diz também:

Irmãos, o desejo do meu coração e a minha oração a Deus pelos israelitas é que eles sejam salvos. Pois posso testemunhar que eles têm zelo por Deus, mas o seu zelo não se baseia no conhecimento. Porquanto, ignorando a justiça que vem de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se submeteram à justiça de Deus. Porque o fim da lei é Cristo, para a justificação de todo o que crê(Rm 10:1-4).

Sua primeira afirmação deixa clara a recompensa daqueles que rejeitam a verdade para seguir a injustiça. Na segunda fica obvio qual é a verdade que se reveste de justiça de Deus, a saber Cristo, aquele por meio do qual podemos ser justificados.

Ambas as afirmações são riquíssimas de conteúdo doutrinário, mas como não pretendo produzir um tratado teológico, serei um pouco mais superficial, porém não menos fincado nestas verdades.

Ora, só há uma verdade e ela é cognoscível. A justiça de Deus está firmada em Cristo, e somente pelos méritos dEle podemos ser justificados. Esta é a verdade onde a Igreja está firmada, esta é a rocha na qual cada um de nós deve estar alicerçado e que nos torna mais do que vencedores.

Por ela vencemos até a morte, por ela suportamos perseguições, por ela sofrimento nenhum poderá nos fazer desfalecer, continuaremos vitoriosos assim como Estevão, que mesmo tendo sido apedrejado, recebeu sua coroa de glória.

Somente esta é a verdade, este Evangelho é o poder de Deus para salvação do que crê (Rm 1:16). Através dela teremos vitória não mês a mês, mas absolutamente todos os segundos de nossa existência serão vitoriosos, mesmo que tudo fora de nós esteja em ruínas. A verdadeira vitória cristã é inabalável!

O Apóstolo chega a afirmar que nem mesmo ser zeloso ou sincero diante de Deus será suficiente se a nossa busca não for por esta verdade. 

Não foi por coisas terrenas que Cristo morreu. Não foi por prosperidade, poder, bênçãos e portas abertas que Cristo foi pisado. Dessa forma, todas estas outras afirmações, campanhas, congressos, cruzadas ou afins, que não trazem consigo esta verdade não passam de injustiça.

Assim acontece com esta campanha do vídeo. Apenas o homem procurando estabelecer sua própria justiça, uma justiça humana, fundamentada em falsas verdades que não possuem qualquer alinhamento com Cristo e que, portanto, não são capazes de responder aos verdadeiros anseios do ser humano.

Muitos estão assim, correndo atrás do vento, perambulando pelas veredas da injustiça, galgando caminhos de morte que, por estarem bem adornados, atraem seus instintos, são desejosos assim como foi desejosa a fruta que Adão e Eva jamais deveriam ter provado. Todos sabem a consequência final dessa história. E Paulo apenas repete isso com suas próprias palavras: Mas haverá ira e indignação para os que são egoístas, que rejeitam a verdade e seguem a injustiça.

Mas como crerão, se o que pregamos são mensagens humanas e não eternas?

Que Deus continue renovando Sua misericórdia a cada manhã, e que a igreja consiga ser o sal que impede que o mundo apodreça de uma vez.

Paz a todos.


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Postado originalmente no Blog Púlpito Cristão, com o Título "12 dias de clamor por um prêmio de indignação".